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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Há 8 anos o mundo mudou...


A 11 de Setembro de 2001, há precisamente oito anos atrás, o mundo mudou.

Hoje gostava de prestar neste blog uma sentida homenagem às cerca de 3000 vítimas mortais daquele espectáculo de horror e de terror; às respectivas famílias que certamente muito sofreram e têm sofrido por terem visto os seus ente-queridos partir por uma causa que não era a sua, por terem visto os seus ente-queridos partir de um momento para o outro sem compreender o porquê e por fim, aos socorristas que se apressaram a correr para o local para acodir todos aqueles que estavam em apuros e muitos deles acabaram por perder as suas vidas ou ficar profundamente marcados para o resto das mesmas.

Tinha 10 anos naquele fatídico dia. Estava em casa, muito chateado por não dar outra coisa na televisão que não as imagens dos atentados. Cheguei a ver em directo o embate do segundo avião nas torres do World Trade Center, sem lhe dar grande importância.

Só mais tarde compreendi o quão frágeis e vulneráveis eramos naquele momento e nos dias que se seguiram aos atentados, levados a cabo por homens cujas mentes, consumidas pelo ódio, pela incompreensão e pelo fundamentalismo, não hesitaram na hora de provocar tanto mal.

"Nous Sommes Touts Americans" dizia um prestigiado jornal francês no dia seguinte à tragédia. De facto, ao contrário do que se fez crer, era a Humanidade e não apenas uma nação, que tinha sido profundamente atacada.

Nunca esquecerei o trabalho dos hérois que socorreram as vítimas, nunca esquecerei a imagem dos que saltaram dos andares para uma morte anunciada, mas injusta pela forma como chegou.

Naquela hora, George Walker Bush, Presidente dos Estados Unidos da América, no seu orgulho ferido a que até tinha direito, escolheu porém um caminho errado, um caminho baseado na vingança e no ódio. Preferiu dizer que ou estavam com ele ou estavam com os terroristas nessa luta do bem contra o mal.

O chefe de Estado dos "polícias do mundo", expressão que ajuda a caracterizar a política externa dos Estados Unidos da América que Bush tentou levar a cabo, nunca compreendeu a célebre frase de Mahatma Gandhi segundo o qual "olho por olho, o mundo acabará cego".

Bush nunca compreendeu que a História da Humanidade não é a história da lutas dos bons contra os maus, do que fazem sempre tudo bem contra aqueles que fazem sempre tudo mal; Bush esqueceu os erros e as faltas que os Estados Unidos da América tiveram muitas vezes, sobretudo ao longo do período da Guerra Fria, esquecendo os valores da democracia que os EUA implataram de forma sublime; Bush preferiu o uso da força ao uso da persuação, construiu muros e fronteiras onde era preciso construir pontes e o radicalismo e o fundamentalismo aumentaram.

Desde então, Afeganistão, Iraque, Guantanamo, Abu Ghraib, 11 de Março ou 7 de Julho, por exemplo são expressões que nos trazem a memória a lembrança de milhares de inocentes feridos, mortos ou torturados e nos fazem sentir que hoje vivemos num mundo mais perigoso e vulnerável.

Um mundo que é preciso mudar...


PS: Hoje as 00h20 a TVI emite o filme "Voo 93". A não perder. Um exemplo de coragem e bravura de 44 grandes patriotas.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

A PARTICIPAÇÃO CÍVICA DOS JOVENS


A cada vez mais escassa participação dos jovens na vida cívica é cada vez mais um motivo de preocupação de muitos agentes políticos, com especial relevância para o Presidente da República que várias vezes tem chamado a atenção para este problema.

A juventude portuguesa encontra-se desiludida com os fracassos da democracia portuguesa, com especial relevância para a corrupção, e está neste momento de costas viradas para a participação cívica e politica, envolta numa maré de indiferença que torna os tempos que virão, bastante complicados.

E é essa maré de indiferença que é necessária afastar da juventude portuguesa, promovendo a sua participação mais activa na solução para os problemas que afectam os problemas do país, pois só assim é possível construir uma sociedade mais justa, solidária, plural e igual.

A participação cívica inclui a participação politica e partidária, mas não se confunde nem se esgota na mesma.

Um dos maiores exemplos disso mesmo é a existência de uma extensa rede de Organizações Não Governamentais (ONG) e de Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) que dão um grande impulso à acção dos governos na manutenção do Estado Social criando condições para a eliminação de muitas desigualdades, retirando muitas famílias de situações de pobreza, alertando para o incumprimento dos Direitos Humanos e promovendo a inclusão social e a melhoria da qualidade de vida de muitas populações.

Subjacente a este fenómeno está uma nova geração que se dedica ao voluntariado e que demonstra um comovente espírito de entrega ao serviço dos outros.

Prestando a sua acção sem pretender qualquer tipo de recompensa monetária ou material e reconhecendo a dignidade de todo e qualquer ser humano, os jovens empenhados no voluntariado prestam um grande serviço à Sociedade conjugando a capacidade profissional com a generosidade gratuita, fazendo da sua acção não só um contributo para um país melhor, mas também como um factor de realização pessoal e aquisição de novos conhecimentos e experiências.

A acção destes jovens pode e deve ser valorizada para que todos os envolvidos beneficiem de medidas de apoio, designadamente no âmbito dos regimes militar ou escolar, por exemplo, dando assim o Estado um sinal de que está atento e reconhecido a todos aqueles que se empenham gratuitamente na procura de uma solução para os problemas que afectam a sua comunidade, motivando outros a fazer o mesmo.

A escola deve ser igualmente um instrumento a ter em conta na cativação dos jovens para a participação cívica. É necessário que se compreenda que na base de tudo para resolver os problemas que afectam o mundo está a Educação e sobretudo a Educação para a Cidadania, para que desde a infância haja uma maior sensibilização para a participação cívica.

O mundo globalizou-se de tal maneira, que hoje em dia uma simples assinatura numa petição ou um simples clique na Internet, podem causar grandes efeitos.

Torna-se fundamental, incutir desde muito cedo nas crianças e nos adolescentes a consciência de que a resolução dos problemas que afectam a nossa rua, a nossa escola e a nossa freguesia, passam também por nós. Tal pode ser feito através da disciplina de Formação Cívica, se a mesma for dada de forma mais séria e competente, com um professor próprio, com uma duração mais extensa que a actual e com um programa mais estruturado que faça com que alunos, professores e escola levem esta disciplina mais a sério, como essencial para o futuro dos mesmos e do país.

