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sábado, 2 de maio de 2009

Uma Semana Positiva

Hoje, gostava de partilhar convosco as experiências vivivas nestes últimos dias no âmbito da "Semana +" dinamizada na Cooperativa de Ensino Ancorensis. Uma semana que decorreu de 27 a 30 de Abril, período durante o qual praticamente não houve aulas, mas que foi imensamente enriquecedor.

A minha semana começou com a preparação da "Exposição porDarfur" que abriu ao público às 14h30 de segunda feira. A exposição esteve aberta até quinta feira, durante a qual as turmas tinham a oportunidade de fazer uma visita guiada onde podiam contactar com várias fotos, vídeos e outros materiais relativos ao Darfur e onde podiam igualmente adquirir algu produtos para recolha de fundos. Por esta exposição passaram também nomes como o Dr. Fernando Nobre e o Dr. Pinto da Costa.

A terça foi sem dúvida o grande dia! Vestido a rigor, assisto durante breves instantes à Palestra "Mitos e Factos" organizada por um grupo de colegas que se tem dedicado ao estudo das ciências forenses e na qual tiveram a honra de contar com o Dr. Pinto da Costa que revelou uma grande empatia com o público. O telemóvel toca pelas 11h00. Era o Dr. Fernando Nobre, Presidente da Fundação AMI e um dos homens que mais admiro. Atendo e do outro lado a sua voz diz-me: "Sou o Fernando. Estou a chegar!"

Apresso-me a chamar o Prof. Cerqueira Rodrigues, Presidente da Direcção Pedagógica da Ancorensis, para o irmos receber e passados 10 minutos vejo-o chegar numa carrinha com os dizeres da AMI. A conduzir vem o Dr. João Sousa, Chefe da Delegação Norte. Cumprimento-os e fico a saber que o Dr. Fernando Nobre acordara pelas 6h da manhã para apanhar o comboio até ao Porto. Havia chegado há pouco tempo do Mali e preparava-se para dentro de dias se deslocar à Guiné. O homem não pára, mas teve tempo para nos vir dar o seu testemunho e satisfazer o desejo de conhecer Caminha, terra da sua avó paterna.

Convido-os a irem até ao bar tomar qualquer coisa e levo-os até à nossa exposição, quando me liga o Pe. Leonel Claro da Plataforma porDarfur. Por volta das 12h está tudo a postos. Começa a sessão. Faço a minha intervenção, ouço os nossos ilustres convidados enquanto o tempo voa. Tinha lado a lado duas pessoas com uma experiência de vida impressionante.

Após a conferência acompanho os convidados à porta e o Dr. Paulo Pereira, Vereador da Câmara Municipal de Caminha e voluntário da AMI que acabava de conhecer o seu "antigo patrão" como a ele se referiu, convida a delegação da AMI a ir almoçar até Caminha e a conhecer um pouco a vila. Eu e o presidente da Direcção Pedagógica também os acompanhamos a seu convite. Durante o almoço dirigiu-me algumas palavras olhos nos olhos que não esquecerei nunca: "Na tua idade não te podes acomodar", "Já dizia um político irlandês que para o mal vencer só é preciso que o bem não faça nada!". O almoço é rápido, porque o Dr. Fernando Nobre ainda queria apanhar o comboio no Porto pelas 16h30 para ver se conseguia jantar em família. Cumprimento-o pela última vez, agradecendo o seu esforço para responder ao meu convite. Pelas 17h ainda me voltou a ligar acerca de uma obra que um professor da escola lhe disponibilizou.

Quarta feira foi dia de futebol. Lançamos o desafio aos professores: queremos fazer um jogo entre a nossa turma e os professores pelo Darfur. Houve muitos receios da sua parte, mas no fim lá aderiram e tudo correu às mil maravilhas. O presidente da direcção deu o pontapé de saída e o jogo foi uma momento de grande diversão onde alunos e professores brincaram e gozaram do momento, com algumas malandrices e traquinices de parte a parte mas sem nunca quebrar o respeito necessário para que tudo corresse bem. Apesar de tudo, a idade não perdoa e os alunos venceram por 3-2 com um golo meu.

Na quinta feira realizei a minha última acção à qual chamei "Gritos". Face à ausência de convidados fui o único orador. Dei a conhecer a região, o conflito e aquilo que me move. Termino com duas citações: António Gedeão (“O sonho comanda a vida, e sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança.”) e Saint-Exupéry (“Ninguém tem o direito de matar ninguém porque ninguém sabe os sonhos que estão no fundo dos olhos de cada um de nós.”) para explicar aos meus colegas que os níveis de conforto a que estamos habituados devem-se a homens que usaram sonhar mais e melhor e que por isso não temos o direito de matar os homens e os seus sonhos, porque assim estamos a acabar com a nossa possibilidade de continuar a sonhar e a progredir.

Abro o espaço às perguntas e alguém diz: "Quando disseste que achas que já conseguiste fazer algumas coisas bonitas, de que estavas a falar?" Respondo: "Dei a conhecer esta tragédia, entrei para Amnistia Internacional, conheci pessoalmente a Dra. Ana Gomes e o Dr. Fernando Nobre, tive vários contactos por telefone com D. Ximenes Belo, juntei professores e alunos num jogo de solidariedade, consegui juntar alguns fundos para enviar para aquela população, e hoje tenho a certeza, que daqui a um tempo quando vocês ouvirem falar novamente no Darfur irão dizer: «Quando eu andava na Ancorensis havia lá uns parolos que andavam sempre a falar no Darfur»".

A acção termina, recebo os parabéns por uma semana recheada de emoções e desloco-me até às salas onde uns colegas dinamizavam uma recolha de sangue, na qual participei com muito gosto. Assisto a mais alguns colóquios sobre segurança e emprego e visito a Feira do Livro e algumas exposições acerca do 25 de Abril, de Vila Praia de Âncora e da criminologia.

Desmonto a exposição, já que segunda-feira voltam as aulas, vou a casa tomar banho e jantar e chego mais cedo para assistir ao Sarau Cultural. Sou resgastado por uma professora para a "ajuda de palco". Basicamente a minha função era abrir e fechar cortinas. Mas como descobri naquela noite, até para isso é preciso ter classe. Acabei por fazer algumas brincadeiras para animar a festa. Depois de uma semana daquelas tinha que haver um encerramento à altura.

Alguns professores riam-se e diziam-me: "Estás possuído", "Olha a reputação que tu já ganhaste nesta escola", "Quem te viu na terça e quem te vê aqui!". Tinham alguma razão no que diziam. Mas tinha passado uma semana inteira a falar de Direitos Humanos, porque acredito na sua importância. E acredito também que depois do direito à vida, não há direito mais importante que o direito à felicidade, apesar do mesmo só ser contemplado na Constituição dos Estados Unidos da América. Naquela hora a alegria estava espalhada. Será que alguém ainda duvida da sua importância nos tempos em que vivemos?


PS:
Um agradecimento especial a todos que no decorrer desta semana me dirigiram várias palavras de apoio e de congratulação e à
Success Photography que fez a cobertura total das minhas actividades e não só!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Solidariedade junta Alunos e Professores em Jogo de Futebol

Da esquerda para a direita em cima: Luís Verde, Prof. Nelson Pereira, Prof. Basílio Barbosa (Árbitro), Prof. Carlos Cunha, Carlos Alberto Videira, Prof. Liliana, Prof. João Cambão (GR), Tiago Brás (GR), João Pedro Fernandes, Daniel Pires, Filipe Leitão, Prof. Gil Fonte (Árbitro).
Da esquerda para a direita em baixo: Prof. Rui Pedro Caramez, Adriana Lopes, Maria Alexandra Verde, Prof. Liliana Silva, Prof. Daniel Dias.


O grupo de alunos do 12º F que tem trabalho na área dos Direitos Humanos, levou a cabo nesta quarta-feira mais uma iniciativa de solidariedade no decorrer da "Semana +": tratou-se de um jogo de futebol que reuniu Professores e Alunos do 12º F.

