A juventude portuguesa encontra-se desiludida com os fracassos da democracia portuguesa, com especial relevância para a corrupção, e está neste momento de costas viradas para a participação cívica e politica, envolta numa maré de indiferença que torna os tempos que virão, bastante complicados.
E é essa maré de indiferença que é necessária afastar da juventude portuguesa, promovendo a sua participação mais activa na solução para os problemas que afectam os problemas do país, pois só assim é possível construir uma sociedade mais justa, solidária, plural e igual.
A participação cívica inclui a participação politica e partidária, mas não se confunde nem se esgota na mesma.
Um dos maiores exemplos disso mesmo é a existência de uma extensa rede de Organizações Não Governamentais (ONG) e de Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) que dão um grande impulso à acção dos governos na manutenção do Estado Social criando condições para a eliminação de muitas desigualdades, retirando muitas famílias de situações de pobreza, alertando para o incumprimento dos Direitos Humanos e promovendo a inclusão social e a melhoria da qualidade de vida de muitas populações.
Subjacente a este fenómeno está uma nova geração que se dedica ao voluntariado e que demonstra um comovente espírito de entrega ao serviço dos outros.
Prestando a sua acção sem pretender qualquer tipo de recompensa monetária ou material e reconhecendo a dignidade de todo e qualquer ser humano, os jovens empenhados no voluntariado prestam um grande serviço à Sociedade conjugando a capacidade profissional com a generosidade gratuita, fazendo da sua acção não só um contributo para um país melhor, mas também como um factor de realização pessoal e aquisição de novos conhecimentos e experiências.
A acção destes jovens pode e deve ser valorizada para que todos os envolvidos beneficiem de medidas de apoio, designadamente no âmbito dos regimes militar ou escolar, por exemplo, dando assim o Estado um sinal de que está atento e reconhecido a todos aqueles que se empenham gratuitamente na procura de uma solução para os problemas que afectam a sua comunidade, motivando outros a fazer o mesmo.
A escola deve ser igualmente um instrumento a ter em conta na cativação dos jovens para a participação cívica. É necessário que se compreenda que na base de tudo para resolver os problemas que afectam o mundo está a Educação e sobretudo a Educação para a Cidadania, para que desde a infância haja uma maior sensibilização para a participação cívica.
O mundo globalizou-se de tal maneira, que hoje em dia uma simples assinatura numa petição ou um simples clique na Internet, podem causar grandes efeitos.
Torna-se fundamental, incutir desde muito cedo nas crianças e nos adolescentes a consciência de que a resolução dos problemas que afectam a nossa rua, a nossa escola e a nossa freguesia, passam também por nós. Tal pode ser feito através da disciplina de Formação Cívica, se a mesma for dada de forma mais séria e competente, com um professor próprio, com uma duração mais extensa que a actual e com um programa mais estruturado que faça com que alunos, professores e escola levem esta disciplina mais a sério, como essencial para o futuro dos mesmos e do país.
Seria interessante ver tratados nesta disciplina temas como a compreensão da vida democrática portuguesa desde o Poder Local ao Poder Central, o funcionamento das instituições em Portugal, uma visão simplificada do conteúdo da Constituição Portuguesa, o funcionamento das instituições europeias e outras em que o nosso país esteja inserido como a NATO ou a ONU, por exemplo, explicando-se a sua importância no actual contexto de mundo globalizado em que vivemos, os fenómenos das ONG e do voluntariado, a importância do respeito pelos Direitos Humanos, a história das religiões, os sistemas políticos internacionais ou alguns modelos ideológicos que mais importância tiveram ao longo da História.
Mas sabendo que a cidadania não se estuda apenas para um teste, mas que se aprende exercendo-a e participando democraticamente nas escolhas que afectam o nosso quotidiano, seria também de considerar a antecipação da idade de voto para os 16 anos, de modo a inserir os jovens mais cedo num clima de vivência democrática, mas com responsabilidade.
Assim, os jovens teriam uma voz e uma palavra a dizer acerca dos problemas que os afectam, sendo este um incentivo para que os agentes políticos prestassem mais atenção e dedicassem um pouco mais dos seus programas a este sector da sociedade e para que os jovens estivessem bastante mais atentos às medidas apresentadas e ao debate político-partidário, entre outros.
1ª Criação do Estatuto do Voluntário, idêntico ao Estatuto de Atleta de Alta Competição que beneficie os envolvidos nos regimes escolar, militar e profissional, reconhecendo os envolvidos e motivando outros a contribuírem para a formação de uma sociedade melhor.
2ª Reformulação da disciplina de Formação Cívica, através da criação de um programa estruturado, alargamento da carga horária semanal e especialização dos professores na disciplina.
3ª Antecipação da idade do voto para os 16 anos de modo a cativar os jovens para a participação politica, envolvendo-os na vivência democrática desde tenra idade, mas com responsabilidade.
Carlos Alberto Videira





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