Seria interessante ver tratados nesta disciplina temas como a compreensão da vida democrática portuguesa desde o Poder Local ao Poder Central, o funcionamento das instituições em Portugal, uma visão simplificada do conteúdo da Constituição Portuguesa, o funcionamento das instituições europeias e outras em que o nosso país esteja inserido como a NATO ou a ONU, por exemplo, explicando-se a sua importância no actual contexto de mundo globalizado em que vivemos, os fenómenos das ONG e do voluntariado, a importância do respeito pelos Direitos Humanos, a história das religiões, os sistemas políticos internacionais ou alguns modelos ideológicos que mais importância tiveram ao longo da História.

Mas sabendo que a cidadania não se estuda apenas para um teste, mas que se aprende exercendo-a e participando democraticamente nas escolhas que afectam o nosso quotidiano, seria também de considerar a antecipação da idade de voto para os 16 anos, de modo a inserir os jovens mais cedo num clima de vivência democrática, mas com responsabilidade.

Assim, os jovens teriam uma voz e uma palavra a dizer acerca dos problemas que os afectam, sendo este um incentivo para que os agentes políticos prestassem mais atenção e dedicassem um pouco mais dos seus programas a este sector da sociedade e para que os jovens estivessem bastante mais atentos às medidas apresentadas e ao debate político-partidário, entre outros.

MEDIDAS

1ª
Criação do Estatuto do Voluntário, idêntico ao Estatuto de Atleta de Alta Competição que beneficie os envolvidos nos regimes escolar, militar e profissional, reconhecendo os envolvidos e motivando outros a contribuírem para a formação de uma sociedade melhor.

2ª Reformulação da disciplina de Formação Cívica, através da criação de um programa estruturado, alargamento da carga horária semanal e especialização dos professores na disciplina.

3ª Antecipação da idade do voto para os 16 anos de modo a cativar os jovens para a participação politica, envolvendo-os na vivência democrática desde tenra idade, mas com responsabilidade.

Carlos Alberto Videira

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

História!

"I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character. I have a dream today."
MARTIN LUTHER KING, 28 de Agosto de 1963

Se Martin Luther King fosse vivo festejaria 80 anos na segunda-feira, mas a sua verdadeira prenda viria ontem, pois o sonho que ele havia revelado há 45 anos tornou-se ontem realidade. Um homem de 47 anos de seu nome Barack Hussein Obama, filho de um queniano e uma norte-americana, tomou ontem posse como 44º Presidente dos Estados Unidos da América, depois da eleição mais mediática de sempre.

É certo que o facto de ser um afro-americano contribui para o mediatismo desta eleição, mas o facto do mesmo nunca se ter referido a isso para ganhar vantagem é que torna o dia de ontem no dia da realização do sonho de Martin Luther King. Por isso, ontem, enquanto assistia pela televisão à tomada de posse imaginava o Prémio Nobel da Paz, sentado em lugar de destaque, talvez com uma bengala ao lado, uns quilos a mais e já muitos cabelos brancos a assistir aquele momento histórico com um sorriso de orelha a orelha e uma lágrima no canto do olho, com uma expressão de "Missão Cumprida".

De facto, ontem ocorreu História. Nunca havia assistido à tomada de um governante mas ontem não quis perder aquele momento. Tinha a plena consciência que estava a testemunhar um momento histórico e que um dia mais tarde recordei com os meus filhos e os meus netos, se os tiver, aquele instante maravilhoso em que com uma mão sobre a Bíblia, já usada pelo grande Presidente Lincoln em 1861, e a outra levantada, Barack Obama prestava juramento perante uma multidão de 2 milhões de pessoas que se encontravam até 2 km do local onde foi proferido o discurso.

O que se passará daqui em diante, só Deus sabe. Mas todos sabemos o que se passou nestes tempos. Um homem brilhante conseguiu com simples palavras como "mudança", "unidade" e "esperança" despertar o que de melhor há nos Homens e na Humanidade. Mas este, é só ainda o começo...

sábado, 17 de janeiro de 2009

GOODBYE GEORGE W. BUSH


George Walker Bush abandona estes dias a Casa Branca e o Mundo sente um novo balão de oxigénio, podendo assim voltar a respirar melhor. Estes últimos 8 anos foram um tremendo fracasso e ficarão marcados na História como páginas sombrias, devido a este homem que quis impor a sua forma de pensar, baseada na ganância e na vingança, ao mundo.

Se a eleição taco a taco com Al Gore já o tinha deixado um pouco desconfortável daí em diante foram erros atrás de erros. É verdade que o 11 de Setembro foi um momento para o qual nem o Mundo nem os EUA estavam preparados. Mas de todas as reacções possíveis e imaginárias, a que foi tomada, no sentido da vingança e do ódio foi a pior possível.

Tudo começou com uma Invasão ao Afeganistão, seguiram-se as misteriosas armas de destruição maciça que fizeram as forças da Coligação entrar no Iraque, os conflitos verbais com o Irão, terminando com os escândalos de Abu Ghraib e de Guantanamo, num país que se orgulha de ser o berço da democracia ocidental.

Junte-se a isto um número sem fim de gaffes memoráveis, a rábula do perú falso ou o episódio do sapato em Dezembro passado e sem falar das responsabilidades na actual crise financeira internacional, resultado de anos e anos de más políticas, vemos o mundo como um local mais perigoso para se viver do que há 8 anos atrás.


GOODBYE!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Discurso do Presidente


O discurso de Ano Novo de Cavaco Silva foi de semblante carregado de modo a não dar ilusões aos portugueses, descrevendo um cenário cinzento mas realista ao invés do tipo de discurso de José Sócrates, tradicionalmente confiante e auto-elogioso.

O problema é que só Sócrates é que governa e assim os avisos e apelos de Cavaco aos vários sectores da sociedade podem cair em saco roto, não passando de uma análise crítica com o mesmo valor das análises dos comentadores dos jornais, rádios e televisões.

No entanto, tenhamos esperança. Não temos muito mais a que nos agarrar. A esperança tal como G. Herbet disse "é o pão dos pobres"! Todas as crises trazem as suas dificuldades e têm terríveis consequências, mas podem também ser portadoras de renovação e muitas surpresas agradáveis.

E isto não é nenhuma contradição com o discurso do Senhor Presidente da República que considero muito bom. De facto, "as ilusões pagam-se caro", tal como ele disse. A diferença está na atitute passiva ou activa que tomamos ao encara-las, e aí Cavaco Silva também referiu que apenas juntos poderemos ultrapassar os problemas que virão em diante.

Ao longo dos anos os portugueses sempre se queixaram do que tinham pelo que não tinham e punham nos actores políticos a responsabilidade do estado do país. Esperamos sempre que alguém nos venha salvar do abismo, tal como na história do regresso de D. Sebastião, mas raramente arregaçamos as mangas para fazer algo de construtivo.