O jogo decorreu no Pavilhão Municipal de Vila Praia de Âncora pelas 13h30 e contou com a presença do Prof. Cerqueira Rodrigues, Presidente da Direcção Pedagógica da Cooperativa de Ensino Ancorensis, que em jeito de brincadeira, deu o pontapé de saída.

Perante umas bancadas relativamente compostas e muito animadas, os intervenientes no jogo proporcionaram um excelente momento de confraternização e de alegria, apesar de todas as críticas feitas ao trabalho dos árbitros (Prof. Gil Fonte e Prof. Basílio Barbosa) que apesar de tudo, também aderiram à festa.

No final, o resultado foi de 3-2 favorável à equipa dos alunos, que marcaram por intermédio de Carlos Alberto Videira (1) e Daniel Pires (2). A Prof. Liliana Silva e o Prof. Daniel Dias apontaram os tentos de honra da equipa dos professores.

Mas mais importante que o resultado foi, sem dúvida, o excelente ambiente vivido, apesar de alguns receios iniciais, em prol de uma causa nobre.

"Testemunhos porDarfur” pela esperança

Foto de Família
Da esquerda para a direita: Dr. Paulo Pereira, Vereador da Câmara Municipal de Caminha e Voluntário da Fundação AMI; Prof. Rui Pedro Caramez, Professor de Área de Projecto; Pe. Leonel Claro, Plataforma porDarfur e Missionário Comboniano; Carlos Alberto Videira; Tiago Brás; Luís Verde; Prof. Cerqueira Rodrigues, Presidente da Direcção Pedagógica da Cooperativa de Ensino Ancorensis; Adriana Lopes.


No âmbito da “Semana +” dinamizada pela Ancorensis, foi levada a cabo mais uma acção de sensibilização pelo Darfur na última quarta-feira, dia 28 de Abril, e que contou com a presença do Dr. Fernando Nobre, Presidente da Fundação AMI.

A iniciativa foi levada a cabo pelo mesmo grupo de jovens que no passado dia 28 de Fevereiro tinha realizado a Palestra “SOS Alerta Direitos Humanos” e que havia contado com a presença da Eurodeputada Ana Gomes.
Desta feita, foi a vez do Pe. Leonel Claro, Missionário Comboniano da Plataforma porDarfur e do Dr. Fernando Nobre, Presidente da AMI virem até Vila Praia de Âncora falar de uma realidade que conhecem muito bem.
A acção de sensibilização começou pelas 11h50 na Biblioteca da Ancorensis, Cooperativa de Ensino e dirigiu-se a vários alunos e professores do Ensino Secundário.
O Prof. Cerqueira Rodrigues, Presidente da Direcção Pedagógica da escola, foi o primeiro a usar da palavra para dar as boas vindas a todos os presentes, seguindo-se o Dr. Paulo Pereira, que saudando o grupo organizador, não escondeu a sua satisfação por lhe ter sido dada a oportunidade de conhecer pessoalmente o Dr. Fernando Nobre, visto que foi voluntário da AMI, tendo integrado uma missão a Cabo Verde em 2002 ao serviço da mesma.
Depois, foi a vez de Carlos Alberto Videira intervir em nome do grupo organizador, referindo que a questão do Darfur é uma causa muita querida ao mesmo e por isso farão tudo o que está ao seu alcance para sensibilizar toda a comunidade escolar e local para as consequências de um conflito que se arrasta há demasiado tempo.
Posteriormente, o Pe. Leonel Claro falou da sua experiencia de 10 anos como missionário no Chade, país que faz fronteira com o Darfur e tem inúmeras semelhanças com o mesmo. Depois falou do grupo Fé e Missão que esteve na génese da criação da Plataforma porDarfur, que pretende “semear a esperança” numa região que neste momento “parece não ter futuro”.
Por fim, o Dr. Fernando Nobre manifestou-se agradado por, pela primeira vez, estar no concelho de Caminha, terra de muitos dos seus antepassados, para depois falar de algumas das suas experiências que acumulou ao longo de 35 anos de trabalho humanitário durante os quais esteve em “mais de 150 países”, numa primeira fase ao serviço dos Médicos Sem Fronteiras, e depois na AMI.
Relativamente ao Darfur, o presidente e fundador da AMI, lembrou outros genocídios que a comunidade internacional ignorou e ignora apesar do slogan “Nunca Mais”, falando posteriormente das três ocasiões em que esteve na região (1981, 1983 e 2004). Fernando Nobre disse que infelizmente “o Ocidente perdeu toda a autoridade moral para acusar seja quem for” porque “tem um peso e duas medidas” quando os interesses económicos e petrolíferos assim o exigem, sendo que o facto do Presidente Bush ter sido dos primeiros a usar o termo genocídio para classificar aquilo que se estava a passar no Darfur “foi um desastre, pois ele era a última pessoa que o poderia fazer depois de invadir o Iraque” onde já morreram entre 300 mil a 1,2 milhões de pessoas.
Antes de terminar, Fernando Nobre apelou ainda aos jovens para que não se acomodem e para que sejam activos e participativos na construção de um mundo melhor.

terça-feira, 28 de abril de 2009

"Testemunhos porDarfur" - Intervenção

Intervenção de Carlos Alberto Videira, representante do grupo organizador

Caro Pe. Leonel Claro;
Caro Dr. Fernando Nobre;
Caros Colegas;
Caros Professores;

