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sexta-feira, 12 de junho de 2009

O nosso país

Mais do que tudo, os portugueses precisam de exemplo. Exemplo dos seus maiores e dos seus melhores. O exemplo dos seus heróis, mas também dos seus dirigentes. Dos afortunados, cujas responsabilidades deveriam ultrapassar os limites da sua fortuna. Dos sabedores, cuja primeira preocupação deveria ser a de divulgar o seu saber. Dos poderosos, que deveriam olhar mais para quem lhes deu o poder. Dos que têm mais responsabilidades, cujo “ethos” deveria ser o de servir.

Dê-se o exemplo e esse gesto será fértil! Não vale a pena, para usar uma frase feita, dar “sinais de esperança” ou “mensagens de confiança”. Quem assim age, tem apenas a fórmula e a retórica. Dê-se o exemplo de um poder firme, mas flexível, e a democracia melhorará. Dê-se o exemplo de honestidade e verdade, e a corrupção diminuirá. Dê-se o exemplo de tratamento humano e justo e a crispação reduzir-se-á. Dê-se o exemplo de trabalho, de poupança e de investimento e a economia sentirá os seus efeitos

António Barreto

Sim, talvez seja pelo facto do mau exemplo vir de cima, que o país está como está! Mas a culpa pela situação do país não é só dos políticos. É de todos! Dos tal 10 milhões de portugueses, com raríssimas excepções. Não vale a pena andarmos a lançar acusações, porque todos temos telhados de vidro.

Não podemos continuar a pensar, que nós, os portugueses, somos todos muito bons e o problema está nos políticos. Está em nós, que nem quando temos a oportunidade de escolher e mudar e somos chamados a fazê-lo, preferimos ficar em casa, tal como mostram os elevados níveis de abstenção. Se não há alternativas credíveis quem pensa assim, que avance por si próprio.

Para que o país ande para a frente de uma vez por todas é essencial que todos assumam as suas responsabilidades, ao contrário de apontar sempre o dedo aos outros. E para que isso aconteça, o exemplo tem que vir de cima.

E assim, pode ser que alguma coisa começe a mudar...

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Dia de Portugal



"Ser intensamente patriota é três coisas. É, primeiro, valorizar em nós o indivíduo que somos, e fazer o possível por que se valorizem os nossos compatriotas, para que assim a Nação, que é a suma viva dos indivíduos que a compõem, e não o amontoado de pedras e areia que compõem o seu território, ou a coleção de palavras separadas ou ligadas de que se forma o seu léxico ou a sua gramática — possa orgulhar-se de nós, que, porque ela nos criou, somos seus filhos, e seus pais, porque a vamos criando."


Fernando Pessoa

sábado, 23 de maio de 2009

Verdades

Assisti a tudo isto em directo. Gostei de ouvir Marinho Pinto.

Manuela Moura Guedes faz do seu jornal de sexta uma autêntica palhaçada, que nada tem de informação, mas de perseguição e demagogia. As acusações e os ataques a José Sócrates (caso de que sou insuspeito para falar, visto nem nutrir grande simpatia pelo nosso Primeiro Ministro, o que não quer dizer que não esteja ao seu lado nesta trapalhada do Caso Freeport), as reportagens recheadas de demagogia e populismo e este último episódio fazem com que já passe este canal à frente nos meus habituais zappings, não assistindo sequer aos sábios comentários de Vasco Pulido Valente.

Marinho Pinto, foi politicamente incorrecto, mas deu um abanão e disse aquilo que era preciso dizer e que muitos não dizem porque não têm coragem. Estou do seu lado.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Adeus Figo!


Luís Figo deixou o futebol de alto nível.

Com ele sai de cena definitivamente a tal Geração de Ouro do futebol português que eu aprendi a admirar e a respeitar por toda a sua qualidade técnica, mas também pelo comportamento que sempre evidenciou dentro e fora das quatro linhas e que permitiu mudar o panorama nacional tornando o jogador português mais respeitado e a selecção nacional numa presença habitual e temida nas principais provas internacionais.

E essa geração tinha precisamente em Luís Figo o seu maior expoente, ele que foi com Zidane, o melhor jogador do mundo do seu tempo. Se não foi o melhor, foi pelo menos o mais completo.

Numa era em que a maioria dos futebolistas europeus de topo são adorados como deuses, pagos como reis e vivem sob os holofotes da fama, Luís Figo foi um exemplo para todos.

É reconfortante olhar para as suas origens humildes e ver naquilo em que se tornou ao custo de muito talento, mas também de trabalho árduo. Dono de um currículo invejável e profissional inigualável, símbolo de uma geração e de uma forma de estar no futebol, ora com a bola nos pés, ora no balneário da selecção nacional.

Sai de cena. A juntar mais um título ao recheado palmarés, como se de um imperador se tratasse. A nós portugueses resta-nos agradecer-lhe por tão bem nos ter sabido representar, tendo-se tornado num símbolo de Portugal além fronteiras. Fica também a imagem de um líder por quem ainda suspiramos, de quem soube transportar a bandeira para perto dos adeptos e uni-los à sua selecção.

