Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

O nosso país

Mais do que tudo, os portugueses precisam de exemplo. Exemplo dos seus maiores e dos seus melhores. O exemplo dos seus heróis, mas também dos seus dirigentes. Dos afortunados, cujas responsabilidades deveriam ultrapassar os limites da sua fortuna. Dos sabedores, cuja primeira preocupação deveria ser a de divulgar o seu saber. Dos poderosos, que deveriam olhar mais para quem lhes deu o poder. Dos que têm mais responsabilidades, cujo “ethos” deveria ser o de servir.

Dê-se o exemplo e esse gesto será fértil! Não vale a pena, para usar uma frase feita, dar “sinais de esperança” ou “mensagens de confiança”. Quem assim age, tem apenas a fórmula e a retórica. Dê-se o exemplo de um poder firme, mas flexível, e a democracia melhorará. Dê-se o exemplo de honestidade e verdade, e a corrupção diminuirá. Dê-se o exemplo de tratamento humano e justo e a crispação reduzir-se-á. Dê-se o exemplo de trabalho, de poupança e de investimento e a economia sentirá os seus efeitos

António Barreto

Sim, talvez seja pelo facto do mau exemplo vir de cima, que o país está como está! Mas a culpa pela situação do país não é só dos políticos. É de todos! Dos tal 10 milhões de portugueses, com raríssimas excepções. Não vale a pena andarmos a lançar acusações, porque todos temos telhados de vidro.

Não podemos continuar a pensar, que nós, os portugueses, somos todos muito bons e o problema está nos políticos. Está em nós, que nem quando temos a oportunidade de escolher e mudar e somos chamados a fazê-lo, preferimos ficar em casa, tal como mostram os elevados níveis de abstenção. Se não há alternativas credíveis quem pensa assim, que avance por si próprio.

Para que o país ande para a frente de uma vez por todas é essencial que todos assumam as suas responsabilidades, ao contrário de apontar sempre o dedo aos outros. E para que isso aconteça, o exemplo tem que vir de cima.

E assim, pode ser que alguma coisa começe a mudar...

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Dia de Portugal



"Ser intensamente patriota é três coisas. É, primeiro, valorizar em nós o indivíduo que somos, e fazer o possível por que se valorizem os nossos compatriotas, para que assim a Nação, que é a suma viva dos indivíduos que a compõem, e não o amontoado de pedras e areia que compõem o seu território, ou a coleção de palavras separadas ou ligadas de que se forma o seu léxico ou a sua gramática — possa orgulhar-se de nós, que, porque ela nos criou, somos seus filhos, e seus pais, porque a vamos criando."


Fernando Pessoa

Domingo, 7 de Junho de 2009

Noite Eleitoral


Chegamos ao fim de mais uma noite eleitoral, a primeira de três que teremos este ano. Depois de uma campnha eleitoral animada, mas pouco focada na Europa e na função dos eurodeputados no Parlamento Europeu, os portugueses expressaram-se mas de forma pouco significativa e pouco clara.

A abstenção roda os 60%, e o voto está mais repartido do que nunca. Até os votos em branco duplicaram.

Os discursos foram-se sucedendo ao longo da noite. Gostei de ver Nuno Melo elogiar os dois eurodeputados cessantes, lamento que o mesmo, tal como Rangel, tenham esquecido a Europa no seu discurso. Quanto a Paulo Portas, estragou o excelente resultado ao apresentar uma moção de censura ao Governo, quando Socrates com uma determinação assinalavel disse que não retirava ilações desta derrota.

Lamento as reacções de ministros como Mário Lino e Mª Lurdes Rodrigues com os jornalistas, com o seu mau perder, sendo que ao que parece nem Vital Moreira deu os parabéns de forma pessoal ao PSD. E não, esta não é uma vitória das oposições europeias, tal como o PS quer fazer crer. França, Itália e Alemanha são a prova do contrário.

A verdade é que o PS perde votos, sobretudo para os partidos à sua esquerda, e também para os partidos à sua direita, que apresentavam excelentes cabeças de lista. No BE, que no programa se assume como "europeísta" e apresentava uma lista interessante, confesso que gosto de o ver a frente de uma CDU que não é europeia e apresenta candidatos que são uma nulidade absoluta.

Quanto a mim, votei em Laurinda Alves. Gostava que o seu resultado fosse melhor, porque a meu ver tinha o melhor programa, era uma das melhores candidatas e fez uma campanha fundada na União Europeia e nos seus problemas, oportunidades e desafios.

Fico feliz pela vitoria do PSD, com uma campanha de proximidade, pondo de parte os comícios virados para as massas, e porque a mesma pode representar uma viragem naquilo que serão os proximos meses da vida política portuguesa.

