quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Gandhi foi assassinado há 60 anos




(Porbandar, 1869 - Nova Deli, 1948)
"Não existe um caminho para paz! A paz é o caminho!"




A Índia celebrou, hoje, o 60º aniversário do assassinato de Mahatma Gandhi, cujos seguidores reivindicam a necessidade de "reinventar" a sua figura num país que parece estar a esquecer-se dos ideais do seu pai fundador. O Mar Árabe recebeu as cinzas de "Mahatma" (grande alma) Gandhi, numa cerimónia nas águas em frente à cidade de Bombaim, onde estiveram presentes familiares e autoridades.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

4 anos depois...


Eu sei que sou saudosista, mas de maneira nenhuma poderia esquecer este dia, quatro anos depois de comodamente sentado na minha sala de estar ter visto Miklos Fehér morrer em campo pelo Benfica. Ele podia não ser o nosso melhor jogador (ao que parece até estava para sair), mas ninguem merece um final tão trágico. Sabemos que a morte é algo de inevitavel, mas vivemos na esperança irreal de sermos eternos. E quando vemos em plena partida de futebol, um jovem de 24 anos, aparentemente saudavel e de boa complexão fisica morrer assim dentro de campo, vemos que na realidade não somos nada. Aquele dia foi um golpe duro demais de suportar. Era o dia do aniversário do rei Eusébio (ao qual dou os parabéns e peço desculpa por não post só para si, mas hoje o meu pensamento é completamente dirigido para Miklos Feher). Foi duro estar a ver tudo isto na televisão sem poder fazer nada. Foi duro ver os jogadores a chorar. Foi duro ver um estádio a gritar pelo seu nome. Foi duro ver a familia desolada perante tal perda.

Mas Feher deixou-nos muito naquele dia e deu razão a Francis Ponge quando disse que "às vezes, é pela forma como morre que um homem mostra que era digno de viver". Feher deixou-nos aquele sorriso que jamais esqueceremos e que abraçou benfiquistas a portistas e sportinguista de forma totalmente sincera, pois nesta hora vemos que todas essas discussões de futebol perdem o sentido, quando uma vida se perde assim.

Para nós benfiquistas, a camisola 29 é eterna porque sabemos que a qualquer sitio formos, Feher e a sua força irá connosco. E irá connosco porque soubemos perpetuar a sua memória. Porque não o esquecemos em nenhuma conquista, porque o seu lugar continua no balneário como se estivesse pronto a entrar e porque o seu busto no Estádio da Luz é um ponto de passagem obrigatório por parte de qualquer pessoa que entre nesse estádio, venha de onde vier.

"Caíste no teu campo de batalha, generoso e valente, como sempre foste dentro e fora do campo. O Benfica está a a fazer tudo para ser digno da tua memória e do teu exemplo". Foram estas as palavras proferidas por Luís Filipe Vieira no dia do funeral de Miklos Feher, e com as quais termino.

Este post, serve apenas, para que saibas que nunca te esqueceremos!


ATÉ SEMPRE MIKI, ETERNO 29


segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

DIA DE MARTIN LUTHER KING

«Que a Liberdade Ressoe!»

Há cem anos, um grande americano, sob cuja sombra simbólica nos encontramos, assinava a Proclamação da Emancipação. Esse decreto fundamental foi como um raio de luz de esperança para milhões de escravos negros que tinham sido marcados a ferro nas chamas de uma vergonhosa injustiça. Veio como uma aurora feliz para terminar a longa noite do cativeiro. Mas, cem anos mais tarde, devemos enfrentar a realidade trágica de que o Negro ainda não é livre.

Cem anos mais tarde, a vida do Negro é ainda lamentavelmente dilacerada pelas algemas da segregação e pelas correntes da discriminação. Cem anos mais tarde, o Negro continua a viver numa ilha isolada de pobreza, no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos mais tarde, o Negro ainda definha nas margens da sociedade americana, estando exilado na sua própria terra.

Por isso, encontramo-nos aqui hoje para dramaticamente mostrarmos esta extraordinária condição. Num certo sentido, viemos à capital do nosso país para descontar um cheque. Quando os arquitectos da nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e da Declaração de independência, estavam a assinar uma promissória de que cada cidadão americano se tornaria herdeiro.

Este documento era uma promessa de que todos os homens veriam garantidos os direitos inalienáveis à vida, à liberdade e à procura da felicidade. É óbvio que a América ainda hoje não pagou tal promissória no que concerne aos seus cidadãos de cor. Em vez de honrar este compromisso sagrado, a América deu ao Negro um cheque sem cobertura; um cheque que foi devolvido com a seguinte inscrição: "saldo insuficiente". Porém nós recusamo-nos a aceitar a ideia de que o banco da justiça esteja falido. Recusamo-nos a acreditar que não exista dinheiro suficiente nos grandes cofres de oportunidades deste país.

Por isso viemos aqui cobrar este cheque - um cheque que nos dará quando o recebermos as riquezas da liberdade e a segurança da justiça. Também viemos a este lugar sagrado para lembrar à América da clara urgência do agora. Não é o momento de se dedicar à luxuria do adiamento, nem para se tomar a pílula tranquilizante do gradualismo. Agora é tempo de tornar reais as promessas da Democracia. Agora é o tempo de sairmos do vale escuro e desolado da segregação para o iluminado caminho da justiça racial. Agora é tempo de abrir as portas da oportunidade para todos os filhos de Deus. Agora é tempo para retirar o nosso país das areias movediças da injustiça racial para a rocha sólida da fraternidade.

Seria fatal para a nação não levar a sério a urgência do momento e subestimar a determinação do Negro. Este sufocante verão do legítimo descontentamento do Negro não passará até que chegue o revigorante Outono da liberdade e igualdade. 1963 não é um fim, mas um começo. Aqueles que crêem que o Negro precisava só de desabafar, e que a partir de agora ficará sossegado, irão acordar sobressaltados se o País regressar à sua vida de sempre. Não haverá tranquilidade nem descanso na América até que o Negro tenha garantido todos os seus direitos de cidadania.

