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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Manifesto para os Alunos

Estando eu praticamente a ingressar no Ensino Superior e continuando a acreditar que é na Educação que joga o futuro do nosso mundo, não podia deixar de publicar neste blog o Manifesto do Presidente Barack Hussein Obama aos alunos. Apesar de não ser norte-americano este manifesto acaba por me dizer muito a mim também. Um texto brilhante para ler com atenção:



"Sei que para muitos de vocês hoje é o primeiro dia de aulas, e para os que entraram para o jardim infantil, para a escola primária ou secundária, é o primeiro dia numa nova escola, por isso é compreensível que estejam um pouco nervosos. Também deve haver alguns alunos mais velhos, contentes por saberem que já só lhes falta um ano. Mas, estejam em que ano estiverem, muitos devem ter pena por as férias de Verão terem acabado e já não poderem ficar até mais tarde na cama.

Também conheço essa sensação. Quando era miúdo, a minha família viveu alguns anos na Indonésia e a minha mãe não tinha dinheiro para me mandar para a escola onde andavam os outros miúdos americanos. Foi por isso que ela decidiu dar-me ela própria umas lições extras, segunda a sexta-feira, às 4h30 da manhã.

A ideia de me levantar àquela hora não me agradava por aí além. Adormeci muitas vezes sentado à mesa da cozinha. Mas quando eu me queixava a minha mãe respondia-me: "Olha que isto para mim também não é pêra doce, meu malandro..."

Tenho consciência de que alguns de vocês ainda estão a adaptar-se ao regresso às aulas, mas hoje estou aqui porque tenho um assunto importante a discutir convosco. Quero falar convosco da vossa educação e daquilo que se espera de vocês neste novo ano escolar.

Já fiz muitos discursos sobre educação, e falei muito de responsabilidade. Falei da responsabilidade dos vossos professores de vos motivarem, de vos fazerem ter vontade de aprender. Falei da responsabilidade dos vossos pais de vos manterem no bom caminho, de se assegurarem de que vocês fazem os trabalhos de casa e não passam o dia à frente da televisão ou a jogar com a Xbox. Falei da responsabilidade do vosso governo de estabelecer padrões elevados, de apoiar os professores e os directores das escolas e de melhorar as que não estão a funcionar bem e onde os alunos não têm as oportunidades que merecem.

No entanto, a verdade é que nem os professores e os pais mais dedicados, nem as melhores escolas do mundo são capazes do que quer que seja se vocês não assumirem as vossas responsabilidades. Se vocês não forem às aulas, não prestarem atenção a esses professores, aos vossos avós e aos outros adultos e não trabalharem duramente, como terão de fazer se quiserem ser bem sucedidos.

E hoje é nesse assunto que quero concentrar-me: na responsabilidade de cada um de vocês pela sua própria educação.

Todos vocês são bons em alguma coisa. Não há nenhum que não tenha alguma coisa a dar. E é a vocês que cabe descobrir do que se trata. É essa oportunidade que a educação vos proporciona.

Talvez tenham a capacidade de ser bons escritores - suficientemente bons para escreverem livros ou artigos para jornais -, mas se não fizerem o trabalho de Inglês podem nunca vir a sabê-lo. Talvez sejam pessoas inovadoras ou inventores - quem sabe capazes de criar o próximo iPhone ou um novo medicamento ou vacina -, mas se não fizerem o projecto de Ciências podem não vir a percebê-lo. Talvez possam vir a ser mayors ou senadores, ou juízes do Supremo Tribunal, mas se não participarem nos debates dos clubes da vossa escola podem nunca vir a sabê-lo.

No entanto, escolham o que escolherem fazer com a vossa vida, garanto-vos que não será possível a não ser que estudem. Querem ser médicos, professores ou polícias? Querem ser enfermeiros, arquitectos, advogados ou militares? Para qualquer dessas carreiras é preciso ter estudos. Não podem deixar a escola e esperar arranjar um bom emprego. Têm de trabalhar, estudar, aprender para isso.

E não é só para as vossas vidas e para o vosso futuro que isto é importante. O que vocês fizerem com os vossos estudos vai decidir nada mais nada menos que o futuro do nosso país. Aquilo que aprenderem na escola agora vai decidir se enquanto país estaremos à altura dos desafios do futuro.

Vão precisar dos conhecimentos e das competências que se aprendem e desenvolvem nas ciências e na matemática para curar doenças como o cancro e a sida e para desenvolver novas tecnologias energéticas que protejam o ambiente. Vão precisar da penetração e do sentido crítico que se desenvolvem na história e nas ciências sociais para que deixe de haver pobres e sem-abrigo, para combater o crime e a discriminação e para tornar o nosso país mais justo e mais livre. Vão precisar da criatividade e do engenho que se desenvolvem em todas as disciplinas para criar novas empresas que criem novos empregos e desenvolvam a economia.

Precisamos que todos vocês desenvolvam os vossos talentos, competências e intelectos para ajudarem a resolver os nossos problemas mais difíceis. Se não o fizerem - se abandonarem a escola -, não é só a vocês mesmos que estão a abandonar, é ao vosso país.

Eu sei que não é fácil ter bons resultados na escola. Tenho consciência de que muitos têm dificuldades na vossa vida que dificultam a tarefa de se concentrarem nos estudos. Percebo isso, e sei do que estou a falar. O meu pai deixou a nossa família quando eu tinha dois anos e eu fui criado só pela minha mãe, que teve muitas vezes dificuldade em pagar as contas e nem sempre nos conseguia dar as coisas que os outros miúdos tinham. Tive muitas vezes pena de não ter um pai na minha vida. Senti-me sozinho e tive a impressão que não me adaptava, e por isso nem sempre conseguia concentrar-me nos estudos como devia. E a minha vida podia muito bem ter dado para o torto.

Mas tive sorte. Tive muitas segundas oportunidades e consegui ir para a faculdade, estudar Direito e realizar os meus sonhos. A minha mulher, a nossa primeira-dama, Michelle Obama, tem uma história parecida com a minha. Nem o pai nem a mãe dela estudaram e não eram ricos. No entanto, trabalharam muito, e ela própria trabalhou muito para poder frequentar as melhores escolas do nosso país.

Alguns de vocês podem não ter tido estas oportunidades. Talvez não haja nas vossas vidas adultos capazes de vos dar o apoio de que precisam. Quem sabe se não há alguém desempregado e o dinheiro não chega. Pode ser que vivam num bairro pouco seguro ou os vossos amigos queiram levar-vos a fazer coisas que vocês sabem que não estão bem.

Apesar de tudo isso, as circunstâncias da vossa vida - o vosso aspecto, o sítio onde nasceram, o dinheiro que têm, os problemas da vossa família - não são desculpa para não fazerem os vossos trabalhos nem para se portarem mal. Não são desculpa para responderem mal aos vossos professores, para faltarem às aulas ou para desistirem de estudar. Não são desculpa para não estudarem.

A vossa vida actual não vai determinar forçosamente aquilo que vão ser no futuro. Ninguém escreve o vosso destino por vocês. Aqui, nos Estados Unidos, somos nós que decidimos o nosso destino. Somos nós que fazemos o nosso futuro.

E é isso que os jovens como vocês fazem todos os dias em todo o país. Jovens como Jazmin Perez, de Roma, no Texas. Quando a Jazmin foi para a escola não falava inglês. Na terra dela não havia praticamente ninguém que tivesse andado na faculdade, e o mesmo acontecia com os pais dela. No entanto, ela estudou muito, teve boas notas, ganhou uma bolsa de estudos para a Universidade de Brown, e actualmente está a estudar Saúde Pública.

Estou a pensar ainda em Andoni Schultz, de Los Altos, na Califórnia, que aos três anos descobriu que tinha um tumor cerebral. Teve de fazer imensos tratamentos e operações, uma delas que lhe afectou a memória, e por isso teve de estudar muito mais - centenas de horas a mais - que os outros. No entanto, nunca perdeu nenhum ano e agora entrou na faculdade.

E também há o caso da Shantell Steve, da minha cidade, Chicago, no Illinois. Embora tenha saltado de família adoptiva para família adoptiva nos bairros mais degradados, conseguiu arranjar emprego num centro de saúde, organizou um programa para afastar os jovens dos gangues e está prestes a acabar a escola secundária com notas excelentes e a entrar para a faculdade.

A Jazmin, o Andoni e a Shantell não são diferentes de vocês. Enfrentaram dificuldades como as vossas. Mas não desistiram. Decidiram assumir a responsabilidade pelos seus estudos e esforçaram-se por alcançar objectivos. E eu espero que vocês façam o mesmo.

É por isso que hoje me dirijo a cada um de vocês para que estabeleça os seus próprios objectivos para os seus estudos, e para que faça tudo o que for preciso para os alcançar. O vosso objectivo pode ser apenas fazer os trabalhos de casa, prestar atenção às aulas ou ler todos os dias algumas páginas de um livro. Também podem decidir participar numa actividade extracurricular, ou fazer trabalho voluntário na vossa comunidade. Talvez decidam defender miúdos que são vítimas de discriminação, por serem quem são ou pelo seu aspecto, por acreditarem, como eu acredito, que todas as crianças merecem um ambiente seguro em que possam estudar. Ou pode ser que decidam cuidar de vocês mesmos para aprenderem melhor. E é nesse sentido que espero que lavem muitas vezes as mãos e que não vão às aulas se estiverem doentes, para evitarmos que haja muitas pessoas a apanhar gripe neste Outono e neste Inverno.

Mas decidam o que decidirem gostava que se empenhassem. Que trabalhassem duramente. Eu sei que muitas vezes a televisão dá a impressão que podemos ser ricos e bem-sucedidos sem termos de trabalhar - que o vosso caminho para o sucesso passa pelo rap, pelo basquetebol ou por serem estrelas de reality shows -, mas a verdade é que isso é muito pouco provável. A verdade é que o sucesso é muito difícil. Não vão gostar de todas as disciplinas nem de todos os professores. Nem todos os trabalhos vão ser úteis para a vossa vida a curto prazo. E não vão forçosamente alcançar os vossos objectivos à primeira.