Em mim, que me ensinas-te a gostar de futebol e sempre foste o meu modelo no desporto, deixas um vazio e a recordação de um homem correcto e humanista, para além de jogador fora do comum e líder dentro e fora das quatro linhas. Pelo teu legado mostras-te que não é desgraça ter nascido português.

Parabéns!

sábado, 25 de abril de 2009

35 anos de Abril


Madrugada de 25 de Abril de 74, parada da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém:

"Há diversas modalidades de Estado: os estados socialistas, os estados corporativos e o estado a que isto chegou! Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos. De maneira que quem quiser, vem comigo para Lisboa e acabamos com isto. Quem é voluntário sai e forma. Quem não quiser vir não é obrigado e fica aqui."

Todos os 240 homens que ouviram estas palavras, ditas da forma serena mas firme, tão característica de Salgueiro Maia, formaram de imediato à sua frente. Depois seguíram para Lisboa e marcharam sobre a ditadura.


Hoje, 35 anos depois do Dia da Liberdade, decidi assinalar esta data tão importante, sem a qual muito provavelmente nem sequer estaria aqui a escrever, lembrando aquele que foi verdadeiramente o héroi daquele episódio de libertação sem derramamento de sangue: Capitão Fernando José Salgueiro Maia.

O homem que avançava de lenço branco perante as forças fieís ao regime. O homem que sujeito a situações de perigo e de tensão soube manter a calma e a serenidade. O homem que apenas queria ver um país livre da guerra e da opressão. O homem que recusou o poder e as luzes da ribalta, quando as merecia mais que ninguém, ao contrário de outros que depois enveredaram pela via do terrorismo para impor as suas ideias.


"É o mais puro símbolo da coragem e generosidade dos capitães de Abril." diz a RTP no site do seu programa "Grandes Portugueses". Apenas posso subscreber.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

A PARTICIPAÇÃO CÍVICA DOS JOVENS


A cada vez mais escassa participação dos jovens na vida cívica é cada vez mais um motivo de preocupação de muitos agentes políticos, com especial relevância para o Presidente da República que várias vezes tem chamado a atenção para este problema.

A juventude portuguesa encontra-se desiludida com os fracassos da democracia portuguesa, com especial relevância para a corrupção, e está neste momento de costas viradas para a participação cívica e politica, envolta numa maré de indiferença que torna os tempos que virão, bastante complicados.

E é essa maré de indiferença que é necessária afastar da juventude portuguesa, promovendo a sua participação mais activa na solução para os problemas que afectam os problemas do país, pois só assim é possível construir uma sociedade mais justa, solidária, plural e igual.

A participação cívica inclui a participação politica e partidária, mas não se confunde nem se esgota na mesma.

Um dos maiores exemplos disso mesmo é a existência de uma extensa rede de Organizações Não Governamentais (ONG) e de Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) que dão um grande impulso à acção dos governos na manutenção do Estado Social criando condições para a eliminação de muitas desigualdades, retirando muitas famílias de situações de pobreza, alertando para o incumprimento dos Direitos Humanos e promovendo a inclusão social e a melhoria da qualidade de vida de muitas populações.

Subjacente a este fenómeno está uma nova geração que se dedica ao voluntariado e que demonstra um comovente espírito de entrega ao serviço dos outros.

Prestando a sua acção sem pretender qualquer tipo de recompensa monetária ou material e reconhecendo a dignidade de todo e qualquer ser humano, os jovens empenhados no voluntariado prestam um grande serviço à Sociedade conjugando a capacidade profissional com a generosidade gratuita, fazendo da sua acção não só um contributo para um país melhor, mas também como um factor de realização pessoal e aquisição de novos conhecimentos e experiências.

A acção destes jovens pode e deve ser valorizada para que todos os envolvidos beneficiem de medidas de apoio, designadamente no âmbito dos regimes militar ou escolar, por exemplo, dando assim o Estado um sinal de que está atento e reconhecido a todos aqueles que se empenham gratuitamente na procura de uma solução para os problemas que afectam a sua comunidade, motivando outros a fazer o mesmo.

A escola deve ser igualmente um instrumento a ter em conta na cativação dos jovens para a participação cívica. É necessário que se compreenda que na base de tudo para resolver os problemas que afectam o mundo está a Educação e sobretudo a Educação para a Cidadania, para que desde a infância haja uma maior sensibilização para a participação cívica.

O mundo globalizou-se de tal maneira, que hoje em dia uma simples assinatura numa petição ou um simples clique na Internet, podem causar grandes efeitos.

Torna-se fundamental, incutir desde muito cedo nas crianças e nos adolescentes a consciência de que a resolução dos problemas que afectam a nossa rua, a nossa escola e a nossa freguesia, passam também por nós. Tal pode ser feito através da disciplina de Formação Cívica, se a mesma for dada de forma mais séria e competente, com um professor próprio, com uma duração mais extensa que a actual e com um programa mais estruturado que faça com que alunos, professores e escola levem esta disciplina mais a sério, como essencial para o futuro dos mesmos e do país.

