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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Manifesto para os Alunos

Estando eu praticamente a ingressar no Ensino Superior e continuando a acreditar que é na Educação que joga o futuro do nosso mundo, não podia deixar de publicar neste blog o Manifesto do Presidente Barack Hussein Obama aos alunos. Apesar de não ser norte-americano este manifesto acaba por me dizer muito a mim também. Um texto brilhante para ler com atenção:



"Sei que para muitos de vocês hoje é o primeiro dia de aulas, e para os que entraram para o jardim infantil, para a escola primária ou secundária, é o primeiro dia numa nova escola, por isso é compreensível que estejam um pouco nervosos. Também deve haver alguns alunos mais velhos, contentes por saberem que já só lhes falta um ano. Mas, estejam em que ano estiverem, muitos devem ter pena por as férias de Verão terem acabado e já não poderem ficar até mais tarde na cama.

Também conheço essa sensação. Quando era miúdo, a minha família viveu alguns anos na Indonésia e a minha mãe não tinha dinheiro para me mandar para a escola onde andavam os outros miúdos americanos. Foi por isso que ela decidiu dar-me ela própria umas lições extras, segunda a sexta-feira, às 4h30 da manhã.

A ideia de me levantar àquela hora não me agradava por aí além. Adormeci muitas vezes sentado à mesa da cozinha. Mas quando eu me queixava a minha mãe respondia-me: "Olha que isto para mim também não é pêra doce, meu malandro..."

Tenho consciência de que alguns de vocês ainda estão a adaptar-se ao regresso às aulas, mas hoje estou aqui porque tenho um assunto importante a discutir convosco. Quero falar convosco da vossa educação e daquilo que se espera de vocês neste novo ano escolar.

Já fiz muitos discursos sobre educação, e falei muito de responsabilidade. Falei da responsabilidade dos vossos professores de vos motivarem, de vos fazerem ter vontade de aprender. Falei da responsabilidade dos vossos pais de vos manterem no bom caminho, de se assegurarem de que vocês fazem os trabalhos de casa e não passam o dia à frente da televisão ou a jogar com a Xbox. Falei da responsabilidade do vosso governo de estabelecer padrões elevados, de apoiar os professores e os directores das escolas e de melhorar as que não estão a funcionar bem e onde os alunos não têm as oportunidades que merecem.

No entanto, a verdade é que nem os professores e os pais mais dedicados, nem as melhores escolas do mundo são capazes do que quer que seja se vocês não assumirem as vossas responsabilidades. Se vocês não forem às aulas, não prestarem atenção a esses professores, aos vossos avós e aos outros adultos e não trabalharem duramente, como terão de fazer se quiserem ser bem sucedidos.

E hoje é nesse assunto que quero concentrar-me: na responsabilidade de cada um de vocês pela sua própria educação.

Todos vocês são bons em alguma coisa. Não há nenhum que não tenha alguma coisa a dar. E é a vocês que cabe descobrir do que se trata. É essa oportunidade que a educação vos proporciona.

Talvez tenham a capacidade de ser bons escritores - suficientemente bons para escreverem livros ou artigos para jornais -, mas se não fizerem o trabalho de Inglês podem nunca vir a sabê-lo. Talvez sejam pessoas inovadoras ou inventores - quem sabe capazes de criar o próximo iPhone ou um novo medicamento ou vacina -, mas se não fizerem o projecto de Ciências podem não vir a percebê-lo. Talvez possam vir a ser mayors ou senadores, ou juízes do Supremo Tribunal, mas se não participarem nos debates dos clubes da vossa escola podem nunca vir a sabê-lo.

No entanto, escolham o que escolherem fazer com a vossa vida, garanto-vos que não será possível a não ser que estudem. Querem ser médicos, professores ou polícias? Querem ser enfermeiros, arquitectos, advogados ou militares? Para qualquer dessas carreiras é preciso ter estudos. Não podem deixar a escola e esperar arranjar um bom emprego. Têm de trabalhar, estudar, aprender para isso.

E não é só para as vossas vidas e para o vosso futuro que isto é importante. O que vocês fizerem com os vossos estudos vai decidir nada mais nada menos que o futuro do nosso país. Aquilo que aprenderem na escola agora vai decidir se enquanto país estaremos à altura dos desafios do futuro.

