quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Faltando à seriedade

Este Governo anda com certeza a gozar com a nossa cara. E não é por a oposição estar fraca que eles podem fazer tudo como querem e lhes apetece. Os últimos episódios são de uma indecência sem limites, para com aqueles que em 2005 lhes deram um voto de confiança para guiar durante quatro anos os seus destinos.

Eu podia falar da centralização dos serviços quer seja de ensino, saúde, justiça ou segurança, quando nós pagamos para os ter perto de nós e com qualidade. Eu podia falar de algum autoritarismo timido usado para calar vozes incomodas. Eu podia falar do desemprego e dos dois milhões de pobres que a obsessão com o défice causou. Mas como nunca mais daqui ia sair, é melhor deixar-me ficar só pelos acontecimentos mais recentes.

Muito sinceramente, acho que não houve nunca neste país um governo que desse gaffes a uma velocidade tão grande. Bem, às vezes até penso se é uma gaffe ou se eles acreditam mesmo no que dizem. Começo a acreditar mais na segunda hipótese. Mas quando o Secretário de Estado da Segurança Social já tem a ideia peregrina de pagar os retroactivos no valor de 9,60€ em prestações de 14 meses, o que dá a misera quantia de 0,68€ por mês que nem para um pacote de leite dá, vem depois a público dizer que não dá tudo de uma vez para que os pensionistas não gastem tudo no mês de Janeiro eu penso: mas aquele homem está a gozar connosco ou é um completo incompetente? É verdade que o projecto não foi para a frente, mas quem tem uma ideia destas, será que é dotado de inteligência e sensibilidade social? É que só o eng. Sócrates é que vive no país paradisico que ele próprio fantasia. Logo, este não é um aumento que influencie o poder de compras dos pensionistas, muito menos se fosse dado em prestações de 0,68€. A vida está cara, e para quem tem de comprar medicamentos e ir ao supermercado com frequência isto é um insulto.

Depois há a questão da ratificação do tratado pela via parlamentar. Eu sempre fui a favor dessa via. Pelo maior conhecimento de causa dos deputados, para evitar uma taxa de abstenção elevadissima. Só e apenas por isso. Porque tenho a certeza que poucas pessoas iriam às urnas. Agora, neste caso, a única posição que José Sócrates podia tomar era a de convocar o referendo. Porque as promessas são para se cumprir. E esta é mais uma a acrescentar à já longa lista. Lembre-se que o Governo também disse que os impostos não iriam subir e que era capaz de criar 150 000 postos de trabalho. E sabem porque é que o eng. Sócrates não quis um referendo?

É fácil. Com tanta borrada que ele e os seus ministros têm feito, era bem possível que as pessoas o castigassem nesse referendo. E se isso acontecesse ele veria ir por água abaixo o maior simbolo do seu sucesso: o Tratado de Lisboa. Seria um rude golpe pessoal e não seria lá muito "porreiro, pá"!

1 comentário:

António Inglês disse...

Meu caro Carlos Alberto

Estou de acordo consigo em tudo o que diz em especial ao ministro que teve a brilhante ideia de dividir tostões em trocos, mas este dissera,-lhe que era preciso poupar e ele não sabe o que isso é.
Só não estou de acordo consigo quanto ao referendo sobre o tratado de Lisboa. É verdade que ele o tinha prometido, mas não o querendo defender, acho que este tratado é bem mais e vai bem mais longe que os interesses cá do burgo. Estaria em causa uma traiçãozinha à Europa, e se cá por casa podemos andara a fazer de conta, com a Europa não daria muito jeito fazê-lo pois a bem da verdade dela dependemos em tudo.
Mas esta é só a minha opinião, e é salutar que tenhamos divergências e pensemos cada um de nós à sua maneira. Se isto fosse sempre tudo igual e andasse-mos todos sempre de acordo, o mundo já tinha tombado.
Um abraço
José Gonçalves