Seria interessante ver tratados nesta disciplina temas como a compreensão da vida democrática portuguesa desde o Poder Local ao Poder Central, o funcionamento das instituições em Portugal, uma visão simplificada do conteúdo da Constituição Portuguesa, o funcionamento das instituições europeias e outras em que o nosso país esteja inserido como a NATO ou a ONU, por exemplo, explicando-se a sua importância no actual contexto de mundo globalizado em que vivemos, os fenómenos das ONG e do voluntariado, a importância do respeito pelos Direitos Humanos, a história das religiões, os sistemas políticos internacionais ou alguns modelos ideológicos que mais importância tiveram ao longo da História.

Mas sabendo que a cidadania não se estuda apenas para um teste, mas que se aprende exercendo-a e participando democraticamente nas escolhas que afectam o nosso quotidiano, seria também de considerar a antecipação da idade de voto para os 16 anos, de modo a inserir os jovens mais cedo num clima de vivência democrática, mas com responsabilidade.

Assim, os jovens teriam uma voz e uma palavra a dizer acerca dos problemas que os afectam, sendo este um incentivo para que os agentes políticos prestassem mais atenção e dedicassem um pouco mais dos seus programas a este sector da sociedade e para que os jovens estivessem bastante mais atentos às medidas apresentadas e ao debate político-partidário, entre outros.

MEDIDAS

1ª
Criação do Estatuto do Voluntário, idêntico ao Estatuto de Atleta de Alta Competição que beneficie os envolvidos nos regimes escolar, militar e profissional, reconhecendo os envolvidos e motivando outros a contribuírem para a formação de uma sociedade melhor.

2ª Reformulação da disciplina de Formação Cívica, através da criação de um programa estruturado, alargamento da carga horária semanal e especialização dos professores na disciplina.

3ª Antecipação da idade do voto para os 16 anos de modo a cativar os jovens para a participação politica, envolvendo-os na vivência democrática desde tenra idade, mas com responsabilidade.

Carlos Alberto Videira

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Declarações de D. José Policarpo


Sempre me habituei a ver o Cardeal Patriarca, D. José Policarpo e o Bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, como as maiores referências da Igreja Católica portuguesa. Dois homens ponderados, sensatos, inteligentes e inseridos no nosso tempo.

As últimas declarações de D. José Policarpo causaram um grande escândalo. Gostava de deixar aqui o meu apontamento sobre esta questão.

De uma tertúlia de 125 minutos, a comunicação social apenas se referiu e debateu uma frase. Esqueceu que antes do Cardeal Patriarca ter dito que o diálogo com a Comunidade Muçulmana era muito díficil, o mesmo disse que era impossível alguém querer ter um diálogo com os muçulmanos sem os conhecer, perguntando mesmo à assistência, quantos já haviam lido o Alcorão.

Depois veio a questão do conselho às jovens católicas. De modo curto e grosso, aquilo que foi dito é verdade. A interpretação que a lei islâmica faz do estatudo da mulher é profundamente redutora, daí o conselho de cautela. Refira-se, foi um conselho, não uma proibição. O Cardeal Patriarca não disse às jovens portuguesas para não casarem com muçulmanos. Disse, e cito, cautela com os amores, pensem duas vezes antes. De facto, se o casamento já deve ser uma decisão séria, o casamento com alguém de uma cultura diferente deve ser ainda uma decisão mais ponderada. Mas o facto de ter que ser mais ponderada, não quer dizer que a mesma está condenada ao fracasso.

Talvez a escolha das palavras não tenha sido a melhor, mas não creio que haja algum sinal de intolerância ou um revés no diálogo inter-religioso. Porque quem tiver sem pecado que atire a primeira pedra! As pessoas devem poder ter opiniões e exprimi-las e clarificá-las se for o caso, sujeitando-se à crítica. Mas daí a fazermos disto um drama, vai uma distância muito grande.

E porque um momento infeliz, não apaga todo um percurso que considero brilhante, continuo a ver em D. José Policarpo uma referência, porque todos temos direito a um momento menos bom.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Discurso do Presidente


O discurso de Ano Novo de Cavaco Silva foi de semblante carregado de modo a não dar ilusões aos portugueses, descrevendo um cenário cinzento mas realista ao invés do tipo de discurso de José Sócrates, tradicionalmente confiante e auto-elogioso.

O problema é que só Sócrates é que governa e assim os avisos e apelos de Cavaco aos vários sectores da sociedade podem cair em saco roto, não passando de uma análise crítica com o mesmo valor das análises dos comentadores dos jornais, rádios e televisões.

No entanto, tenhamos esperança. Não temos muito mais a que nos agarrar. A esperança tal como G. Herbet disse "é o pão dos pobres"! Todas as crises trazem as suas dificuldades e têm terríveis consequências, mas podem também ser portadoras de renovação e muitas surpresas agradáveis.

