
"Não existe um caminho para paz! A paz é o caminho!"
"A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original" - Albert Einstein (Ulm, 14 de Março de 1879 — Princeton, 18 de Abril de 1955)


Eu sei que sou saudosista, mas de maneira nenhuma poderia esquecer este dia, quatro anos depois de comodamente sentado na minha sala de estar ter visto Miklos Fehér morrer em campo pelo Benfica. Ele podia não ser o nosso melhor jogador (ao que parece até estava para sair), mas ninguem merece um final tão trágico. Sabemos que a morte é algo de inevitavel, mas vivemos na esperança irreal de sermos eternos. E quando vemos em plena partida de futebol, um jovem de 24 anos, aparentemente saudavel e de boa complexão fisica morrer assim dentro de campo, vemos que na realidade não somos nada. Aquele dia foi um golpe duro demais de suportar. Era o dia do aniversário do rei Eusébio (ao qual dou os parabéns e peço desculpa por não post só para si, mas hoje o meu pensamento é completamente dirigido para Miklos Feher). Foi duro estar a ver tudo isto na televisão sem poder fazer nada. Foi duro ver os jogadores a chorar. Foi duro ver um estádio a gritar pelo seu nome. Foi duro ver a familia desolada perante tal perda.
Mas Feher deixou-nos muito naquele dia e deu razão a Francis Ponge quando disse que "às vezes, é pela forma como morre que um homem mostra que era digno de viver". Feher deixou-nos aquele sorriso que jamais esqueceremos e que abraçou benfiquistas a portistas e sportinguista de forma totalmente sincera, pois nesta hora vemos que todas essas discussões de futebol perdem o sentido, quando uma vida se perde assim.

«Que a Liberdade Ressoe!»
Há cem anos, um grande americano, sob cuja sombra simbólica nos encontramos, assinava a Proclamação da Emancipação. Esse decreto fundamental foi como um raio de luz de esperança para milhões de escravos negros que tinham sido marcados a ferro nas chamas de uma vergonhosa injustiça. Veio como uma aurora feliz para terminar a longa noite do cativeiro. Mas, cem anos mais tarde, devemos enfrentar a realidade trágica de que o Negro ainda não é livre.
Cem anos mais tarde, a vida do Negro é ainda lamentavelmente dilacerada pelas algemas da segregação e pelas correntes da discriminação. Cem anos mais tarde, o Negro continua a viver numa ilha isolada de pobreza, no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos mais tarde, o Negro ainda definha nas margens da sociedade americana, estando exilado na sua própria terra.
Por isso, encontramo-nos aqui hoje para dramaticamente mostrarmos esta extraordinária condição. Num certo sentido, viemos à capital do nosso país para descontar um cheque. Quando os arquitectos da nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e da Declaração de independência, estavam a assinar uma promissória de que cada cidadão americano se tornaria herdeiro.
Este documento era uma promessa de que todos os homens veriam garantidos os direitos inalienáveis à vida, à liberdade e à procura da felicidade. É óbvio que a América ainda hoje não pagou tal promissória no que concerne aos seus cidadãos de cor. Em vez de honrar este compromisso sagrado, a América deu ao Negro um cheque sem cobertura; um cheque que foi devolvido com a seguinte inscrição: "saldo insuficiente". Porém nós recusamo-nos a aceitar a ideia de que o banco da justiça esteja falido. Recusamo-nos a acreditar que não exista dinheiro suficiente nos grandes cofres de oportunidades deste país.
Por isso viemos aqui cobrar este cheque - um cheque que nos dará quando o recebermos as riquezas da liberdade e a segurança da justiça. Também viemos a este lugar sagrado para lembrar à América da clara urgência do agora. Não é o momento de se dedicar à luxuria do adiamento, nem para se tomar a pílula tranquilizante do gradualismo. Agora é tempo de tornar reais as promessas da Democracia. Agora é o tempo de sairmos do vale escuro e desolado da segregação para o iluminado caminho da justiça racial. Agora é tempo de abrir as portas da oportunidade para todos os filhos de Deus. Agora é tempo para retirar o nosso país das areias movediças da injustiça racial para a rocha sólida da fraternidade.
Seria fatal para a nação não levar a sério a urgência do momento e subestimar a determinação do Negro. Este sufocante verão do legítimo descontentamento do Negro não passará até que chegue o revigorante Outono da liberdade e igualdade. 1963 não é um fim, mas um começo. Aqueles que crêem que o Negro precisava só de desabafar, e que a partir de agora ficará sossegado, irão acordar sobressaltados se o País regressar à sua vida de sempre. Não haverá tranquilidade nem descanso na América até que o Negro tenha garantido todos os seus direitos de cidadania.