Sejam todos muito bem vindos a esta Acção de Sensibilização acerca do drama humanitário do Darfur, onde desde 2003 assistimos a um número sem fim de violações dos Direitos Humanos e assassinatos em massa, perante a inércia e a indiferença da Comunidade Internacional.
Direitos Humanos: expressão tão citada, mas que permanece desconhecida para muitos; ideal tão básico, mas que ainda parece uma utopia em tantos casos.
Falo-vos em nome do grupo de jovens que leva a cabo esta iniciativa, e que não se resigna com tal facto. Falo-vos em nome de um grupo de jovens que não se resigna perante a ideia de que não existe uma solução para os problemas que afectam a Humanidade. Falo-vos em nome do grupo que acredita na possibilidade de contrapor à indiferença e à intolerância com a esperança, a alegria, a vontade de agir e a vontade de aprender.
Nós acreditamos, que através de gestos concretos, como este que hoje organizamos, é possível fazer do mundo um lugar mais habitável para todos.
Por mais pequeno que seja o nosso gesto, tal como diz o lema da Amnistia Internacional: “Mais vale acender uma vela, do que maldizer a escuridão!”
Nós acreditamos na importância dos Direitos Humanos.
A nossa era, aquela em que mais se valoriza os Direitos Humanos, corresponde à era de maior desenvolvimento da Humanidade. Não nos parece que estes factos estejam dissociados.
Porém, restam fracassos que põem esse mesmo desenvolvimento em risco e impedem um progresso maior.
E um dos maiores fracassos que deveria envergonhar profundamente o mundo inteiro é o genocídio que ocorre neste momento no Darfur, e que representou para nós “o despertar” para a problemática dos Direitos Humanos. Não descansaremos enquanto a paz não chegar ao Darfur.
Este conflito é a prova que pouco ou nada aprendemos com os erros do passado e com a História recente; este conflito é a prova que pouco ou nada aprendemos com o Holocausto, com a Bósnia ou com o Ruanda.
O desconhecimento e a suposta ignorância não podem continuar a servir como desculpa para a inércia da comunidade internacional.
No fundo, acreditamos também que estudamos História, para aprendermos a não nos matarmos uns aos outros e a respeitarmo-nos, independentemente das nossas diferenças, procurando sempre em primeiro lugar aquilo que nos une, e só depois aquilo que nos divide.
Escandaliza-nos que a palavra Darfur ainda soe desconhecida a tanta gente. Escandaliza-nos que a situação humanitária mais grave do século XXI seja uma das menos conhecidas dos cidadãos de todo o mundo, incluindo os portugueses.
O nosso desafio é que no final deste ano lectivo não haja ninguém que não tenha ouvido pelo menos uma vez a palavra Darfur e não saiba o que se está a passar naquela região do Sudão.
E já que há pouco falei em História, pensemos também na forma como, daqui a 50 anos, olharemos para os nossos dias e como seremos julgados pelos nossos filhos.
O mundo está perigoso!
Enfrentamos a crise económica mais grave desde 1929, deparamo-nos com alarmantes desequilíbrios ambientais, conflitos fratricidas sem uma solução à vista, níveis preocupantes de pobreza extrema e regimes ditatoriais que perduram apesar de todas as preocupações com o Direito Internacional.
Acrescentemos a tudo isto a limpeza étnica em curso no Darfur desde 2003 e pensemos nas pessoas que sofrem na pele dia após dia os horrores de um genocídio: os assassinatos em massa, as destruições de aldeias inteiras, as violações…
O tempo esgotou-se. Temos que tomar em mãos a tarefa de acabar com este genocídio se queremos obter um julgamento favorável por parte dos nossos filhos e dos nossos netos.
Por isso lutamos com as armas que estão ao nosso dispor: acreditamos no poder da divulgação contra o desconhecimento e a ignorância e no poder da acção perante a indiferença.
São estes os nossos Deveres Humanos.
Usar a nossa voz para que as pessoas conheçam as consequências de dramas com a dimensão do conflito do Darfur, para que não se ignore que milhões de seres humanos vivem em campos de refugiados dependentes de ajuda alimentar, para que se saiba que no Darfur há uma geração de crianças que ainda não sabe o que é a paz, para que se saiba que sempre que as mulheres vão em busca de água ou de lenha se deparam com a ameaça de ser violadas por uma milícia Janjaweed.
E depois passar à acção: todos nós podemos fazer algo pelo Darfur, seja pela assinatura de petições, seja pela doação de fundos ou pela colaboração com Organizações Não Governamentais, há muitas formas de intervir.
Estamos ainda no início deste século XXI.
Não podemos mudar o passado mas temos um longo caminho a percorrer, seja no que diz respeito ao Darfur, seja no que diz respeito a outras violações dos Direitos Humanos.
O futuro está nas nossas mãos e assumimos que queremos que este século seja diferente: não seremos objectos de destruição e violência, nem cúmplices dos que serão, defenderemos a paz e os Direitos Humanos pagando em pessoa se necessário. Não nos resignaremos a um mundo em que outros seres humanos morram de guerras, pobreza ou fome. Defenderemos a dignidade de todo e qualquer ser humano lutando com todas as nossas energias para fazer da Terra um planeta mais habitável para todos.
Esta não é uma aventura impossível!
Não é admissível que a Humanidade que envia instrumentos para outros planetas a fim de estudar as suas formações rochosas não tenha uma solução para estes problemas que hoje enunciamos.
É hora de redefinirmos as nossas prioridades! Não podemos continuar mais próximos de Marte que dos nossos semelhantes que sofrem seja no Darfur, seja noutro ponto qualquer do planeta.
Com a recente expulsão de várias organizações de ajuda humanitária do Darfur na sequência da acusação do TPI ao Presidente Omar Al-Bashir por crimes de guerra e crimes contra a Humanidade, a situação é preocupante.
Se, desse modo, a questão do Darfur é de difícil resolução?
Sim, é difícil. Não é caso para esconder a ninguém.
É difícil, mas felizmente temos ao nosso dispor toda a tecnologia e todos os recursos necessários para acabar com as violações dos Direitos Humanos nesta região do Globo.
Esta é uma tarefa que urge e que nos interpela.
Se tivermos a determinação a paz é possível e um Darfur livre será uma realidade.
Juntem-se a nós!
Muito obrigado a todos.

Carlos Alberto Videira
28 de Abril de 2009

domingo, 26 de abril de 2009

Darfur na Semana +

O conflito que assola o Darfur desde 2003, e cuja situação piorou desde que o Governo do Sudão anunciou a expulsão de 13 Organizações Não Governamentais na sequência da acusação do Tribunal Penal Internacional contra o Presidente do Sudão Omar Al-Bashir por crimes de guerra e crimes contra a Humanidade, não será esquecido durante a "Semana +" que a Ancorensis, Cooperativa de Ensino vai dinamizar na semana de 27 a 30 de Abril.

O grupo do 12º F que já tem levado a cabo diversas iniciativas ao longo do ano irá promover as seguintes acções:

Dia 27 de Abril (Segunda-Feira)
Abertura da Exposição porDarfur na sala B20 pelas 14h30;
Dia 28 de Abril (Terça-Feira)
Venda de Produtos porDarfur na sala B20 pelas 8h20;
Exibição do documentário "Darfur: Chamamento à Consciência" na sala B20 pelas 10h10;
Acção de Sensibilização "Testemunhos porDarfur" com o Pe. Leonel Claro (Plataforma porDarfur) e o Dr. Fernando Nobre (Presidente da Fundação AMI) na Tenda 2 pelas 11h50;
Dia 29 de Abril (Quarta-Feira)
Jogo de Solidariedade porDarfur "Professores - Alunos 12º F" no Campo de Futebol pelas 13h20;
Dia 30 de Abril (Quinta-Feira)
Acção de Sensibilização "Gritos porDarfur" na Tenda 2 pelas 10h10;


PARTICIPA E DIVULGA: QUANDO O SILÊNCIO MATA, A TUA VOZ PODE SALVAR

sexta-feira, 6 de março de 2009

Mais cedo ou mais tarde far-se-á justiça!


Acompanho o drama humanitário do Darfur de perto desde Dezembro de 2007. Posso dizer que é a minha causa de eleição pela qual luto incessantemente.

Aliás, o facto de ultimamente ter postado muito pouco deve-se sobretudo ao trabalho que tenho desenvolvido na minha comunidade para chamar a atenção para este conflito tendo no último dia 28 de Fevereiro realizado em Vila Praia de Âncora uma acção de sensibilização subordinada ao tema e que contou, entre outros com a presença do Prof. Luís Braga da Direcção da Amnistia Internacional e da Eurodeputada Ana Gomes.

Num email que recebi hoje, fui desafiado pelo Pedro para me exprimir acerca da acusação do TPI relativamente a Omar Al Bashir, algo que já o contava fazer. O que escrevo aqui é mais ou menos o que lhe enviei na resposta ao email.

Em primeiro lugar: porque faço do Darfur uma causa tão importante?

Mesmo 60 anos após a Declaração Universal dos Direitos Humanos ter sido adoptada pela comunidade internacional, ela continua a ser desrespeitada. No entanto a sociedade vai estando atenta aqui e ali e conseguindo algumas vitórias importantes (lembro-me da queda do muro de Berlim, Timor, etc..)

Mas penso também que há um limite que não admite falhas e esse limite é o genocídio, como aconteceu no Holocausto, no Ruanda e actualmente no Darfur. Palavra essa que ainda soa desconhecida a tanta gente. Ou seja a situação humanitária do século XXI continua a ser uma das menos conhecidas.

O Darfur encontra-se esquecido e a sua população sofre perante a nossa inércia. Tal situação deixa-me profundamente consternado.

Relativamente à decisão do TPI, devo dizer que considero o procurador Luis Moreno Ocampo um verdadeiro campeão dos Direitos Humanos e julgo que ele tem sido um dos rostos da luta por tirar o Darfur da situação em que está fazendo tudo qe está ao seu alcance. E considero que as críticas que lhe são feitas acerca da acusação são deveras injustas.

De facto também a mim me causa apreensão a reacção de Cartum ao expulsar ONG's e ao ameaçar com nova escalada de violência. Mas o mesmo já se dizia aquando do indiciamento dos crimes de que agora é acusado o presidente sudanês.