Os turbilhões da revolta continuarão a sacudir as fundações do nosso País até que desponte o luminoso dia da justiça. Existe algo, porém, que devo dizer ao meu povo que se encontra no caloroso limiar que conduz ao palácio da justiça. No percurso de ganharmos o nosso legítimo lugar não devemos ser culpados de actos errados. Não tentemos satisfazer a sede de liberdade bebendo da taça da amargura e do ódio.

Temos de conduzir a nossa luta sempre no nível elevado da dignidade e disciplina. Não devemos deixar que o nosso protesto realizado de uma forma criativa degenere na violência física. Teremos de nos erguer uma e outra vez às alturas majestosas para enfrentar a força física com a força da consciência.

Esta maravilhosa nova militancia que engolfou a comunidade negra não nos deve levar a desconfiar de todas as pessoas brancas, pois muitos dos nossos irmãos brancos, como é claro pela sua presença aqui, hoje, estão conscientes de que os seus destinos estão ligados ao nosso destino, e que sua liberdade está intrinsecamente ligada à nossa liberdade.

Não podemos caminhar sozinhos. À medida que caminhamos, devemos assumir o compromisso de marcharmos em frente. Não podemos retroceder. Há quem pergunte aos defensores dos direitos civis: "Quando é que ficarão satisfeitos?" Não estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos incontáveis horrores da brutalidade policial. Não poderemos estar satisfeitos enquanto os nossos corpos, cansados das fadigas da viagem, não conseguirem ter acesso a um lugar de descanso nos motéis das estradas e nos hotéis das cidades. Não poderemos estar satisfeitos enquanto a mobilidade fundamental do Negro for passar de um gueto pequeno para um maior. Nunca poderemos estar satisfeitos enquanto um Negro no Mississipi não pode votar e um Negro em Nova Iorque achar que não há nada pelo qual valha a pena votar. Não, não, não estamos satisfeitos, e só ficaremos satisfeitos quando a justiça correr como a água e a rectidão como uma poderosa corrente.

Sei muito bem que alguns de vocês chegaram aqui após muitas dificuldades e tribulações. Alguns de vocês saíram recentemente de pequenas celas de prisão. Alguns de vocês vieram de áreas onde a vossa procura da liberdade vos deixou marcas provocadas pelas tempestades da perseguição e sofrimentos provocados pelos ventos da brutalidade policial. Vocês são veteranos do sofrimento criativo. Continuem a trabalhar com a fé de que um sofrimento injusto é redentor.
Voltem para o Mississipi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para a Luisiana, voltem para as bairros de lata e para os guetos das nossas modernas cidades, sabendo que, de alguma forma, esta situação pode e será alterada. Não nos embrenhemos no vale do desespero.

Digo-lhes, hoje, meus amigos, que apesar das dificuldades e frustrações do momento, ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.

Tenho um sonho que um dia esta nação levantar-se-á e viverá o verdadeiro significado da sua crença: "Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais".

Tenho um sonho que um dia nas montanhas rubras da Geórgia os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos proprietários de escravos poderão sentar-se à mesa da fraternidade.

Tenho um sonho que um dia o estado do Mississipi, um estado deserto, sufocado pelo calor da injustiça e da opressão, será transformado num oásis de liberdade e justiça.

Tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos viverão um dia numa nação onde não serão julgados pela cor da sua pele, mas pela qualidade do seu caractér.

Tenho um sonho, hoje.

Tenho um sonho que um dia o estado de Alabama, cujos lábios do governador actualmente pronunciam palavras de ... e recusa, seja transformado numa condição onde pequenos rapazes negros, e raparigas negras, possam dar-se as mãos com outros pequenos rapazes brancos, e raparigas brancas, caminhando juntos, lado a lado, como irmãos e irmãs.

Tenho um sonho, hoje.

Tenho um sonho que um dia todo os vales serão elevados, todas as montanhas e encostas serão niveladas, os lugares ásperos serão polidos, e os lugares tortuosos serão endireitados, e a glória do Senhor será revelada, e todos os seres a verão, conjuntamente.

Esta é nossa esperança. Esta é a fé com a qual regresso ao Sul. Com esta fé seremos capazes de retirar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé poderemos transformar as dissonantes discórdias de nossa nação numa bonita e harmoniosa sinfonia de fraternidade. Com esta fé poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, ir para a prisão juntos, ficarmos juntos em posição de sentido pela liberdade, sabendo que um dia seremos livres.

Esse será o dia quando todos os filhos de Deus poderão cantar com um novo significado: "O meu país é teu, doce terra de liberdade, de ti eu canto. Terra onde morreram os meus pais, terra do orgulho dos peregrinos, que de cada localidade ressoe a liberdade".

E se a América quiser ser uma grande nação isto tem que se tornar realidade. Que a liberdade ressoe então dos prodigiosos cabeços do Novo Hampshire. Que a liberdade ressoe das poderosas montanhas de Nova Iorque. Que a liberdade ressoe dos elevados Alleghenies da Pensilvania!

Que a liberdade ressoe dos cumes cobertos de neve das montanhas Rochosas do Colorado!

Que a liberdade ressoe dos picos curvos da Califórnia!

Mas não só isso; que a liberdade ressoe da Montanha de Pedra da Geórgia!

Que a liberdade ressoe da Montanha Lookout do Tennessee!

Que a liberdade ressoe de cada Montanha e de cada pequena elevação do Mississipi.

Que de cada localidade, a liberdade ressoe.

Quando permitirmos que a liberdade ressoe, quando a deixarmos ressoar de cada vila e cada aldeia, de cada estado e de cada cidade, seremos capazes de apressar o dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos e cantar as palavras da antiga canção negra: "Liberdade finalmente! Liberdade finalmente! Louvado seja Deus, Todo Poderoso, estamos livres, finalmente!"

domingo, 20 de janeiro de 2008

A Igreja voltou a ser uma voz incomoda.