Quanto ao PS, que reconheço que tinha uma lista forte, espero que o compromisso não acabe hoje, antes comece.

Em suma, o Bloco Central perde votos, a Esquerda sobe, o CDS colhe os frutos do seu trabalho e os pequenos partidos voltam a não se conseguir assumir sendo de pensar a pertinência da sua existência. Se o PNR se distingue, MRPP e POUS não se distinguem um do outro; o MPT deveria quanto a mim estar dentro do PSD; aoPPM ainda não compreendeu que a monarquia não é um projecto político para apresentar em eleições; o PH não compreende que o seu projecto é cívico, não político, e MMS e MEP deveriam ser um só, sendo o último mais claro e esclarecido que o primeiro.

E em conclusão, como já li no blog do Parlamento Global tudo se resume a isto: "Para um socialista é complicado. Para um português pode ser preocupante. Para um europeista pode ser dramático. Para um politólogo é estimulante."

Aos 22 eurodeputados eleitos, peço que já que se falou tão pouco na Europa, se esforcem nos próximos cinco anos no seu novo papel. Só assim se poderá vencer a actual crise, só assim se pode mostrar aos portugueses a importância da Europa e do Parlamento Europeu, para que estes níveis assustadores de abstenção possam baixar.

Sábado, 6 de Junho de 2009

Carta de Despedida

Queridos colegas:

Hoje é um dia de grande felicidade para todos nós.

Não só por ter sido o último dia de aulas deste ano lectivo, mas porque o mesmo encerra um importante ciclo das nossas vidas.

Hoje, nesta noite de gala, a alegria do presente cruza-se com a nostalgia do passado e a expectativa do futuro.

Afinal sempre foram muitos, os anos que passamos nesta escola da qual nos despedimos para enfrentar um novo desafio nas nossas vidas.

Entramos putos de palmo e meio e hoje saímos quase uns homens e umas mulheres. Durante este período que passou tão depressa, crescemos em altura e em maturidade. É espantoso ver como mudamos tanto ao longo destes anos.

Nesta escola passamos momentos mais que importantes da nossa adolescência.

São sentimentos que a linguagem não expressa e emoções que as palavras não sabem traduzir.

São as visitas de estudo com tantas histórias para contar; as partidas e as malandrices pregadas a colegas, funcionários e professores; as aulas; os intervalos; os estudos até queimarem as pestanas (ou não).

São também as pessoas com quem nos cruzamos.

Os colegas e amigos que aqui fizemos e com os quais partilhamos todos estes momentos de descoberta e aprendizagem.

As funcionárias e os funcionários, uns mais bem dispostos que outros, uns mais nossos amigos que outros, mas sempre presentes e sempre importantes, mesmo quando nos impediam de fazer as nossas asneiras ou de faltar aquelas aulas para quem ninguém tinha pachorra para ir.

Os professores que afinal não são apenas aquelas criaturas odiosas que querem que estudemos a sua disciplina 25 horas por dia, mas homens e mulheres que nos preparam da melhor maneira que podem e que sabem para o mundo que nos espera lá fora.

A todos agradecemos por estes anos magníficos. Certamente que a memoria não se apagará.

Estamos orgulhosos por ter pertencido a esta escola e a esta instituição, por tudo o que ela nos proporcionou na construção da nossa identidade, mas cientes que também contribuímos para o seu dinamismo, ao longo destes anos.

Nesta noite de gala, em que nos vestimos a rigor, juntamo-nos para dizer um “adeus”, que nada mais é que um “até já”, e um “boa sorte” que nada mais é que um incentivo para continuarmos a subir a montanha da vida.

É um caminho duro, é um caminho árduo, é um caminho difícil, mas é o caminho que fará de nós os homens e as mulheres que irão mudar o mundo.


Carlos Alberto Videira
5 de Junho de 2009

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

Eleições Europeias


Tenho seguido com grande interesse a campanha eleitoral para o Parlamento Europeu, pois trata-se da primeira eleição em que tirei a oportunidade de exercer o meu voto. Não me irei abster, porque este foi um direito pelo qual muito se lutou e porque além do mais a nossa vida é cada vez mais regida pelas normas e decisões comunitárias.

Fá-lo-ei com a maior das responsabilidades e gostava de fazer aqui a minha declaração de voto e o meu apelo.

Não podemos esperar que os Eurodeputados que iremos eleger tomem a dianteira da resolução dos nossos problemas. Ao invés disso, o seu trabalho, não de menor importância que a Comissão Europeia e o Conselho Europeu, é um trabalho de campo e de acção em situações concretas que dizem respeito a problemas da união e de fora dela. Dos actuais Eurodeputados tive a oportunidade de conhecer a Dra. Ana Gomes e ter contactado com o Dr. José Ribeiro e Castro que são excelentes exemplos desse tipo de intervenção ao integrar missões do PE, por exemplo, sendo que a própria Dra. Ana Gomes foi eleita no ano passado como a eurodeputada activista do ano.

