sábado, 5 de abril de 2008

Que Educação?


Sou um dos alunos do ensino secundário deste país que se sente triste por só agora políticos, comunicação social e outras entidades públicas, terem aberto os olhos para aquilo que se passa na educação em Portugal: falta de autoridade de professores e auxiliares, a negligência de conselhos executivos e direcções, a violência nas escolas, as armas e o bullying.

Neste momento todos querem encontrar um réu que sirva de bode expiatório para o que se está a passar no sistema de ensino. Sistema esse onde estão englobados o Estado, os professores, os pais e os alunos. Todos têm uma responsabilidade própria.

O Estado sempre tomou a iniciativa do deixa andar. Concederam-se privilégios à educação que mais nenhum sector recebeu e deu nisto: uma completa anarquia sem rei nem roque. Este foi, o primeiro governo a actuar e deve ser louvado, no entanto a solução tem sido atabalhoada e imponderada e iniciou uma guerra aberta entre professores e ministério o que apenas retira autoridade e credibilidade dos primeiros junto dos alunos.

Mas os professores não podem lavar as mãos do estado em que as coisas se encontram, dizendo que são as maiores vítimas disso tudo. A profissão de professor foi a mais privilegiada do pós-25 de Abril. Abriram-se nessa altura vagas e vagas para os cursos de professor, que asseguravam uma vida quase perfeita: bons salários, benefício de sistemas de protecção social, férias a potes e uma idade de reforma relativamente baixa. Muitos professores abusaram: puseram-se à sombra da bananeira e educaram mal e porcamente. Depois, são lendárias as greves próximas do fim-de-semana ou dos feriados de modo a ter umas mini férias que dão sempre jeito a meio do ano. Por isso, hoje pagam todos e tudo de uma vez. É natural que estejam insatisfeitos, mas temos pena: não tivessem abusado. A avaliação (neste ou noutros moldes) é mesmo um imperativo. Não só aos professores como às escolas, que representados pelos conselhos executivos e direcções, fingem que nada acontece. Encobrem a indisciplina, são indiferentes aos problemas, criam e nomeiam as turmas e os professores ao calhas.

Depois, há os pais e os alunos. Pais esses que encobrem e habituam mal os filhos, que longe de serem inocentes exploram toda essa protecção. Quem não estuda, passa por favor ou vai para os CEF's. Quem causa distúrbios é amnistiado ou sancionado com correctivos simbólicos. Ou seja, os alunos passam de um sistema de ensino onde as abébias são frequentes para um mundo do trabalho implacável onde ao mais pequeno erro ou falta de empenho a palavra de ordem é: RUA!

Apesar de ter sido momento infeliz, a última aula de Francês do 2º Período do 9ºC da Escola Carolina Michaelis, teve o condão de abrir os olhos a muita gente. Obrigado por terem colocado o vídeo no youtube! Pode ser que um dia sejam lembrados, pela forma como suscitaram um debate acesso sobre uma educação ineficaz, incapaz e irresponsável.

1 comentário:

Helder Berenguer disse...

O estado da educação no nosso país, que dizer ...

Basta que alguém concorra na estupidez de desatar à "pancada" com uma professora, para que todo o português "bem intencionado" comece a ditar criticas do tipo:

"No meu tempo não era assim, tínhamos mais respeito pelos professores..." (respeito e medo)

O k acontece é que esses ditos indivíduos de tão nobre estirpe são agora os pais e mães dos alunos do tipo " Escola Carolina Michaelis".

O k se sucedeu nessa aula, é algo k acontece... digamos, diariamente nas escolas portuguesas, bastando para isso: uma professora incapaz de estabelecer ordem na sala de aula, e uma aluna desesperada extremamente fútil. Digo isto porque sou também aluno do secundário e já presenciei cenas, que não chegam aquele nível, mas eram suficientes para uma falta disciplinar.