John F. Kennedy disse: "Não perguntem ao vosso país o que ele pode fazer por vós, mas o que vocês podem fazer pelo vosso país!". Esta crise financeira internacional que nos assola é um convite a isso mesmo: a fazer algo pelo nosso país colectivamente, deixando de parte o discurso derrotista e não deixando de encarar a realidade sem ilusões podemos construir um futuro melhor com esperança.

Mas isto só lá vai quando todos nos sentirmos responsáveis pelo que se passa no nosso país e no nosso mundo e procurarmos o nosso papel na solução para os problemas que nos afectam!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

A nossa crise financeira


Há dias o Primeiro Ministro, José Sócrates, apresentava-se muito confiante para 2009. Claro que o Primeiro Ministro tem que transmitir a Portugal alguma esperança, mas não pode esconder as evidências.

Se a queda do preço do petróleo e das taxas de juro até podem ter algum efeito positivo, o esforço que esta crise está a exigir fará com que o défice aumente e que no futuro seja reduzido através de nova subida de impostos.

O Governo deve e pode sacrificar o défice desde que depois da crise financeira passar, não volte a pedir aos portugueses para apertar o cinto nem volte a aumentar os impostos de modo a reduzi-lo. Se isso acontecesse, os últimos anos de esforço cairíam em saco roto.

Entretanto, Sócrates apresentou algumas medidas muito positivas mas que só ajudarão os portugueses se ao mesmo tempo o Estado fiscalizar se o apoio que concedeu à Banca está a ser direccionado para as Empresas e as Famílias de modo a que haja um reforço do consumo interno.

Foi necessário por liberalismo na gaveta para o salvar. Tudo porque ele não permitiu a fiscalização e regulação do Estado a quem depois teve que recorrer. O Estado disse presente e deve agora exigir contrapartidas concretas: apoio direccionado a sectores específicos da Economia e regulação e fiscalização permanente!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

CHUMBO


Em Portugal, o Ministério da Educação é insensato, teimoso e arrogante ao querer levar sozinho um modelo de avaliação insustentável e absurdo que põe professores a avaliar outros de outras disciplinas que não a dele e que põe professores menos experientes a avaliar professores mais experientes.

Os professores andam de manifestação em manifestação a fazer figuras tristes, sobretudo com os slogans do tipo "Piu, Piu, Piu, a Ministra já caíu" (não era eu que depois de aparecer na televisão a dizer isto, tinha coragem de ir dar aulas no dia seguinte). Não discutindo a razão do seu protesto, também é verdade que pedir a suspensão do modelo não chega. Há que apresentar propostas alternativas, coisa que os sindicatos (que antes já haviam dito sim a este modelo) ainda não apresentaram junto do Ministério.

Pelo meio, há também os alunos, que ao que parece, deviam ser a principal preocupação em todo este processo, e que à deriva, aproveitam a boleia da contestação docente, para andarem de greve em greve sem conhecimento de causa e com comportamentos lamentáveis, que em nada dignificam o nosso nome.

Acredito que é avaliando o estado da Educação de um país que podemos concluir sobre o futuro do mesmo, em termos de desenvolvimento económico e social. E é por isso que tenho medo do futuro de Portugal!


PS: Avaliados negativamente terão também que ser os deputados do PSD que faltaram a uma votação que poderia ter finalmente acabado com esta palhaçada toda! Com comportamentos deste tipo é díficil um partido gerar confiança junto das pessoas.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

28 anos depois...

Francisco Sá Carneiro morreu há 28 anos e continua hoje mais presente do que nunca no imaginário colectivo português pela obra e legado que deixou a um Portugal em profundas transformações. Ainda hoje num partido tão fragmentado como o PSD, é o único capaz de gerar a concórdia.

Portugal era depois da Revolução de 1974 e de acordo com a Constituição de 1976 uma sociedade a caminho do Socialismo. Mas era-o, não pela convicção natural das pessoas, mas sim pelo poder que a Ala Esquerda e em especial o Partido Comunista Português tinham no rumo dos acontecimentos que se verificavam na altura e que não fosse o 25 de Novembro e a acção de homens como Diogo Freitas do Amaral, Francisco Sá Carneiro e Mário Soares, teriam tornado Portugal em mais um satélite da URSS.

Sá Carneiro não o aceitaria. Já havia lutado contra uma ditadura totalitária e não concebia que uma nova podesse voltar a oprimir o povo português. Lutou por um Portugal não socialista, democrático e europeu, opondo-se tanto ao fascismo como ao comunismo, procurando mudar o sistema por dentro, pacíficamente, sem revoluções, mas usando o reformismo como forma de dar a Portugal um futuro mais risonho recheado de paz, prosperidade e justiça social.

Não esqueço também o democrata-cristão Adelino Amaro da Costa, que igualmente perdeu a vida naquele fatídico dia. Um verdadeiro personalista!

Vidas que tanto nos deram e muito mais nos poderiam ter dado, não fosse o destino ou qualquer outra coisa, que infelizmente nunca chegaremos a saber...

domingo, 9 de novembro de 2008

Habemus President!

Barack Hussein Obama é o 44º Presidente do Estados Unidos da América! Chegou ao fim o suspense, numa eleição mais apertada do que as últimas sondagens previam.

Na terça feira deixei-me ficar acordado até à divulgação da vitória do Senador do Illionis no Ohio e que não me deixaram muitas dúvidas sobre o resultado final. Antes de me deitar, reflecti num dado novo que a imagens mostravam: milhares de pessoas a correr pelo melhor lugar para o sítio onde Obama faria o seu discurso naquela noite, como se de uma estrela rock se tratasse.

Na verdade talvez seja esse o primeiro grande desafio de Obama nos primeiros tempos: descolar-se da imagem de candidato, de opiniões descomprometidas com o poder e por isso capaz de falar livremente, para passar a ser o presidente de todos os americanos e conduzir o país à mudança que todo o mundo anseia.

O plano é ambicioso, mas possível se o candidato não ceder aos fortes lobbies de guerra dos Estados Unidos. Se a crise financeira o fez descolar de John McCain é certo que agora é tempo de fazer o país sair da mesma. Se as promessas do encerramento de Guantanamo, do fim da presença norte-americana no Iraque, de uma forte intervenção no Darfur e de um combate mais eficaz às alterações climáticas seduziram o mundo, agora é tempo de concretizar tais desejos!