Olhando para as listas que os partidos nos apresentaram, não irei direccionar o meu voto para partidos que são contra o projecto europeu e contra o Tratado de Lisboa (como o BE, o PCP e outros de menor dimensão como o POUS, o PNR ou o PCTP-MRPP), dado que esse é um projecto com provas dadas ao longo deste meio século de integração e que o Tratado de Lisboa é um complemento e uma necessidade do mesmo.

Não acredito igualmente na candidatura de Vital Moreira, um homem com posições que não coincidem com as do partido, e que por vezes cultiva algumas atitudes de arrogância, que não me agradam. Na lista socialista há ainda o nome de Correia de Campos (que me dá arrepios) e o caso das eurodeputadas que dizem que se forem eleitas para as autarquias a que se candidatam deixarão o PE. São duas senhoras que fizeram um excelente mandato, mas temo confiar um voto que pode depois tornar-se inútil se as mesmas se decidirem ir embora de Estrasburgo.

Quanto ao CDS-PP, o partido apresenta uma candidatura forte e capaz, mas penso que ainda é necessário que o partido decida definitivamente qual é a sua posição face à Europa. Além do mais, fico desiludido que Paulo Portas não tenha reconhecido o excelente trabalho de Ribeiro e Castro nos últimos 5 anos e o tenha esquecido em detrimento dos seus amigos, dado que o partido, apesar de todo o trabalho apresentado, tende cada vez mais a tornar-se no partido dos amigos de Portas.

Ao mesmo tempo, encontro no MEP uma boa alternativa. Laurinda Alves tem o perfil indicado para ser uma excelente eurodeputada, comunga dos valores europeus e humanistas em quem eu acredito e está a realizar uma campanha séria, comedida e transparente.

Tenho pena que não haja um outro partido com maior visibilidade a aproveitar o seu valioso contributo, dado que é dificil eleger a mesma num partido como o MEP. Apesar disso, o meu apoio e o meu voto vão para ela, porque acredito que de todos os candidatos é quem melhor se adequa às funções que são pedidas a um eurodeputado e porque acredito que o voto de muitas pessoas que comungam os valores europeus da solidariedade, da democracia e dos Direitos Humanos, podem causar uma agradável surpresa no próximo dia 7 de Junho.

Divulgar esta posição foi um decisão ponderada. Apesar de completamente independente, sinto-me bastante próximo da Social Democracia e do PSD em muitas quetões. No entanto, sinto que a sua lista não é a melhor. Se Paulo Rangel é um bom candidato, tal como Carlos Coelho, a verdade é que, à partida, os mesmos já estão de malas aviadas, e relativamente aos outros nomes, nenhum me convence, entristecendo-me que o partido tenha esquecido o grande trabalho amplamente reconhecido do Dr. Silva Peneda.

Por isso, voto em quem na minha opinião dará o melhor contributo a Portugal e à Europa, e que desta vez em meu entender está no MEP e dá pelo nome de Laurinda Alves. E em relação ao PSD, sinto, tal como dizia Francisco Sá Carneiro que "acima da Social-Democracia está a Democracia e acima da Democracia está Portugal."


VOTEM NAS ELEIÇÕES DO DIA 7 DE JUNHO


VOTEM EM LAURINDA ALVES


POR UMA EUROPA DE ROSTO HUMANO

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

GRAZIE FIGO


MILANO - Dopo quattro intensi anni in nerazzurro, 140 presenze e 11 gol e una carriera da leader oltre che nel calcio italiano anche in quello spagnolo e portoghese, Luis Figo saluta il calcio giocato. L'Inter e i suoi tifosi possono solo dirgli grazie, per il suo contributo dato in questi anni dentro e fuori dal campo e per esser stato un esempio tanto da calciatore quanto come uomo. Grazie Luis.

Domingo, 31 de Maio de 2009

Telhados de Vidro

A CDU critica o PS e o PSD por não se distinguirem na Europa, mas esquece que no Parlamento Europeu está no mesmo partido que o Bloco de Esquerda.

Há que pensar bem no que se diz, porque o feitiço pode-se virar contra o feiticeiro.

O PS critica a roubalheira do PSD no BPN mas esquece o caso Freeport, o caso Eurojust e até mesmo a licenciatura de José Sócrates.

O PS critica Dias Loureiro, mas esquece que o mesmo escreveu o prefácio da biografia de José Sócrates.

Não quer dizer que eu esteja a minimizar as consequências e as implicações de tais actos, mas também penso que há alturas em que o silêncio é a melhor opção.

