domingo, 6 de janeiro de 2008

A morte do Dakar?

Deviamos estar, hoje a vibrar com a primeiras peripécias da edição de 2008 do Lisboa-Dakar. Por questões ligadas à segurança, a prova foi cancelada pela primeira vez em cerca de 30 anos. Sabendo que a perca de muitos milhões de euros é bem menos preocupante que a perca de muitas vidas humanas, esta é uma notícia muito triste.

Não sendo eu um aficionado do desporto automovel, sempre gostei de acompanhar esta prova. Pelo desempenho dos portugueses, pela magia e pela superação de todos os pilotos. É com grande tristeza que sei que este ano não irá haver nada disto, depois da grande maioria dos pilotos se terem preparado para a prova durante um ano inteiro, e alguns talvez mais. De um dia para o outro, houve projectos de vida que se esfumaram, e milhões de euros que se perderam.

Esta decisão pode influenciar o futuro, porque abre um precedente relativamente aos patrocinios, visto a prova perder crédito e aos terroristas que conquistam mais uma vitória. Certamente, que foi uma decisão muito dificil, mas ceder perante as ameaças prontamente não é um bom sinal dos tempos, pois o terrorismo deve-se enfrentar de frente. Sempre houve problemas e ameaças (provavelmente não tão sérias como esta), mas esta é uma prova de superação e de risco e poderia-se certamente negociar adiando a prova para uma altura em que as coisas estivessem mais calmas, prosseguindo para já a prova até Marrocos. Seria também possivel um desvio das rotas e alteração das especiais embora isso fosse mais arriscado. Mesmo assim: em 30 anos de Dakar houve tempos "em que não havia tecnologia, a segurança era mínima, as pessoas perdiam-se no deserto e corriam realmente risco de vida" como disse Elisabete Jacinto, e sempre houve solução aos tradicionais conflitos regionais quer pela anulação de etapas quer pela alteração de percursos.

Têm também vindo à baila notícias que as próximas edições podem não mais passar por África. Ora isto trata-se de uma descaracterização da prova, e mais importante do que isso é que o seu fim, afastaria os dois continentes (Europa e África) e contribuíria ainda mais para o desaparecimento de África do panorama internacional visto o Dakar ser uma espécie de montra para o continente e alertar para o que por lá se vai passando, havendo por esta altura várias reportagens sobre África a pretexto do rali. Seria o fim simbólico da prova. Porque ao contrário do que Etienne Lavigne, pensa, o símbolos, também morrem, se não forem alimentados. Espero muito bem estar enganado, mas penso que este morreu aos 29 anos em Lisboa.

1 comentário:

Anónimo disse...

Sobre isto tenho a dizer k como é evidente foi uma tristeza pr os participantes k tiveram k montar e desmontar os veiculos sem realizar a prova. nao esquecendo da preparação e de td o esforço pr se prepararem pr esta grande prova k concerteza é um grande desafio em k todos gostariam de participar.

Espero k o Dakar nao acabe até pk c tu referes é uma prova k destaca o continente africano.

Que haja Dakar em 2009!