De início não tive dúvidas em declarar o meu apoio a Obama pela força que o mesmo trazia e as promessas de mudança! Mantenho tudo o que disse, porque apesar de alguma falta de conteúdo patente em algumas questões ele traz a esperança que o mundo precisa e a vontade de incluir que se opõem à vontade de excluir do seu predecessor, o desastrado George Walker Bush.

Mas não nego o contributo de McCain para elevar o nível da eleição mais concorrida de sempre. A sua posição correcta, apenas pecou pela escolha de Sarah Palin para a vice presidência, um autêntico desastre. O discurso da concessão de John McCain é o resumo de uma vida: um discurso calmo, coerente, inteligente e sincero de alguém que apesar de todas as contrariedades se continua a sentir o homem mais sortudo à face da Terra e do homem que apesar da idade tem ainda uma visão de futuro e uma vontade enorme de apoiar Barack Obama, o seu presidente, percebendo o significado desta campanha e recusando mais uma vez os apupos de quem o ouvia ao novo inquilino da Casa Branca. Sai pela porta grande. Parabéns e Obrigado!

Quanto a Obama, é hora de arregaçar as mangas! A 20 de Janeiro de 2009, começa uma nova era...

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O Último Debate: Previsões e Caracter


Realizou-se na madrugada passada o último debate entre Barack Obama e John McCain, tendo em conta a próxima eleição presidencial de 4 de Novembro. Apesar de alguma vantagem dada a McCain neste debate, entendo que dificilmente Obama perderá esta eleição, pese embora nada ser impossível até ao momento da contagem dos votos.

A minha opinião, prende-se com um simples exercício de lógica: os EUA passam por momentos difíceis devido à crise financeira que afecta o país, aumento da taxa de desemprego, dificuldades no acesso à saúde e uma política externa cada vez mais complexa e questionada designadamente no que toca aos BRIC, ao recente conflito no Caucaso, aos voos da CIA para Guantanamo e à retirada das tropas americanas do Iraque.

O responsável por tudo isto, é em larga escala, George Walker Bush, líder dos destinos dos americanos desde 2000 e membro do Partido Republicano, do agora candidato John McCain., apesar deste ter sido um feroz adversário do primeiro nas primárias repúblicanas de 2000 e preservar junto do eleitorado uma imagem de independência, que se reflecte na forma como muitas vezes diverge do aparelho do partido do elefante.

Desse modo, John McCain recebe uma pesada herança do Presidente Bush, que assim se torna decisivo nesta eleição, visto o candidato septagenário, não poder negar completamente o seu legado, nem por outro lado, deixar de assumir alguns erros na política seguida nos últimos anos.

Alheio a tudo isto está Obama que arrumou os Clinton com classe, uniu o partido à sua volta, nunca recorreu ao argumento demagógico da raça e pôs metas ambiciosas no seu discurso trazendo a força da novidade para esta eleição dando um impulso muito forte para que a mesma se tornasse na que mais mobilizou os americanos desde há muitos anos. Daí o seu favoritismo, apesar de um ou outro ziguezague, como na questão da Invasão ao Iraque, em que atacou ferozmente Hillary Clinton (que desapareceu sorrateiramente da campanha, mas pela porta grande pelo contributo que deu nos últimos meses à vida democrática americana), pelo seu voto a favor da invasão, mas escolhendo posteriormente Biden para vice, que teve o mesmo sentido de voto que a ex-primeira dama.

Esperamos agora pelo resultado da eleição para que todas as dúvidas se dissipem. Por fim, gostaria apenas de realçar o elevado nível de correcção que os dois candidatos revelaram ao longo de toda a campanha., o que nem sempre aconteceu na aguerrida luta primária entre Clinton e Obama.

Os EUA são um país dominado por alguns lobbies poderosos e onde se lançam frequentemente boatos e acusações infundadas para atacar personalidades políticas. Com a triste excepção de uma ou outra intervenção de Sarah Palin, acusando Barack Obama de ter ligações terroristas, tanto Obama como McCain elevaram o nível de debate pelo respeito e admiração mutúa que sempre demonstraram ter um pelo outro. Numa fase inicial Obama não negou que o passado de veterano de guerra de McCain era um exemplo de dedicação ao país pela forma como colocou a sua vida em risco, sendo que o último também afirmou Barack Obama era para ele fonte de inspiração.

Já nesta última fase mais intensa foi bonito ver como Obama arrumou o caso da gravidez da filha de Palin dizendo que a sua mãe também o teve com 17 anos. Mais recentemente, foi de grande valor ético, a forma como McCain reagiu a algumas intervenções de cidadãos repúblicanos que diziam ter medo de Obama como presidente devido ao facto de ele ser árabe. McCain, não hesitou em defender o seu adversário, mesmo apesar dos assobios que se fizeram sentir, ao referir, e passo a citar que Obama: "É uma pessoa a quem vocês não devem temer como presidente dos Estados Unidos, é um homem decente, com quem tenho apenas desacordos em relação a alguns temas fundamentais."

Também assim se vê o caracter destes homens. Seja qual for o resultado final, a América estará bem entregue!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Campanha a chegar ao fim


Vou assistindo aqui ao longe, à campanha para as presidenciais americanas, que de dia para dia se tornam mais interessantes. A um pouco mais de um mês da nomeação mais emocionante de sempre, o resultado continua incerto, empolgando a politica mundial. Uma coisa é certa: nada será como dantes!

Os Estados Unidos da América passam por um dos piores momentos da sua história, apenas comparado com a Grande Depressão de 1929. Depois do Liberalismo ter falhado, com o crash bolsista, as teorias neo-liberais são também hoje postas em causa, voltando a velha questão ideológica da intervenção do Estado na Economia.

Os Estados Unidos da América, é um país onde a Esquerda é praticamente inexistente. País heterogéneo, mas assente numa Constituição com mais de 200 anos onde todos se revêem sem excepção, é também o país "berço da democracia ocidental", não obstante a muitas diferenças em relação à Europa. Uma delas, já referi, é o facto de a Esquerda ser inexistente e o comunismo um mal exarcebado por todos. Podemos dizer que este é um país de Direita, subdividida na Direita Liberal, representada pelo Partido Democrata, que em Portugal se situaria entre o PS e o PSD, e na Direita Conservadora, representada pelo Partido Republicano, que em Portugal se situaria entre o PSD e o CDS-PP.

Outro facto peculiar deste país é a presença de Deus na política. Aliás, a citação "In God, We Trust", está nas notas de dolar. Este é um país profudamente cristão, mas com uma multiplicidade de igrejas e seitas, que tornam a religião um factor oculto, no quotidiano dos americanos. Oculto e daí importante para o poder, visto que todos os candidatos abordaram a presença de Deus nas suas vidas, sendo que já depois de encontrados os dois concorrentes houve um encontro entre ambos num fórum religioso numa mega-igreja da Califórnia, onde o país parou em frente à televisão para ouvir as confissões de Obama e McCain.