Vão precisar dos conhecimentos e das competências que se aprendem e desenvolvem nas ciências e na matemática para curar doenças como o cancro e a sida e para desenvolver novas tecnologias energéticas que protejam o ambiente. Vão precisar da penetração e do sentido crítico que se desenvolvem na história e nas ciências sociais para que deixe de haver pobres e sem-abrigo, para combater o crime e a discriminação e para tornar o nosso país mais justo e mais livre. Vão precisar da criatividade e do engenho que se desenvolvem em todas as disciplinas para criar novas empresas que criem novos empregos e desenvolvam a economia.

Precisamos que todos vocês desenvolvam os vossos talentos, competências e intelectos para ajudarem a resolver os nossos problemas mais difíceis. Se não o fizerem - se abandonarem a escola -, não é só a vocês mesmos que estão a abandonar, é ao vosso país.

Eu sei que não é fácil ter bons resultados na escola. Tenho consciência de que muitos têm dificuldades na vossa vida que dificultam a tarefa de se concentrarem nos estudos. Percebo isso, e sei do que estou a falar. O meu pai deixou a nossa família quando eu tinha dois anos e eu fui criado só pela minha mãe, que teve muitas vezes dificuldade em pagar as contas e nem sempre nos conseguia dar as coisas que os outros miúdos tinham. Tive muitas vezes pena de não ter um pai na minha vida. Senti-me sozinho e tive a impressão que não me adaptava, e por isso nem sempre conseguia concentrar-me nos estudos como devia. E a minha vida podia muito bem ter dado para o torto.

Mas tive sorte. Tive muitas segundas oportunidades e consegui ir para a faculdade, estudar Direito e realizar os meus sonhos. A minha mulher, a nossa primeira-dama, Michelle Obama, tem uma história parecida com a minha. Nem o pai nem a mãe dela estudaram e não eram ricos. No entanto, trabalharam muito, e ela própria trabalhou muito para poder frequentar as melhores escolas do nosso país.

Alguns de vocês podem não ter tido estas oportunidades. Talvez não haja nas vossas vidas adultos capazes de vos dar o apoio de que precisam. Quem sabe se não há alguém desempregado e o dinheiro não chega. Pode ser que vivam num bairro pouco seguro ou os vossos amigos queiram levar-vos a fazer coisas que vocês sabem que não estão bem.

Apesar de tudo isso, as circunstâncias da vossa vida - o vosso aspecto, o sítio onde nasceram, o dinheiro que têm, os problemas da vossa família - não são desculpa para não fazerem os vossos trabalhos nem para se portarem mal. Não são desculpa para responderem mal aos vossos professores, para faltarem às aulas ou para desistirem de estudar. Não são desculpa para não estudarem.

A vossa vida actual não vai determinar forçosamente aquilo que vão ser no futuro. Ninguém escreve o vosso destino por vocês. Aqui, nos Estados Unidos, somos nós que decidimos o nosso destino. Somos nós que fazemos o nosso futuro.

E é isso que os jovens como vocês fazem todos os dias em todo o país. Jovens como Jazmin Perez, de Roma, no Texas. Quando a Jazmin foi para a escola não falava inglês. Na terra dela não havia praticamente ninguém que tivesse andado na faculdade, e o mesmo acontecia com os pais dela. No entanto, ela estudou muito, teve boas notas, ganhou uma bolsa de estudos para a Universidade de Brown, e actualmente está a estudar Saúde Pública.

Estou a pensar ainda em Andoni Schultz, de Los Altos, na Califórnia, que aos três anos descobriu que tinha um tumor cerebral. Teve de fazer imensos tratamentos e operações, uma delas que lhe afectou a memória, e por isso teve de estudar muito mais - centenas de horas a mais - que os outros. No entanto, nunca perdeu nenhum ano e agora entrou na faculdade.

E também há o caso da Shantell Steve, da minha cidade, Chicago, no Illinois. Embora tenha saltado de família adoptiva para família adoptiva nos bairros mais degradados, conseguiu arranjar emprego num centro de saúde, organizou um programa para afastar os jovens dos gangues e está prestes a acabar a escola secundária com notas excelentes e a entrar para a faculdade.

A Jazmin, o Andoni e a Shantell não são diferentes de vocês. Enfrentaram dificuldades como as vossas. Mas não desistiram. Decidiram assumir a responsabilidade pelos seus estudos e esforçaram-se por alcançar objectivos. E eu espero que vocês façam o mesmo.