"Chegou agora o momento de, com um mesmo espírito, as religiões, em particular a religião católica, que é nossa religião maioritária, e todas as forças vivas da nação olharem juntos para os desafios do futuro e não apenas para as feridas do passado." - Nicolas Sarkozy

Há dias salientei aqui, um discurso de Nicolas Sarkozy, sobre laicidade positiva que achei bastante interessante. Nele, havia uma constatação sábia: as religiões e o Estado, ainda que separados podem caminhar juntos. No entanto, advinham-se tempos dificeis para a Igreja. Diria mesmo de clandestinidade. O Homem de hoje ignora a dimensão espiritual do ser humano em prol da dimensão economica e politica.

É triste que aqueles que criticam a Igreja façam justamente aquilo a que se opunham nela: o autoritarismo, a arrogância, o desrespeito pela diferença. É ainda mais triste que se achem cheios de razão. E digo isto depois de rejeitarem a visita de Bento XVI à universidade "La Sapienza", entre muitos sinais.

Durante séculos a Igreja afastou os fieis do verdadeiro Deus de amor. Procurou o poder e a ostentação. Contribuimos para muitos retrocessos. Assumimos o erro (porque a Igreja é guiada por Homens e não por Deus, portanto não está imune ao erro) e na pessoa do Santo Padre João Paulo II, pedimos desculpas ao mundo, mostrando-nos arrependidos.

Após o concilio Vaticano II, voltamo-nos para a base: o Evangelho. Desde então a Igreja tem progredido no campo social, está mais atenta aos pobres, à paz mundial e às necessidades das pessoas, fiel à mensagem de Jesus. E isso voltou a incomodar muita gente. Os ateus apontaram então baterias para questões como o celibato, o sacerdócio feminino etc.. Questões que nem sequer nos preocupam muito a nós crentes. Surgiram teorias da conspiração e isso, mostra que a mensagem de Jesus Cristo está tão actual e é tão incomoda como à 2000 anos.

Os sinais vão aparecendo: Há pessoas discriminadas por terem a sua fé. Não há uma palavra de apoio às instituições sociais, que fazem o papel do Estado. Clubes são aconselhados a tirar cruzes dos seus simbolos, prescindindo assim da sua identidade. Um alto catedrático, historiador e chefe de Estado é agora impedido de visitar uma universidade fundada por outro pontifice. Isto para não falar das tentativas de assassinato a Paulo VI nas Filipinas em 1970 e a João Paulo II em 1981 em Roma e em 1982 em Fátima.

Hoje, vivemos num mundo de extremos. O Ocidente nega o papel mais que importante das religiões na vida das pessoas e o Oriente, é fundamentalista de mais quanto a elas. Não será possivel encontrar um meio termo?

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Uma voz pode fazer a diferença



"O que é isso do Darfur?". É das perguntas que mais tenho ouvido desde que decidi começar a colaborar com a plataforma porDarfur na divulgação do conflito. Tomei a consciência que esta é provavelmente uma das situações mais dramáticas a nivel mundial. E é, devido à indiferença dos governos, dos media e da população em geral.

Depois da II Guerra Mundial, a comunidade internacional disse nunca mais. Depois da Bósnia a comunidade internacional disse nunca mais. Depois do Ruanda a comunidade internacional voltou a dizer nunca mais, e hoje em pleno século XXI, o Darfur sofre um genocidio que deveria ser uma preocupação universal: mais de 400 mil mortos, cerca de 2,5 milhões de desalojados e 3,5 milhões de pessoas dependentes de ajuda alimentar. E tudo isto se torna mais grave quando o Governo de Cartum decide atacar as organizações humanitárias privando as populações de receberam os mais variados bens essenciais desde pão e água. Acresce o facto de este ser o primeiro conflito onde se sentem os problemas das alterações climáticas, havendo uma situação de seca extrema naquela região, bem como uma preocupante e progressiva perda de biodeversidade.

Diz D. Carlos Azevedo: “O mundo vai conhecendo aos poucos os números de um drama que a mesquinhez de interesses económicos mundiais teima em travar”

Tenho constatado que falar direitos humanos, muitas vezes não passa de demagogia. Vejamos, George W. Bush. Depois do Afeganistão, depois da invasão ao Iraque, ele volta a falar em direitos humanos para ir ao Médio Oriente na tentativa de selar um acordo de paz, com o único intuito de ficar para a História.

O Darfur não interessa a ninguém. A China nada faz por ser um dos mais importantes aliados internacionais do Sudão (compra perto de 60 por cento das suas exportações de petróleo). Os Estados Unidos, apenas depois de uma forte pressão da opinião pública com várias personalidades à cabeça como Don Cheadle, George Clonney ou Arnold Schwarzenegger, começou a agir ameaçando sanções ao Sudão.

E é por acreditar que a pressão da opinião publica é essencial para resoluções de crises como esta, que Portugal depois do prestigio adquirido durante a presidência da União Europeia deve agora concentrar esforços juntos dos seus parceiros europeus, nomeadamente aqueles que fazem parte do Conselho Permanente de Segurança da ONU na procura de uma solução de paz. A nossa responsabilidade neste caso? Sempre fomos um país amigo dos direitos humanos, pioneiros a abolir a escravatura e a pena de morte e decisivos no processo de indepêndencia de Timor Lorosae.

Entretanto, depois de cinco anos de passividade o novo ano, abriu com uma boa noticia: A ONU assumiu o controlo das forças de paz no Darfur no último dia de 2007.

Quero acreditar que este é um bom presságio. Mas não podemos esperar que as coisas caiam do céu. Cada um de nós tem o dever social de ajudar os mais fracos, na procura conjunta de um mundo melhor para todos independentemente da cor, do sexo, da religião e do sitio onde vivem. Porque juntos, somos um só todo!