Quanto à campanha propriamente dita há três factos de que quero falar: as convenções, as escolhas para a vice-presidência e os debates.

A convenção democrática voltou a ser um êxito, mas Obama não conseguiu repetir o discurso entusiasmante de há 4 anos. Tudo porque depois de uma luta muito desgastante com Clinton a "Obamania" transformou-se em "Obamafadiga", e os americanos fartaram-se de ouvir a história de mudança e do menino filho de pai queniano que representava o sonho americano. O êxito da convenção prende-se então com o apoio inequivoco dado pelo casal Clinton, ao permitir a nomeação por aclamação, e também com a escolha de Biden para vice. Apesar de tal comprometer a mudança desejada por Obama, Biden representa uma opção credivel, face à importância que a politica externa tomou com a crise no Caucaso, e que será uma prioridade para a nova administração.

Já a convenção republicana acabou por ser discreta mas eficaz. Tudo porque apesar do furacão Gustav ter mudado por completo os trabalhos, suspendendo a maioria dos trabalhos, este facto acabou por mostrar ao povo americano que McCain estava pronto a por os interesses do país acima dos seus, como desde há muito o vem fazendo. A descrição durou apenas até Sarah Pallin entrar em acção. A escolha acabou por revelar-se acertada de ínicio mas tende a tornar-se arriscada. De inicio, Pallin foi um furacão, pondo pela primeira vez McCain à frente nas sondagens, sobretudo com o apoio das mulheres e da direita conservadora americana, pró-vida mas pró-armas (que é algo que não consigo perceber sinceramente). E nem a história da gravidez da sua filha, aproveitada pelos lobbies, a abalou. Mas aqui, faça-se a devida vénia a Obama pela forma como arrumou o assunto ao dizer: "A minha mãe também me teve com 17 anos!" O que a pode derrubar agora, é a falta de um discurso coerente, preenchido com inúmeras gaffes e um passado com declarações pouco claras.

A campanha entrou por fim numa fase de debates, após o acto conjunto de homenagem às vítimas do 11 de Setembro. E os debates vão dando alguma vantagem a Obama, não por mérito, mas pela díficil situação em que Bush pôs McCain, que não se pode demarcar por completo da sua administração, sabendo porém que ela se tratou de uma nódoa na história dos Estados Unidos. E com a recente crise económica tudo pende cada vez mais para Obama: líder da mudança, com um vice expert em politica internacional e totalmente alheio à crise que assola o país. Já McCain mantém no seu passado do Vietname, onde se tornou héroi e da política, onde sempre se preservou como independente, a última esperança, já que a herança de Bush é pesada e a escolha de Pallin, já deu o que tinha a dar.

Os dados estão lançados. A 4 de Novembro "é fazer as contas"!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Conflito na Geórgia


O conflito que opõe a Geórgia à Rússia acaba de entrar numa nova fase após a última ter aceite o apelo de cessar-fogo de Nicolas Sarkozy, representante da União Europeia. Apesar de depois disso, já se terem verificado alguns ataques, onde morreram dois jornalistas, há pelo menos um abrandar do agravamento da situação.

Tal como na Guerra Fria voltamos a ter frente a frente uma força pró Ocidental (Geórgia) que decide afrontar forças pró russas. No entanto, as separatistas Ossétia do Sul e Abkhazia, são apenas peões que deram o pontapé de saída num confronto onde o rei a defender ou a atacar é o dominio da zona estratégica do Caucaso, autêntica auto estrada de transporte de energia, que neste caso, na zona georgiana, serve sobretudo os EUA e a UE.

Podemos dizer, num pequeno balanço destes dias agitados, que a acção do presidente georgiano em atacar os rebeldes separatistas pró russos, apenas com o pretexto de reforçar a sua posição, saiu gorada. A uma Rússia ansiosa por um momento onde pudesse reforçar a sua influência, juntou-se uns EUA demasiado apreensivos e uma Europa medrosa, que após humilhar o velha Rússia, que com Putin ressurgiu ferida no orgulho, precisa do seu apoio contra o programa nuclear do Irão. É essa a factura que pagamos pela forma como no pós Guerra Fria, menosprezamos a velha potência em vez de estender uma mão amiga, a um país que precisava de se abrir ao mundo a todos os níveis, sem ressentimentos.

Os apelos ao cessar fogo foram surgidam timidamente. Durante alguns dias as partes envolvidas fizeram orelhas moucas, mas a mesa de negociações parece ser felizmente, o local para onde tudo se encaminha, apesar da situação continuar altamente incerta e perigosa, pois tudo isto põe em causa todo o mapa geopolítico da região e as relações entre países num mundo globalizado. Mundo globalizado esse que vive ainda de lutas de influências de século XX, de que EUA e ex-URSS são os melhores exemplos, ao invés de numa unidade integrada na soberania de cada país, de século XXI, de que a União Europeia é a principal representante. E é a principal representante porque a ONU continua impotente em relação a situações como esta, apesar das sucessivas reuniões do Conselho de Segurança, onde está, em meu entender, o verdadeiro tumor da organização: "o direito de veto" das grandes potências, que ao longo das história se provou serem as mais maléficas quando se trata de situações de violação dos direitos humanos.

Com cerca de 2 mil mortos e 100 mil civis obrigados a deixar as suas casas, um mero capricho de Saakashvili e Putin e/ou Medvedev (não se percebe muito bem ainda), criou uma situação dramática em poucas horas. Não só pelo rasto de destruição irreversível, mas sobretudo pela enorme injustiça moral que é ser o cidadão comum a pagar com tudo o que tem de mais precioso (sejam bens como a habitação, a familia, as amizades ou até mesmo a própria vida) por questão que lhe é, na maioria das vezes, completamente alheia. Eis a lógica da força e da violência.


You may say Im a dreamer,
but Im not the only one,
I hope some day you'll join us,
And the world will live as one.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Guerra e Paz

Dentro de dias teremos um Espanha-EUA, em basquetebol, e um Bolt-Tyson Gay, em 100 metros, mas o embate do momento é um Geórgia-Rússia, na modalidade de canhões múltiplos. Ambas as equipas lutam para subir ao pódio da Ossétia do Sul. Lutam, mesmo, porque nesta modalidade olímpica (em todas, aliás, mas aqui mais francamente) o importante é ganhar, não é competir.