É por isso que hoje me dirijo a cada um de vocês para que estabeleça os seus próprios objectivos para os seus estudos, e para que faça tudo o que for preciso para os alcançar. O vosso objectivo pode ser apenas fazer os trabalhos de casa, prestar atenção às aulas ou ler todos os dias algumas páginas de um livro. Também podem decidir participar numa actividade extracurricular, ou fazer trabalho voluntário na vossa comunidade. Talvez decidam defender miúdos que são vítimas de discriminação, por serem quem são ou pelo seu aspecto, por acreditarem, como eu acredito, que todas as crianças merecem um ambiente seguro em que possam estudar. Ou pode ser que decidam cuidar de vocês mesmos para aprenderem melhor. E é nesse sentido que espero que lavem muitas vezes as mãos e que não vão às aulas se estiverem doentes, para evitarmos que haja muitas pessoas a apanhar gripe neste Outono e neste Inverno.

Mas decidam o que decidirem gostava que se empenhassem. Que trabalhassem duramente. Eu sei que muitas vezes a televisão dá a impressão que podemos ser ricos e bem-sucedidos sem termos de trabalhar - que o vosso caminho para o sucesso passa pelo rap, pelo basquetebol ou por serem estrelas de reality shows -, mas a verdade é que isso é muito pouco provável. A verdade é que o sucesso é muito difícil. Não vão gostar de todas as disciplinas nem de todos os professores. Nem todos os trabalhos vão ser úteis para a vossa vida a curto prazo. E não vão forçosamente alcançar os vossos objectivos à primeira.

No entanto, isso pouco importa. Algumas das pessoas mais bem-sucedidas do mundo são as que sofreram mais fracassos. O primeiro livro do Harry Potter, de J. K. Rowling, foi rejeitado duas vezes antes de ser publicado. Michael Jordan foi expulso da equipa de basquetebol do liceu, perdeu centenas de jogos e falhou milhares de lançamentos ao longo da sua carreira. No entanto, uma vez disse: "Falhei muitas e muitas vezes na minha vida. E foi por isso que fui bem-sucedido."

Estas pessoas alcançaram os seus objectivos porque perceberam que não podemos deixar que os nossos fracassos nos definam - temos de permitir que eles nos ensinem as suas lições. Temos de deixar que nos mostrem o que devemos fazer de maneira diferente quando voltamos a tentar. Não é por nos metermos num sarilho que somos desordeiros. Isso só quer dizer que temos de fazer um esforço maior por nos comportarmos bem. Não é por termos uma má nota que somos estúpidos. Essa nota só quer dizer que temos de estudar mais.

Ninguém nasce bom em nada. Tornamo-nos bons graças ao nosso trabalho. Não entramos para a primeira equipa da universidade a primeira vez que praticamos um desporto. Não acertamos em todas as notas a primeira vez que cantamos uma canção. Temos de praticar. O mesmo acontece com o trabalho da escola. É possível que tenham de fazer um problema de Matemática várias vezes até acertarem, ou de ler muitas vezes um texto até o perceberem, ou de fazer um esquema várias vezes antes de poderem entregá-lo.

Não tenham medo de fazer perguntas. Não tenham medo de pedir ajuda quando precisarem. Eu todos os dias o faço. Pedir ajuda não é um sinal de fraqueza, é um sinal de força. Mostra que temos coragem de admitir que não sabemos e de aprender coisas novas. Procurem um adulto em quem confiem - um pai, um avô ou um professor ou treinador - e peçam-lhe que vos ajude.

E mesmo quando estiverem em dificuldades, mesmo quando se sentirem desencorajados e vos parecer que as outras pessoas vos abandonaram - nunca desistam de vocês mesmos. Quando desistirem de vocês mesmos é do vosso país que estão a desistir.

A história da América não é a história dos que desistiram quando as coisas se tornaram difíceis. É a das pessoas que continuaram, que insistiram, que se esforçaram mais, que amavam demasiado o seu país para não darem o seu melhor.

É a história dos estudantes que há 250 anos estavam onde vocês estão agora e fizeram uma revolução e fundaram este país. É a dos estudantes que estavam onde vocês estão há 75 anos e ultrapassaram uma depressão e ganharam uma guerra mundial, lutaram pelos direitos civis e puseram um homem na Lua. É a dos estudantes que estavam onde vocês estão há 20 anos e fundaram a Google, o Twitter e o Facebook e mudaram a maneira como comunicamos uns com os outros.

Por isso hoje quero perguntar-vos qual é o contributo que pretendem fazer. Quais são os problemas que tencionam resolver? Que descobertas pretendem fazer? Quando daqui a 20 ou a 50 ou a 100 anos um presidente vier aqui falar, que vai dizer que vocês fizeram pelo vosso país?