Os turbilhões da revolta continuarão a sacudir as fundações do nosso País até que desponte o luminoso dia da justiça. Existe algo, porém, que devo dizer ao meu povo que se encontra no caloroso limiar que conduz ao palácio da justiça. No percurso de ganharmos o nosso legítimo lugar não devemos ser culpados de actos errados. Não tentemos satisfazer a sede de liberdade bebendo da taça da amargura e do ódio.
Temos de conduzir a nossa luta sempre no nível elevado da dignidade e disciplina. Não devemos deixar que o nosso protesto realizado de uma forma criativa degenere na violência física. Teremos de nos erguer uma e outra vez às alturas majestosas para enfrentar a força física com a força da consciência.
Esta maravilhosa nova militancia que engolfou a comunidade negra não nos deve levar a desconfiar de todas as pessoas brancas, pois muitos dos nossos irmãos brancos, como é claro pela sua presença aqui, hoje, estão conscientes de que os seus destinos estão ligados ao nosso destino, e que sua liberdade está intrinsecamente ligada à nossa liberdade.
Não podemos caminhar sozinhos. À medida que caminhamos, devemos assumir o compromisso de marcharmos em frente. Não podemos retroceder. Há quem pergunte aos defensores dos direitos civis: "Quando é que ficarão satisfeitos?" Não estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos incontáveis horrores da brutalidade policial. Não poderemos estar satisfeitos enquanto os nossos corpos, cansados das fadigas da viagem, não conseguirem ter acesso a um lugar de descanso nos motéis das estradas e nos hotéis das cidades. Não poderemos estar satisfeitos enquanto a mobilidade fundamental do Negro for passar de um gueto pequeno para um maior. Nunca poderemos estar satisfeitos enquanto um Negro no Mississipi não pode votar e um Negro em Nova Iorque achar que não há nada pelo qual valha a pena votar. Não, não, não estamos satisfeitos, e só ficaremos satisfeitos quando a justiça correr como a água e a rectidão como uma poderosa corrente.
Sei muito bem que alguns de vocês chegaram aqui após muitas dificuldades e tribulações. Alguns de vocês saíram recentemente de pequenas celas de prisão. Alguns de vocês vieram de áreas onde a vossa procura da liberdade vos deixou marcas provocadas pelas tempestades da perseguição e sofrimentos provocados pelos ventos da brutalidade policial. Vocês são veteranos do sofrimento criativo. Continuem a trabalhar com a fé de que um sofrimento injusto é redentor.
Voltem para o Mississipi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para a Luisiana, voltem para as bairros de lata e para os guetos das nossas modernas cidades, sabendo que, de alguma forma, esta situação pode e será alterada. Não nos embrenhemos no vale do desespero.
Digo-lhes, hoje, meus amigos, que apesar das dificuldades e frustrações do momento, ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.
Tenho um sonho que um dia esta nação levantar-se-á e viverá o verdadeiro significado da sua crença: "Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais".
Tenho um sonho que um dia nas montanhas rubras da Geórgia os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos proprietários de escravos poderão sentar-se à mesa da fraternidade.
Tenho um sonho que um dia o estado do Mississipi, um estado deserto, sufocado pelo calor da injustiça e da opressão, será transformado num oásis de liberdade e justiça.
Tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos viverão um dia numa nação onde não serão julgados pela cor da sua pele, mas pela qualidade do seu caractér.
Tenho um sonho, hoje.
Tenho um sonho que um dia o estado de Alabama, cujos lábios do governador actualmente pronunciam palavras de ... e recusa, seja transformado numa condição onde pequenos rapazes negros, e raparigas negras, possam dar-se as mãos com outros pequenos rapazes brancos, e raparigas brancas, caminhando juntos, lado a lado, como irmãos e irmãs.
Tenho um sonho, hoje.
Tenho um sonho que um dia todo os vales serão elevados, todas as montanhas e encostas serão niveladas, os lugares ásperos serão polidos, e os lugares tortuosos serão endireitados, e a glória do Senhor será revelada, e todos os seres a verão, conjuntamente.