E isto não é nenhuma contradição com o discurso do Senhor Presidente da República que considero muito bom. De facto, "as ilusões pagam-se caro", tal como ele disse. A diferença está na atitute passiva ou activa que tomamos ao encara-las, e aí Cavaco Silva também referiu que apenas juntos poderemos ultrapassar os problemas que virão em diante.

Ao longo dos anos os portugueses sempre se queixaram do que tinham pelo que não tinham e punham nos actores políticos a responsabilidade do estado do país. Esperamos sempre que alguém nos venha salvar do abismo, tal como na história do regresso de D. Sebastião, mas raramente arregaçamos as mangas para fazer algo de construtivo.

John F. Kennedy disse: "Não perguntem ao vosso país o que ele pode fazer por vós, mas o que vocês podem fazer pelo vosso país!". Esta crise financeira internacional que nos assola é um convite a isso mesmo: a fazer algo pelo nosso país colectivamente, deixando de parte o discurso derrotista e não deixando de encarar a realidade sem ilusões podemos construir um futuro melhor com esperança.

Mas isto só lá vai quando todos nos sentirmos responsáveis pelo que se passa no nosso país e no nosso mundo e procurarmos o nosso papel na solução para os problemas que nos afectam!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

A nossa crise financeira


Há dias o Primeiro Ministro, José Sócrates, apresentava-se muito confiante para 2009. Claro que o Primeiro Ministro tem que transmitir a Portugal alguma esperança, mas não pode esconder as evidências.

Se a queda do preço do petróleo e das taxas de juro até podem ter algum efeito positivo, o esforço que esta crise está a exigir fará com que o défice aumente e que no futuro seja reduzido através de nova subida de impostos.

O Governo deve e pode sacrificar o défice desde que depois da crise financeira passar, não volte a pedir aos portugueses para apertar o cinto nem volte a aumentar os impostos de modo a reduzi-lo. Se isso acontecesse, os últimos anos de esforço cairíam em saco roto.

Entretanto, Sócrates apresentou algumas medidas muito positivas mas que só ajudarão os portugueses se ao mesmo tempo o Estado fiscalizar se o apoio que concedeu à Banca está a ser direccionado para as Empresas e as Famílias de modo a que haja um reforço do consumo interno.

Foi necessário por liberalismo na gaveta para o salvar. Tudo porque ele não permitiu a fiscalização e regulação do Estado a quem depois teve que recorrer. O Estado disse presente e deve agora exigir contrapartidas concretas: apoio direccionado a sectores específicos da Economia e regulação e fiscalização permanente!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

CHUMBO


Em Portugal, o Ministério da Educação é insensato, teimoso e arrogante ao querer levar sozinho um modelo de avaliação insustentável e absurdo que põe professores a avaliar outros de outras disciplinas que não a dele e que põe professores menos experientes a avaliar professores mais experientes.

Os professores andam de manifestação em manifestação a fazer figuras tristes, sobretudo com os slogans do tipo "Piu, Piu, Piu, a Ministra já caíu" (não era eu que depois de aparecer na televisão a dizer isto, tinha coragem de ir dar aulas no dia seguinte). Não discutindo a razão do seu protesto, também é verdade que pedir a suspensão do modelo não chega. Há que apresentar propostas alternativas, coisa que os sindicatos (que antes já haviam dito sim a este modelo) ainda não apresentaram junto do Ministério.

Pelo meio, há também os alunos, que ao que parece, deviam ser a principal preocupação em todo este processo, e que à deriva, aproveitam a boleia da contestação docente, para andarem de greve em greve sem conhecimento de causa e com comportamentos lamentáveis, que em nada dignificam o nosso nome.

Acredito que é avaliando o estado da Educação de um país que podemos concluir sobre o futuro do mesmo, em termos de desenvolvimento económico e social. E é por isso que tenho medo do futuro de Portugal!


PS: Avaliados negativamente terão também que ser os deputados do PSD que faltaram a uma votação que poderia ter finalmente acabado com esta palhaçada toda! Com comportamentos deste tipo é díficil um partido gerar confiança junto das pessoas.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

28 anos depois...

Francisco Sá Carneiro morreu há 28 anos e continua hoje mais presente do que nunca no imaginário colectivo português pela obra e legado que deixou a um Portugal em profundas transformações. Ainda hoje num partido tão fragmentado como o PSD, é o único capaz de gerar a concórdia.

Portugal era depois da Revolução de 1974 e de acordo com a Constituição de 1976 uma sociedade a caminho do Socialismo. Mas era-o, não pela convicção natural das pessoas, mas sim pelo poder que a Ala Esquerda e em especial o Partido Comunista Português tinham no rumo dos acontecimentos que se verificavam na altura e que não fosse o 25 de Novembro e a acção de homens como Diogo Freitas do Amaral, Francisco Sá Carneiro e Mário Soares, teriam tornado Portugal em mais um satélite da URSS.