Ferreira Fernandes


O dia 8, do mês 8, do ano 8 do século XXI, foi um dia de emoções contraditórias. Se em Pequim, tivemos uma Cerimónia de Abertura dos Jogos Olímpicos como nunca antes se tinha visto, na Ossétia do Sul começou um conflito que causa apreensão a todos que se preocupam com os Direitos Humanos.

Os Jogos estão até ao momento a correr bem. A organização é quase perfeita e o nível competitivo é também ele muito bom. Estou confiante que depois destes 15 dias de emoções fortes a China se abra ao mundo e o mundo se abra à China. É essa a confiança, que alinhada nos ensinamentos do Dalai Lama fez com que eu não me declarasse, de forma aberta, favorável a um boicote a estes Jogos, porque temos que ser coerentes, pois em Atlanta em 1996 também ninguém defendeu o boicote num país onde a pena de morte existe e que tem em Guantanamo um dos maiores insultos à dignidade humana. Defendi isso sim, que atletas e representantes politicos, com humildade e serenidade, denunciassem todos os atropelos às liberdades, direitos e garantias dos cidadãos de forma simbólica durante a competição ou através de uma ausência que se justificava na Cerimónia de Abertura.

Dizia-se que os JO de Pequim iriam ofuscar algumas situações de violação dos direitos humanos na China. Mas na verdade, foi a Rússia que aproveitou esse momento para concretizar um conflito com a Geórgia, país pró Ocidental, numa zona estratégica de transporte de energia para os EUA e a UE. Fez-lo sobre o pretexto de ter a obrigação de ajudar o povo da Ossétia do Sul, de maioria pró-russa e que pede a independência em relação à Geórgia.

A verdade é que em apenas três dias o saldo é já de 2 mil mortos e 40 mil refugiados. Não são números apenas. São histórias únicas e irrepetiveís que desapareceram ou mudaram irremediavelmente. São gritos de angústia e de sofrimento aos quais fazemos orelhas moucas. São milhares de momentos de harmonia e de paz que são negados por canhões múltiplos. É uma destruição física, moral e intelectual de danos incalculáveis que serão pagos por inocentes.

A cada momento a situação deteriora-se. Agir é essencial, o diálogo um imperativo. Que os lideres que receberam o poder de acabar com esta situação ouçam o grito inocente das crianças e de todos os homens e mulheres envolvidos involutariamente neste conflito que não é seu. Esse grito de dor e de angústia que não pode ser ignorado, pelas terriveis consequências sociais, morais e económicas que num mundo globalizado, uma guerra com esta pode causar.




Aproveitando o espírito olímpico de paz e harmonia, uma atiradora russa e outra georgiana abraçaram-se para selar a "trégua olímpica". Um gesto simbólico, com o qual temos muito aprender. Por muito que a energia seja importante, nada supera o valor da dignidade humana, sem a qual nada é possível. Ainda que a atrocidade, que é uma guerra, se repita vezes sem conta através dos séculos num ciclo que se repete, é sempre hora da paz! E apesar das nossas diferenças e dos nossos valores, podemos olhar juntos na mesma direcção, sem recorrer ao uso da violência. Como estas duas atletas nos demonstraram. Brilhantemente...

sábado, 5 de julho de 2008

Momentos de Libertação

Há 50 anos, Humberto Delgado, ousou enfrentar o regime de Oliveira Salazar com uma coragem invulgar que lhe valeu a alcunha de "General Sem Medo". Apesar da derrota nas eleições presidenciais, como sempre viciadas, o seu legado inspirador ficou entre nós e fragilizou de forma irreversivel as estruturas do Estado Novo.

Hoje é Morgan Tsvangirai, lider do MDC no Zimbabwé, que seguindo os exemplos de Delgado em Portugal ou Walesa na Polónia, tenta dar esperança e liberdade a um povo oprimido e sem esperança governado por um despota falhado e cobarde. Morgan Tsvangirai teve a coragem de arriscar a própria vida, tal como os seus apoiantes, para que o mundo voltasse a olhar para o Zimbabwé e para o "trágico falhanço" da sua governação.

Sabemos que o seu sucesso, num mundo globalizado onde os países têm fortes relações de interdependência, está em muito dependente da reacção da comunidade internacional.

Mas aconteça o que acontecer, Morgan Tsvangirai, mercê da sua forte e louvavel coragem já teve o mérito de dar um pouco de esperança ao povo do Zimbabwe e abrir os olhos ao mundo. Ou seja, más noticias para Mugabe. Finalmente...



Enquanto isso, na Colômbia, acabou o longo pesadêlo de Ingrid Betancourt. O seu resgaste foi feito sem qualquer derrame de sangue. Tal como diz José Leite Pereira "o modo como a Colômbia conseguiu libertar Ingrid Betancourt parece coisa de cinema antigo: nada de efeitos especiais, apenas um plano bem traçado e a extrema coragem dos agentes infiltrados que fizeram o seu trabalho sem dar um tiro."

Comovente também tem sido a maneira como Ingrid Betancourt tem lidado com toda a situação. A gratidão que fica sempre bem a todos que se esforçaram para que este momento fosse possível, acompanha uma determinação e uma vontade indomavel de continuar a sua luta, sem esquecer as centenas de sequestrados que continuam nas mãos das FARC.



Morgan Tsvangirai e Ingrid Betancourt têm proporcionado nestes dias dos momentos de libertação mais dourados que a História já conheceu e na Assembleia da República, o Partido Comunista Português é o único partido a demarcar-se deles. Tal como já disse, numa outra ocasião, Ricardo Araújo Pereira, ex militante comunista, se isto fosse em 1975 seria normal... nessa altura toda a gente dizia parvoíces... mas dizê-las em 2008... mostra que ao contrário da democracia portuguesa, o PCP ainda não amadureceu... é uma pena.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Bloco Central: Porque não?

Nos últimos dias têm vindo a público algumas notícias, prontamente desmentidas, segundo as quais poderia haver uma reedição do Bloco Central entre PS e PSD.

A conjuntura internacional é cada vez pior. Portugal depois de sair de uma crise económica interna, pode não ter forças para não sair de uma nova crise económica, mas desta vez internacional. Mas há uma crise que o Governo ainda não conseguiu vencer e é a mais grave, para a qual parece não haver solução à vista: é a crise social, que veio a reboque da primeira e pode piorar com a segunda, deixando os portugueses num pacote de profundo pessimismo.

E para tirar Portugal desta situação são precisos os melhores, independentemente da área politica mais à Esquerda ou mais à Direita, que com dinamismo, competência e pés bem assentes no chão, façam o país voltar a sorrir.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Está-se a fazer história...