Realço ainda a grande maldade que o PSD anda a fazer a Jorge Miranda, uma figura respeitada por todos os quadrantes políticos e sociais, algo de cada vez mais raro, e que passa por uma situação da qual não havia nenhuma necessidade.

É a tal partidocracia que impede a nossa democracia de andar para a frente.

Porque se espantam quando se fala em altas abstenções e em falta de participação cívica? E o problema é que tal como me disse uma vez o deputado Jorge Fão "costuma-se dizer que há sempre um mau e um sem caracter, para ocupar o lugar de um bom e um competente que desiste destas questões".

Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Dá que pensar...

VAIS TER RELAÇÕES SEXUAIS?.... O GOVERNO DÁ UM PRESERVATIVO.


JÁ TIVESTE?........O GOVERNO DÁ A PÍLULA DO DIA SEGUINTE.

ENGRAVIDASTE?... O GOVERNO DÁ O ABORTO.

TIVESTE FILHO?...... O GOVERNO DÁ O ABONO DE FAMÍLIA

ESTÁS DESEMPREGADO?.... O GOVERNO DÁ O SUBSÍDIO DE DESEMPREGO.

ÉS VICIADO E NÃO GOSTAS DE TRABALHAR?... O GOVERNO DÁ O RENDIMENTO MÍNIMO GARANTIDO

CABULASTE E NÃO FIZESTES O 2º OU O 3º CICLO?..... O GOVERNO DÁ-TO EM 3 MESES NAS NOVAS OPORTUNIDADES.



AGORA.... EXPERIMENTA ESTUDAR, TRABALHAR, PRODUZIR E ANDAR NA LINHA PARA VER O QUE TE ACONTECE!!!..... O GOVERNO DÁ-TE UMA BOLSA DE IMPOSTOS PARA PAGAR AS ALÍNEAS ANTERIORES!!!


* recebido por email

Sábado, 23 de Maio de 2009

Verdades

Assisti a tudo isto em directo. Gostei de ouvir Marinho Pinto.

Manuela Moura Guedes faz do seu jornal de sexta uma autêntica palhaçada, que nada tem de informação, mas de perseguição e demagogia. As acusações e os ataques a José Sócrates (caso de que sou insuspeito para falar, visto nem nutrir grande simpatia pelo nosso Primeiro Ministro, o que não quer dizer que não esteja ao seu lado nesta trapalhada do Caso Freeport), as reportagens recheadas de demagogia e populismo e este último episódio fazem com que já passe este canal à frente nos meus habituais zappings, não assistindo sequer aos sábios comentários de Vasco Pulido Valente.

Marinho Pinto, foi politicamente incorrecto, mas deu um abanão e disse aquilo que era preciso dizer e que muitos não dizem porque não têm coragem. Estou do seu lado.

Terça-feira, 19 de Maio de 2009

Adeus Figo!


Luís Figo deixou o futebol de alto nível.

Com ele sai de cena definitivamente a tal Geração de Ouro do futebol português que eu aprendi a admirar e a respeitar por toda a sua qualidade técnica, mas também pelo comportamento que sempre evidenciou dentro e fora das quatro linhas e que permitiu mudar o panorama nacional tornando o jogador português mais respeitado e a selecção nacional numa presença habitual e temida nas principais provas internacionais.

E essa geração tinha precisamente em Luís Figo o seu maior expoente, ele que foi com Zidane, o melhor jogador do mundo do seu tempo. Se não foi o melhor, foi pelo menos o mais completo.

Numa era em que a maioria dos futebolistas europeus de topo são adorados como deuses, pagos como reis e vivem sob os holofotes da fama, Luís Figo foi um exemplo para todos.

É reconfortante olhar para as suas origens humildes e ver naquilo em que se tornou ao custo de muito talento, mas também de trabalho árduo. Dono de um currículo invejável e profissional inigualável, símbolo de uma geração e de uma forma de estar no futebol, ora com a bola nos pés, ora no balneário da selecção nacional.

Sai de cena. A juntar mais um título ao recheado palmarés, como se de um imperador se tratasse. A nós portugueses resta-nos agradecer-lhe por tão bem nos ter sabido representar, tendo-se tornado num símbolo de Portugal além fronteiras. Fica também a imagem de um líder por quem ainda suspiramos, de quem soube transportar a bandeira para perto dos adeptos e uni-los à sua selecção.

Em mim, que me ensinas-te a gostar de futebol e sempre foste o meu modelo no desporto, deixas um vazio e a recordação de um homem correcto e humanista, para além de jogador fora do comum e líder dentro e fora das quatro linhas. Pelo teu legado mostras-te que não é desgraça ter nascido português.

Parabéns!