Sá Carneiro não o aceitaria. Já havia lutado contra uma ditadura totalitária e não concebia que uma nova podesse voltar a oprimir o povo português. Lutou por um Portugal não socialista, democrático e europeu, opondo-se tanto ao fascismo como ao comunismo, procurando mudar o sistema por dentro, pacíficamente, sem revoluções, mas usando o reformismo como forma de dar a Portugal um futuro mais risonho recheado de paz, prosperidade e justiça social.

Não esqueço também o democrata-cristão Adelino Amaro da Costa, que igualmente perdeu a vida naquele fatídico dia. Um verdadeiro personalista!

Vidas que tanto nos deram e muito mais nos poderiam ter dado, não fosse o destino ou qualquer outra coisa, que infelizmente nunca chegaremos a saber...

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

12º F assinala o Dia Mundial da Poupança

A turma de Sociologia do 12ºF assinalou mais um Dia Mundial da Poupança no último dia 31 de Outubro, levando a cabo várias acções de modo a dinamizar a data junto da comunidade escolar, numa altura em que tanto se fala da importância da poupança.

Depois de assinalar o Dia Mundial da Alimentação e de assinalar o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, a turma de Sociologia do 12º F voltou a assinalar mais uma data junto da comunidade escolar, desta feita, o Dia Mundial da Poupança.

Para tal foram elaborados vários cartazes de sensibilização que foram espalhados pela escola e dois mealheiros para recolha de fundos para a conta solidária da escola, colocados no GAP e no bar.

O ponto alto deste dia aconteceu por volta das 10h10m com uma Sessão de Esclarecimento com o jurista da delegação da DECO em Viana do Castelo e que se dirigiu aos alunos do 11º F e 12º F.

O tema da poupança voltou a ser tema com a actual crise financeira internacional que segundo o Presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d'Oliveira Martins, deve-se, em parte significativa, à desvalorização da poupança, hábito que é "indispensável" retomar.

Desde 2004 que a poupança dos portugueses mantém uma trajectória decrescente, acompanhando a redução da capacidade de financiamento e contrastando com o aumento do endividamento.

Vários especialistas têm lembrado que os portugueses poupavam mais quando eram mais pobres e desafiam o Estado a criar formas sólidas de aplicação de poupanças.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Insensibilidade!

Reposição dos Benefícios Fiscais – Movimento dos Trabalhadores Portadores de Deficiência


Caro bloguer:

No ano passado contámos com a sua ajuda para divulgar a nossa luta pela qualidade de vida dos trabalhadores com deficiência. O eco que a nossa luta teve na blogosfera foi fundamental para aumentar a sua visibilidade.

Como tínhamos alertado nessa altura, o aumento da carga fiscal foi brutal. O governo na altura da apresentação da proposta de orçamento para 2009 conseguiu fazer passar a ideia que iria haver uma redução da carga fiscal esquecendo-se de referir que essa possível redução só se verifica em comparação com os aumentos que decorreram da eliminação dos benefícios fiscais.

A campanha mediática está montada.

"Deficientes voltam a ter mais benefícios fiscais em 2009" - Agência Financeira.
"Governo reduz impostos para os contribuintes com deficiência em 2009" - Público

Os títulos são estes, mas a realidade é muito diferente.

É preciso divulgar à opinião pública o que realmente se passa com os impostos dos trabalhadores com deficiência, dizendo: imagine se os seus impostos tivesse aumentado assim.

Não temos assessores de imprensa para fazer títulos de jornal, por isso agradecemos que passe esta mensagem a todos os seus contactos.

É urgente, a discussão do Orçamento é feita num mês.

Email enviado aos colaboradores do MTPD (Movimento dos Trabalhadores Portadores de Deficiência)

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A Pobreza em Portugal*




São dois milhões em Portugal. O que significa que um quinto dos portugueses vive com menos de 360 euros por mês. E há os «novos pobres», pessoas com emprego, mas cujo salário não chega para as necessidades. Tudo isto coloca Portugal na lista negra dos países com mais pobreza e o país da UE onde a desigualdade entre ricos e pobres é maior. Classe média tende a desaparecer.

As estatísticas do INE referem ainda que sem as pensões de reforma e as transferências sociais do Estado, mais de quatro milhões de portugueses estariam em risco de pobreza.

Tudo isto coloca Portugal na lista negra dos países com uma taxa de pobreza superior à média europeia de 16 por cento e o país da UE onde o fosso entre ricos e pobres é maior.

Em declarações à agência Lusa a propósito do Dia Mundial da Alimentação, que hoje se assinala, Isabel Jonet disse que esse número tem engrossado por aqueles a quem chama «novos pobres», pessoas que têm emprego e recebem salário, mas cujo rendimento não dá para satisfazer as necessidades da família.