As vossas famílias, os vossos professores e eu estamos a fazer tudo o que podemos para assegurar que vocês têm a educação de que precisam para responder a estas perguntas. Estou a trabalhar duramente para equipar as vossas salas de aulas e pagar os vossos livros, o vosso equipamento e os computadores de que vocês precisam para estudar. E por isso espero que trabalhem a sério este ano, que se esforcem o mais possível em tudo o que fizerem. Espero grandes coisas de todos vocês. Não nos desapontem. Não desapontem as vossas famílias e o vosso país. Façam-nos sentir orgulho em vocês. Tenho a certeza que são capazes."


Barack Hussein Obama


Nota: Os negritos foram feitos por mim.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

GRAZIE FIGO


MILANO - Dopo quattro intensi anni in nerazzurro, 140 presenze e 11 gol e una carriera da leader oltre che nel calcio italiano anche in quello spagnolo e portoghese, Luis Figo saluta il calcio giocato. L'Inter e i suoi tifosi possono solo dirgli grazie, per il suo contributo dato in questi anni dentro e fuori dal campo e per esser stato un esempio tanto da calciatore quanto come uomo. Grazie Luis.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Adeus Figo!


Luís Figo deixou o futebol de alto nível.

Com ele sai de cena definitivamente a tal Geração de Ouro do futebol português que eu aprendi a admirar e a respeitar por toda a sua qualidade técnica, mas também pelo comportamento que sempre evidenciou dentro e fora das quatro linhas e que permitiu mudar o panorama nacional tornando o jogador português mais respeitado e a selecção nacional numa presença habitual e temida nas principais provas internacionais.

E essa geração tinha precisamente em Luís Figo o seu maior expoente, ele que foi com Zidane, o melhor jogador do mundo do seu tempo. Se não foi o melhor, foi pelo menos o mais completo.

Numa era em que a maioria dos futebolistas europeus de topo são adorados como deuses, pagos como reis e vivem sob os holofotes da fama, Luís Figo foi um exemplo para todos.

É reconfortante olhar para as suas origens humildes e ver naquilo em que se tornou ao custo de muito talento, mas também de trabalho árduo. Dono de um currículo invejável e profissional inigualável, símbolo de uma geração e de uma forma de estar no futebol, ora com a bola nos pés, ora no balneário da selecção nacional.

Sai de cena. A juntar mais um título ao recheado palmarés, como se de um imperador se tratasse. A nós portugueses resta-nos agradecer-lhe por tão bem nos ter sabido representar, tendo-se tornado num símbolo de Portugal além fronteiras. Fica também a imagem de um líder por quem ainda suspiramos, de quem soube transportar a bandeira para perto dos adeptos e uni-los à sua selecção.

Em mim, que me ensinas-te a gostar de futebol e sempre foste o meu modelo no desporto, deixas um vazio e a recordação de um homem correcto e humanista, para além de jogador fora do comum e líder dentro e fora das quatro linhas. Pelo teu legado mostras-te que não é desgraça ter nascido português.

Parabéns!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Carta a um professor

Há tempos publiquei neste blog alguns excertos de uma suposta carta que o grande presidente Abraham Lincoln entregou ao professor primário de um dos seus filhos. Por um acaso, encontrei hoje a versão completa dessa carta que aqui partilho convosco. A carta é de um conteúdo notável e orientador para pais, encarregados de educação, professores e formadores, porque de facto é na educação que se lançam as bases do futuro do nosso mundo. Não admira, que mesmo republicano, Lincoln seja uma das maiores referências do actual Presidente Obama.


"Caro Professor

Ele terá que aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, por cada vilão há um herói, que por cada egoísta, há também um líder dedicado, ensine-lhe por favor que por cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada, ensine-o a perder, mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso, faça-o maravilhar-se com os livros mas deixe-o também perder-se com os pássaros do céu, as flores do campo, os montes e os vales.

Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos. Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.

Ensine-o a ouvir a todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando está triste, e explique-lhe que por vezes os homens também choram. Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.

Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.

Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e também fé em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.

Eu sei que estou a pedir muito, mas veja o que pode fazer, caro professor. "


Abraham Lincoln, 16º Presidente dos EUA

sábado, 13 de dezembro de 2008

"A Escola" por Abraham Lincoln


Ao entregar o seu filho na escola primária, conta a história que Abraham Lincoln, presidente dos Estados Unidos da América assassinado por tanto ter lutado pela abolição da escravatura, fez o seguinte pedido ao professor:

“Faça-o aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas diga-lhe que por cada vilão há um herói, que por cada egoista há um lider dedicado..

