“Mantenho gravado no coração o rosto da humanidade que pude contemplar ao longo das minhas peregrinações. É o rosto de Cristo que transparece naqueles que vivem como ovelhas sem pastor. Todo o homem e toda a mulher têm pleno direito de que lhe sejam ensinadas muitas coisas” - João Paulo II
Foi há três que vi partir aquela que era e continua a ser a minha grande referência: Karol Josef Wojtyla, mais conhecido por João Paulo II desde que calçou as sandálias do pescador, partia aos 84 anos, após um dos pontificados mais carismáticos de que há memória.
Sandálias essa que lhe assentaram muito bem. Foi um autêntico pescador de homens, defendendo-o, do não nascido ao idoso abandonado e esquecido, de qualquer tipo de violação à sua dignidade. Mesmo antes de ser Papa, já havia convivido com os tempos difíceis do nazismo e do comunismo totalitário de Leste que ajudou a derrubar, concentrando então forças no combate ao outro lado da balança: o capitalismo, opulento e egoísta, dando voz ao Terceiro Mundo, aos pobres e aos que vivem sob o flagelo da guerra e do desrespeito pelos Direitos Humanos.
Wojtyla não foi um só um papa: foi o mundo condensado num só Homem. Wojtyla foi o guarda-redes da equipa amadora de Wadowice, o esquiador, o actor clandestino talentoso, o músico de uma nova e arrojada versão do "Pater Noster", o professor cativante, o catequista sempre presente e o forte activista dos Direitos Humanos.
Como Papa, cargo pelo qual todo o mundo o conheceu, ficam certos momentos inolvidáveis: a visita e o perdão a Ali Agca (o homem que a 13 de Maio de 1981 tentou por termo à sua vida); as inúmeras viagens que fez à volta do mundo, com destaque para a visita a Cuba em 1998 que pôs fim a anos e anos de conflito entre a Igreja e o regime cubano; as carícias a todas as crianças que encontrava ou o dia em que vendo uma casa absolutamente normal numa viagem em Angola decidiu passar por lá e beber limonada com uma família miseravelmente pobre.
Ficam também os encontros ecuménicos, com destaque para a Conferência de Assis, a entrada inédita de um pontífice numa sinagoga e numa mesquita, mostrando que o que nos une (Deus) é muito mais daquilo que nos divide. Ficam os encontros de jovens, que impulsionou como as “sentinelas da manhã”, jovens esses que no fim foram ter com ele. Fica o pedido de perdão inédito e esperado, pelas atrocidades cometidas em nome de Deus. Fica a forte oposição a todos os conflitos internacionais desde a Guerra do Golfo à Invasão ao Iraque. Fica o bom humor e a coragem nos momentos difíceis da doença de Parkinson num pontificado resumido numa única frase: "NON ABBIATE PAURA!” (Não tenhais medo!)
Os dias que se seguiram a morte deste papa mostraram algo nunca visto. Milhões e milhões de pessoas, independentemente de credos religiosos, países, cor ou idade, uniram-se numa homenagem absolutamente incrível “ao batalhador pela amizade entre os povos e inimigo da guerra”, como o classificou e muito bem Fidel Castro.
Cabe-nos a nós, admiradores e seguidores daquele que foi o Homem do século XX, ser a Geração João Paulo II, procurando instaurar a “cultura da vida e a civilização do amor” pela qual ele tanto lutou, sendo “sal da terra”.
Que descanse em paz!





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