Filme “The Day After Tomorrow” (“O Dia Depois de Amanhã”) do ano 2004 de ficção científica, dirigido por Roland Emmerich.
Economia e Aquecimento Global. Que Relação?
A História do ser humano é feita de decisões que a marcaram.
A Economia, estando ligada ao essencial da vida de cada um, estuda o ser humano de acordo com as suas escolhas e as suas decisões.
O filme “The Day After Tomorrow” mostra-nos que o aquecimento global é um problema que diz respeito à Economia, pois nele identificamos uma situação em que se defrontam duas alternativas e onde o ser humano terá que optar por uma delas: ou continuamos a queimar combustíveis fósseis e a poluir o ambiente sendo que os calotes irão derreter, a água doce lançada nos oceanos afectará os fluxos de ar e as correntes marítimas, pondo em causa o equilíbrio entre água doce e salgada, havendo uma dessalinização que causará o arrefecimento do planeta, ou começamos a repensar a utilização dos recursos que ainda temos, salvando o nosso planeta.
A Racionalidade na utilização dos recursos
Este problema prende-se então com a forma como utilizamos os recursos que estão ao nosso dispor.
Ora, na Economia há um conceito fundamental que nos diz de que forma devemos utilizar os recursos para evitar as terríveis consequências de problemas como o aquecimento global. Esse conceito é o da racionalidade, ou seja, recusando o desperdício, cada pessoa escolhe o que lhe parece melhor de acordo com o interesse próprio, pesando os prós, ou seja o valor, e os contras, ou seja, o custo.
Relativamente ao meio ambiente, o filme alerta-nos para o facto de o ser humano não estar a ser racional, pois ao não pagar o valor da Natureza, da água ou do sol, por exemplo, que apesar de vitais, são ainda suficientes e por isso não têm custo e são gratuitos, aceita o desperdício como algo de banal.
O ser humano tem usado a racionalidade com vista a obter o crescimento económico sem limites e continua a usar e a abusar do meio ambiente a seu belo prazer, emitindo gases tóxicos para a atmosfera. Desse modo, os “recursos não renováveis” esgotam-se e os “renováveis” tornam-se escassos.
Mas para ser racional relativamente a este fim, não é necessário usar e abusar dos recursos naturais da mesma forma que não se abusa dos recursos humanos, obrigando-os a um regime de escravatura, por exemplo.
Ser racional e consciente implica sobretudo dizer não ao desperdício.
Desenvolvimento sustentável como forma de equilíbrio
Há então um postulado fundamental da Economia que nos indica a forma como devemos responder a este problema. É o postulado do equilíbrio que neste caso concreto diz-nos que devemos trabalhar em prol de uma situação onde haja uma maior harmonia entre crescimento económico e respeito pelo meio ambiente. Esse objectivo tem um nome: desenvolvimento sustentável.
Não podemos continuar a pôr em causa o direito ao desenvolvimento das gerações vindouras ao optarmos apenas pelo crescimento económico, pois continuando a abusar dos recursos naturais ainda disponíveis, o meio ambiente sofrerá danos irreversíveis, que poderão por em causa a própria vida no planeta.
A importância e o valor do ambiente
O meio ambiente é cada vez mais uma fonte de preocupações da opinião pública mundial, sendo que se multiplicam as manifestações, os filmes, os livros e os documentários por parte de quem compreende a importância de um meio ambiente saudável para a vida na Terra.
Porém, há agentes económicas que ainda resistem a este facto e, tal como o vice-presidente norte-americano no filme, argumentam que a redução das emissões de gases poluentes custa à economia mundial centenas de biliões de dólares.
Esse argumento não é valido. O preço de não agir será maior, visto que verificar-se-á uma série de alterações no clima, que modificarão por completo o planeta Terra, fazendo surgir no Hemisfério Norte quase como que uma nova “Idade do Gelo”, sendo que milhões de pessoas terão de partir em direcção ao sul em busca de temperaturas mais amenas.
Todos sabemos que as decisões têm um valor e um custo, uma oferta e uma procura, devido à escassez, porque o ser humano tem mais necessidades do que recursos para as satisfazerem.
Assim nasce o custo, sendo que o valor das escolhas é o custo do que não escolhemos e da satisfação que cada pessoa tira do uso da sua opção para satisfação das suas necessidades.
Na definição do custo de não actuar perante os graves desequilíbrios que o ambiente apresenta, há que ter em conta os problemas ecológicos das externalidades que a produção de bens e serviços cria, e que apesar de não serem contabilizadas, são identificáveis e afectam a sociedade, reduzindo o seu bem-estar, objectivo principal da ciência económica.
Imagine-se, no cenário que o filme apresenta, com fortes nevões na Índia, tempestades de granizo do tamanho de bolas de golfe, ciclones devastadores, tornados enormes e furacões violentíssimos, os elevados custos que advirão desses fenómenos. Imagine-se os custos avultadíssimos que os acidentes rodoviários, a queda de aviões, a destruição de edifícios e a devastação das cidades que lançariam o caos nas populações, obrigadas a ser evacuadas em massa, significariam na economia mundial.
Conclusão – internalização dos valores ecológicos nos valores económicos
Talvez seja de repensar a falha do mercado que constitui o facto do produtor não pagar o custo dos recursos naturais quando há um preço diferente do verdadeiro valor dos mesmos.
Sabemos que é impossível recuar no desenvolvimento para dar primazia ao ambiente, daí que seja necessário um ponto de equilíbrio que constitua uma solução comum, incutindo e internalizando na sociedade e nos agentes económicos o respeito pelo valor do ambiente, através das três formas de tomar decisões em Economia.
Através da tradição dever-se-á incutir na sociedade uma educação ambiental segura e eficaz, capaz de criar novos hábitos sensíveis aos valores ecológicos.
Por outro lado, o Estado, deverá fazer uso da autoridade, através de regras e leis por exemplo, a fim de penalizar quem não respeite uma utilização racional e equilibrada dos recursos, elevando estes se necessário à categoria de bens públicos, fixando impostos e taxas para a sua utilização.
Por fim, se estas práticas forem levadas a cabo com sucesso, dever-se-á deixar que o mercado funcione e que a livre escolha dos agentes económicos tenha em conta os valores ambientais, preservando assim o planeta e a vida do ser humano.
Bibliografia:
NEVES, J. C., “O que é a Economia?”, Principia, 2003;
NEVES, J. C., “O Estranho Caso do Livro de Economia: Uma Investigação Económico-Criminal de Dick Shade”, Verbo, 1996;
PAIS, M. J. e outros, “Economia A – 11º ano”, Texto Editores, 2008;





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