Também numa primeira fase se assistiu a um aumento da violência mas posteriormente o governo anunciou um cessar fogo e assinou um acordo de intenções de paz que os analistas dizem dever-se ao já referido indiciamento.

E por isso acredito que mais do que criticar esta decisão do TPI é hora dos países passarem definitivamente à acção. Com que moral se acusa o TPI de estar a piorar a situação do Darfur se os países nem sequer helicópeteros põem à disposição da missao da ONU no terreno? Sinto que a comunidade internacional tem poder para terminar com este conflito, mas falta-lhe a coragem para agir.

Concluo: o Darfur não pode continuar por mais tempo esquecido e este tipo de notícias trazem esta causa à memória. De facto, a situação pode piorar nos próximos tempos mas a comunidade internacional tem o poder e a responsabilidade para atenuar os efeitos. Basta ter coragem para agir.

Mais: esta decisão do TPI faz-me acreditar que ainda nem tudo está perdido neste mundo. Que não há ninguém que possa cometer o crime mais horrendo de todos, o de genocídio, e passar incólume. Esta decisão faz-me acreditar na justiça, porque, tal como Ocampo, tenho a certeza que puderá ser dentro de dois meses ou de dois anos, mas Omar Al Bashir enfrentará a justiça, pagando por todos os crimes que cometeu, com direito a um julgamento justo, sem torturas nem penas de morte.

Felizmente, ainda há esperança para o nosso planeta...

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Direitos Humanos em Debate


O Centro Cultural de Vila Praia de Âncora foi palco neste sábado de uma acção de sensibilização intitulada de “SOS Alerta Direitos Humanos” e que contou com a presença da Eurodeputada Ana Gomes.


A iniciativa foi promovida por um grupo de jovens da Cooperativa de Ensino Ancorensis que, no âmbito da sua actividade curricular de 12º ano, está a trabalhar o tema do drama humanitário do Darfur, tendo já realizado várias iniciativas. Assim, procuram chamar a atenção da comunidade escolar e local para o conflito fratricida que afecta esta região do Sudão.

Á entrada para o auditório, os participantes tiveram a oportunidade de assinar um livro de visitas e adquirir algum material promocional alusivo ao evento.

A sessão começou com a leitura de alguns dos 30 artigos que compõem a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Depois seguiu-se a intervenção do Prof. Cerqueira Rodrigues, Presidente da Direcção Pedagógica da Cooperativa de Ensino Ancorensis que se congratulou com tal iniciativa e com o espírito activo do grupo que a levou a cabo, reforçando em conclusão de que “o capital humano constitui a grande mais valia desta cooperativa de ensino” sobretudo neste momento de crise.

De seguida o Dr. Paulo Pereira, Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Caminha, partilhou com os presentes a sua experiência de voluntário na Fundação AMI ao serviço da qual está ligado e onde já integrou uma missão no arquipélago de Cabo Verde, destacando de seguida a importância dos municípios em questões ligadas ao bem estar das populações sobretudo na assistência à infância, à terceira idade e às pessoas com maiores necessidades.

Posteriormente foi a vez de Carlos Alberto Videira intervir em nome do grupo de jovens que levou a cabo esta iniciativa. Ao longo do seu discurso eloquente feito com uma segurança digna de um prelector consagrado e que mereceu rasgados elogios de todos os que presenciaram o evento, o jovem deu a conhecer o porquê desta iniciativa, referindo a importância do alerta em relação ao desrespeito pelos Direitos Humanos, sobretudo no Darfur. Nesta zona de África, ocorre um grave genocídio perante a passividade da Comunidade Internacional. Carlos Alberto Videira fez ainda referência à indiferença que corrói a Sociedade Civil indicando que deve ser a escola a incutir desde a infância a consciência de que a resolução dos problemas que afectam o planeta, passa por todos.

O Prof. Luís Braga da Direcção da Amnistia Internacional deu a conhecer um pouco melhor a sua organização e o drama que afecta o Darfur, contextualizando a situação e fazendo referência aos 300 mil inocentes mortos, aos 2,4 milhões de desalojados e à utilização da violação como uma arma de guerra, apesar do recente acordo de intenções de paz assinado a 17 de Fevereiro entre o Governo do Sudão e um dos movimentos rebeldes do Darfur.

Para finalizar a Eurodeputada Ana Gomes falou sobre a missão que integrou ao Darfur em 2004 como observadora do Parlamento Europeu, referindo que não tinha, após os relatos que ouviu e as situações a que assistiu, qualquer hesitação em chamar de genocídio ao que se está no Darfur.

A Eurodeputada congratulou-se também com a mobilização que foi feita para se falar de Direitos Humanos “num sábado de manhã” e alertou para a importância da Defesa e da Segurança como questões essenciais para garantir o respeito pelos Direitos Humanos.

Segundo alguns testemunhos por parte das pessoas que assistiram ao evento e do grupo de jovens organizadores, o balanço foi muito positivo e extremamente gratificante para todos. O Prof. Caramez (responsável pedagógico do projecto) concluiu esta avaliação da sessão, dizendo que é sempre um orgulho e uma alegria muito grande desenvolver projectos com alunos empenhados, trabalhadores e que nos fazem acreditar neste processo ensino aprendizagem, em que todos aprendemos.


Cooperativa de Ensino Ancorensis

"SOS Alerta Direitos Humanos" - Intervenção


Exmo. Sr. Presidente da Direcção Pedagógica da Cooperativa de Ensino Ancorensis, Prof. Cerqueira Rodrigues;
Exmo. Sr. Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Caminha, Dr. Paulo Pereira;
Exmo. Sr. Coordenador do Grupo Local da Amnistia Internacional de Viana do Castelo, Prof. Luís Braga;
Exma. Sr.ª Eurodeputada, Dra. Ana Gomes;
Caros Colegas;
Caros Professores;
Caros Pais e Encarregados de Educação;
Minhas senhoras e meus senhores:

Em nome do grupo de trabalho que levou a cabo esta iniciativa agradeço a todos a vossa presença dizendo que a mesma é um motivo de honra para quem muito se esforçou para a poder levar a bom porto.
Hoje podemos dizer que valeu a pena. Aliás, vale sempre a pena!
No início deste ano lectivo, eu e os meus colegas deparamo-nos com uma nova disciplina designada de Área de Projecto, onde nos era pedido que escolhêssemos uma temática sobre a qual nos iríamos debruçar ao longo do ano e realizar algumas iniciativas relativamente à mesma.
Na nossa primeira conversa de grupo, unia-nos o desejo de fazer não só um bom trabalho, mas também algo de socialmente útil.
Vivemos tempos de crise e na procura de uma solução para os nossos problemas esquecemo-nos com mais frequência dos mais desafortunados, daqueles que têm sido deixados para trás no processo de desenvolvimento e que sofrem dia após dia.
O Papa Paulo VI escreveu em 1967 a todos os “homens de boa vontade” que se o desenvolvimento se tinha tornado no novo nome da paz todos deveríamos trabalhar em prol do mesmo.
Constatamos então que a simples ausência de guerra, apesar de tão desejada, não é sinónimo de paz. Não há verdadeira paz, se não vier acompanhada de justiça, de solidariedade, de igualdade, de respeito e de verdade.
Concluindo, não há verdadeira paz se os Direitos Humanos não forem respeitados escrupulosamente!
Em 1945, após a II Guerra Mundial, o mundo estava em ruínas. O ser humano deparava-se perante um terrível cenário de destruição física e moral após aquele período negro da História.
Três anos depois, em 1948, a Comunidade Internacional adoptava a Declaração Universal dos Direitos Humanos e em 30 artigos assumia um compromisso: o de zelar pelos princípios básicos de todo e qualquer ser humano em qualquer tempo e lugar.
Olhando para o nosso mundo cerca de 60 anos depois, verificamos que ainda não assumimos este compromisso por completo e que a temática dos Direitos Humanos continua actual.
Por um lado constatamos com alegria o facto de vivermos numa era em que nunca como hoje se valorizou tanto os Direitos Humanos. Um dos maiores exemplos disso mesmo é a existência de uma extensa rede de Organizações Não Governamentais e de Instituições Particulares de Solidariedade Social que dão um grande impulso à acção dos governos nacionais na manutenção do Estado Social, agindo em situações de emergência, criando condições para a eliminação de muitas desigualdades, retirando muitas famílias de situações de pobreza, alertando para o incumprimento dos Direitos Humanos e promovendo a inclusão social e a melhoria da qualidade de vida de muitas populações.
Mas por outro lado, o relatório de 2008 da Amnistia Internacional diz-nos que ainda há pessoas torturadas ou maltratadas em 81 países, que enfrentam julgamentos injustos em 54, e que são proibidas de se expressar livremente em 77.
E esta questão não se esgota aqui: ao longo dos anos, inclusive em Portugal, assistimos ao derrube de regimes ditatoriais que oprimiam e espezinhavam os direitos, as liberdades e as garantias das populações, através da censura, da tortura e outros tipos de violações que os mais velhos se lembrarão. Mas a democracia que veio substituir estes regimes e assegurou esses direitos tem também falhado noutras questões não menos fundamentais em relação aos Direitos Humanos. Não será tão violento prender uma pessoa pelo seu pensamento e pela sua ideologia como despedi-la pela sua idade como vemos acontecer à nossa volta a dezenas de pessoas?
Por tudo isto achamos que seria importante abordar os Direitos Humanos no nosso trabalho de Área de Projecto. Mas como vimos, esta temática é tão extensa e tão complexa que tivemos que definir bem qual seria a nossa área de trabalho.
Escolhemos o drama humanitário do Darfur.
Porquê?
Como já vimos a temática dos Direitos Humanos é extensa e os problemas relacionados com ela também, mas a comunidade internacional e a opinião pública mundial vão estando mais ou menos atentas pondo ocasionalmente os pontos em questão em cima da mesa.
Mas parece-nos também que nestas questões há um limite, que não admite indiferença, falhas nem desculpas: e esse limite é o genocídio, a limpeza étnica.
Todos nos escandalizamos com o que aconteceu a judeus e não só durante o Holocausto mas parece que não aprendemos nada. O mesmo já se passou na Bósnia, no Ruanda e acontece desde 2003 no Darfur perante a nossa passividade.
Aliás, a palavra Darfur ainda soa desconhecida a muita gente. Ou seja, paradoxalmente a situação humanitária mais grave do século XXI é ao mesmo tempo uma das menos conhecidas dos cidadãos de todo o mundo, incluindo os portugueses.
Propusemo-nos então a um desafio enorme: fazer com que no final deste ano lectivo não houvesse ninguém que não tivesse ouvido falar no Darfur, para que dentro de anos quando os nossos filhos olharem para trás, para este triste episódio da Humanidade, ninguém da comunidade escolar e local pudesse dizer que não sabia.
O desconhecimento e a suposta ignorância já serviram como desculpa no Ruanda para a inércia da comunidade internacional.
Não aceitamos que o mesmo se passe no Darfur e então procuramos fazer aquilo que está ao nosso alcance: divulgar, por a pessoas a pensar no que está a acontecer e incentivá-las a agir dentro do possível, a passar a palavra, a estarem atentas ao pouco que vai saindo nos media acerca deste conflito e a participarem nas iniciativas promovidas pela Plataforma porDarfur em Portugal.
Sabemos que não seremos nós a levar a paz ao Darfur porque não temos poder para tal, mas dentro do nosso campo de acção há sempre algo que podemos fazer e que é da nossa responsabilidade. Por mais pequeno que seja o nosso acto, terá sempre algum efeito.
E assim ficaremos com a consciência tranquila de que pelo menos não foi por nós que a situação se manteve na mesma. Porque ninguém faz menos, do que quem não faz nada por pensar que pode fazer pouco!
E assim chegamos ao dia de hoje e a esta iniciativa, onde pretendemos lembrar o Darfur em particular por ser o tema do nosso trabalho e pela gravidade da situação apesar do bom augúrio que constitui o recente acordo de intenções de paz entre o Governo do Sudão e um dos movimentos rebeldes do Darfur. É algo que nos enche de esperança.
Mas sabemos que os Direitos Humanos não se cingem apenas a esta região do globo. Não se cingem também ao Médio Oriente, ao Iraque, ao Afeganistão, ao Zimbabué ou ao Congo. Não se cingem também apenas a China ou a Guantanamo. Não se cingem também às imagens trágicas que nos chegam volta e meia do continente africano.
Os Direitos Humanos passam também por Vila Praia de Âncora, passam por Caminha, passam por Portugal… Passam pelo mundo inteiro.
Todos estes casos que enumerei antes, são situações dramáticas que exigem uma solução rápida e eficaz mas não são a base do problema do desrespeito pelos Direitos Humanos.
E é essa base que é necessária encontrar para que casos como estes não se repitam.
A actual crise mundial que nos assola acentuou em muitos o pessimismo e a descrença. Nós achamos que sim, de facto o mundo precisa de levar uma grande volta em muitos aspectos, mas que isso só acontecerá se cada um de nós der o seu contributo, fazendo parte da solução e não apenas do problema.
Quando tivemos a ideia de realizar esta iniciativa com a presença da Sr.ª Eurodeputada Ana Gomes e quando tivemos a confirmação da sua presença, que muito nos honra, sem qualquer sombra de dúvida, informamos o Prof. Cerqueira Rodrigues como Presidente da Direcção Pedagógica da escola.
Ele e outros professores congratularam-se com a iniciativa, deram-nos os parabéns mas alertaram-nos de um outro factor a ter em conta: o da mobilização.
O último mês foi uma autêntica batalha para fazer a divulgação da sessão, conseguir apoios, contactar a comunicação social e as associações da região.
Ao olhar para esta plateia, sentimos que valeu a pena!
Mas o trabalho que tudo isto implicou, levou-nos à descoberta da base do problema do desrespeito pelos Direitos Humanos.
E a base do problema é a indiferença que corrói a nossa Sociedade Civil.
Encontrada a base do problema, ousamos indicar aquele que será para nós a base da solução e da qual queremos fazer parte: a escola.
É necessário que se compreenda que na base de tudo para resolver os problemas que afectam o mundo está a Educação e sobretudo a Educação para a Cidadania, para que desde a infância haja uma maior sensibilização para estes temas.
Torna-se fundamental, incutir desde muito cedo nas crianças e nos adolescentes a consciência de que a resolução dos problemas que afectam a nossa rua, a nossa escola e a nossa freguesia, passam também por nós.
Envolvendo pais e encarregados de educação nesta tarefa acreditamos que é possível um mundo melhor!
Porque se falamos tanto na necessidade de deixar um mundo melhor aos nossos filhos, também é necessário deixar filhos melhores ao nosso mundo.
O nosso grupo de trabalho tem vindo a fazer o que está ao seu alcance: assinalamos o Dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos a 10 de Dezembro e o Dia da Lembrança das Vítimas do Holocausto a 27 de Janeiro.
E contamos fazer mais.
Pertenço a uma geração que apesar das muitas ambiguidades que caracterizam o nosso mundo, se sente orgulhosa de algumas vitórias que se têm conseguindo nas últimas décadas: refiro-me à abolição da escravatura e da pena de morte em muitos países, à luta dos trabalhadores por condições dignas de trabalho, à emancipação feminina, ao fim da segregação racial, aos inúmeros movimentos de independência, ao 25 de Abril, à queda do muro de Berlim, etc..
Mas interrogamo-nos também, se é admissível que no século XXI, a Humanidade que chegou à Lua, não se levante perante um drama com a dimensão do conflito do Darfur. Se é admissível que a Humanidade que chegou à Lua permita que seres humanos sejam condenados sem um julgamento justo, torturados e maltratados. Se é admissível que a Humanidade que chegou à Lua, deixe 1,2 mil milhões de pessoas viver com menos de um dólar por dia. Se é admissível que a Humanidade que chegou à Lua, ache normal uma criança morrer pela falta de uma simples vacina.
Faço minhas as palavras de Martin Luther King que a certa altura disse: “O que mais me preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem carácter, nem dos sem ética. O que mais me preocupa é o silêncio dos bons!"
Contamos com a vossa voz, porque quando o silêncio mata, a nossa voz pode salvar.
Poderia continuar horas e horas a falar sobre este assunto mas sinto que não acrescentaria nada de novo. Já Almada Negreiros disse: “Todas as palavras sobre a salvação do mundo já foram ditas… agora resta salvá-lo!”
Está nas nossas mãos fazê-lo!
Muito obrigado.