Quem for solidario e tiver um bocadinho de tempo disponivel, inteire-se da situação em:

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Previsões para 2008


Depois das "Notas sobre 2008" do Dr. Mário Soares, deixo-vos aqui outras previsões para 2008. Bem mais acertadas, digo eu:

Manoel de Oliveira grava sequela de Aniki Bóbó utilizando apenas câmaras de vídeo vigilância da zona da Ribeira no Porto;

Sócrates nomeia Armando Vara para presidente do Benfica;

Francisco Louçã usa uma gravata durante uma sessão da AR;

Sempre inspirado por Sarkozy, mas à sua escala, Luis Filipe Menezes começa a namorar com Mafalda Veiga;

Carlos Cruz é nomeado director de programas da RTP;

BCP lança campanha de spread 0 para militantes do PS com as quotas em dia;

Joe Berardo inscreve-se em curso de terapia da fala e já consegue cantar as canções mais complicadas de Sérgio Godinho;

ASAE lança franchising de restaurantes de fast-food;

Vanessa Fernandes será a nova namorada de Cristiano Ronaldo;

Galp descobre petróleo debaixo do capachinho de Fernando Gomes;

Julgamento Casa Pia é anulado porque vitimas, que entretanto envelheceram e sofrem de alzheimer, não conseguem depor a mesma história que descreveram no início do processo;

Mourinho é vencedor da Liga do Jornal Record;

Pedro Santana Lopes assume paternidade de Ribau Esteves;

Selecção Nacional de Rugby ganha finalmente um jogo;

Marques Mendes só é visto no último trimestre de 2008 numa câmara de vigilância da Zara Kids;

Tratado de Lisboa fica sem efeito pois Sócrates rubricou "Sócrates O Magnifico" em todas as páginas;

Paulo Portas assume relação com Jacinto Leite Capelo Rego e casa dentro de submarino em águas territoriais espanholas;

Scolari consegue feito inédito ao ser campeão da Europa só com empates;

Isaltino Morais é o primeiro presidente de câmara a usar pulseira electrónica;

Ministro da saúde Correia de Campos encerra-se no seu próprio gabinete e engole a chave.

Recebido via e-mail.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Afinal o Aeroporto é em Alcochete!


"O que eu acho faraónico é fazer o aeroporto na Margem Sul, onde não há gente, onde não há escolas, onde não há hospitais, onde não há cidades, nem indústria, comércio, hotéis, e onde há questões da maior relevância que é necessário preservar."

"Na margem Sul, jamé, jamé!"


Foi cruel o que José Sócrates fez a Mário Lino, ao mantê-lo a seu lado durante a conferência de imprensa. Mantê-lo no Governo agora será ainda mais. Toda a sua credibilidade caiu com a decisão de fazer o novo aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete. E a cara dele durante a conferência de imprensa, mostrava tudo.

Mário Lino defendeu a OTA com unhas e dentes. Sem se aperceber caiu no ridiculo não sei quantas vezes e ainda cometeu algumas gaffes completamente hilariantes. Pede-se a sua saída. Para o bem da sua imagem.

O Governo tentou que a questão do novo aeroporto passasse sem discussão e silenciosamente. Assim não foi, sobretudo devido a Marques Mendes que foi dos primeiros a chamar à atenção para os males de se fazer um aeroporto na Ota, devido aos ventos fortes aí existentes, à necessidade de se fazer uma grande movimentação de terras para tornar o solo plano e ao rápido esgotamento da obra (13 anos de validade apenas) quando o investimento ia ser enorme e no futuro seria impossivel fazer obras de expansão pelo facto do terreno se situar num vale! Apesar de esta ser uma promessa eleitoral deste governo (Programa do XVII Governo Constitucional, p. 105), evitou-se um erro que iria sair muito caro já na construção e ainda mais depois de entrar em funcionamento. E por isso, apesar de Marques Mendes já não ser lider do PSD essa é uma grande vitória para ele, e um derrota de todo o tamanho para Mário Lino, que reprensentava, como disse José Sócrates na sua conferência de imprensa, todo o Executivo

Eu sempre fui mais adepto de Portela + 1, mas como não sou engenheiro e nem sequer tenho conhecimento de causa, não posso dizer que esta era a solução mais proveitosa. Mas era adepto desta solução porque acho que o Aeroporto da Portela não está completamente esgotado, bastando apenas algumas obras de remodelação e expansão e a construção de um aeroporto complementar que pudesse ficar mais barato aos nossos bolsos.

Penso que a escolha da margem Sul tem o incoveniente dos custos depois de 48 anos a discutir-se um aeroporto na Ota. Porque as pessoas dessa região vão ser indemnizadas, e a verdade é que é justo depois de preparem o seu futuro dependentes do novo aeroporto. Logo, vamos pagar Ota e Alcochete. Depois, precisa de mais uma ponte. Não porque possa ser é dinamitada, desligando-se assim o Norte do Sul do País como diz Almeida Santos, como se nós estivessemos na rota do terrorismo mundial e já não houvesse um aeroporto em Faro, onde nunca se levantou essa falta questão.

Mas talvez seja preferivel assim. Porque como o povo português costuma dizer: o barato, sai caro.


PS: Se os senhores do Governo ainda acham que a margem Sul é um deserto, que tal começarem a dota-la de mais e melhores infra-estruturas? Com ou sem aeroporto, era o seu dever, não só na margem Sul, mas também no interior do país. É que só com o litoral acima do Tejo, não vamos lá!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Faltando à seriedade

Este Governo anda com certeza a gozar com a nossa cara. E não é por a oposição estar fraca que eles podem fazer tudo como querem e lhes apetece. Os últimos episódios são de uma indecência sem limites, para com aqueles que em 2005 lhes deram um voto de confiança para guiar durante quatro anos os seus destinos.

Eu podia falar da centralização dos serviços quer seja de ensino, saúde, justiça ou segurança, quando nós pagamos para os ter perto de nós e com qualidade. Eu podia falar de algum autoritarismo timido usado para calar vozes incomodas. Eu podia falar do desemprego e dos dois milhões de pobres que a obsessão com o défice causou. Mas como nunca mais daqui ia sair, é melhor deixar-me ficar só pelos acontecimentos mais recentes.