-1 em cada 5 portugueses vive no limiar da pobreza (21% da população total);
-12.4% da população activa (5531.6) ganha o salário mínimo nacional (403,00€);
-7,2 % da população activa está desempregada;
-26,3% dos reformados recebe menos de 200€/mês de reforma;
-147 332 recebem o Rendimento Social de Inserção (151,84€);
-79,4% da população activa não terminou o ensino secundário;
-45,5% da população, em idade escolar, abandona de forma precoce a escola;
-Taxa de Analfabetismo, atinge quase 9,0% da população;
-300 mil famílias (8% da população) vivem em habitações sem condições mínimas;
-Há um agravamento de 20 a 25% da situação de pessoas sem-abrigo;

*Dados de 2007

sábado, 5 de julho de 2008

Momentos de Libertação

Há 50 anos, Humberto Delgado, ousou enfrentar o regime de Oliveira Salazar com uma coragem invulgar que lhe valeu a alcunha de "General Sem Medo". Apesar da derrota nas eleições presidenciais, como sempre viciadas, o seu legado inspirador ficou entre nós e fragilizou de forma irreversivel as estruturas do Estado Novo.

Hoje é Morgan Tsvangirai, lider do MDC no Zimbabwé, que seguindo os exemplos de Delgado em Portugal ou Walesa na Polónia, tenta dar esperança e liberdade a um povo oprimido e sem esperança governado por um despota falhado e cobarde. Morgan Tsvangirai teve a coragem de arriscar a própria vida, tal como os seus apoiantes, para que o mundo voltasse a olhar para o Zimbabwé e para o "trágico falhanço" da sua governação.

Sabemos que o seu sucesso, num mundo globalizado onde os países têm fortes relações de interdependência, está em muito dependente da reacção da comunidade internacional.

Mas aconteça o que acontecer, Morgan Tsvangirai, mercê da sua forte e louvavel coragem já teve o mérito de dar um pouco de esperança ao povo do Zimbabwe e abrir os olhos ao mundo. Ou seja, más noticias para Mugabe. Finalmente...



Enquanto isso, na Colômbia, acabou o longo pesadêlo de Ingrid Betancourt. O seu resgaste foi feito sem qualquer derrame de sangue. Tal como diz José Leite Pereira "o modo como a Colômbia conseguiu libertar Ingrid Betancourt parece coisa de cinema antigo: nada de efeitos especiais, apenas um plano bem traçado e a extrema coragem dos agentes infiltrados que fizeram o seu trabalho sem dar um tiro."

Comovente também tem sido a maneira como Ingrid Betancourt tem lidado com toda a situação. A gratidão que fica sempre bem a todos que se esforçaram para que este momento fosse possível, acompanha uma determinação e uma vontade indomavel de continuar a sua luta, sem esquecer as centenas de sequestrados que continuam nas mãos das FARC.



Morgan Tsvangirai e Ingrid Betancourt têm proporcionado nestes dias dos momentos de libertação mais dourados que a História já conheceu e na Assembleia da República, o Partido Comunista Português é o único partido a demarcar-se deles. Tal como já disse, numa outra ocasião, Ricardo Araújo Pereira, ex militante comunista, se isto fosse em 1975 seria normal... nessa altura toda a gente dizia parvoíces... mas dizê-las em 2008... mostra que ao contrário da democracia portuguesa, o PCP ainda não amadureceu... é uma pena.

domingo, 1 de junho de 2008

PSD: The End


E chegou ao fim mais capítulo da vida do PSD, este quase sob a forma de telenovela. Manuela Ferreira Leite venceu! Era o esperado. Tinha todo o aparelho a trabalhar para si. Viu-se a forma como saiu vencedora do debate da TVI sem praticamente nada ter dito de relevante: a sondagem inicial foi o aperitivo, a simpatia de Manuela Moura Guedes foi evidente quando comparada com Pedro Santana Lopes por exemplo, enquanto a apreciação final de Vasco Pulido Valente, foi a cereja no topo do bolo.

Já na SIC as dificuldades foram maiores. Santana Lopes esteve em boa forma e ninguém contava com a excelente performance de Patinha Antão.

No final, foi este o caminho escolhido por 37% dos militantes. Talvez um resultado um pouco à quem do esperado, sendo que os restantes candidatos com a excepção de Patinha Antão ficaram muito próximos.

Pareceu-me que Ferreira Leite não tem ainda um projecto concreto para o país. Tem apenas algumas ideias soltas, que se irão conectando com o tempo. Nesse trabalho deverá contar com os restantes candidatos, se quiser unir o partido. Há o medo que Ferreira Leite seja mais do mesmo: mais Sócrates.

De facto, Sócrates tem um espírito reformista que sempre foi imagem de marca do PSD e talvez lhe provenha do tempo em que militou na JSD. Mas enquanto Ferreira Leite se define mesmo como social-democrata (apesar de não saber explicar muito bem o que isso é) Sócrates não é um homem de esquerda nem de direita: é um homem de poder. Talvez isso seja o principal factor diferenciador: Ferreira Leite tem uma frontalidade e personalidade forte que é de louvar. E isso vê-se na forma como assume a sua posição em relação à politica de impostos: apesar da minha opinião ser de que há impostos que devem sofrer uma pequena alteração, vê-se que a nova presidente do PSD não anda a enganar ninguém. Já Sócrates diz hoje uma coisa diferente a cada dia da semana. Trata-se de credibilidade e de não dar aos portugueses mais falsas esperanças.