Carlos Alberto Videira
28 de Fevereiro de 2009

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Esperança!

Sudão
Grupo rebelde do Darfur assina acordo para a paz
17.02.2009 - 09h32 Agências
O mais activo dos grupos rebeldes no Darfur concordou em assinar uma tentativa de acordo de tréguas com as autoridades sudanesas. A iniciativa aumenta as expectativas de um pacto de paz na região.

A acta de boas intenções foi acolhida formalmente pelas duas partes, o Movimento para a Justiça e a Igualdade (JEM), e o Governo de Cartum, no Qatar, e prevê o fim dos ataques aos campos de refugiados, onde estão mais de dois milhões de pessoas, bem como uma troca de prisioneiros, disseram diplomatas citados pela Reuters. No entanto, um outro grupo de que depende o fim real das hostilidades recusou juntar-se.

O acordo foi anunciado pelo primeiro-ministro do emirado, Hamad bin Jassim al-Thani, cujo país mediou as conversações entre os dois lados desde quinta-feira. “Houve grandes progressos”, disse o chefe de Governo. As negociações vão continuar.

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Parece que a acusação feita pelo Procurador do Tribunal Penal Internacional, Luís Moreno Ocampo, ao Presidente do Sudão, Omar Al Bashir, de crimes de guerra, crimes contra a Humanidade e genocídio no Darfur, começa a surtir efeitos. Se no ínicio assistimos a algum aumento da violência sobre os civís, os últimos meses mostram, que apesar da situação continuar extremamente grave, há alguma esperança que haja uma solução para o conflito que desde há demasiado tempo atinge esta região: em Novembro houve o anúncio de um cessar fogo, apesar de não cumprido, e hoje foi assinado o acordo de intenções de paz entre Governo e um dos Movimentos Rebeldes.

É certo que a duração do conflito e outros acordos que falharam, fazem com que haja algum cepticismo relativamente aos possíveis progressos de hoje. Mas este dia constitui uma nova oportunidade, uma nova janela que se abre. Faço um apelo aos intervenientes neste processo, à ONU, à Comunidade Internacional e à Sociedade Cívil: não a deixem fechar...

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Acção de Sensibilização “SOS Alerta Direitos Humanos


Um grupo de jovens da escola Ancorensis Cooperativa de Ensino em Vila Praia de Âncora escolheu a problemática do Darfur como tema de Área de Projecto e leva a cabo no próximo dia 28 de Fevereiro uma mega sessão de sensibilização aberta à comunidade!

O Centro Social e Cultural de Vila Praia de Âncora será palco no próximo dia 28 de Fevereiro pelas 10h30m de uma acção de sensibilização acerca da temática dos Direitos Humanos, por iniciativa de um grupo de alunos do 12º ano da escola Ancorensis Cooperativa de Ensino que tem vindo a acompanhar o drama do Darfur.

A já referida acção de sensibilização intitula-se “SOS Alerta Direitos Humanos” e contará com as intervenções do Prof. Cerqueira Rodrigues, Director Pedagógico da Ancorensis Cooperativa de Ensino, do Dr. Paulo Pereira, Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Caminha, de Carlos Alberto Videira, representante do grupo de trabalho responsável pela dinamização da acção, do Prof. Luís Braga, Membro da Direcção da Amnistia Internacional – Portugal e da Eurodeputada Ana Gomes.

Esta iniciativa tem o apoio da Ancorensis Cooperativa de Ensino, Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora, Câmara Municipal de Caminha, Entidade Regional de Turismo Porto e Norte, Fórum Estudante, Amnistia Internacional – Portugal e Plataforma porDarfur.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Alunos da Ancorensis continuam a pugnar por Darfur


O drama humanitário que persiste no Darfur (Sudão), desde 2003, tem vindo a ser acompanhado por um grupo de alunos a Área Projecto do 12º Ano da Cooperativa Ancorensis.

Nesse sentido, foi promovida nova sessão de esclarecimento no passado dia 27, coincidindo com o Dia Mundial da Lembrança das Vítimas do Holocausto, com a presença de Luís Braga, membro da Direcção da Amnistia Internacional e Teodoro da Fonte, professor de História da Ancorensis.

Carlos Videira, 12º ano, já no ano anterior tinha sido um dos impulsionadores de iniciativa idêntica, trazendo até Vila Praia de Âncora um padre (Leonel Claro) que tinha permanecido 10 anos no Chade.

Este ano, dentro da disciplina de área-projecto, decidiram assinalar o Dia das Vítimas do Holocausto com nova acção de sensibilização sobre o drama do Darfur, porque "nos causa estranheza que a situação mais grave existente a nível mundial no séc. XXI, seja uma das menos conhecidas", em comparação com a cobertura que é dada ao Iraque ou Afeganistão e mesmo agora na faixa de Gaza", frisando que "se falou mais neste problema nos últimos 20 dias do que no Darfur nestes seis anos de conflito".

SITUAÇÃO HUMANITÁRIA CADA VEZ MAIS GRAVE

Desde a realização da conferência até este ano, pouco se adiantou em termos de divulgação deste problema a nível dos média, apenas se registando uma acusação de "genocídio" por parte do Procurador Penal Internacional contra o presidente do Sudão, o que "trouxe alguma visibilidade a esta causa", tendo chegado o próprio presidente sudanês a anunciar um cessar-fogo, mas, no entanto, "as notícias que nos chegam é que a situação humanitária está cada vez mais grave", levando as organizações de ajuda humanitária a abandonar a região devido à falta de condições.

O facto de haver agora um presidente norte-americano com raízes africanas poderá originar alguma alteração na situação, admite Carlos Videira, por existir "uma maior esperança naquilo que se vai passar em termos de política externa" dos EUA.

Contudo, "espera para ver", embora o facto de o presidente Obama já ter estado envolvido em algumas acções de sensibilização por Darfur e de ter sido favorável à condenação do presidente sudanês por crimes de guerra e contra a humanidade "é um bom prenúncio", reconhece.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Fotos do Dia do Holocausto na Ancorensis

Cartaz de referência à Acção de Sensibilização.
Grupo responsável pela dinamização das actividades (Da esquerda para a direita: Tiago Brás, Adriana Lopes, Luís Verde e Carlos Alberto Videira).
Carlos Alberto Videira foi o orador da Acção de Sensibilização da manhã.
A assistência visualizou um documentário sobre o exemplo de Aristides de Sousa Mendes durante a II Grande Guerra Mundial.
À entrada eram oferecidas fitas negras aos participantes, em sinal de luto por todas as vítimas do Holocausto e outros genocídios.
Intervenção do Prof. Rui Pedro Caramez, professor de Área de Projecto.
Intervenção da tarde de Carlos Alberto Videira, representante do grupo organizador.
Os presentes no auditório assistem à intervenção do Prof. Luís Braga, Membro da Direcção da Amnistia Internacional.
Intervenção do Prof. Teodoro Fonte, professor de História na Ancorensis, Cooperativa de Ensino.
A comunicação social marcou presença, tendo no final entrevistado Carlos Alberto Videira, que falou em nome do grupo.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Holocausto relembrado na Ancorensis


O dia 27 de Janeiro em que se assinala o Dia Mundial da Lembrança das Vítimas do Holocausto foi dinamizado na Ancorensis pelo grupo de Área de Projecto do 12ºF responsável pela temática do Darfur, aproveitando as trágicas semelhanças entre estes dois momentos não muito distintos.