Ensine-lhe que por cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada, ensine-o a perder, mas também a saber gozar a vitória.(...)

Ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho e contra todos e a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.(...)

Ensine-o a ouvir todos mas, na hora da verdade, a decidir sozinho.(...) Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.”

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Foi há 30 anos...

Cari amici, vedo in voi le 'sentinelle del mattino' in quest'alba del terzo millennio. Oggi siete qui convenuti per affermare che nel nuovo secolo voi non vi presterete ad essere strumenti di violenza e distruzione; difenderete la pace, pagando anche di persona se necessario. Voi non vi rassegnerete ad un mondo in cui altri esseri umani muoiono di fame, restano analfabeti, mancano di lavoro. Voi difenderete la vita in ogni momento del suo sviluppo terreno, vi sforzerete con ogni vostra energia di rendere questa terra sempre più abitabile per tutti.

Caros amigos, eu vejo em vós as 'sentinelas da manhã' neste inicio do terceiro milênio. Hoje estamos aqui reunidos para dizer que, no novo século vocês não virão a ser instrumentos de violência e destruição; defendereis a paz, pagando mesmo em pessoa, se necessário. Vocês não se resignarão num mundo onde outros seres humanos morrem de fome, restam analfabetos, à falta de trabalho. Vocês defenderão a vida em cada momento do seu desenvolvimento terreno, lutando com todas as vossas energias para tornar esta terra mais habitável para todos.

João Paulo II, Jornada Mundial da Juventude de 2000

O ano de 1978 ficou conhecido como o ano dos "Três Papas". Em Agosto morria o Papa Paulo VI, autor da Populorum Progressio, sendo sucedido dias depois pelo efémero Papa do Sorriso, João Paulo I. A 16 de Outubro, Karol Wojtyla era o primeiro papa não italiano em 455 anos, tomando o nome de João Paulo II, em homenagem aos seus três antecessores. Estavamos em plena Guerra Fria. João Paulo II havia de sobreviver ao atentado de 1981 em plena Praça de São Pedro, para se tornar no Papa Peregrino, que lutou e combateu o Comunismo dos Países da Cortina de Ferro e o mundo neoliberal hedonista e opulento do Ocidente. A sua saúde piorou com os anos. Morreu a 2 de Abril de 2005, depois de um dos pontificados mais longos de sempre, deixando-nos o legado do seu inesquecivel trabalho evangelizador, da sua constância e do seu amor pelas pessoas, sobretudo pelos jovens!

A data é assinalada hoje com a estreia de um documentário de memórias, intitulado “Testemunho”, baseado no livro “Uma Vida com Karol”, do cardeal Stanislaw Dziwisz antigo secretário do Papa. O documentário, assinado pelo também polaco Pawel Pitera e narrado pelo actor britânico Michael York, contém excertos da conversa com Dziwisz, imagens históricas e reconstituições de episódios da vida de João Paulo II representados por actores. Nele é revelado que o Papa foi ferido pelo Pe. Khron em 1982 na sua visita a Fátima e que aquando da última aparição do papa polaco, em que o mesmo não conseguiu falar, disse posteriormente que era hora de partir.

domingo, 12 de outubro de 2008

Bono: Um Activista Contra a Pobreza



Paul David Hewson, é o verdadeiro nome de Bono nascido em Dublin, a 10 de Maio de 1960, líder do grupo musical U2 e activista pelos direitos humanos, nomeadamente no que toca ao combate pelo perdão da divida externa aos países subdesenvolvidos e no que toca ao combate contra a pobreza extrema. O seu pseudónimo: Bono Vox – hoje encurtado para "Bono" – é uma adaptação de Bona Vox, que em Latim se traduz como "boa voz".

Filho de um pai católico e uma mãe protestante, Bono cresceu em ambiente de forte fé cristã mas sem nenhuma denominação fixa. A sua mãe faleceu quando tinha 14 anos.

Assumiu-se como um defensor incansável do perdão da divida externa dos países do Terceiro Mundo por parte das grandes potências mundais. Fez várias viagens a África onde testemunhou a miséria lá existente e fez alguns donativos, para além de ter participado no Live Aid. Em 2005, foi indicado para Prémio Nobel da Paz.