Esta é nossa esperança. Esta é a fé com a qual regresso ao Sul. Com esta fé seremos capazes de retirar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé poderemos transformar as dissonantes discórdias de nossa nação numa bonita e harmoniosa sinfonia de fraternidade. Com esta fé poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, ir para a prisão juntos, ficarmos juntos em posição de sentido pela liberdade, sabendo que um dia seremos livres.
Esse será o dia quando todos os filhos de Deus poderão cantar com um novo significado: "O meu país é teu, doce terra de liberdade, de ti eu canto. Terra onde morreram os meus pais, terra do orgulho dos peregrinos, que de cada localidade ressoe a liberdade".
E se a América quiser ser uma grande nação isto tem que se tornar realidade. Que a liberdade ressoe então dos prodigiosos cabeços do Novo Hampshire. Que a liberdade ressoe das poderosas montanhas de Nova Iorque. Que a liberdade ressoe dos elevados Alleghenies da Pensilvania!
Que a liberdade ressoe dos cumes cobertos de neve das montanhas Rochosas do Colorado!
Que a liberdade ressoe dos picos curvos da Califórnia!
Mas não só isso; que a liberdade ressoe da Montanha de Pedra da Geórgia!
Que a liberdade ressoe da Montanha Lookout do Tennessee!
Que a liberdade ressoe de cada Montanha e de cada pequena elevação do Mississipi.
Que de cada localidade, a liberdade ressoe.
Quando permitirmos que a liberdade ressoe, quando a deixarmos ressoar de cada vila e cada aldeia, de cada estado e de cada cidade, seremos capazes de apressar o dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos e cantar as palavras da antiga canção negra: "Liberdade finalmente! Liberdade finalmente! Louvado seja Deus, Todo Poderoso, estamos livres, finalmente!"


Depois das "Notas sobre 2008" do Dr. Mário Soares, deixo-vos aqui outras previsões para 2008. Bem mais acertadas, digo eu:
Manoel de Oliveira grava sequela de Aniki Bóbó utilizando apenas câmaras de vídeo vigilância da zona da Ribeira no Porto;
Sócrates nomeia Armando Vara para presidente do Benfica;
Francisco Louçã usa uma gravata durante uma sessão da AR;
Sempre inspirado por Sarkozy, mas à sua escala, Luis Filipe Menezes começa a namorar com Mafalda Veiga;
Carlos Cruz é nomeado director de programas da RTP;
BCP lança campanha de spread 0 para militantes do PS com as quotas em dia;
Joe Berardo inscreve-se em curso de terapia da fala e já consegue cantar as canções mais complicadas de Sérgio Godinho;
ASAE lança franchising de restaurantes de fast-food;
Vanessa Fernandes será a nova namorada de Cristiano Ronaldo;
Galp descobre petróleo debaixo do capachinho de Fernando Gomes;
Julgamento Casa Pia é anulado porque vitimas, que entretanto envelheceram e sofrem de alzheimer, não conseguem depor a mesma história que descreveram no início do processo;
Mourinho é vencedor da Liga do Jornal Record;
Pedro Santana Lopes assume paternidade de Ribau Esteves;
Selecção Nacional de Rugby ganha finalmente um jogo;
Marques Mendes só é visto no último trimestre de 2008 numa câmara de vigilância da Zara Kids;
Tratado de Lisboa fica sem efeito pois Sócrates rubricou "Sócrates O Magnifico" em todas as páginas;
Paulo Portas assume relação com Jacinto Leite Capelo Rego e casa dentro de submarino em águas territoriais espanholas;
Scolari consegue feito inédito ao ser campeão da Europa só com empates;
Isaltino Morais é o primeiro presidente de câmara a usar pulseira electrónica;
Ministro da saúde Correia de Campos encerra-se no seu próprio gabinete e engole a chave.
Recebido via e-mail.
Este Governo anda com certeza a gozar com a nossa cara. E não é por a oposição estar fraca que eles podem fazer tudo como querem e lhes apetece. Os últimos episódios são de uma indecência sem limites, para com aqueles que em 2005 lhes deram um voto de confiança para guiar durante quatro anos os seus destinos.
Começaram as primárias nos Estados Unidos da América. O sistema eleitoral deles é muito diferente do nosso, mas tem as suas vantagens. A divisão das eleições em duas fases: as primárias que duram 7 a 9 meses e as presidênciais em si, só com dois candidatos, onde não há dispersão de votos. O único e grande senão do sistema politico americano, é o grande poder que o Congresso detêm e em 2000 impediu a eleição de Al Gore.