O primeiro afro-americano a ser nomeado por um grande partido nos EUA
Barack Obama será o candidato democrata às presidenciais americanas
04.06.2008 - 02h02 Rita Siza, Washington

“I am absolutely certain that generations from now, we will be able to look back and tell our children that this was the moment when we began to provide care for the sick and good jobs to the jobless; this was the moment when the rise of the oceans began to slow and our planet began to heal.”
Barack Obama

Com Obama, triunfa uma nova forma de fazer politica onde o que importa não é a experiência mas a vontade de mudar e romper com o actual estado de coisas. Espera-se pelo fim da guerra do Iraque, por uma maior respeito pelo planeta e pelo ambiente, por um país menos arrogante na politica externa e mais empenhado nos direitos humanos, por um país forte e seguro de todos e para todos sem distinção de sexo, religião, cor ou classe social.

Obama é o primeiro negro a concorrer à presidência dos Estados Unidos da América, sem nunca se ter referido a esse facto durante a campanha para captar votos, com excepção daquele triste episódio protagonizado pelo seu reverendo. Tal facto, é o concretizar do sonho de Martin Luther King, divulgado no seu famoso discurso de 1963 em Washington, num momento em que se lutava pelo fim da segregação racial. Que todas as pessoas pudessem ser julgadas pelo valor do seu caracter e não pela cor da sua pele.

É o que se está a passar agora com Obama. Boa Sorte!!!

domingo, 1 de junho de 2008

PSD: The End


E chegou ao fim mais capítulo da vida do PSD, este quase sob a forma de telenovela. Manuela Ferreira Leite venceu! Era o esperado. Tinha todo o aparelho a trabalhar para si. Viu-se a forma como saiu vencedora do debate da TVI sem praticamente nada ter dito de relevante: a sondagem inicial foi o aperitivo, a simpatia de Manuela Moura Guedes foi evidente quando comparada com Pedro Santana Lopes por exemplo, enquanto a apreciação final de Vasco Pulido Valente, foi a cereja no topo do bolo.

Já na SIC as dificuldades foram maiores. Santana Lopes esteve em boa forma e ninguém contava com a excelente performance de Patinha Antão.

No final, foi este o caminho escolhido por 37% dos militantes. Talvez um resultado um pouco à quem do esperado, sendo que os restantes candidatos com a excepção de Patinha Antão ficaram muito próximos.

Pareceu-me que Ferreira Leite não tem ainda um projecto concreto para o país. Tem apenas algumas ideias soltas, que se irão conectando com o tempo. Nesse trabalho deverá contar com os restantes candidatos, se quiser unir o partido. Há o medo que Ferreira Leite seja mais do mesmo: mais Sócrates.

De facto, Sócrates tem um espírito reformista que sempre foi imagem de marca do PSD e talvez lhe provenha do tempo em que militou na JSD. Mas enquanto Ferreira Leite se define mesmo como social-democrata (apesar de não saber explicar muito bem o que isso é) Sócrates não é um homem de esquerda nem de direita: é um homem de poder. Talvez isso seja o principal factor diferenciador: Ferreira Leite tem uma frontalidade e personalidade forte que é de louvar. E isso vê-se na forma como assume a sua posição em relação à politica de impostos: apesar da minha opinião ser de que há impostos que devem sofrer uma pequena alteração, vê-se que a nova presidente do PSD não anda a enganar ninguém. Já Sócrates diz hoje uma coisa diferente a cada dia da semana. Trata-se de credibilidade e de não dar aos portugueses mais falsas esperanças.

Em relação aos candidatos derrotados, Passos Coelho, consegue apesar de tudo um bom resultado e deve continuar a crescer no espaço partidário. É um liberal, o que não sei até que ponto favorece o país, mas oferece uma imagem de mudança, algo que urge. Pedro Santana Lopes é um aventureiro: depois de tantos casos e derrotas apresentou-se de novo e não fez má figura. Apresentava um excelente programa baseado numa maior coesão territorial, que diminuísse as assimetrias. Mas quando falta a credibilidade já se sabe como é. Patinha Antão, apareceu nesta campanha vindo de pára-quedas e sem apoios, mas fez boa figura. Teve no debate da SIC o seu ponto alto. Apresentou boas propostas, mas já se sabia que a imagem é tudo. E ele não a tinha.

Assim sendo, termina mais um capítulo na história recente do atribulado Partido Social-Democrata: um partido com vocação do poder, mas que nos últimos 13 anos, governou apenas 3. Com Manuela Ferreira Leite, o partido encerra o capitulo Luís Filipe Menezes, que aqui tem uma grande derrota, após os ataques constantes à candidata e aos seus apoiantes. O PSD, continua sem o seu presidente no Parlamento, mas tem agora voz junto de Cavaco no Conselho de Estado. Os resultados, veremos em 2009. Até lá, é altura de serenar os ânimos e cerrar fileiras para os grandes combates políticos que se aproximam: legislativas, autárquicas e europeias.



Post Scriptum: A demagogia da Esquerda é bem patente no nosso país. A Lei da Paridade foi proposta pelo PS e aprovada pela Esquerda como grande marca de modernidade. O PSD, partido de Centro Direita, votou contra: deve-se estar na política por mérito e não por quota. Os resultados são os seguintes: PS não cumpriu a lei nas últimas eleições regionais da Madeira enquanto no PSD, é eleita a primeira presidente de um partido em Portugal. Sem Leis da Paridade...

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Dá que pensar...


Assunto foi comentado durante o voo por empresários que viajavam no mesmo aparelho
Sócrates e Pinho violaram proibição de fumar a bordo do voo de Lisboa para Caracas

13.05.2008 - 13h33 Luciano Alvarez, em Caracas

O primeiro-ministro, José Sócrates, o ministro da Economia e Inovação, Manuel Pinho, e vários membros do gabinete do chefe do Governo violaram a proibição de fumar no voo fretado da TAP que ligou Portugal e Venezula e que chegou às cinco horas da manhã de ontem a Caracas (hora de Lisboa, 23h30 na capital venezuelana). O assunto foi muito comentado durante o voo por membros da comitiva empresarial que acompanha Sócrates e causou incómodo a algum pessoal de bordo.


E aproveitou para deixar de fumar em definitivo
Sócrates pede desculpa por ter fumado no voo para a Venezuela

14.05.2008 - 17h04 PÚBLICO
O primeiro-ministro José Sócrates pediu hoje desculpa por ter fumado no voo que transportou a comitiva governamental para a Venezuela. Em declarações aos jornalistas, na venezuela, o primeiro-ministro diz que desconhecia que estava a violar a lei. José Sócrates adiantou ainda que decidiu deixar de fumar em definitivo, na sequência da polémica.