No entanto, isso pouco importa. Algumas das pessoas mais bem-sucedidas do mundo são as que sofreram mais fracassos. O primeiro livro do Harry Potter, de J. K. Rowling, foi rejeitado duas vezes antes de ser publicado. Michael Jordan foi expulso da equipa de basquetebol do liceu, perdeu centenas de jogos e falhou milhares de lançamentos ao longo da sua carreira. No entanto, uma vez disse: "Falhei muitas e muitas vezes na minha vida. E foi por isso que fui bem-sucedido."

Estas pessoas alcançaram os seus objectivos porque perceberam que não podemos deixar que os nossos fracassos nos definam - temos de permitir que eles nos ensinem as suas lições. Temos de deixar que nos mostrem o que devemos fazer de maneira diferente quando voltamos a tentar. Não é por nos metermos num sarilho que somos desordeiros. Isso só quer dizer que temos de fazer um esforço maior por nos comportarmos bem. Não é por termos uma má nota que somos estúpidos. Essa nota só quer dizer que temos de estudar mais.

Ninguém nasce bom em nada. Tornamo-nos bons graças ao nosso trabalho. Não entramos para a primeira equipa da universidade a primeira vez que praticamos um desporto. Não acertamos em todas as notas a primeira vez que cantamos uma canção. Temos de praticar. O mesmo acontece com o trabalho da escola. É possível que tenham de fazer um problema de Matemática várias vezes até acertarem, ou de ler muitas vezes um texto até o perceberem, ou de fazer um esquema várias vezes antes de poderem entregá-lo.

Não tenham medo de fazer perguntas. Não tenham medo de pedir ajuda quando precisarem. Eu todos os dias o faço. Pedir ajuda não é um sinal de fraqueza, é um sinal de força. Mostra que temos coragem de admitir que não sabemos e de aprender coisas novas. Procurem um adulto em quem confiem - um pai, um avô ou um professor ou treinador - e peçam-lhe que vos ajude.

E mesmo quando estiverem em dificuldades, mesmo quando se sentirem desencorajados e vos parecer que as outras pessoas vos abandonaram - nunca desistam de vocês mesmos. Quando desistirem de vocês mesmos é do vosso país que estão a desistir.

A história da América não é a história dos que desistiram quando as coisas se tornaram difíceis. É a das pessoas que continuaram, que insistiram, que se esforçaram mais, que amavam demasiado o seu país para não darem o seu melhor.

É a história dos estudantes que há 250 anos estavam onde vocês estão agora e fizeram uma revolução e fundaram este país. É a dos estudantes que estavam onde vocês estão há 75 anos e ultrapassaram uma depressão e ganharam uma guerra mundial, lutaram pelos direitos civis e puseram um homem na Lua. É a dos estudantes que estavam onde vocês estão há 20 anos e fundaram a Google, o Twitter e o Facebook e mudaram a maneira como comunicamos uns com os outros.

Por isso hoje quero perguntar-vos qual é o contributo que pretendem fazer. Quais são os problemas que tencionam resolver? Que descobertas pretendem fazer? Quando daqui a 20 ou a 50 ou a 100 anos um presidente vier aqui falar, que vai dizer que vocês fizeram pelo vosso país?

As vossas famílias, os vossos professores e eu estamos a fazer tudo o que podemos para assegurar que vocês têm a educação de que precisam para responder a estas perguntas. Estou a trabalhar duramente para equipar as vossas salas de aulas e pagar os vossos livros, o vosso equipamento e os computadores de que vocês precisam para estudar. E por isso espero que trabalhem a sério este ano, que se esforcem o mais possível em tudo o que fizerem. Espero grandes coisas de todos vocês. Não nos desapontem. Não desapontem as vossas famílias e o vosso país. Façam-nos sentir orgulho em vocês. Tenho a certeza que são capazes."


Barack Hussein Obama


Nota: Os negritos foram feitos por mim.

sábado, 6 de junho de 2009

Carta de Despedida

Queridos colegas:

Hoje é um dia de grande felicidade para todos nós.

Não só por ter sido o último dia de aulas deste ano lectivo, mas porque o mesmo encerra um importante ciclo das nossas vidas.

Hoje, nesta noite de gala, a alegria do presente cruza-se com a nostalgia do passado e a expectativa do futuro.

Afinal sempre foram muitos, os anos que passamos nesta escola da qual nos despedimos para enfrentar um novo desafio nas nossas vidas.

Entramos putos de palmo e meio e hoje saímos quase uns homens e umas mulheres. Durante este período que passou tão depressa, crescemos em altura e em maturidade. É espantoso ver como mudamos tanto ao longo destes anos.

Nesta escola passamos momentos mais que importantes da nossa adolescência.

São sentimentos que a linguagem não expressa e emoções que as palavras não sabem traduzir.

São as visitas de estudo com tantas histórias para contar; as partidas e as malandrices pregadas a colegas, funcionários e professores; as aulas; os intervalos; os estudos até queimarem as pestanas (ou não).

São também as pessoas com quem nos cruzamos.

Os colegas e amigos que aqui fizemos e com os quais partilhamos todos estes momentos de descoberta e aprendizagem.

As funcionárias e os funcionários, uns mais bem dispostos que outros, uns mais nossos amigos que outros, mas sempre presentes e sempre importantes, mesmo quando nos impediam de fazer as nossas asneiras ou de faltar aquelas aulas para quem ninguém tinha pachorra para ir.

Os professores que afinal não são apenas aquelas criaturas odiosas que querem que estudemos a sua disciplina 25 horas por dia, mas homens e mulheres que nos preparam da melhor maneira que podem e que sabem para o mundo que nos espera lá fora.

A todos agradecemos por estes anos magníficos. Certamente que a memoria não se apagará.

Estamos orgulhosos por ter pertencido a esta escola e a esta instituição, por tudo o que ela nos proporcionou na construção da nossa identidade, mas cientes que também contribuímos para o seu dinamismo, ao longo destes anos.

Nesta noite de gala, em que nos vestimos a rigor, juntamo-nos para dizer um “adeus”, que nada mais é que um “até já”, e um “boa sorte” que nada mais é que um incentivo para continuarmos a subir a montanha da vida.

É um caminho duro, é um caminho árduo, é um caminho difícil, mas é o caminho que fará de nós os homens e as mulheres que irão mudar o mundo.


Carlos Alberto Videira
5 de Junho de 2009

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Ensaio "Escolhas Racionais?"

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12º Lugar do Prémio Católica Prof. Xavier Pintado 2009 - ECOnomia


Objecto de Estudo:
Filme “The Day After Tomorrow” (“O Dia Depois de Amanhã”) do ano 2004 de ficção científica, dirigido por Roland Emmerich.

Economia e Aquecimento Global. Que Relação?
A História do ser humano é feita de decisões que a marcaram.
A Economia, estando ligada ao essencial da vida de cada um, estuda o ser humano de acordo com as suas escolhas e as suas decisões.
O filme “The Day After Tomorrow” mostra-nos que o aquecimento global é um problema que diz respeito à Economia, pois nele identificamos uma situação em que se defrontam duas alternativas e onde o ser humano terá que optar por uma delas: ou continuamos a queimar combustíveis fósseis e a poluir o ambiente sendo que os calotes irão derreter, a água doce lançada nos oceanos afectará os fluxos de ar e as correntes marítimas, pondo em causa o equilíbrio entre água doce e salgada, havendo uma dessalinização que causará o arrefecimento do planeta, ou começamos a repensar a utilização dos recursos que ainda temos, salvando o nosso planeta.
A Racionalidade na utilização dos recursos
Este problema prende-se então com a forma como utilizamos os recursos que estão ao nosso dispor.
Ora, na Economia há um conceito fundamental que nos diz de que forma devemos utilizar os recursos para evitar as terríveis consequências de problemas como o aquecimento global. Esse conceito é o da racionalidade, ou seja, recusando o desperdício, cada pessoa escolhe o que lhe parece melhor de acordo com o interesse próprio, pesando os prós, ou seja o valor, e os contras, ou seja, o custo.
Relativamente ao meio ambiente, o filme alerta-nos para o facto de o ser humano não estar a ser racional, pois ao não pagar o valor da Natureza, da água ou do sol, por exemplo, que apesar de vitais, são ainda suficientes e por isso não têm custo e são gratuitos, aceita o desperdício como algo de banal.
O ser humano tem usado a racionalidade com vista a obter o crescimento económico sem limites e continua a usar e a abusar do meio ambiente a seu belo prazer, emitindo gases tóxicos para a atmosfera. Desse modo, os “recursos não renováveis” esgotam-se e os “renováveis” tornam-se escassos.
Mas para ser racional relativamente a este fim, não é necessário usar e abusar dos recursos naturais da mesma forma que não se abusa dos recursos humanos, obrigando-os a um regime de escravatura, por exemplo.
Ser racional e consciente implica sobretudo dizer não ao desperdício.
Desenvolvimento sustentável como forma de equilíbrio
Há então um postulado fundamental da Economia que nos indica a forma como devemos responder a este problema. É o postulado do equilíbrio que neste caso concreto diz-nos que devemos trabalhar em prol de uma situação onde haja uma maior harmonia entre crescimento económico e respeito pelo meio ambiente. Esse objectivo tem um nome: desenvolvimento sustentável.
Não podemos continuar a pôr em causa o direito ao desenvolvimento das gerações vindouras ao optarmos apenas pelo crescimento económico, pois continuando a abusar dos recursos naturais ainda disponíveis, o meio ambiente sofrerá danos irreversíveis, que poderão por em causa a própria vida no planeta.
A importância e o valor do ambiente
O meio ambiente é cada vez mais uma fonte de preocupações da opinião pública mundial, sendo que se multiplicam as manifestações, os filmes, os livros e os documentários por parte de quem compreende a importância de um meio ambiente saudável para a vida na Terra.
Porém, há agentes económicas que ainda resistem a este facto e, tal como o vice-presidente norte-americano no filme, argumentam que a redução das emissões de gases poluentes custa à economia mundial centenas de biliões de dólares.
Esse argumento não é valido. O preço de não agir será maior, visto que verificar-se-á uma série de alterações no clima, que modificarão por completo o planeta Terra, fazendo surgir no Hemisfério Norte quase como que uma nova “Idade do Gelo”, sendo que milhões de pessoas terão de partir em direcção ao sul em busca de temperaturas mais amenas.
Todos sabemos que as decisões têm um valor e um custo, uma oferta e uma procura, devido à escassez, porque o ser humano tem mais necessidades do que recursos para as satisfazerem.
Assim nasce o custo, sendo que o valor das escolhas é o custo do que não escolhemos e da satisfação que cada pessoa tira do uso da sua opção para satisfação das suas necessidades.
Na definição do custo de não actuar perante os graves desequilíbrios que o ambiente apresenta, há que ter em conta os problemas ecológicos das externalidades que a produção de bens e serviços cria, e que apesar de não serem contabilizadas, são identificáveis e afectam a sociedade, reduzindo o seu bem-estar, objectivo principal da ciência económica.
Imagine-se, no cenário que o filme apresenta, com fortes nevões na Índia, tempestades de granizo do tamanho de bolas de golfe, ciclones devastadores, tornados enormes e furacões violentíssimos, os elevados custos que advirão desses fenómenos. Imagine-se os custos avultadíssimos que os acidentes rodoviários, a queda de aviões, a destruição de edifícios e a devastação das cidades que lançariam o caos nas populações, obrigadas a ser evacuadas em massa, significariam na economia mundial.
Conclusão – internalização dos valores ecológicos nos valores económicos
Talvez seja de repensar a falha do mercado que constitui o facto do produtor não pagar o custo dos recursos naturais quando há um preço diferente do verdadeiro valor dos mesmos.
Sabemos que é impossível recuar no desenvolvimento para dar primazia ao ambiente, daí que seja necessário um ponto de equilíbrio que constitua uma solução comum, incutindo e internalizando na sociedade e nos agentes económicos o respeito pelo valor do ambiente, através das três formas de tomar decisões em Economia.
Através da tradição dever-se-á incutir na sociedade uma educação ambiental segura e eficaz, capaz de criar novos hábitos sensíveis aos valores ecológicos.
Por outro lado, o Estado, deverá fazer uso da autoridade, através de regras e leis por exemplo, a fim de penalizar quem não respeite uma utilização racional e equilibrada dos recursos, elevando estes se necessário à categoria de bens públicos, fixando impostos e taxas para a sua utilização.
Por fim, se estas práticas forem levadas a cabo com sucesso, dever-se-á deixar que o mercado funcione e que a livre escolha dos agentes económicos tenha em conta os valores ambientais, preservando assim o planeta e a vida do ser humano.