Muito sinceramente, acho que não houve nunca neste país um governo que desse gaffes a uma velocidade tão grande. Bem, às vezes até penso se é uma gaffe ou se eles acreditam mesmo no que dizem. Começo a acreditar mais na segunda hipótese. Mas quando o Secretário de Estado da Segurança Social já tem a ideia peregrina de pagar os retroactivos no valor de 9,60€ em prestações de 14 meses, o que dá a misera quantia de 0,68€ por mês que nem para um pacote de leite dá, vem depois a público dizer que não dá tudo de uma vez para que os pensionistas não gastem tudo no mês de Janeiro eu penso: mas aquele homem está a gozar connosco ou é um completo incompetente? É verdade que o projecto não foi para a frente, mas quem tem uma ideia destas, será que é dotado de inteligência e sensibilidade social? É que só o eng. Sócrates é que vive no país paradisico que ele próprio fantasia. Logo, este não é um aumento que influencie o poder de compras dos pensionistas, muito menos se fosse dado em prestações de 0,68€. A vida está cara, e para quem tem de comprar medicamentos e ir ao supermercado com frequência isto é um insulto.

Depois há a questão da ratificação do tratado pela via parlamentar. Eu sempre fui a favor dessa via. Pelo maior conhecimento de causa dos deputados, para evitar uma taxa de abstenção elevadissima. Só e apenas por isso. Porque tenho a certeza que poucas pessoas iriam às urnas. Agora, neste caso, a única posição que José Sócrates podia tomar era a de convocar o referendo. Porque as promessas são para se cumprir. E esta é mais uma a acrescentar à já longa lista. Lembre-se que o Governo também disse que os impostos não iriam subir e que era capaz de criar 150 000 postos de trabalho. E sabem porque é que o eng. Sócrates não quis um referendo?

É fácil. Com tanta borrada que ele e os seus ministros têm feito, era bem possível que as pessoas o castigassem nesse referendo. E se isso acontecesse ele veria ir por água abaixo o maior simbolo do seu sucesso: o Tratado de Lisboa. Seria um rude golpe pessoal e não seria lá muito "porreiro, pá"!

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

A Ambição

"Quem quer mais do lhe convém
perde o que quer e o que tem"

do Pe. António Vieira
no "Sermão de Santo António aos Peixes" (13-06-1654)


Hoje, num mundo cada vez mais competitivo, todas as pessoas querem mais e melhor; ou seja, são muito mais ambiciosas do que há algumas dezenas de anos. Ora, se isso tem as suas coisas boas, as más sobrepõem-se, certamente, muito mais. Por isso é que a ambição é cega e não olha a meios para atingir os fins.

É o que acontece com um dos problemas económicos e sociais mais grave: a corrupção. Nos países onde a corrupção é o "pão-nosso de cada dia", as pessoas vivem no limiar da pobreza. E um ou dois espertalhões "recebem" por todos eles. Porque a ambição é cada vez maior. Aumenta, e resulta sempre em detrimento dos outros. Muitos são deixados para trás no processo de desenvolvimento.

É a ambição que determina graves problemas de relacionamento entre colegas, e até com amigos. Pois os tempos de convivência harmoniosa e colectivismo já lá vão. A ambição, indefectivelmente, define-se como individualista radical e sem limites.

Dir-se-á que é ela que nos proporciona o nível de vida existente; que tal não teriamos atingido sem o seu contributo ao longo dos tempos. Mas, ... será realmente bom o "nível de vida" de que gozámos? Será, com efeito, um nível razoavelmente bom para todos?

Dir-se-á também que a ambição consiste em não se resignar. Mas, eu, a isso, chamo "persistência".

Dir-se-á, inclusive, que todos queremos dar mais e melhor aos que amamos. Mas, por exemplo, para dar um excelente telemóvel ao filho, ou aquela roupa da marca "X" à filha, ou aquela viagem romântica à esposa, ou ..., privá-los - a todos eles- da presença, da atenção, do carinho, ... do pai, que fica a fazer horas extraordinárias?

Por isso, contra a ambição sem limites, é preciso fazer algo. Porque um carro e uma boa casa não justificam tudo. Porque nada disso levamos connosco ou marcará o nosso nome junto daqueles com quem vivemos. Aliás, que histórias contaremos nós aos nossos netos?

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Começaram as primárias

Começaram as primárias nos Estados Unidos da América. O sistema eleitoral deles é muito diferente do nosso, mas tem as suas vantagens. A divisão das eleições em duas fases: as primárias que duram 7 a 9 meses e as presidênciais em si, só com dois candidatos, onde não há dispersão de votos. O único e grande senão do sistema politico americano, é o grande poder que o Congresso detêm e em 2000 impediu a eleição de Al Gore.

Acaba agora a era Bush (desastrosa e que certamente não deixará saudades a ninguém), e o mundo ficará nos próximos tempos suspenso enquanto não se decidir quem é o novo inquilino da Casa Branca, pela importância dos Estados Unidos na emissão de gases, nos conflitos internacionais, na subida do preço do petróleo. Porque, em suma, tudo o que marca a agenda internacional, conta com a presença dos Estados Unidos.

Do lado republicano, a escolha é complicada. O milionário mormon Mitt Romney é talvez o menos credivel. Muda de opinião como quem muda de camisa. Rudy Giuliani era à partida o melhor colocado. E era-o porque os republicanos fazem da luta contra o terrorismo uma bandeira. E a verdade é que a forma como Giuliani diminui a criminalidade em Nova Iorque e depois lidou com o 11 de Setembro foi magnifica, num país que pede segurança. Mas depois da vitória no Iowa, Mike Huckabee, conta com o seu bom humor (sobretudo na pergunta sobre Jesus) e tem uma ideia, que apesar de ser vista com desconfiança pode ser boa: a ideia de um livre comércio que seja justo e mais moderado. Huckabee sabe que um país como os Estados Unidos não pode estar dependente da comida que chega da China, do petróleo da Arábia Saudita, nem dos produtos manufacturados da Europa e África. Promovendo uma produção nacional auto suficiente, será possivel recuperar muitos postos de trabalho. Por isso é que ele é o meu favorito. É inteligente, usa uma linguagem simples, pede menos arrogância na politica internacional, pretende retirar as tropas do Iraque mas não repentinamente, pede o fim do aborto e tem como senão a posição contra o controlo de armas.