Depois de na véspera terem sido colocados alguns cartazes de sensibilização no hall de entrada da escola, o dia 27 de Janeiro ficou sobretudo marcado pelas duas acções de sensibilização levadas a cabo designadas pelo nome “Never Again – Revivendo o Holocausto”.

Pelas 10h10, perante uma audiência composta pelas turmas do 11º D e do próprio 12º F, foi realizada a primeira acção de sensibilização. Carlos Alberto Videira, membro do grupo responsável pela dinamização das actividades, foi o orador da sessão que procurou esclarecer os presentes sobre aquilo que foi o Holocausto e outros genocídios a que o mundo já tem assistido, com especial relevância actualmente para o Darfur, e que incluiu ainda a visualização de um documentário sobre o corajoso exemplo de Aristides de Sousa Mendes durante a II Guerra Mundial.

Já no período da tarde, pelas 14h30 o auditório encheu-se para nova acção de sensibilização. O primeiro a usar da palavra foi o Prof. Rui Pedro Caramez, responsável pela disciplina de Área de Projecto e que procurou dar um pouco a conhecer a dinâmica da disciplina e do grupo de trabalho, agradecendo ainda a todos os presentes e envolvidos na sessão. Depois, seguiu-se Carlos Alberto Videira, que em nome do grupo fez uma pequena introdução aos temas a abordar. Seguiu-se o Prof. Luís Braga, membro da Direcção da Amnistia Internacional – Portugal, que deu a conhecer a missão desta organização, bem como os objectivos pelos quais se bate e onde está incluída a resolução da crise humanitária do Darfur. Por fim, o Prof. Teodoro Fonte, professor de História na Ancorensis, lembrou o horror que foi o Holocausto e exprimiu a sua preocupação com o facto de os mais jovens olharem para tal como algo de ficcional e de muito longínquo.

Durante ambas as sessões foram ainda distribuídos pelos participantes panfletos de divulgação e fitas negras, em sinal de luto por momentos tão tristes na História da Humanidade, e que todos esperamos que não se voltem a repetir.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Grupo de Área de Projecto Solidário com o Darfur


Um dos grupos de Área de Projecto da turma do 12º F decidiu juntar-se à campanha internacional de solidariedade para com a região e tomar o conflito como tema de trabalho.

“A situação humanitária mais grave do século XXI é ao mesmo tempo uma das menos conhecidas pelos cidadãos de todo o mundo, incluindo os portugueses” é assim que Adriana Lopes, Carlos Alberto Videira, Luís Verde e Tiago Brás vêem o conflito fratricida que há demasiado tempo está em curso na região do Darfur. Atendendo a isso, o grupo constituído pelos membros acima citados resolveu tomar este tema como problemática a tratar na disciplina de Área de Projecto.

Os objectivos passam por divulgar a crise humanitária, colaborar com a Plataforma porDarfur, assinalar datas simbólicas e realizar uma semana porDarfur para a comunidade local, com a presença de personalidades ligadas à campanha de solidariedade para com o Darfur.

Desde Fevereiro de 2003, data em que os agricultores africanos daquela região se insurgiram contra o Governo do Sudão de forma armada, que as milícias patrocinadas pelo Governo de Cartum, os janjawid, iniciaram uma limpeza étnica. O drama do genocídio, conjugado com a seca, a fome e as doenças traçam um cenário trágico: mais de 500 mil mortos inocentes, 2,7 milhões de desalojados e 3,5 milhões dependentes de ajuda alimentar.

Num primeiro contacto, com membros da Plataforma porDarfur, foi dado ao grupo, total apoio nas actividades a desenvolver ao longo do ano.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

A Declaração Universal dos Direitos Humanos e o Darfur em Análise


No dia em que se assinalavam os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, um grupo de Área de Projecto do 12º F assinalou a data alertando para o genocídio do Darfur.

O dia 10 de Dezembro, que marcou o 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, foi pretexto para o grupo de Área de Projecto do 12º F responsável pelo tema do Darfur (Adriana Lopes, Carlos Alberto Videira, Luís Verde e Tiago Brás), reunir as turmas do 7º B e 7º A pelas 9h00 no auditório da Ancorensis, de modo a sensibilizar os alunos mais novos desta escola para os direitos humanos e alertar para o seu incumprimento no Darfur.

A acção de sensibilização começou com o videoclip dos Mattafix, “Living Darfur”, gravado num campo de refugiados na fronteira entre o Darfur e o Chade, seguindo-se uma abordagem histórica dos Direitos Humanos desde a ascensão do Partido Nazi ao poder e a II Guerra Mundial até à fundação da ONU, para por fim dar a conhecer a região do Darfur e o conflito que a ensanguenta desde 2003.

Por fim, foram distribuídas pela assistência pulseiras com um direito humano inscrito, simbolizando um compromisso de 60 anos que é ignorado hoje em dia na região do Darfur.

A par desta iniciativa foram elaborados alguns cartazes de sensibilização, colocados no hall de entrada, juntamente com um computador onde passavam alguns vídeos que alertavam para a problemática. Foram passadas igualmente durante os intervalos, algumas músicas do CD “Make Some Noise – Save Darfur”.

No seu relatório anual de 2008, a Amnistia Internacional desafiou os líderes mundiais a pedir desculpa por 60 anos de fracassos devido ao mau estado dos direitos humanos, apontando o Darfur como uma das regiões mais críticas do globo.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Presidente sudanês anuncia cessar-fogo no Darfur


O presidente sudanês, Omar Hassan al-Bachir, anunciou um cessar-fogo incondicional no Darfur.

A declaração foi feita perante algumas personalidades internacionais, em Cartum, a capital do Sudão.

Al-Bachir afirmou que “por razões de segurança é muito importante tomar a decisão do cessar-fogo no Darfur e negociar com todas as partes para restaurar a estabilidade”, tendo apelado de seguida a uma “campanha de desarmamento das milicias e de restrição do uso das armas por parte das forças armadas”.

Mas os rebeldes do Movimento para a Justiça e Igualdade, JEM já consideraram a proposta irrealista. O JEM pede negociações sérias com a ONU e os mediadores da União Africana.

Para muitos observadores, o anúncio do presidente sudanês neste momento é a fuga em frente. Al-Bachir quer evitar as acusações de crimes de guerra que pesam sobre ele no Tribunal Penal Internacional.

Euronews



UMA OPORTUNIDADE PARA A PAZ OU UMA ESTRATÉGIA PARA ESCAPAR ÀS RESPONSABILIDADES!?

OS PRÓXIMOS TEMPOS O DIRÃO!

terça-feira, 15 de julho de 2008

Tribunal Internacional ordenou a detenção do presidente do Sudão

O Tribunal Penal Internacional acusou o presidente do Sudão de crimes de guerra e genocídio em Darfur. Como resultado, a missão da ONU e da UA suspendeu a actividade no país e a debandada dos estrangeiros já começou.

O principal promotor do Tribunal Penal Internacional (TPI), Luis Moreno Ocampo, emitiu um mandado de prisão contra Omar Hassan Ahmad al-Bashir, considerando ter matéria de facto suficiente para ordenar a sua detenção. Segundo a acusação, o presidente sudanês é responsável pelas mais de 300 mil pessoas que, nos últimos cinco anos, morreram em Darfur.

Embora a acusação de Moreno Ocampo tenha ainda de ser confirmada por outras instâncias superiores do TPI, tudo leva a crer que o veredicto seja mesmo o de emitir o mandado de prisão.