Bibliografia:
NEVES, J. C., “O que é a Economia?”, Principia, 2003;
NEVES, J. C., “O Estranho Caso do Livro de Economia: Uma Investigação Económico-Criminal de Dick Shade”, Verbo, 1996;
PAIS, M. J. e outros, “Economia A – 11º ano”, Texto Editores, 2008;

Carlos Alberto Videira
João Pedro Fernandes

sábado, 9 de maio de 2009

“Acção Social em Caminha” em debate


Um colóquio organizado por um grupo de alunos de Sociologia da Ancorensis, Cooperativa de Ensino, juntou várias personalidades ligadas ao trabalho social.

Esta iniciativa, inserida no trabalho de projecto de Sociologia de um grupo de alunos do 12ºF, teve lugar na última sexta-feira, dia 8 de Maio, pelas 21h30 no Salão Nobre do Centro Cultural de Vila Praia de Âncora.

Carlos Alberto Videira que assegurou a apresentação deste colóquio e organizou a iniciativa juntamente com os seus dois colegas de grupo, Adriana Lopes e Tiago Brás, referiu que o objectivo do debate era dar a conhecer a importância do trabalho social como forma de atenuar as desigualdades e no qual há que contar com todos os quadrantes da comunidade local: freguesias, município, Igreja, IPSS, escolas, empresas, etc.

Entre os oradores presentes na mesa, a Prof. Celeste Araújo falou em nome da Ancorensis e referiu a importância do papel da escola no auxílio aos alunos com mais dificuldades e às suas respectivas famílias.

O Dr. Pedro Giestal da Santa Casa da Misericórdia de Caminha, IPSS que se aproxima a passos largos de completar 500 anos, falou um pouco da história desta instituição, referiu as suas valências, os seus projectos e os desafios que se colocam neste momento.

Já o Pe. João Baptista referiu que apesar de todas as criticas que são feitas, os pobres sempre foram a prioridade da Igreja ao longo dos seus 2000 anos de existência.

O Dr. Manuel Marques, Presidente da Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora, falou da importância das freguesias no trabalho social e que por vezes é esquecida, sendo que por sua vez, o Vereador da Acção Social da Câmara Municipal de Caminha, Dr. Paulo Pereira, falou da Rede Social e das suas prioridades: a educação/formação/emprego, equipamentos e respostas sociais; combate ao alcoolismo e à toxicodependência e a habitação. O vereador informou ainda os presentes acerca daquilo que está a ser feito para combater estes problemas.

Na assistência estavam ainda a Dra. Isabel Tristão, advogada do Projecto Recomeçar, alguns membros da Conferência Vicentina de Vila Praia de Âncora e o Sr. José Luís da ACIVAC que tiveram também a oportunidade de intervir e falar em nomes das entidades que representavam.

sábado, 2 de maio de 2009

Uma Semana Positiva

Hoje, gostava de partilhar convosco as experiências vivivas nestes últimos dias no âmbito da "Semana +" dinamizada na Cooperativa de Ensino Ancorensis. Uma semana que decorreu de 27 a 30 de Abril, período durante o qual praticamente não houve aulas, mas que foi imensamente enriquecedor.

A minha semana começou com a preparação da "Exposição porDarfur" que abriu ao público às 14h30 de segunda feira. A exposição esteve aberta até quinta feira, durante a qual as turmas tinham a oportunidade de fazer uma visita guiada onde podiam contactar com várias fotos, vídeos e outros materiais relativos ao Darfur e onde podiam igualmente adquirir algu produtos para recolha de fundos. Por esta exposição passaram também nomes como o Dr. Fernando Nobre e o Dr. Pinto da Costa.

A terça foi sem dúvida o grande dia! Vestido a rigor, assisto durante breves instantes à Palestra "Mitos e Factos" organizada por um grupo de colegas que se tem dedicado ao estudo das ciências forenses e na qual tiveram a honra de contar com o Dr. Pinto da Costa que revelou uma grande empatia com o público. O telemóvel toca pelas 11h00. Era o Dr. Fernando Nobre, Presidente da Fundação AMI e um dos homens que mais admiro. Atendo e do outro lado a sua voz diz-me: "Sou o Fernando. Estou a chegar!"

Apresso-me a chamar o Prof. Cerqueira Rodrigues, Presidente da Direcção Pedagógica da Ancorensis, para o irmos receber e passados 10 minutos vejo-o chegar numa carrinha com os dizeres da AMI. A conduzir vem o Dr. João Sousa, Chefe da Delegação Norte. Cumprimento-os e fico a saber que o Dr. Fernando Nobre acordara pelas 6h da manhã para apanhar o comboio até ao Porto. Havia chegado há pouco tempo do Mali e preparava-se para dentro de dias se deslocar à Guiné. O homem não pára, mas teve tempo para nos vir dar o seu testemunho e satisfazer o desejo de conhecer Caminha, terra da sua avó paterna.

Convido-os a irem até ao bar tomar qualquer coisa e levo-os até à nossa exposição, quando me liga o Pe. Leonel Claro da Plataforma porDarfur. Por volta das 12h está tudo a postos. Começa a sessão. Faço a minha intervenção, ouço os nossos ilustres convidados enquanto o tempo voa. Tinha lado a lado duas pessoas com uma experiência de vida impressionante.

Após a conferência acompanho os convidados à porta e o Dr. Paulo Pereira, Vereador da Câmara Municipal de Caminha e voluntário da AMI que acabava de conhecer o seu "antigo patrão" como a ele se referiu, convida a delegação da AMI a ir almoçar até Caminha e a conhecer um pouco a vila. Eu e o presidente da Direcção Pedagógica também os acompanhamos a seu convite. Durante o almoço dirigiu-me algumas palavras olhos nos olhos que não esquecerei nunca: "Na tua idade não te podes acomodar", "Já dizia um político irlandês que para o mal vencer só é preciso que o bem não faça nada!". O almoço é rápido, porque o Dr. Fernando Nobre ainda queria apanhar o comboio no Porto pelas 16h30 para ver se conseguia jantar em família. Cumprimento-o pela última vez, agradecendo o seu esforço para responder ao meu convite. Pelas 17h ainda me voltou a ligar acerca de uma obra que um professor da escola lhe disponibilizou.

Quarta feira foi dia de futebol. Lançamos o desafio aos professores: queremos fazer um jogo entre a nossa turma e os professores pelo Darfur. Houve muitos receios da sua parte, mas no fim lá aderiram e tudo correu às mil maravilhas. O presidente da direcção deu o pontapé de saída e o jogo foi uma momento de grande diversão onde alunos e professores brincaram e gozaram do momento, com algumas malandrices e traquinices de parte a parte mas sem nunca quebrar o respeito necessário para que tudo corresse bem. Apesar de tudo, a idade não perdoa e os alunos venceram por 3-2 com um golo meu.