Deviamos estar, hoje a vibrar com a primeiras peripécias da edição de 2008 do Lisboa-Dakar. Por questões ligadas à segurança, a prova foi cancelada pela primeira vez em cerca de 30 anos. Sabendo que a perca de muitos milhões de euros é bem menos preocupante que a perca de muitas vidas humanas, esta é uma notícia muito triste.
Ao contrário do que se pensa muitas vezes, não foi um ateu o primeiro a pensar na separação entre o Estado e a Religião. É bom que todos se lembrem que o primeiro Homem a falar disso foi Jesus Cristo, quando disse aos fariseus "Dai a Deus o que é de Deus e a Cesar o que é de Cesar" (Mts 22, 21).
Os Estados devem ser separados da Igreja, mas isso não quer dizer que a tenham de espezinhar e maltratar a torto e a direito. Depois de anos em que erradamente, o clero exercia grande poder no mundo, hoje passamos para o oposto. Ou seja do 80 para o 8. E isso não pode ser. A Lei da Liberdade Religiosa de 2001, é uma treta. O 1º artigo desta lei diz o seguinte:
Artigo 1.º
Liberdade de consciência, de religião e de culto
A liberdade de consciência, de religião e de culto é inviolável e garantida a todos em conformidade com a Constituição, a Declaração Universal dos Direitos do Homem, o direito internacional aplicável e a presente lei.
A lei diz que cada um tem a liberdade de escolher uma religião e devem ser disponibilizados todos os meios possiveis para cada pessoa professar a sua religião seja ela qual for. No entanto, para este Governo e alguns ateus agressivos (sobretudo aqueles que adoptam a triologia: republicanismo, laicismo e socialismo), esta lei é posta em práctica de uma maneira muito diferente: o Estado não pode ter nenhum compromisso com as religiões para não discriminar ninguém e porque esta é uma questão filosófica sem verdades absolutas, logo retira-se esta faceta da vida das pessoas. Está-se a fazer do anticlericalismo a religião do Estado, e são os ateus que saiem beneficiados com isso, ignorando-se a dimensão espiritual e a realização pessoal dos crentes.
E é por isso que a França tem futuro. Porque tem ao leme um homem que sabe que o futuro se controi com a ajuda de todos.
O quarto poder é um quarto
Com vista sobre a cidade que já não o é
Sobre as ruas que já o foram
Sobre as casas que deixaram de o ser
O quarto poder é um pai
E um filho tornado órfão por uma bala certeira
Errada no alvo
Errada na hora
Errada no tempo, que faz do lugar a morada última, de um quotidiano que se estende
O quarto poder é um fogo
Ingrato nos modos
Ousado na fuga
Intenso na cor
Injusto nas vítimas
O quarto poder é um mar
Um oceano de raiva
Um elemento à deriva
Uma ausência de razão
Um lamento inconsolável
Um ímpeto de sobrevivência
O quarto poder é um voto
Um desejo dobrado em quatro
A esperança feita num oito
Promessas, palavras vãs
Ínvios caminhos, passos perdidos
Leis e normas e regras
E o melhor dos países
E os oásis e os pântanos
E a pose a pensar na posse
No quero, no tudo, no mando
O quarto poder é um piano
As teclas, o prolongamento do tacto
A pauta, a serenidade literária
A mão, silhueta temerária
E a mente, suavemente brilhante
Tem na partitura, o efeito
E na causa cheia, o aplauso
O quarto poder é um golo
Um passe em profundidade
Um drible, um truque, um remate
Uma falta como se pecado fosse
Um alento, um país, uma forma de vitória
A outra forma da derrota
O quarto poder é um acto
As horas que dele decorrem
As vidas que nele se perdem
As incertezas do dia e a inevitabilidade da noite
O quarto poder é um arbítrio
Um acaso disfarçado
Um fogo-fátuo do nada
De tudo, a fatalidade
De todos, a provação
De muitos, a privação
De quem a responsabilidade?
O quarto poder é pergunta
E resposta
E mais pergunta
E tese, e antítese, e síntese
E os dias que hão-de vir
A nobreza do dever
A missão de não esconder
De mostrar, de saber, de fazer saber
De saber fazer, olhar, explicar
O quarto poder é um quarto
Um quarto revisitado
Um pai que é baleado
Um fogo inacabado
Um mar, assim, tresloucado
Um voto, mais uma vez escrutinado
Um piano a ser tocado
Um golo que é celebrado
Um acto premeditado
Um arbítrio incontrolado
Uma pergunta no estrado