Esta é, provavelmente, uma sentença mais simbólica do que prática, visto a China, principal aliado do Governo de Cartum, ter direito de veto no Conselho de Segurança da ONU.

No entanto, esta medida de Moreno Ocampo, que tanto se tem esforçado para chamar a atenção para este caso, conseguiu por o mundo a olhar para o povo que sofre em Darfur neste momento.

Meio milhão de mortos, 2.5 milhões de refugiados e 3.5 dependentes de ajuda alimentar são um cenário trágico, indignos do mundo civilizado e avançado que auto proclamamos.

Se de um lado temos a atroz acção do janjawid, patrocinada e apoiada por Al-Bashir, a responsabilidade deve também ser repartida por todos aqueles que conhecendo a situação ainda não mexeram uma palha, para soluccionar este grave problema.

No fundo, somos cúmplices de um dos crimes mais horriveis que existe: o crime de genocídio, a intenção deliberada de eliminar um povo pelas suas caracteristicas, como acontece hoje com os Fur, os Masalit e os Zaghawa.

Há que ter a noção, que enquanto escrevo estas linhas ou enquanto vocês as lêem, há homens a ser assassinados, crianças a morrer de subnutrição, meninas a ser violadas em frente aos pais e outros crimes sem qualquer adjectivação possível.

Todavia, as coisas podem mudar. Como diz Mandela: "It's in our hands". E este pode ser muito bem, um ponto de viragem nos acontecimentos. Basta que todos nos mobilizemos e assim possamos fazer chegar o nosso grito às mais altas instâncias.


Eu acredito...

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Ataque contra patrulha da ONU faz 7 mortos na região do Darfur








No Darfur, as milícias "janjawid" voltaram a atacar, provocando sete baixas e 22 feridos no contigente da ONU no terreno. É dramático ver como este povo continua a sofrer as atrocidades de um genocídio (não haja medo de dizê-lo) desde 2003, perante a atitude mais que passiva da Comunidade Internacional.

De facto, como alguém já disse, o problema não é a diferença, não é a indiferença. Ou então, como Martinh Luther King disse e bem, o mais preocupante não é o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem carácter ou dos sem ética. O mais preocupante é o silêncio dos bons. Porque em certa forma, esse silêncio, é também ele cúmplice do grito de todos os outros.



PS: Mais um exemplo da hipocrisia da cimeira do G8, foi o facto de haverem 24 pratos no menu do jantar da cimeira sobre a fome.

domingo, 13 de abril de 2008

5º dia de Acção Global porDarfur


Acção de Sensibilização porDarfur promovida na Ancorensis a 5 de Março


Assinalou-se este domingo o 5º dia de Acção Global porDarfur um pouco por todo o mundo, muito timidamente. Fez em Fevereiro exactamente cinco anos que começaram os massacres na região do Darfur, no Sudão! Praticamente, ninguém sabe. É que admitir o genocídio, que é uma situação idêntica há que se passou na II Guerra Mundial entre arianos e judeus onde se eliminam seres humanos pela simples razão de serem de uma etnia diferente, obriga-nos a agir.

O Sudão e todo o mundo negam que neste momento já tenham morrido mais de meio milhão de inocentes e que hajam crianças a ser violadas sistematicamente em frente dos pais. Negam que hajam 2,5 milhões de refugiados em condições sub humanas. Negam que hajam 3,5 milhões de pessoas dependentes de ajuda alimentar, que nem sempre chega devido aos ataques que sofrem as ONG’s aí presentes. O mundo nega a existência de um país onde nem sequer é permitido dançar.

O Darfur, não é mais uma guerra civil como existe em muitos países africanos. É uma questão de Direitos Humanos, a partir do momento em que uma raça se julga superior a outra e a extermina usando todo o tipo de atrocidades.
Mais do que falar em direitos humanos, fará sentido falar em deveres humanos que devem ser cumpridos escrupulosamente: o dever de agir, o dever de denunciar e o dever falar...

Sabemos, certamente, que não seremos nós a levar a paz ao Darfur, mas tenhamos a consciência de que pelo menos não foi por nós que a situação continuou. Tal como disse Madre Teresa de Calcutá, o que nós fazemos, é apenas uma gota no meio do oceano. Mas sem ela, o oceano seria menor. E se a cada gota se juntar mais uma, a paz voltará rapidamente para junto daqueles, que neste momento, sofrem no Darfur.


«Alguém escreveu:
“Na Alemanha, primeiro vieram buscar os comunistas, e eu não disse nada porque não era comunista. Depois vieram pelos judeus e eu não disse nada porque não era judeu. Depois vieram pelos sindicalistas, e eu não disse nada porque não era sindicalista. Depois vieram pelos católicos, e eu não disse nada porque era protestante. Depois vieram por mim, e nessa altura, já não havia ninguém para erguer a voz”»

sábado, 12 de abril de 2008

5º Dia Global por Darfur reúne milhares de pessoas em todo o mundo

No próximo Domingo, 13 de Abril, dezenas de milhares de activistas irão manifestar-se a favor das crianças do Darfur um pouco por todo o mundo, para assinalar o 5º Dia Global por Darfur. Em Portugal, a Plataforma PorDarfur delegou na Amnistia Internacional a coordenação da campanha sobre as crianças no Darfur.

"Uma geração de pessoas naturais do Darfur estão a crescer no medo e na insegurança" disse a Amnistia Internacional. "Este mês, as crianças no Darfur que completarem cinco anos de idade nunca terão conhecido a paz".

Manifestações, exposições, conferências públicas e outros eventos irão ocorrer em países como o Reino Unido, Canadá, Estados Unidos, França, Suíça, Holanda, Suécia, Hungria, Espanha, Mali, Tunísia, Senegal, México e Austrália.

Os activistas irão apelar a todas as partes envolvidas no conflito para que acabem com os ataques contra os civis. Vão também apelar aos Estados Membros da ONU e da União Africana (UA) para que garantam que as forças de manutenção de paz da UNAMID sejam imediatamente integradas e que seja garantido transporte urgente, terrestre e aéreo, do equipamento. Por seu lado, a UNAMID deve proteger activamente todos os civis, especialmente as crianças.
Dos quatro milhões de pessoas afectadas pelo conflito no Darfur, 1.8 milhões tem menos de 18 anos. Desde Abril do ano de 2006, o conflito terá desalojado 120 mil crianças.Em Fevereiro de 2008, as forças Sudanesas e as milícias governamentais atacaram aldeias no oeste do Darfur.

As crianças foram separadas das suas famílias enquanto tentavam fugir para o mato; duas semanas depois dos ataques, segundo a UNICEF, 800 crianças continuavam desaparecidas. "Muitas crianças alcançaram a idade escolar conhecendo apenas a guerra e o medo – cinco anos durante os quais a comunidade internacional falhou em proteger as crianças e responder adequadamente ao desenvolvimento da crise que está a afectar a região" disse a Amnistia Internacional. "A comunidade internacional deve agir já para dar às crianças esperança e um futuro".

Em Portugal a Plataforma PorDarfur tem sido o rosto da denúncia do desespero vivido naquela região. Esta Plataforma é composta pela Amnistia Internacional, Africa-Europe Faith and Justice Network, Caritas Portuguesa, Comissão Justiça e Paz dos Religiosos, Fundação Gonçalo da Silveira, Missionários Combonianos e TESE, tendo como parceiros a Comissão Nacional Justiça e Paz, MissãoPress, Portal Sapo, Revista Além-Mar, Pro Dignitate e Mãos Unidas.

Para comentários contactar:
Lucília José Justino, Presidente AI Portugal 91 850 24 90

Para saber + :
As crianças de darfur - dossier informativo (pdf)
Resumo das últimas actividades promovidas pela Plataforma

Plataforma porDarfur, Lisboa, 11 de Abril de 2008