Na quinta feira realizei a minha última acção à qual chamei "Gritos". Face à ausência de convidados fui o único orador. Dei a conhecer a região, o conflito e aquilo que me move. Termino com duas citações: António Gedeão (“O sonho comanda a vida, e sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança.”) e Saint-Exupéry (“Ninguém tem o direito de matar ninguém porque ninguém sabe os sonhos que estão no fundo dos olhos de cada um de nós.”) para explicar aos meus colegas que os níveis de conforto a que estamos habituados devem-se a homens que usaram sonhar mais e melhor e que por isso não temos o direito de matar os homens e os seus sonhos, porque assim estamos a acabar com a nossa possibilidade de continuar a sonhar e a progredir.

Abro o espaço às perguntas e alguém diz: "Quando disseste que achas que já conseguiste fazer algumas coisas bonitas, de que estavas a falar?" Respondo: "Dei a conhecer esta tragédia, entrei para Amnistia Internacional, conheci pessoalmente a Dra. Ana Gomes e o Dr. Fernando Nobre, tive vários contactos por telefone com D. Ximenes Belo, juntei professores e alunos num jogo de solidariedade, consegui juntar alguns fundos para enviar para aquela população, e hoje tenho a certeza, que daqui a um tempo quando vocês ouvirem falar novamente no Darfur irão dizer: «Quando eu andava na Ancorensis havia lá uns parolos que andavam sempre a falar no Darfur»".

A acção termina, recebo os parabéns por uma semana recheada de emoções e desloco-me até às salas onde uns colegas dinamizavam uma recolha de sangue, na qual participei com muito gosto. Assisto a mais alguns colóquios sobre segurança e emprego e visito a Feira do Livro e algumas exposições acerca do 25 de Abril, de Vila Praia de Âncora e da criminologia.

Desmonto a exposição, já que segunda-feira voltam as aulas, vou a casa tomar banho e jantar e chego mais cedo para assistir ao Sarau Cultural. Sou resgastado por uma professora para a "ajuda de palco". Basicamente a minha função era abrir e fechar cortinas. Mas como descobri naquela noite, até para isso é preciso ter classe. Acabei por fazer algumas brincadeiras para animar a festa. Depois de uma semana daquelas tinha que haver um encerramento à altura.

Alguns professores riam-se e diziam-me: "Estás possuído", "Olha a reputação que tu já ganhaste nesta escola", "Quem te viu na terça e quem te vê aqui!". Tinham alguma razão no que diziam. Mas tinha passado uma semana inteira a falar de Direitos Humanos, porque acredito na sua importância. E acredito também que depois do direito à vida, não há direito mais importante que o direito à felicidade, apesar do mesmo só ser contemplado na Constituição dos Estados Unidos da América. Naquela hora a alegria estava espalhada. Será que alguém ainda duvida da sua importância nos tempos em que vivemos?


PS:
Um agradecimento especial a todos que no decorrer desta semana me dirigiram várias palavras de apoio e de congratulação e à
Success Photography que fez a cobertura total das minhas actividades e não só!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Solidariedade junta Alunos e Professores em Jogo de Futebol

Da esquerda para a direita em cima: Luís Verde, Prof. Nelson Pereira, Prof. Basílio Barbosa (Árbitro), Prof. Carlos Cunha, Carlos Alberto Videira, Prof. Liliana, Prof. João Cambão (GR), Tiago Brás (GR), João Pedro Fernandes, Daniel Pires, Filipe Leitão, Prof. Gil Fonte (Árbitro).
Da esquerda para a direita em baixo: Prof. Rui Pedro Caramez, Adriana Lopes, Maria Alexandra Verde, Prof. Liliana Silva, Prof. Daniel Dias.


O grupo de alunos do 12º F que tem trabalho na área dos Direitos Humanos, levou a cabo nesta quarta-feira mais uma iniciativa de solidariedade no decorrer da "Semana +": tratou-se de um jogo de futebol que reuniu Professores e Alunos do 12º F.

O jogo decorreu no Pavilhão Municipal de Vila Praia de Âncora pelas 13h30 e contou com a presença do Prof. Cerqueira Rodrigues, Presidente da Direcção Pedagógica da Cooperativa de Ensino Ancorensis, que em jeito de brincadeira, deu o pontapé de saída.

Perante umas bancadas relativamente compostas e muito animadas, os intervenientes no jogo proporcionaram um excelente momento de confraternização e de alegria, apesar de todas as críticas feitas ao trabalho dos árbitros (Prof. Gil Fonte e Prof. Basílio Barbosa) que apesar de tudo, também aderiram à festa.

No final, o resultado foi de 3-2 favorável à equipa dos alunos, que marcaram por intermédio de Carlos Alberto Videira (1) e Daniel Pires (2). A Prof. Liliana Silva e o Prof. Daniel Dias apontaram os tentos de honra da equipa dos professores.

Mas mais importante que o resultado foi, sem dúvida, o excelente ambiente vivido, apesar de alguns receios iniciais, em prol de uma causa nobre.

"Testemunhos porDarfur” pela esperança

Foto de Família
Da esquerda para a direita: Dr. Paulo Pereira, Vereador da Câmara Municipal de Caminha e Voluntário da Fundação AMI; Prof. Rui Pedro Caramez, Professor de Área de Projecto; Pe. Leonel Claro, Plataforma porDarfur e Missionário Comboniano; Carlos Alberto Videira; Tiago Brás; Luís Verde; Prof. Cerqueira Rodrigues, Presidente da Direcção Pedagógica da Cooperativa de Ensino Ancorensis; Adriana Lopes.


No âmbito da “Semana +” dinamizada pela Ancorensis, foi levada a cabo mais uma acção de sensibilização pelo Darfur na última quarta-feira, dia 28 de Abril, e que contou com a presença do Dr. Fernando Nobre, Presidente da Fundação AMI.

A iniciativa foi levada a cabo pelo mesmo grupo de jovens que no passado dia 28 de Fevereiro tinha realizado a Palestra “SOS Alerta Direitos Humanos” e que havia contado com a presença da Eurodeputada Ana Gomes.
Desta feita, foi a vez do Pe. Leonel Claro, Missionário Comboniano da Plataforma porDarfur e do Dr. Fernando Nobre, Presidente da AMI virem até Vila Praia de Âncora falar de uma realidade que conhecem muito bem.
A acção de sensibilização começou pelas 11h50 na Biblioteca da Ancorensis, Cooperativa de Ensino e dirigiu-se a vários alunos e professores do Ensino Secundário.
O Prof. Cerqueira Rodrigues, Presidente da Direcção Pedagógica da escola, foi o primeiro a usar da palavra para dar as boas vindas a todos os presentes, seguindo-se o Dr. Paulo Pereira, que saudando o grupo organizador, não escondeu a sua satisfação por lhe ter sido dada a oportunidade de conhecer pessoalmente o Dr. Fernando Nobre, visto que foi voluntário da AMI, tendo integrado uma missão a Cabo Verde em 2002 ao serviço da mesma.
Depois, foi a vez de Carlos Alberto Videira intervir em nome do grupo organizador, referindo que a questão do Darfur é uma causa muita querida ao mesmo e por isso farão tudo o que está ao seu alcance para sensibilizar toda a comunidade escolar e local para as consequências de um conflito que se arrasta há demasiado tempo.
Posteriormente, o Pe. Leonel Claro falou da sua experiencia de 10 anos como missionário no Chade, país que faz fronteira com o Darfur e tem inúmeras semelhanças com o mesmo. Depois falou do grupo Fé e Missão que esteve na génese da criação da Plataforma porDarfur, que pretende “semear a esperança” numa região que neste momento “parece não ter futuro”.
Por fim, o Dr. Fernando Nobre manifestou-se agradado por, pela primeira vez, estar no concelho de Caminha, terra de muitos dos seus antepassados, para depois falar de algumas das suas experiências que acumulou ao longo de 35 anos de trabalho humanitário durante os quais esteve em “mais de 150 países”, numa primeira fase ao serviço dos Médicos Sem Fronteiras, e depois na AMI.
Relativamente ao Darfur, o presidente e fundador da AMI, lembrou outros genocídios que a comunidade internacional ignorou e ignora apesar do slogan “Nunca Mais”, falando posteriormente das três ocasiões em que esteve na região (1981, 1983 e 2004). Fernando Nobre disse que infelizmente “o Ocidente perdeu toda a autoridade moral para acusar seja quem for” porque “tem um peso e duas medidas” quando os interesses económicos e petrolíferos assim o exigem, sendo que o facto do Presidente Bush ter sido dos primeiros a usar o termo genocídio para classificar aquilo que se estava a passar no Darfur “foi um desastre, pois ele era a última pessoa que o poderia fazer depois de invadir o Iraque” onde já morreram entre 300 mil a 1,2 milhões de pessoas.
Antes de terminar, Fernando Nobre apelou ainda aos jovens para que não se acomodem e para que sejam activos e participativos na construção de um mundo melhor.

terça-feira, 28 de abril de 2009

"Testemunhos porDarfur" - Intervenção

Intervenção de Carlos Alberto Videira, representante do grupo organizador

Caro Pe. Leonel Claro;
Caro Dr. Fernando Nobre;
Caros Colegas;
Caros Professores;