Em relação aos candidatos derrotados, Passos Coelho, consegue apesar de tudo um bom resultado e deve continuar a crescer no espaço partidário. É um liberal, o que não sei até que ponto favorece o país, mas oferece uma imagem de mudança, algo que urge. Pedro Santana Lopes é um aventureiro: depois de tantos casos e derrotas apresentou-se de novo e não fez má figura. Apresentava um excelente programa baseado numa maior coesão territorial, que diminuísse as assimetrias. Mas quando falta a credibilidade já se sabe como é. Patinha Antão, apareceu nesta campanha vindo de pára-quedas e sem apoios, mas fez boa figura. Teve no debate da SIC o seu ponto alto. Apresentou boas propostas, mas já se sabia que a imagem é tudo. E ele não a tinha.

Assim sendo, termina mais um capítulo na história recente do atribulado Partido Social-Democrata: um partido com vocação do poder, mas que nos últimos 13 anos, governou apenas 3. Com Manuela Ferreira Leite, o partido encerra o capitulo Luís Filipe Menezes, que aqui tem uma grande derrota, após os ataques constantes à candidata e aos seus apoiantes. O PSD, continua sem o seu presidente no Parlamento, mas tem agora voz junto de Cavaco no Conselho de Estado. Os resultados, veremos em 2009. Até lá, é altura de serenar os ânimos e cerrar fileiras para os grandes combates políticos que se aproximam: legislativas, autárquicas e europeias.



Post Scriptum: A demagogia da Esquerda é bem patente no nosso país. A Lei da Paridade foi proposta pelo PS e aprovada pela Esquerda como grande marca de modernidade. O PSD, partido de Centro Direita, votou contra: deve-se estar na política por mérito e não por quota. Os resultados são os seguintes: PS não cumpriu a lei nas últimas eleições regionais da Madeira enquanto no PSD, é eleita a primeira presidente de um partido em Portugal. Sem Leis da Paridade...

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Dá que pensar...


Assunto foi comentado durante o voo por empresários que viajavam no mesmo aparelho
Sócrates e Pinho violaram proibição de fumar a bordo do voo de Lisboa para Caracas

13.05.2008 - 13h33 Luciano Alvarez, em Caracas

O primeiro-ministro, José Sócrates, o ministro da Economia e Inovação, Manuel Pinho, e vários membros do gabinete do chefe do Governo violaram a proibição de fumar no voo fretado da TAP que ligou Portugal e Venezula e que chegou às cinco horas da manhã de ontem a Caracas (hora de Lisboa, 23h30 na capital venezuelana). O assunto foi muito comentado durante o voo por membros da comitiva empresarial que acompanha Sócrates e causou incómodo a algum pessoal de bordo.


E aproveitou para deixar de fumar em definitivo
Sócrates pede desculpa por ter fumado no voo para a Venezuela

14.05.2008 - 17h04 PÚBLICO
O primeiro-ministro José Sócrates pediu hoje desculpa por ter fumado no voo que transportou a comitiva governamental para a Venezuela. Em declarações aos jornalistas, na venezuela, o primeiro-ministro diz que desconhecia que estava a violar a lei. José Sócrates adiantou ainda que decidiu deixar de fumar em definitivo, na sequência da polémica.


SERÁ NORMAL QUE O PRIMEIRO MINISTRO DE PORTUGAL E SECRETÁRIO GERAL DO PARTIDO LEGISLADOR DA LEI DO TABACO NÃO SAIBA QUE NÃO SE PODE FUMAR A BORDO DE UM VÔO?


SE SIM, É CASO PARA CITAR UM DOS AUTORES DO BLOG IN-DIREITA:

"Se Sócrates é apanhado a fumar e promete deixar era mesmo bom que alguém o apanhasse a governar... "


MUITO BEM VISTO!!!

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Mais que Revolução: EVOLUÇÃO


Porque talvez eu não estaria aqui a postar e nem sequer saberia o que é a Internet.
Porque talvez hoje me tivesse a preparar para ir para o Ultramar.
Porque a democracia não é uma miragem, se todos lutarmos por ela.
Porque a igualdade é um direito fundamental.
Porque lutar vale sempre a pena.
Porque a obscuridade em que viviamos não podia continuar nem pode regressar.
Porque a ignorância, a que a censura nos obrigava era a nossa pior inimiga.
Porque fraude e mentira não são compativeis com Portugal.
Porque a fraternidade e a dignidade não são só palavras bonitas.
Porque a liberdade de expressão, quando usada em consciência só nos favorece.
Porque a liberdade, mais que um direito é um dever.
Porque talvez ainda hoje as mulheres seriam meros acessórios.
Porque os serviços devem continuar a aumentar.
Porque de mãos dadas com a Europa iremos longe.
Porque a nossa cultura não pode estagnar.
Porque no domingo talvez não tivesse bebido aquela Coca-Cola que me soube tão bem.
Porque é bom ligar a televisão e não ter um só canal controlado e poder rir com o Gato Fedorento.
Porque não nos podemos resignar.
Porque a policia e o Estado não são donos do nosso pensamento.
Porque a pluralidade e a diversidade completa-nos.
Porque há que fazer lembrar a esses empruados e empruadas de fato e gravata que "o povo é quem mais ordena" e o "povo unido jamais será vencido".
Porque a violência não é necessária para desviar um rumo.
Porque a vida que o povo levava não é vida.
Porque a luta continua e nunca acabará...