Analisando o lado democrata, vemos que John Edwards não tem argumentos (leia-se fundos de campanha) para competir. Além do mais as suas politicas liberais em favor dos pobres confundem-se com populismo. Quanto a Hillary Clinton não gosto da maneira de como ela e algumas mulheres fazem politica. E a verdade é que parece que o povo também não gosta. Em França, Segolene Royal quase não ia à segunda volta das presidênciais e Hillary deixou muito a desejar no Iowa. E isto acontece, por fazerem campanha servindo-se do facto de serem mulheres. Esquecem os projectos e as soluções para os problemas no seu discurso, impregando a palavra "change" para fazerem História ao serem a primeira mulher a ocuparem tal cargo. Na verdade o que elas querem, é servir-se do seu país, e não servir o seu país. Hillary Clinton disse há dias: "Ter uma mulher como presidente representaria uma mudança enorme". Na minha opinião, são frases como estas que dificultam a ascensão das mulheres na politica. E talvez seja por isso que Barack Obama ganhou no Iowa. Porque, apesar da sua inexperiência, ele nunca usou o facto de ser negro para ganhar votos. Ele centra sim, o seu discurso na unidade (entre conservadores e liberais, negros e brancos) e numa politica externa decidida (com a retirada das tropas do Iraque e abertura ao diálogo). E é por isso que ele é o meu favorito, do lado democrata.

domingo, 6 de janeiro de 2008

A morte do Dakar?

Deviamos estar, hoje a vibrar com a primeiras peripécias da edição de 2008 do Lisboa-Dakar. Por questões ligadas à segurança, a prova foi cancelada pela primeira vez em cerca de 30 anos. Sabendo que a perca de muitos milhões de euros é bem menos preocupante que a perca de muitas vidas humanas, esta é uma notícia muito triste.

Não sendo eu um aficionado do desporto automovel, sempre gostei de acompanhar esta prova. Pelo desempenho dos portugueses, pela magia e pela superação de todos os pilotos. É com grande tristeza que sei que este ano não irá haver nada disto, depois da grande maioria dos pilotos se terem preparado para a prova durante um ano inteiro, e alguns talvez mais. De um dia para o outro, houve projectos de vida que se esfumaram, e milhões de euros que se perderam.

Esta decisão pode influenciar o futuro, porque abre um precedente relativamente aos patrocinios, visto a prova perder crédito e aos terroristas que conquistam mais uma vitória. Certamente, que foi uma decisão muito dificil, mas ceder perante as ameaças prontamente não é um bom sinal dos tempos, pois o terrorismo deve-se enfrentar de frente. Sempre houve problemas e ameaças (provavelmente não tão sérias como esta), mas esta é uma prova de superação e de risco e poderia-se certamente negociar adiando a prova para uma altura em que as coisas estivessem mais calmas, prosseguindo para já a prova até Marrocos. Seria também possivel um desvio das rotas e alteração das especiais embora isso fosse mais arriscado. Mesmo assim: em 30 anos de Dakar houve tempos "em que não havia tecnologia, a segurança era mínima, as pessoas perdiam-se no deserto e corriam realmente risco de vida" como disse Elisabete Jacinto, e sempre houve solução aos tradicionais conflitos regionais quer pela anulação de etapas quer pela alteração de percursos.

Têm também vindo à baila notícias que as próximas edições podem não mais passar por África. Ora isto trata-se de uma descaracterização da prova, e mais importante do que isso é que o seu fim, afastaria os dois continentes (Europa e África) e contribuíria ainda mais para o desaparecimento de África do panorama internacional visto o Dakar ser uma espécie de montra para o continente e alertar para o que por lá se vai passando, havendo por esta altura várias reportagens sobre África a pretexto do rali. Seria o fim simbólico da prova. Porque ao contrário do que Etienne Lavigne, pensa, o símbolos, também morrem, se não forem alimentados. Espero muito bem estar enganado, mas penso que este morreu aos 29 anos em Lisboa.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Ainda a nova Lei do Tabaco


A nova Lei do Tabaco entrou em vigor às 00h00 do dia 1 de Janeiro e ainda dá que falar. Esta é uma medida tomada na sequência do que vêm fazendo outros países europeus à algum tempo a esta parte, e tem o seu sentido. Tudo porque porque o tabaco é algo de muito prejudicial ao nível da saúde quer para fumadores quer para não fumadores. Acresce o facto de os não fumadores, como eu, não terem nenhuma obrigação de levarem com o desagradável fumo dos outros.

Esta lei nem sequer devia ser precisa. Porque a questão de fumar em locais fechados abertos ao público devia ser só e unicamente uma questão de civismo. No entanto, vivemos em liberdade e sempre houve e sempre haverá quem abuse do sistema em que vivemos, e para que ninguem saia prejudicado há que fazer leis como esta. E já que foi feita, gostaria de me pronunciar.

Eu não sou contra esta lei, de todo! Mas acho que ela não está bem feita e também não é coerente.