Sejam todos muito bem vindos a esta Acção de Sensibilização acerca do drama humanitário do Darfur, onde desde 2003 assistimos a um número sem fim de violações dos Direitos Humanos e assassinatos em massa, perante a inércia e a indiferença da Comunidade Internacional.
Direitos Humanos: expressão tão citada, mas que permanece desconhecida para muitos; ideal tão básico, mas que ainda parece uma utopia em tantos casos.
Falo-vos em nome do grupo de jovens que leva a cabo esta iniciativa, e que não se resigna com tal facto. Falo-vos em nome de um grupo de jovens que não se resigna perante a ideia de que não existe uma solução para os problemas que afectam a Humanidade. Falo-vos em nome do grupo que acredita na possibilidade de contrapor à indiferença e à intolerância com a esperança, a alegria, a vontade de agir e a vontade de aprender.
Nós acreditamos, que através de gestos concretos, como este que hoje organizamos, é possível fazer do mundo um lugar mais habitável para todos.
Por mais pequeno que seja o nosso gesto, tal como diz o lema da Amnistia Internacional: “Mais vale acender uma vela, do que maldizer a escuridão!”
Nós acreditamos na importância dos Direitos Humanos.
A nossa era, aquela em que mais se valoriza os Direitos Humanos, corresponde à era de maior desenvolvimento da Humanidade. Não nos parece que estes factos estejam dissociados.
Porém, restam fracassos que põem esse mesmo desenvolvimento em risco e impedem um progresso maior.
E um dos maiores fracassos que deveria envergonhar profundamente o mundo inteiro é o genocídio que ocorre neste momento no Darfur, e que representou para nós “o despertar” para a problemática dos Direitos Humanos. Não descansaremos enquanto a paz não chegar ao Darfur.
Este conflito é a prova que pouco ou nada aprendemos com os erros do passado e com a História recente; este conflito é a prova que pouco ou nada aprendemos com o Holocausto, com a Bósnia ou com o Ruanda.
O desconhecimento e a suposta ignorância não podem continuar a servir como desculpa para a inércia da comunidade internacional.
No fundo, acreditamos também que estudamos História, para aprendermos a não nos matarmos uns aos outros e a respeitarmo-nos, independentemente das nossas diferenças, procurando sempre em primeiro lugar aquilo que nos une, e só depois aquilo que nos divide.
Escandaliza-nos que a palavra Darfur ainda soe desconhecida a tanta gente. Escandaliza-nos que a situação humanitária mais grave do século XXI seja uma das menos conhecidas dos cidadãos de todo o mundo, incluindo os portugueses.
O nosso desafio é que no final deste ano lectivo não haja ninguém que não tenha ouvido pelo menos uma vez a palavra Darfur e não saiba o que se está a passar naquela região do Sudão.
E já que há pouco falei em História, pensemos também na forma como, daqui a 50 anos, olharemos para os nossos dias e como seremos julgados pelos nossos filhos.
O mundo está perigoso!
Enfrentamos a crise económica mais grave desde 1929, deparamo-nos com alarmantes desequilíbrios ambientais, conflitos fratricidas sem uma solução à vista, níveis preocupantes de pobreza extrema e regimes ditatoriais que perduram apesar de todas as preocupações com o Direito Internacional.
Acrescentemos a tudo isto a limpeza étnica em curso no Darfur desde 2003 e pensemos nas pessoas que sofrem na pele dia após dia os horrores de um genocídio: os assassinatos em massa, as destruições de aldeias inteiras, as violações…
O tempo esgotou-se. Temos que tomar em mãos a tarefa de acabar com este genocídio se queremos obter um julgamento favorável por parte dos nossos filhos e dos nossos netos.
Por isso lutamos com as armas que estão ao nosso dispor: acreditamos no poder da divulgação contra o desconhecimento e a ignorância e no poder da acção perante a indiferença.
São estes os nossos Deveres Humanos.
Usar a nossa voz para que as pessoas conheçam as consequências de dramas com a dimensão do conflito do Darfur, para que não se ignore que milhões de seres humanos vivem em campos de refugiados dependentes de ajuda alimentar, para que se saiba que no Darfur há uma geração de crianças que ainda não sabe o que é a paz, para que se saiba que sempre que as mulheres vão em busca de água ou de lenha se deparam com a ameaça de ser violadas por uma milícia Janjaweed.
E depois passar à acção: todos nós podemos fazer algo pelo Darfur, seja pela assinatura de petições, seja pela doação de fundos ou pela colaboração com Organizações Não Governamentais, há muitas formas de intervir.
Estamos ainda no início deste século XXI.
Não podemos mudar o passado mas temos um longo caminho a percorrer, seja no que diz respeito ao Darfur, seja no que diz respeito a outras violações dos Direitos Humanos.
O futuro está nas nossas mãos e assumimos que queremos que este século seja diferente: não seremos objectos de destruição e violência, nem cúmplices dos que serão, defenderemos a paz e os Direitos Humanos pagando em pessoa se necessário. Não nos resignaremos a um mundo em que outros seres humanos morram de guerras, pobreza ou fome. Defenderemos a dignidade de todo e qualquer ser humano lutando com todas as nossas energias para fazer da Terra um planeta mais habitável para todos.
Esta não é uma aventura impossível!
Não é admissível que a Humanidade que envia instrumentos para outros planetas a fim de estudar as suas formações rochosas não tenha uma solução para estes problemas que hoje enunciamos.
É hora de redefinirmos as nossas prioridades! Não podemos continuar mais próximos de Marte que dos nossos semelhantes que sofrem seja no Darfur, seja noutro ponto qualquer do planeta.
Com a recente expulsão de várias organizações de ajuda humanitária do Darfur na sequência da acusação do TPI ao Presidente Omar Al-Bashir por crimes de guerra e crimes contra a Humanidade, a situação é preocupante.
Se, desse modo, a questão do Darfur é de difícil resolução?
Sim, é difícil. Não é caso para esconder a ninguém.
É difícil, mas felizmente temos ao nosso dispor toda a tecnologia e todos os recursos necessários para acabar com as violações dos Direitos Humanos nesta região do Globo.
Esta é uma tarefa que urge e que nos interpela.
Se tivermos a determinação a paz é possível e um Darfur livre será uma realidade.
Juntem-se a nós!
Muito obrigado a todos.

Carlos Alberto Videira
28 de Abril de 2009

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Carta a um professor

Há tempos publiquei neste blog alguns excertos de uma suposta carta que o grande presidente Abraham Lincoln entregou ao professor primário de um dos seus filhos. Por um acaso, encontrei hoje a versão completa dessa carta que aqui partilho convosco. A carta é de um conteúdo notável e orientador para pais, encarregados de educação, professores e formadores, porque de facto é na educação que se lançam as bases do futuro do nosso mundo. Não admira, que mesmo republicano, Lincoln seja uma das maiores referências do actual Presidente Obama.


"Caro Professor

Ele terá que aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, por cada vilão há um herói, que por cada egoísta, há também um líder dedicado, ensine-lhe por favor que por cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada, ensine-o a perder, mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso, faça-o maravilhar-se com os livros mas deixe-o também perder-se com os pássaros do céu, as flores do campo, os montes e os vales.

Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos. Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.

Ensine-o a ouvir a todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando está triste, e explique-lhe que por vezes os homens também choram. Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.

Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.

Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e também fé em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.

Eu sei que estou a pedir muito, mas veja o que pode fazer, caro professor. "


Abraham Lincoln, 16º Presidente dos EUA

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Direitos Humanos em Debate


O Centro Cultural de Vila Praia de Âncora foi palco neste sábado de uma acção de sensibilização intitulada de “SOS Alerta Direitos Humanos” e que contou com a presença da Eurodeputada Ana Gomes.


A iniciativa foi promovida por um grupo de jovens da Cooperativa de Ensino Ancorensis que, no âmbito da sua actividade curricular de 12º ano, está a trabalhar o tema do drama humanitário do Darfur, tendo já realizado várias iniciativas. Assim, procuram chamar a atenção da comunidade escolar e local para o conflito fratricida que afecta esta região do Sudão.

Á entrada para o auditório, os participantes tiveram a oportunidade de assinar um livro de visitas e adquirir algum material promocional alusivo ao evento.

A sessão começou com a leitura de alguns dos 30 artigos que compõem a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Depois seguiu-se a intervenção do Prof. Cerqueira Rodrigues, Presidente da Direcção Pedagógica da Cooperativa de Ensino Ancorensis que se congratulou com tal iniciativa e com o espírito activo do grupo que a levou a cabo, reforçando em conclusão de que “o capital humano constitui a grande mais valia desta cooperativa de ensino” sobretudo neste momento de crise.

De seguida o Dr. Paulo Pereira, Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Caminha, partilhou com os presentes a sua experiência de voluntário na Fundação AMI ao serviço da qual está ligado e onde já integrou uma missão no arquipélago de Cabo Verde, destacando de seguida a importância dos municípios em questões ligadas ao bem estar das populações sobretudo na assistência à infância, à terceira idade e às pessoas com maiores necessidades.

Posteriormente foi a vez de Carlos Alberto Videira intervir em nome do grupo de jovens que levou a cabo esta iniciativa. Ao longo do seu discurso eloquente feito com uma segurança digna de um prelector consagrado e que mereceu rasgados elogios de todos os que presenciaram o evento, o jovem deu a conhecer o porquê desta iniciativa, referindo a importância do alerta em relação ao desrespeito pelos Direitos Humanos, sobretudo no Darfur. Nesta zona de África, ocorre um grave genocídio perante a passividade da Comunidade Internacional. Carlos Alberto Videira fez ainda referência à indiferença que corrói a Sociedade Civil indicando que deve ser a escola a incutir desde a infância a consciência de que a resolução dos problemas que afectam o planeta, passa por todos.

O Prof. Luís Braga da Direcção da Amnistia Internacional deu a conhecer um pouco melhor a sua organização e o drama que afecta o Darfur, contextualizando a situação e fazendo referência aos 300 mil inocentes mortos, aos 2,4 milhões de desalojados e à utilização da violação como uma arma de guerra, apesar do recente acordo de intenções de paz assinado a 17 de Fevereiro entre o Governo do Sudão e um dos movimentos rebeldes do Darfur.

Para finalizar a Eurodeputada Ana Gomes falou sobre a missão que integrou ao Darfur em 2004 como observadora do Parlamento Europeu, referindo que não tinha, após os relatos que ouviu e as situações a que assistiu, qualquer hesitação em chamar de genocídio ao que se está no Darfur.

A Eurodeputada congratulou-se também com a mobilização que foi feita para se falar de Direitos Humanos “num sábado de manhã” e alertou para a importância da Defesa e da Segurança como questões essenciais para garantir o respeito pelos Direitos Humanos.