SERÁ NORMAL QUE O PRIMEIRO MINISTRO DE PORTUGAL E SECRETÁRIO GERAL DO PARTIDO LEGISLADOR DA LEI DO TABACO NÃO SAIBA QUE NÃO SE PODE FUMAR A BORDO DE UM VÔO?


SE SIM, É CASO PARA CITAR UM DOS AUTORES DO BLOG IN-DIREITA:

"Se Sócrates é apanhado a fumar e promete deixar era mesmo bom que alguém o apanhasse a governar... "


MUITO BEM VISTO!!!

quinta-feira, 1 de maio de 2008

O calado, vence sempre!


A senadora de Nova Iorque recordou que tem experiência e que está pronta para ser presidente norte-americana, tendo apelado aos seus apoiantes para que «façam acontecer» este facto.
08:32 / 13 de Fevereiro 08 TSF
Ferreira Leite, «competência» e «experiência»
28-04-2008 - 20:58h IOL DIÁRIO


Obama diz que eleições presidenciais permitirão mudança EUA
23-04-2008 8:41:58 DIÁRIO DIGITAL
Social-democrata quer ser "o rosto da mudança" no partido
Pedro Passos Coelho confirma que é candidato à liderança do PSD

18.04.2008 - 17h46 PÚBLICO


Enquanto o republicano John Mc-Cain prepara calmamente a sua máquina de campanha para as eleições de Novembro, os candidatos à nomeação democrata continuam numa luta fratricida que se arrisca a prejudicar o partido.
02.04.08 DIÁRIO DE NOTÍCIAS
Sócrates: PS é «estável e de confiança»
18-04-2008 - 22:59h IOL DIÁRIO


Por cá ninguém pode ver nada!. Assistimos nestes dias a uma profunda americanização da vida politica, mas "à portuguesa", ou seja: menos intensa. Ferreira Leite como Clinton socorre-se da experiência de um passado que não foi assim tão bom. Mas fala menos e não ataca ninguém. Passos Coelho, como Obama promete ser a mudança com discursos de levantar multidões. Santana é capaz de ser John Edwards: fora de prazo, sem a visibilidade das distritais. Antão e Neto da Silva cairam de para-quedas não se sabe bem donde. E quem ganha com todo este festival de emoção, choro, baba e ranho, onde candidatos se acusam e facções surgem a toda a hora: McCainn e Sócrates. Se nos Estados Unidos, a vitória de McCain ainda não é um dado seguro depois de tanto show-off, em Portugal, Sócrates vê a passadeira estendida para nova maioria absoluta.

Como diz a minha tia: "O calado vence sempre!"

quinta-feira, 27 de março de 2008

A China e os Jogos Olímpicos


Quando os Jogos Olímpicos de 2008 foram atribuídos a Pequim pensei que seria uma excelente oportunidade para a China se abrir ao mundo e o mundo se abrir à China, país pertencente ao grupo das novas quatro potências emergentes: os BRIC (Brasil, Rússia, China e Índia).

No entanto, a China apenas se encontra nesse grupo de países devido a um profundo desrespeito pelos direitos humanos, desde a exploração de mão-de-obra infantil em condições sub humanas ao patrocínio de conflitos em grande parte do planeta, com grande ênfase para o continente africano onde se desenvolvem parcerias em países que vivem ditaduras cerradas.

A China, é hoje o país que mais violações comete aos direitos humanos: internamente condiciona as liberdades, direitos e garantias dos cidadãos, impõe condições de trabalho duríssimas como o trabalho infantil e a sobre exploração de trabalhadores, ignora a liberdade de expressão e de pensamento, promove a censura, proíbe a existência de partidos políticos, persegue as instituições religiosas e cria salas de morte para crianças e deficientes, que são um atentado à dignidade humana.

Externamente, é a China que patrocina a limpeza étnica no Darfur, que já causou cerca de meio milhão de mortos, 2,5 milhões de desalojados e 3,5 milhões dependentes de ajuda alimentar, apoiando diplomaticamente e militarmente o Governo do Sudão e os janjaweed.

É a China que executa um verdadeiro genocídio cultural no Tibete e procura a toda a hora denegrir a imagem do Dalai Lama. E esta não é uma questão interna do país. É uma questão de Direito Internacional, a partir do momento em que perante um movimento de autodeterminação pacífico, existe um país que responde com violência e repressão. É uma questão de Direito Internacional, a partir do momento em que a China tenta asfixiar a língua e a cultura tibetana destruindo mosteiros porque destruindo-se a identidade tudo se torna mais fácil. Chamam ao Dalai Lama separatista, quando foram eles que o obrigaram a exilar e a pedir apenas e só uma «real e significativa autonomia», conciliando assim os interesses das duas partes envolvidas.

Mas o mais preocupante é a forma como a Comunidade Internacional lida com tudo isto. Em relação às violações de Direitos Humanos na China, diz ser uma questão interna. Em relação à crise humanitária no Darfur, evita reconhecê-la como um genocídio. Em relação ao Tibete e ao Dalai Lama, todos lhe dão palmadinhas nas costas (afinal trata-se de um líder espiritual e Prémio Nobel da Paz), mas recusam-se a recebê-lo oficialmente e a dirigir-lhe simples palavras de apreço.

Numa atitude de clara subserviência, que ignora os direitos dos demais povos oprimidos por este país. Tudo em nome da economia, porque os valores não dão de comer nem enchem os bolsos. Com a China a crescer a olhos vistos, regiões como o Tibete e o Darfur estão cada vez mais isoladas e sobre pressão.

Aproximam-se rapidamente, os Jogos Olímpicos de Pequim que segundo a Carta Olímpica procuram "criar um modo de vida baseado na alegria do esforço, no valor educacional do bom exemplo e o respeito pelos princípios éticos universais” e têm como objectivo "colocar o desporto ao serviço de um harmonioso desenvolvimento da humanidade, com vista a promover uma sociedade pacífica e preocupada com a preservação da dignidade humana”. Jogos Olímpicos esses, que desde a sua primeira edição da Era Moderna em Atenas em 1896, se definiram não só como um evento desportivo mas também como um evento de encontro de exaltação dos Direitos Humanos, tudo que a China contraria neste momento.

Portanto, e se não houver coragem para um justificadíssimo boicote por parte dos países participantes por cobardia ou interesses desportivos dos atletas, que haja pelo menos decência de não se comparecer à Cerimónia de Abertura ou que tal como Jesse Owens nas Olimpíadas de Berlim de 1936 alguém possa envergonhar os anfitriões, tendo a coragem de lembrar o Tibete (unindo as mãos como é habitual no Dalai Lama) e todos os povos oprimidos por este país (utilizando a bandeira da ONU na chamada volta de honra).