1. É absolutamente ridiculo e incoerente, o Governo proibir o fumo nas cadeias e ao mesmo tempo, criar programas de distribuição de seringas aos reclusos. O Governo desiste de tratar os reclusos e ainda alimenta o vicio e agora impede o simples fumo de um cigarro! Isto não faz sentido, quando o Código Penal institui a pena de prisão, no sentido de ressocializar o recluso. Quererá isto dizer que a nicotina é mais perigosa que a droga? Penso que não, pois é a droga e não o tabaco, o factor que mais influência a actividade delinquente. Logo, a prisão que deveria ser um meio priveligiado de tratamento, proíbe o tabaco mas alimenta a droga!
2. Esta é mais uma lei que vai arruinar o pequeno comércio, tão característico de Portugal. Os espaços pequenos perdem clientes para os espaços maiores onde se pode fumar. Não esquecendo, que somos um país de pequenos negócios, esta é uma área onde o Governo devia prestar atenção a fim de evitar o seu desaparecimento eminente. Portanto, esta lei devia ser apenas aplicada de diferente forma. O espaços maiores, deviam estar obrigados a fazer zona de fumadores, enquanto nos mais pequenos, o fumo devia ser apenas restringido e apenas proibido em zonas muito frequentadas por crianças, doentes e idosos, por questão de boa educação.
3. Esta lei, não pode nunca visar a proibição do consumo de tabaco. O Estado não pode interferir no direito à escolha. Apesar desta ser uma questão de saúde, não faria sentido, o Estado obrigar os sedentários a caminhar meia hora por dia ou os obesos a fazer dieta. A única coisa que o Estado pode e deve fazer é alertar as consciências.
4. Esta lei, não sairá barata a ninguém. Os sistemas de exaustão não são nada baratos. Na função pública, uma pausa para fumar vai custar 18 minutos de trabalho. Seria bom que houvesse uma pequena comparticipação do Estado nos sistemas de exaustão. Quanto à função pública, a manutenção das salas de fumo, pelo menos, durante os primeiros tempos deveria ser equacionada.
5. Ao que parece os trabalhadores das áreas de fumadores não podem ser permanecer nessas zonas por um periodo superior a duas horas e meia, por razões de saúde. E ninguém proteje quem trabalha nas minas, por exemplo? Além do mais, não sei se sabem, mas nos cafés por exemplo, uma jornada de trabalho não dura apenas 8 horas. Dura um dia inteiro. Quantos trabalhadores terão de haver para se aguentar um dia de trabalho? A não ser que isto seja uma medida para criar postos de trabalho.

Esperemos então que a aplicação da lei seja calma, e estes pequenos problemas sejam resolvidos, não com leis, mas com bom senso. Triste, é que mais uma vez o pior exemplo venha de cima: o presidente da ASAE (aquele orgão cujos inspectores são implacaveis), António Nunes, foi apanhado a fumar num casino já depois da lei entrar em vigor. Agora digam-me: com que moral os inspectores vão entrar por um estabelecimento a dentro a proibir as pessoas de fumarem?

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

A laicidade

Ao contrário do que se pensa muitas vezes, não foi um ateu o primeiro a pensar na separação entre o Estado e a Religião. É bom que todos se lembrem que o primeiro Homem a falar disso foi Jesus Cristo, quando disse aos fariseus "Dai a Deus o que é de Deus e a Cesar o que é de Cesar" (Mts 22, 21).

Os Estados devem ser separados da Igreja, mas isso não quer dizer que a tenham de espezinhar e maltratar a torto e a direito. Depois de anos em que erradamente, o clero exercia grande poder no mundo, hoje passamos para o oposto. Ou seja do 80 para o 8. E isso não pode ser. A Lei da Liberdade Religiosa de 2001, é uma treta. O 1º artigo desta lei diz o seguinte:

Artigo 1.º
Liberdade de consciência, de religião e de culto
A liberdade de consciência, de religião e de culto é inviolável e garantida a todos em conformidade com a Constituição, a Declaração Universal dos Direitos do Homem, o direito internacional aplicável e a presente lei.

A lei diz que cada um tem a liberdade de escolher uma religião e devem ser disponibilizados todos os meios possiveis para cada pessoa professar a sua religião seja ela qual for. No entanto, para este Governo e alguns ateus agressivos (sobretudo aqueles que adoptam a triologia: republicanismo, laicismo e socialismo), esta lei é posta em práctica de uma maneira muito diferente: o Estado não pode ter nenhum compromisso com as religiões para não discriminar ninguém e porque esta é uma questão filosófica sem verdades absolutas, logo retira-se esta faceta da vida das pessoas. Está-se a fazer do anticlericalismo a religião do Estado, e são os ateus que saiem beneficiados com isso, ignorando-se a dimensão espiritual e a realização pessoal dos crentes.

Em Portugal, este Governo e os partidos mais à Esquerda têm sido discriminatórios em relação às religiões. Em 2005, com grande prontidão retiraram-se os crucifixos das escolas. Vivemos numa Europa que tem as suas tradições e os seus costumes e onde o cristianismo é uma presença social e apesar de nos devermos abrir a novas religiões e aceitar o laicismo, esta matriz deve-se manter como parte integrante da nossa cultura. E tudo isto para dizer , que não veria problemas em que os crucifixos continuassem nas escolas. Mas aceitaria-se esta ordem por respeito à diferença. No entanto, já nessa altura me pareceu de muito mau gosto, que Ana Drago, comparasse um crucifixo a um chouriço. Foi mais um mau momento de quem já comparou o aborto a um corte de cabelo.

Em 2007, foi ordenada a retirada dos capelões dos hospitais. E isso sim um acto gritante. Porque os capelões não são impostos nem sequer aos católicos, quanto mais aos ateus. Ao invocar a igualdade entre religiões, o Governo esqueceu-se que a sua missão não é privar os doentes de receberem um religioso, mas sim criar condições para que todas as confissões religiosas o possam fazer.

Ontem o Correio da Manhã noticiou que o Ministério da Educação tinha enviado ofícios às escolas desaconselhando nomes de escolas com alusões religiosas (como nomes de santos ou santas). Em matéria de invocações à Virgem Maria é bom que se preparem para mudar o nome de aldeias, vilas e cidades, aeroportos, ruas etc.. Em matéria de santos, pessoas que lutaram pelos direitos dos povos e dos portugueses e que por isso foram reconhecidos pela Igreja (como por vezes uma pessoa é reconhecida por um país ao receber o titulo de comendador por exemplo) já não pode ter o seu nome numa escola. Isto quer dizer que um Pe. António Vieira não poderia ter uma escola com o seu nome mas o Marquês de Pombal que mandou matar o Tavoras, pode.

Tenta-se assim apagar todas as referências à religião, fenómeno da nossa cultura, de uma forma fundamentalista, negando-se o seu contributo e a sua importância na vida das pessoas. Tudo isso é ainda mais incompreensivel, quando muitas paróquias e Instituições Particulares de Solidariedade Social ligadas à Igreja prestam o trabalho social, que o Estado devia prestar aos excluidos sem uma única ajuda da sua parte de uma forma excepcional e voluntariamente, sendo um bom exmplo disso a Comunidade Vida e Paz. E não têm nenhum apoio do Estado, apenas porque são paróquias. O que aconteceria hoje, se esse apoio parasse? Talvez não tivessemos dois milhões de pobres mas três ou quatro milhões...