Segundo alguns testemunhos por parte das pessoas que assistiram ao evento e do grupo de jovens organizadores, o balanço foi muito positivo e extremamente gratificante para todos. O Prof. Caramez (responsável pedagógico do projecto) concluiu esta avaliação da sessão, dizendo que é sempre um orgulho e uma alegria muito grande desenvolver projectos com alunos empenhados, trabalhadores e que nos fazem acreditar neste processo ensino aprendizagem, em que todos aprendemos.


Cooperativa de Ensino Ancorensis

"SOS Alerta Direitos Humanos" - Intervenção


Exmo. Sr. Presidente da Direcção Pedagógica da Cooperativa de Ensino Ancorensis, Prof. Cerqueira Rodrigues;
Exmo. Sr. Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Caminha, Dr. Paulo Pereira;
Exmo. Sr. Coordenador do Grupo Local da Amnistia Internacional de Viana do Castelo, Prof. Luís Braga;
Exma. Sr.ª Eurodeputada, Dra. Ana Gomes;
Caros Colegas;
Caros Professores;
Caros Pais e Encarregados de Educação;
Minhas senhoras e meus senhores:

Em nome do grupo de trabalho que levou a cabo esta iniciativa agradeço a todos a vossa presença dizendo que a mesma é um motivo de honra para quem muito se esforçou para a poder levar a bom porto.
Hoje podemos dizer que valeu a pena. Aliás, vale sempre a pena!
No início deste ano lectivo, eu e os meus colegas deparamo-nos com uma nova disciplina designada de Área de Projecto, onde nos era pedido que escolhêssemos uma temática sobre a qual nos iríamos debruçar ao longo do ano e realizar algumas iniciativas relativamente à mesma.
Na nossa primeira conversa de grupo, unia-nos o desejo de fazer não só um bom trabalho, mas também algo de socialmente útil.
Vivemos tempos de crise e na procura de uma solução para os nossos problemas esquecemo-nos com mais frequência dos mais desafortunados, daqueles que têm sido deixados para trás no processo de desenvolvimento e que sofrem dia após dia.
O Papa Paulo VI escreveu em 1967 a todos os “homens de boa vontade” que se o desenvolvimento se tinha tornado no novo nome da paz todos deveríamos trabalhar em prol do mesmo.
Constatamos então que a simples ausência de guerra, apesar de tão desejada, não é sinónimo de paz. Não há verdadeira paz, se não vier acompanhada de justiça, de solidariedade, de igualdade, de respeito e de verdade.
Concluindo, não há verdadeira paz se os Direitos Humanos não forem respeitados escrupulosamente!
Em 1945, após a II Guerra Mundial, o mundo estava em ruínas. O ser humano deparava-se perante um terrível cenário de destruição física e moral após aquele período negro da História.
Três anos depois, em 1948, a Comunidade Internacional adoptava a Declaração Universal dos Direitos Humanos e em 30 artigos assumia um compromisso: o de zelar pelos princípios básicos de todo e qualquer ser humano em qualquer tempo e lugar.
Olhando para o nosso mundo cerca de 60 anos depois, verificamos que ainda não assumimos este compromisso por completo e que a temática dos Direitos Humanos continua actual.
Por um lado constatamos com alegria o facto de vivermos numa era em que nunca como hoje se valorizou tanto os Direitos Humanos. Um dos maiores exemplos disso mesmo é a existência de uma extensa rede de Organizações Não Governamentais e de Instituições Particulares de Solidariedade Social que dão um grande impulso à acção dos governos nacionais na manutenção do Estado Social, agindo em situações de emergência, criando condições para a eliminação de muitas desigualdades, retirando muitas famílias de situações de pobreza, alertando para o incumprimento dos Direitos Humanos e promovendo a inclusão social e a melhoria da qualidade de vida de muitas populações.
Mas por outro lado, o relatório de 2008 da Amnistia Internacional diz-nos que ainda há pessoas torturadas ou maltratadas em 81 países, que enfrentam julgamentos injustos em 54, e que são proibidas de se expressar livremente em 77.
E esta questão não se esgota aqui: ao longo dos anos, inclusive em Portugal, assistimos ao derrube de regimes ditatoriais que oprimiam e espezinhavam os direitos, as liberdades e as garantias das populações, através da censura, da tortura e outros tipos de violações que os mais velhos se lembrarão. Mas a democracia que veio substituir estes regimes e assegurou esses direitos tem também falhado noutras questões não menos fundamentais em relação aos Direitos Humanos. Não será tão violento prender uma pessoa pelo seu pensamento e pela sua ideologia como despedi-la pela sua idade como vemos acontecer à nossa volta a dezenas de pessoas?
Por tudo isto achamos que seria importante abordar os Direitos Humanos no nosso trabalho de Área de Projecto. Mas como vimos, esta temática é tão extensa e tão complexa que tivemos que definir bem qual seria a nossa área de trabalho.
Escolhemos o drama humanitário do Darfur.
Porquê?
Como já vimos a temática dos Direitos Humanos é extensa e os problemas relacionados com ela também, mas a comunidade internacional e a opinião pública mundial vão estando mais ou menos atentas pondo ocasionalmente os pontos em questão em cima da mesa.
Mas parece-nos também que nestas questões há um limite, que não admite indiferença, falhas nem desculpas: e esse limite é o genocídio, a limpeza étnica.
Todos nos escandalizamos com o que aconteceu a judeus e não só durante o Holocausto mas parece que não aprendemos nada. O mesmo já se passou na Bósnia, no Ruanda e acontece desde 2003 no Darfur perante a nossa passividade.
Aliás, a palavra Darfur ainda soa desconhecida a muita gente. Ou seja, paradoxalmente a situação humanitária mais grave do século XXI é ao mesmo tempo uma das menos conhecidas dos cidadãos de todo o mundo, incluindo os portugueses.
Propusemo-nos então a um desafio enorme: fazer com que no final deste ano lectivo não houvesse ninguém que não tivesse ouvido falar no Darfur, para que dentro de anos quando os nossos filhos olharem para trás, para este triste episódio da Humanidade, ninguém da comunidade escolar e local pudesse dizer que não sabia.
O desconhecimento e a suposta ignorância já serviram como desculpa no Ruanda para a inércia da comunidade internacional.
Não aceitamos que o mesmo se passe no Darfur e então procuramos fazer aquilo que está ao nosso alcance: divulgar, por a pessoas a pensar no que está a acontecer e incentivá-las a agir dentro do possível, a passar a palavra, a estarem atentas ao pouco que vai saindo nos media acerca deste conflito e a participarem nas iniciativas promovidas pela Plataforma porDarfur em Portugal.
Sabemos que não seremos nós a levar a paz ao Darfur porque não temos poder para tal, mas dentro do nosso campo de acção há sempre algo que podemos fazer e que é da nossa responsabilidade. Por mais pequeno que seja o nosso acto, terá sempre algum efeito.
E assim ficaremos com a consciência tranquila de que pelo menos não foi por nós que a situação se manteve na mesma. Porque ninguém faz menos, do que quem não faz nada por pensar que pode fazer pouco!
E assim chegamos ao dia de hoje e a esta iniciativa, onde pretendemos lembrar o Darfur em particular por ser o tema do nosso trabalho e pela gravidade da situação apesar do bom augúrio que constitui o recente acordo de intenções de paz entre o Governo do Sudão e um dos movimentos rebeldes do Darfur. É algo que nos enche de esperança.
Mas sabemos que os Direitos Humanos não se cingem apenas a esta região do globo. Não se cingem também ao Médio Oriente, ao Iraque, ao Afeganistão, ao Zimbabué ou ao Congo. Não se cingem também apenas a China ou a Guantanamo. Não se cingem também às imagens trágicas que nos chegam volta e meia do continente africano.
Os Direitos Humanos passam também por Vila Praia de Âncora, passam por Caminha, passam por Portugal… Passam pelo mundo inteiro.
Todos estes casos que enumerei antes, são situações dramáticas que exigem uma solução rápida e eficaz mas não são a base do problema do desrespeito pelos Direitos Humanos.
E é essa base que é necessária encontrar para que casos como estes não se repitam.
A actual crise mundial que nos assola acentuou em muitos o pessimismo e a descrença. Nós achamos que sim, de facto o mundo precisa de levar uma grande volta em muitos aspectos, mas que isso só acontecerá se cada um de nós der o seu contributo, fazendo parte da solução e não apenas do problema.
Quando tivemos a ideia de realizar esta iniciativa com a presença da Sr.ª Eurodeputada Ana Gomes e quando tivemos a confirmação da sua presença, que muito nos honra, sem qualquer sombra de dúvida, informamos o Prof. Cerqueira Rodrigues como Presidente da Direcção Pedagógica da escola.
Ele e outros professores congratularam-se com a iniciativa, deram-nos os parabéns mas alertaram-nos de um outro factor a ter em conta: o da mobilização.
O último mês foi uma autêntica batalha para fazer a divulgação da sessão, conseguir apoios, contactar a comunicação social e as associações da região.
Ao olhar para esta plateia, sentimos que valeu a pena!
Mas o trabalho que tudo isto implicou, levou-nos à descoberta da base do problema do desrespeito pelos Direitos Humanos.
E a base do problema é a indiferença que corrói a nossa Sociedade Civil.
Encontrada a base do problema, ousamos indicar aquele que será para nós a base da solução e da qual queremos fazer parte: a escola.
É necessário que se compreenda que na base de tudo para resolver os problemas que afectam o mundo está a Educação e sobretudo a Educação para a Cidadania, para que desde a infância haja uma maior sensibilização para estes temas.
Torna-se fundamental, incutir desde muito cedo nas crianças e nos adolescentes a consciência de que a resolução dos problemas que afectam a nossa rua, a nossa escola e a nossa freguesia, passam também por nós.
Envolvendo pais e encarregados de educação nesta tarefa acreditamos que é possível um mundo melhor!
Porque se falamos tanto na necessidade de deixar um mundo melhor aos nossos filhos, também é necessário deixar filhos melhores ao nosso mundo.
O nosso grupo de trabalho tem vindo a fazer o que está ao seu alcance: assinalamos o Dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos a 10 de Dezembro e o Dia da Lembrança das Vítimas do Holocausto a 27 de Janeiro.
E contamos fazer mais.
Pertenço a uma geração que apesar das muitas ambiguidades que caracterizam o nosso mundo, se sente orgulhosa de algumas vitórias que se têm conseguindo nas últimas décadas: refiro-me à abolição da escravatura e da pena de morte em muitos países, à luta dos trabalhadores por condições dignas de trabalho, à emancipação feminina, ao fim da segregação racial, aos inúmeros movimentos de independência, ao 25 de Abril, à queda do muro de Berlim, etc..
Mas interrogamo-nos também, se é admissível que no século XXI, a Humanidade que chegou à Lua, não se levante perante um drama com a dimensão do conflito do Darfur. Se é admissível que a Humanidade que chegou à Lua permita que seres humanos sejam condenados sem um julgamento justo, torturados e maltratados. Se é admissível que a Humanidade que chegou à Lua, deixe 1,2 mil milhões de pessoas viver com menos de um dólar por dia. Se é admissível que a Humanidade que chegou à Lua, ache normal uma criança morrer pela falta de uma simples vacina.
Faço minhas as palavras de Martin Luther King que a certa altura disse: “O que mais me preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem carácter, nem dos sem ética. O que mais me preocupa é o silêncio dos bons!"
Contamos com a vossa voz, porque quando o silêncio mata, a nossa voz pode salvar.
Poderia continuar horas e horas a falar sobre este assunto mas sinto que não acrescentaria nada de novo. Já Almada Negreiros disse: “Todas as palavras sobre a salvação do mundo já foram ditas… agora resta salvá-lo!”
Está nas nossas mãos fazê-lo!
Muito obrigado.