ABRIL SEMPRE

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Faleceu o Cónego Melo


Mons. Eduardo Melo
Braga, 30 de Outubro de 1927 — Fátima, 19 de Abril de 2008

«Felizes sereis quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o género de calúnias contra vós, porque grande será a vossa recompensa no céu” (Cfr. MT. 5.1-1)

Eduardo de Melo Peixoto nasceu a 30 de Outubro de 1927 em São Lázaro, Braga, e foi ordenado sacerdote em 1951, tendo depois assumido o papel de vigário-geral da arquidiocese durante vários anos, tendo renunciado ao cargo em 2002. Foi feito Comendador por Mário Soares, tendo servido sob quatro Bispos e seis Papas. Esteve ligado a vários sectores da vida bracarense, nomeadamente, ao futebol e a imprensa.

“É sempre difícil em poucas palavras sintetizar a vida de alguém que foi grande durante toda a sua vida”, explica D. Jorge Ortiga à Agência ECCLESIA. "Sempre o vi como um homem apaixonado pelas causas a que se dedicava, que se sacrificava ao ponto de deixar as exigências humanas mais naturais para poder corresponder aos apelos que lhe eram dirigidos”.

A atenção aos mais carenciados é também lembrada. “Tinha um coração sensível e de igual modo se entregava a todos”, recorda o Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa.

A vida do Cónego Melo representa um “legado dirigido a crentes e não crentes”, escreveu D. Jorge Ortiga, num comunicado à diocese de Braga. O Cónego Melo manteve uma vida de entrega que realizou “a todas as causas humanas e às solicitações de todos”.


Adaptado de Agência Ecclesia

sábado, 5 de abril de 2008

Que Educação?


Sou um dos alunos do ensino secundário deste país que se sente triste por só agora políticos, comunicação social e outras entidades públicas, terem aberto os olhos para aquilo que se passa na educação em Portugal: falta de autoridade de professores e auxiliares, a negligência de conselhos executivos e direcções, a violência nas escolas, as armas e o bullying.

Neste momento todos querem encontrar um réu que sirva de bode expiatório para o que se está a passar no sistema de ensino. Sistema esse onde estão englobados o Estado, os professores, os pais e os alunos. Todos têm uma responsabilidade própria.

O Estado sempre tomou a iniciativa do deixa andar. Concederam-se privilégios à educação que mais nenhum sector recebeu e deu nisto: uma completa anarquia sem rei nem roque. Este foi, o primeiro governo a actuar e deve ser louvado, no entanto a solução tem sido atabalhoada e imponderada e iniciou uma guerra aberta entre professores e ministério o que apenas retira autoridade e credibilidade dos primeiros junto dos alunos.

Mas os professores não podem lavar as mãos do estado em que as coisas se encontram, dizendo que são as maiores vítimas disso tudo. A profissão de professor foi a mais privilegiada do pós-25 de Abril. Abriram-se nessa altura vagas e vagas para os cursos de professor, que asseguravam uma vida quase perfeita: bons salários, benefício de sistemas de protecção social, férias a potes e uma idade de reforma relativamente baixa. Muitos professores abusaram: puseram-se à sombra da bananeira e educaram mal e porcamente. Depois, são lendárias as greves próximas do fim-de-semana ou dos feriados de modo a ter umas mini férias que dão sempre jeito a meio do ano. Por isso, hoje pagam todos e tudo de uma vez. É natural que estejam insatisfeitos, mas temos pena: não tivessem abusado. A avaliação (neste ou noutros moldes) é mesmo um imperativo. Não só aos professores como às escolas, que representados pelos conselhos executivos e direcções, fingem que nada acontece. Encobrem a indisciplina, são indiferentes aos problemas, criam e nomeiam as turmas e os professores ao calhas.

Depois, há os pais e os alunos. Pais esses que encobrem e habituam mal os filhos, que longe de serem inocentes exploram toda essa protecção. Quem não estuda, passa por favor ou vai para os CEF's. Quem causa distúrbios é amnistiado ou sancionado com correctivos simbólicos. Ou seja, os alunos passam de um sistema de ensino onde as abébias são frequentes para um mundo do trabalho implacável onde ao mais pequeno erro ou falta de empenho a palavra de ordem é: RUA!

Apesar de ter sido momento infeliz, a última aula de Francês do 2º Período do 9ºC da Escola Carolina Michaelis, teve o condão de abrir os olhos a muita gente. Obrigado por terem colocado o vídeo no youtube! Pode ser que um dia sejam lembrados, pela forma como suscitaram um debate acesso sobre uma educação ineficaz, incapaz e irresponsável.