O papa Bento XVI termina hoje a sua visita aos Estados Unidos da América, festejando ao mesmo tempo 81 anos de idade e 3 de pontificado.Longe de ter o carisma de um João XXIII ou de um João Paulo II, este papa foi acusado desde cedo, sobretudo pela comunicação social por ser conservador, retrógrado, frio e calculista, descrição que em pouco corresponde à verdade, apesar de no inicio também eu ter acreditado nela. A polémica à volta das declarações sobre o profeta Maomé (que nem sequer eram da sua autoria) também não ajudou.
Na verdade, este papa é o continuar do percurso que foi iniciado por João XXIII no Concílio Vaticano II e que se estende até hoje. O percurso de uma Igreja que perante as duas grandes guerras mundiais, percebeu tal como o mundo, que teria de ser mais solidária e aproximar-se dos fieis.
Este papa tem o dom magnifico de analisar coisas absolutamente importantes e complexas com uma simplicidade incrível! Basta ler as suas encíclicas ou o raspanete aos bispos portugueses para perceber a inteligência superior deste papa. Em Spe Salvi, temos uma obra-prima. Num mundo desolado e cansado, Bento XVI apresenta-nos a esperança cristã como solução, abordando a morte de forma sublime. Bento XVI vai também buscar sem preconceitos, ideais da Revolução Francesa e Marxista, ora criticando-os ora elogiando-os.
Em relação a esta viagem aos Estados Unidos, onde Bento XVI deixou de lado o simbolismo das datas de aniversário de nascimento e de pontificado, há certos pontos importantes a reter: a crítica explicita à Invasão ao Iraque num discurso onde estava presente George W. Bush (quantos terão a coragem de o fazer?); os pedidos de desculpa sistemáticos às vítimas de pedofilia, símbolo de repudio e vergonha por tais acções que a Igreja pretende que não mais voltem a ensombrar o seu nome; o discurso na sede da ONU onde lembrou o dever dos Estados Internacionais em proteger as populações da violação grave e contínua dos direitos humanos e das crises humanitárias provocadas quer pela natureza quer pelo homem, sem que sejam “interpretados como uma imposição ou uma limitação de soberania” e por fim a visita ao Ground Zero onde falou pessoalmente com muitas das famílias das vitimas e onde fez uma oração especial por todos aqueles "cujos corações e mentes estão consumidos pelo ódio."
Depois disto, será ainda Bento XVI um retrógrado conservador, frio e calculista? Não me parece!





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