Carlos Alberto Videira
28 de Fevereiro de 2009

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Acção de Sensibilização “SOS Alerta Direitos Humanos


Um grupo de jovens da escola Ancorensis Cooperativa de Ensino em Vila Praia de Âncora escolheu a problemática do Darfur como tema de Área de Projecto e leva a cabo no próximo dia 28 de Fevereiro uma mega sessão de sensibilização aberta à comunidade!

O Centro Social e Cultural de Vila Praia de Âncora será palco no próximo dia 28 de Fevereiro pelas 10h30m de uma acção de sensibilização acerca da temática dos Direitos Humanos, por iniciativa de um grupo de alunos do 12º ano da escola Ancorensis Cooperativa de Ensino que tem vindo a acompanhar o drama do Darfur.

A já referida acção de sensibilização intitula-se “SOS Alerta Direitos Humanos” e contará com as intervenções do Prof. Cerqueira Rodrigues, Director Pedagógico da Ancorensis Cooperativa de Ensino, do Dr. Paulo Pereira, Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Caminha, de Carlos Alberto Videira, representante do grupo de trabalho responsável pela dinamização da acção, do Prof. Luís Braga, Membro da Direcção da Amnistia Internacional – Portugal e da Eurodeputada Ana Gomes.

Esta iniciativa tem o apoio da Ancorensis Cooperativa de Ensino, Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora, Câmara Municipal de Caminha, Entidade Regional de Turismo Porto e Norte, Fórum Estudante, Amnistia Internacional – Portugal e Plataforma porDarfur.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

5ª Eleição Distrital: O respeito pelos adversários reuniu-se em Viana do Castelo

Foi com mais uma disputadíssima eleição distrital que nos despedimos do Minho: um empate entre a Cooperativa de Ensino Ancorensis e a Escola Secundária de Santa Maria Maior era o resultado que se verificava na contagem. Após dois inspiradores discursos de um minuto cada, os outros governos fizeram a sua escolha. Venceu a Cooperativa Ancorensis com 15 votos em 20 possíveis.

Com um "Trabalho de casa" muito bem feito e com uma simpatia natural conquistaram os seus adversários. Medidas abrangentes e bem preparadas foram fulcrais para o debate, demonstrando muita segurança no conhecimento de cada uma das medidas.

Mas quem mostrou uma total apetência para o debate foram alguns elementos da Escola Secundária Santa Maria Maior que, apesar de muito questionados durante o debate, muito bem defenderam as suas medidas. Entre elas destacou-se a proposta de isenção de IRS até aos 25 anos, o que originou diversas interpelações por partes dos seus adversários.

A Escola Secundária de Paredes de Coura apostou fortemente no ambiente, onde interligava o Ministério do Ambiente com o da Educação, e propunha uma disciplina de Educação Ambiental com uma vertente muito prática.

Apesar de um evoluído discurso e medidas bem suportadas, a Escola Secundária de Monserrate demonstrou ser uma verdadeira candidata à vitória na urna. Ainda assim revelou muita atenção aos dias que correm com as medidas que apresentou, tornando o debate muito actual e focado no futuro.

De interpelações bem planeadas surgiu também a Secundária de Melgaço, avisando os governos adversários de que algumas propostas suas já estavam em prática, suportadas por algumas entidades como o IPJ ou a ANJE, mostrando o quão necessário é ter um verdadeiro conhecimento do que se debate ou propõe.

Ponte de Lima
, representada pela sua Escola Secundária, muito debateu a educação, sobretudo com a Secundária de Santa Maria Maior, com propostas para a criação de disciplinas cívicas e de carácter obrigatório nas escolas!

De Viana fica-nos a recordação de um grande respeito entre adversários.
Agradável.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Alunos da Ancorensis continuam a pugnar por Darfur


O drama humanitário que persiste no Darfur (Sudão), desde 2003, tem vindo a ser acompanhado por um grupo de alunos a Área Projecto do 12º Ano da Cooperativa Ancorensis.

Nesse sentido, foi promovida nova sessão de esclarecimento no passado dia 27, coincidindo com o Dia Mundial da Lembrança das Vítimas do Holocausto, com a presença de Luís Braga, membro da Direcção da Amnistia Internacional e Teodoro da Fonte, professor de História da Ancorensis.

Carlos Videira, 12º ano, já no ano anterior tinha sido um dos impulsionadores de iniciativa idêntica, trazendo até Vila Praia de Âncora um padre (Leonel Claro) que tinha permanecido 10 anos no Chade.

Este ano, dentro da disciplina de área-projecto, decidiram assinalar o Dia das Vítimas do Holocausto com nova acção de sensibilização sobre o drama do Darfur, porque "nos causa estranheza que a situação mais grave existente a nível mundial no séc. XXI, seja uma das menos conhecidas", em comparação com a cobertura que é dada ao Iraque ou Afeganistão e mesmo agora na faixa de Gaza", frisando que "se falou mais neste problema nos últimos 20 dias do que no Darfur nestes seis anos de conflito".

SITUAÇÃO HUMANITÁRIA CADA VEZ MAIS GRAVE

Desde a realização da conferência até este ano, pouco se adiantou em termos de divulgação deste problema a nível dos média, apenas se registando uma acusação de "genocídio" por parte do Procurador Penal Internacional contra o presidente do Sudão, o que "trouxe alguma visibilidade a esta causa", tendo chegado o próprio presidente sudanês a anunciar um cessar-fogo, mas, no entanto, "as notícias que nos chegam é que a situação humanitária está cada vez mais grave", levando as organizações de ajuda humanitária a abandonar a região devido à falta de condições.

O facto de haver agora um presidente norte-americano com raízes africanas poderá originar alguma alteração na situação, admite Carlos Videira, por existir "uma maior esperança naquilo que se vai passar em termos de política externa" dos EUA.

Contudo, "espera para ver", embora o facto de o presidente Obama já ter estado envolvido em algumas acções de sensibilização por Darfur e de ter sido favorável à condenação do presidente sudanês por crimes de guerra e contra a humanidade "é um bom prenúncio", reconhece.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Fotos do Dia do Holocausto na Ancorensis

Cartaz de referência à Acção de Sensibilização.
Grupo responsável pela dinamização das actividades (Da esquerda para a direita: Tiago Brás, Adriana Lopes, Luís Verde e Carlos Alberto Videira).
Carlos Alberto Videira foi o orador da Acção de Sensibilização da manhã.
A assistência visualizou um documentário sobre o exemplo de Aristides de Sousa Mendes durante a II Grande Guerra Mundial.
À entrada eram oferecidas fitas negras aos participantes, em sinal de luto por todas as vítimas do Holocausto e outros genocídios.
Intervenção do Prof. Rui Pedro Caramez, professor de Área de Projecto.
Intervenção da tarde de Carlos Alberto Videira, representante do grupo organizador.
Os presentes no auditório assistem à intervenção do Prof. Luís Braga, Membro da Direcção da Amnistia Internacional.
Intervenção do Prof. Teodoro Fonte, professor de História na Ancorensis, Cooperativa de Ensino.
A comunicação social marcou presença, tendo no final entrevistado Carlos Alberto Videira, que falou em nome do grupo.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

A PARTICIPAÇÃO CÍVICA DOS JOVENS


A cada vez mais escassa participação dos jovens na vida cívica é cada vez mais um motivo de preocupação de muitos agentes políticos, com especial relevância para o Presidente da República que várias vezes tem chamado a atenção para este problema.

A juventude portuguesa encontra-se desiludida com os fracassos da democracia portuguesa, com especial relevância para a corrupção, e está neste momento de costas viradas para a participação cívica e politica, envolta numa maré de indiferença que torna os tempos que virão, bastante complicados.

E é essa maré de indiferença que é necessária afastar da juventude portuguesa, promovendo a sua participação mais activa na solução para os problemas que afectam os problemas do país, pois só assim é possível construir uma sociedade mais justa, solidária, plural e igual.

A participação cívica inclui a participação politica e partidária, mas não se confunde nem se esgota na mesma.