É verdade que a Igreja contribuiu durante muitos séculos para que o mundo permanecesse na escuridão, mas ela revitalizou-se, reconciliando-se com as pessoas, sobretudo as mais pobres e com as outras religiões com as quais mantém intenso diálogo.

E é por isso, que para terminar cito uma intervenção de Nicolas Sarkozy em Roma perante o papa Bento XVI (discurso na integra), onde apela às raízes cristãs da França, e se mostra agradecido pelo papel da Igreja Católica no país, criando o conceito de laicidade positiva. Deixo aqui portanto algumas das citações mais importantes e a ter em conta:

"... já ninguém contesta que o regime francês de laicidade seja uma liberdade: a liberdade de acreditar ou de não acreditar, a liberdade de praticar uma religião e a liberdade de mudar de religião, a liberdade de não mais ser confrontado na sua consciência com práticas ostentatórias, a liberdade para os pais de transmitir aos seus filhos uma educação em conformidade com suas convicções, a liberdade de não ser discriminado pela administração pública em função de sua crença. A França mudou muito. Os cidadãos franceses possuem convicções mais diversificadas do que antigamente. Desde então, a laicidade é afirmada como uma necessidade e, eu ousaria mesmo dizer, uma oportunidade. Ela tornou-se uma condição para a paz civil."
"... a laicidade não poderia ser a negação do passado. A laicidade não tem o poder de cortar França das suas raízes cristãs. Ela tentou fazê-lo. E não deveria tê-lo feito. Assim como Bento XVI, eu acho que uma nação que ignore a herança ética, espiritual e religiosa da sua história comete um crime contra sua cultura, contra esse misto de história, património, arte e tradições populares que impregna tão profundamente nossa maneira de viver e pensar. Arrancar a raiz é perder o significado, é enfraquecer o cimento da identidade nacional, é tornar ainda mais ásperas as relações sociais, que tanta necessidade têm de símbolos de memória. É por essa razão que devemos manter juntas as duas pontas da cadeia: assumir as raízes cristãs da França e até mesmo valorizá-las, defendendo ao mesmo tempo a laicidade, que finalmente chegou à maturidade."
"Chegou agora o momento de, com um mesmo espírito, as religiões, em particular a religião católica, que é nossa religião maioritária, e todas as forças vivas da nação olharem juntos para os desafios do futuro e não apenas para as feridas do passado."
"...um homem que crê é um homem que tem esperança. E o interesse da República é que haja muitos homens e mulheres que tenham esperança."
"É por isso que desejo o advento de uma laicidade positiva, ou seja, uma laicidade que, preservando a liberdade de pensamento, a de crer ou não crer, não veja as religiões como um perigo mas, pelo contrário, como um trunfo."
A vossa contribuição [da Igreja] para a acção caritativa, para a defesa dos direitos humanos e para a dignidade humana, para o diálogo inter-religioso, para a formação das inteligências e dos corações, para a reflexão ética e filosófica, é fundamental."
"A França tem necessidade de católicos convictos que não receiem afirmar aquilo que são e aquilo em que crêem."
"Em todo lugar onde os Senhores agirem, nos subúrbios, nas instituições, junto aos jovens, no diálogo entre religiões, nas universidades, eu vos apoiarei. França precisa da vossa generosidade, da vossa coragem, da vossa esperança."

E é por isso que a França tem futuro. Porque tem ao leme um homem que sabe que o futuro se controi com a ajuda de todos.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

O DARFUR NÃO PODE ESPERAR MAIS



QUE EM 2008, O DRAMA ACABE DE UMA VEZ POR TODAS


O conflito que assombra o Sudão desde 2003 é feito de números arrasadores: cerca de 200,00 vidas tiradas, mais de 2,1 milhões de refugiados numa população de seis milhões. Da ONU, veio recentemente um número animador: o envio de 26 mil soldados numa força conjunta da ONU e da União Africana para Darfur. O objectivo é impulsionar o processo de paz e terminar o conflito na região. Uma tarefa difícil, para a qual é necessária a ajuda da comunidade internacional e de toda a sociedade civil.
Não se perca nos números. Faça a diferença. Junte-se à Plataforma pelo Darfur e espalhe a palavra: copie o código que e coloque-o no seu site/blog. O logótipo “Protejam o Darfur” fará de si um aliado desta causa.
Não desvie o olhar, proteja o Darfur.
A Campanha porDarfur precisa de colaboradores para tarefas como:
- Apoio na divulgação das petições (e-mail e em folha impressa);
- Divulgação da campanha em vários pontos do País (localmente, junto das escolas, empregos, etc.);
- Divulgação da Exposição fotográfica porDarfur (acompanhamento das exposições já agendadas ou dinamização da sua instalação em locais tais como praças públicas, shoppings, centros culturais, etc.);
- Divulgação da Campanha em espaços da Blogoesfera, Hi5, MySpace, FaceBook,etc;
-Revisão ou tradução de conteúdos (inglês, castelhano, francês, alemão);
- Apoio administrativo (triagem e encaminhamento de questões via internet - e-mail ou trabalho presencial - contactos, preparação de iniciativas, etc.);
- Produção de textos (preparação e pesquisa de conteúdos para o site);
- Design ou concepção de materiais informativos (postais electrónicos, materiais impressos, animação gráfica, etc).
- Reportagem de eventos; legendagem de pequenos documentários e vídeos;
- Contributos diversos para iniciativas ligadas à música ou teatro; animação de rua, artes plásticas (pintura, escultura), etc.;

Seja "uma voz porDarfur"! Se julga que pode dar apoio voluntário em alguma destas tarefas ou tem algumas questões a colocar, envie-nos p.f. um e-mail com descrição das áreas em que se propôe colaborar e zona do País aonde trabalha ou reside para o endereço info@pordarfur.org.