Um dos maiores exemplos disso mesmo é a existência de uma extensa rede de Organizações Não Governamentais (ONG) e de Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) que dão um grande impulso à acção dos governos na manutenção do Estado Social criando condições para a eliminação de muitas desigualdades, retirando muitas famílias de situações de pobreza, alertando para o incumprimento dos Direitos Humanos e promovendo a inclusão social e a melhoria da qualidade de vida de muitas populações.

Subjacente a este fenómeno está uma nova geração que se dedica ao voluntariado e que demonstra um comovente espírito de entrega ao serviço dos outros.

Prestando a sua acção sem pretender qualquer tipo de recompensa monetária ou material e reconhecendo a dignidade de todo e qualquer ser humano, os jovens empenhados no voluntariado prestam um grande serviço à Sociedade conjugando a capacidade profissional com a generosidade gratuita, fazendo da sua acção não só um contributo para um país melhor, mas também como um factor de realização pessoal e aquisição de novos conhecimentos e experiências.

A acção destes jovens pode e deve ser valorizada para que todos os envolvidos beneficiem de medidas de apoio, designadamente no âmbito dos regimes militar ou escolar, por exemplo, dando assim o Estado um sinal de que está atento e reconhecido a todos aqueles que se empenham gratuitamente na procura de uma solução para os problemas que afectam a sua comunidade, motivando outros a fazer o mesmo.

A escola deve ser igualmente um instrumento a ter em conta na cativação dos jovens para a participação cívica. É necessário que se compreenda que na base de tudo para resolver os problemas que afectam o mundo está a Educação e sobretudo a Educação para a Cidadania, para que desde a infância haja uma maior sensibilização para a participação cívica.

O mundo globalizou-se de tal maneira, que hoje em dia uma simples assinatura numa petição ou um simples clique na Internet, podem causar grandes efeitos.

Torna-se fundamental, incutir desde muito cedo nas crianças e nos adolescentes a consciência de que a resolução dos problemas que afectam a nossa rua, a nossa escola e a nossa freguesia, passam também por nós. Tal pode ser feito através da disciplina de Formação Cívica, se a mesma for dada de forma mais séria e competente, com um professor próprio, com uma duração mais extensa que a actual e com um programa mais estruturado que faça com que alunos, professores e escola levem esta disciplina mais a sério, como essencial para o futuro dos mesmos e do país.

Seria interessante ver tratados nesta disciplina temas como a compreensão da vida democrática portuguesa desde o Poder Local ao Poder Central, o funcionamento das instituições em Portugal, uma visão simplificada do conteúdo da Constituição Portuguesa, o funcionamento das instituições europeias e outras em que o nosso país esteja inserido como a NATO ou a ONU, por exemplo, explicando-se a sua importância no actual contexto de mundo globalizado em que vivemos, os fenómenos das ONG e do voluntariado, a importância do respeito pelos Direitos Humanos, a história das religiões, os sistemas políticos internacionais ou alguns modelos ideológicos que mais importância tiveram ao longo da História.

Mas sabendo que a cidadania não se estuda apenas para um teste, mas que se aprende exercendo-a e participando democraticamente nas escolhas que afectam o nosso quotidiano, seria também de considerar a antecipação da idade de voto para os 16 anos, de modo a inserir os jovens mais cedo num clima de vivência democrática, mas com responsabilidade.

Assim, os jovens teriam uma voz e uma palavra a dizer acerca dos problemas que os afectam, sendo este um incentivo para que os agentes políticos prestassem mais atenção e dedicassem um pouco mais dos seus programas a este sector da sociedade e para que os jovens estivessem bastante mais atentos às medidas apresentadas e ao debate político-partidário, entre outros.

MEDIDAS

1ª
Criação do Estatuto do Voluntário, idêntico ao Estatuto de Atleta de Alta Competição que beneficie os envolvidos nos regimes escolar, militar e profissional, reconhecendo os envolvidos e motivando outros a contribuírem para a formação de uma sociedade melhor.

2ª Reformulação da disciplina de Formação Cívica, através da criação de um programa estruturado, alargamento da carga horária semanal e especialização dos professores na disciplina.

3ª Antecipação da idade do voto para os 16 anos de modo a cativar os jovens para a participação politica, envolvendo-os na vivência democrática desde tenra idade, mas com responsabilidade.

Carlos Alberto Videira

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

CHUMBO


Em Portugal, o Ministério da Educação é insensato, teimoso e arrogante ao querer levar sozinho um modelo de avaliação insustentável e absurdo que põe professores a avaliar outros de outras disciplinas que não a dele e que põe professores menos experientes a avaliar professores mais experientes.

Os professores andam de manifestação em manifestação a fazer figuras tristes, sobretudo com os slogans do tipo "Piu, Piu, Piu, a Ministra já caíu" (não era eu que depois de aparecer na televisão a dizer isto, tinha coragem de ir dar aulas no dia seguinte). Não discutindo a razão do seu protesto, também é verdade que pedir a suspensão do modelo não chega. Há que apresentar propostas alternativas, coisa que os sindicatos (que antes já haviam dito sim a este modelo) ainda não apresentaram junto do Ministério.

Pelo meio, há também os alunos, que ao que parece, deviam ser a principal preocupação em todo este processo, e que à deriva, aproveitam a boleia da contestação docente, para andarem de greve em greve sem conhecimento de causa e com comportamentos lamentáveis, que em nada dignificam o nosso nome.

Acredito que é avaliando o estado da Educação de um país que podemos concluir sobre o futuro do mesmo, em termos de desenvolvimento económico e social. E é por isso que tenho medo do futuro de Portugal!


PS: Avaliados negativamente terão também que ser os deputados do PSD que faltaram a uma votação que poderia ter finalmente acabado com esta palhaçada toda! Com comportamentos deste tipo é díficil um partido gerar confiança junto das pessoas.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Para quê!?

Hoje um pouco por todo o país, verificaram-se algumas greves de alunos do secundário, com comportamentos lamentáveis.

Como aluno do Ensino Secundário repugnam-me várias situações! Como membro da Direcção da Associação de Estudantes da minha escola, já analisei este ano um ou outro manifesto para convocação de greves nacionais e devo que eles primam pela ignorância, pela insensatez e pela lunaticidade, com argumentos falsos ou mal fundamentados. Se o caso das faltas justificadas tem razão de ser, os protestos pela falta de educação sexual nas escolas ou facilidade de expulsar alunos consagrada no novo Estatuto do Aluno não têm qualquer pertinência.

No fundo, todo este alarido não passa da iniciativa de dois ou três iluminados por escola que convocam greves por sms anónimas com uma linguagem deprimente, apenas para terem pretexo para faltar um dia às aulas.

Depois, o resultado está a vista! Não há uma preocupação em fazer com que as coisas mudem, poucos são os entrevistados pela comunicação social que sabem dizer porque fazem greve e ocorrem incidentes que em nada dignificam o nome dos estudantes junto da opinião pública.

Assim, nunca seremos levados a sério! A greve é um direito que tem que ser utilizado com responsabilidade, para que a nossa voz seja ouvida pelos governantes! E isso não se faz com insultos pessoais, ovos, tomates ou laranjas! Faz-se com conhecimento de causa e coerência!

sábado, 5 de abril de 2008

Que Educação?


Sou um dos alunos do ensino secundário deste país que se sente triste por só agora políticos, comunicação social e outras entidades públicas, terem aberto os olhos para aquilo que se passa na educação em Portugal: falta de autoridade de professores e auxiliares, a negligência de conselhos executivos e direcções, a violência nas escolas, as armas e o bullying.

Neste momento todos querem encontrar um réu que sirva de bode expiatório para o que se está a passar no sistema de ensino. Sistema esse onde estão englobados o Estado, os professores, os pais e os alunos. Todos têm uma responsabilidade própria.

O Estado sempre tomou a iniciativa do deixa andar. Concederam-se privilégios à educação que mais nenhum sector recebeu e deu nisto: uma completa anarquia sem rei nem roque. Este foi, o primeiro governo a actuar e deve ser louvado, no entanto a solução tem sido atabalhoada e imponderada e iniciou uma guerra aberta entre professores e ministério o que apenas retira autoridade e credibilidade dos primeiros junto dos alunos.

Mas os professores não podem lavar as mãos do estado em que as coisas se encontram, dizendo que são as maiores vítimas disso tudo. A profissão de professor foi a mais privilegiada do pós-25 de Abril. Abriram-se nessa altura vagas e vagas para os cursos de professor, que asseguravam uma vida quase perfeita: bons salários, benefício de sistemas de protecção social, férias a potes e uma idade de reforma relativamente baixa. Muitos professores abusaram: puseram-se à sombra da bananeira e educaram mal e porcamente. Depois, são lendárias as greves próximas do fim-de-semana ou dos feriados de modo a ter umas mini férias que dão sempre jeito a meio do ano. Por isso, hoje pagam todos e tudo de uma vez. É natural que estejam insatisfeitos, mas temos pena: não tivessem abusado. A avaliação (neste ou noutros moldes) é mesmo um imperativo. Não só aos professores como às escolas, que representados pelos conselhos executivos e direcções, fingem que nada acontece. Encobrem a indisciplina, são indiferentes aos problemas, criam e nomeiam as turmas e os professores ao calhas.

Depois, há os pais e os alunos. Pais esses que encobrem e habituam mal os filhos, que longe de serem inocentes exploram toda essa protecção. Quem não estuda, passa por favor ou vai para os CEF's. Quem causa distúrbios é amnistiado ou sancionado com correctivos simbólicos. Ou seja, os alunos passam de um sistema de ensino onde as abébias são frequentes para um mundo do trabalho implacável onde ao mais pequeno erro ou falta de empenho a palavra de ordem é: RUA!

Apesar de ter sido momento infeliz, a última aula de Francês do 2º Período do 9ºC da Escola Carolina Michaelis, teve o condão de abrir os olhos a muita gente. Obrigado por terem colocado o vídeo no youtube! Pode ser que um dia sejam lembrados, pela forma como suscitaram um debate acesso sobre uma educação ineficaz, incapaz e irresponsável.