Ícone do pop/rock mundial, Bono nunca deixou suas raízes cristãs. Durante toda a carreira escreveu músicas que reflectissem os ideais cristãos tendo, inclusive, feito uma apresentação para o Papa João Paulo II. Em "I Still Haven't Found What I'm Looking For", afirma que o que procura é o "Holy Ghost" (o Espírito Santo). Bono foi criado com uma base espiritual muito forte, e diz acreditar num mundo melhor, onde as pessoas serão boas e se amarão.


Em 2005 visitou Portugal, para mais um concerto e foi agraciado com a Ordem da Liberdade:

«Durante os últimos 25 anos a banda combinou o sucesso obtido com as causas humanitárias e a defesa de Direitos Humanos. Nos anos 90, o seu envolvimento na causa do perdão da dívida ao Terceiro Mundo, foi decisivo para que este assunto se tornasse público. A sua dedicação a esta causa levou ao seu envolvimento no "Movimento Jubileu 2000", culminando com a mobilização global em Julho de 2005, no "Live 8 Project". Outras acções em que a banda esteve envolvida inclem a visiblidade que queriam alacançar para a crise africana, o perdão de dívidas, o alastrar incontrolável da SIDA e as regulamentações de comércio favoráveis. Timor Leste também foi alvo de atenção da banda, nomeadamente com a música "Love from a Short Distance" e as cartas abertas à população timorense. Em 1999 durante os trágicos eventos que aconteceram durante o Referendo a banda também falou em público criticando a situação. Por todas estas situações que demonstraram acções levadas a cabo em benefício da comunidade sem qualquer benefício próprio, decidi atribuir aos quatro membros da banda U2 a Condecoração da Ordem da Liberdade» - Discurso de Jorge Sampaio

"Se eu falasse português diria obrigado.Gostaria de dizer que é uma grande honra para todos nós. Aqui, em Portugal, vê-se que é um país antigo, contudo, sentimos que é um país moderno.Falámos com o Presidente a respeito de Portugal e da Europa, a respeito da nossa vizinha, a Àfrica, e da necessidade de sentir a Europa, em vez de pensar a Europa, em teoria. Acreditamos que a crise do continente africano é um projecto no qual os europeus podem trabalhar em conjunto, que nos pode definir e dar à nossa geração algo que se possa orgulhar e, que mais tarde, a história vai dizer que esta geração considerou inaceitável que num mundo de abundância haja crianças a morrer de fome ou que, como está a acontecer em Àfrica, morram 3000 pessoas todos os dias de malária, devido à picada de um mosquito. Estamos aqui como convidados de uma grande Nação, mas estamos também aqui para pedir aos portugueses que dêem autorização aos políticos para ajudarem os vizinhos africanos. Com essa ajuda, acreditamos que haverá grandes benefícios para a nossa personalidade, para sabermos quem verdadeiramente somos, na Europa." - Discurso de Bono após a entrega da condecoração «Ordem da Liberdade» por Jorge Sampaio

sábado, 4 de outubro de 2008

Dia de São Francisco de Assis



Senhor! Fazei de mim um instrumento da vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvida, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei que eu procure mais:
consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois dando é que se recebe.
Perdoando é que se é perdoado.
E morrendo é que se ressuscita para a vida eterna.

ORAÇÃO ADAPTADA AO SÉCULO XXI

Senhor, faz de mim um meio da tua comunicação,
Onde tantos lançam bombas de destruição, que eu leve a palavra de união.
Onde tantos procuram ser servidos, que eu leve a alegria de servir.
Onde tantos fecham a mão para atacar, que eu abra o coração para acolher.
Onde tantos adoram a máquina, que eu saiba humanizar a pessoa.
Onde tantos endeusam a técnica, que eu leve o sentido de viver.
Onde tantos me pedem um peixe, que eu saiba ensinar a pescar.
Onde tantos me pedem pão, que eu saiba ensinar a plantar.
Onde tantos estão sempre distantes, que eu seja alguém sempre presente.
Onde tantos só vivem a matéria que passa, que eu viva o espírito que fica.
Onde tantos sofrem a solidão na multidão, que eu leve o encontro com alguém.
Onde tantos olham só para a terra, que eu saiba olhar para o céu.
Onde tantos se prendem a pequenas coisas,que eu saiba apontar coisas MAIORES.


São Francisco de Assis (26 de Setembro de 1181 - 3 de Outubro de 1226), foi um Santo vindo de uma família de comerciantes, fundador da "Ordem dos Franciscanos". Foi canonizado em 1228 pela Igreja Católica. É considerado o santo protector dos animais e do meio ambiente. É respeitado por várias religiões pela sua mensagem de paz. Espalhou o amor universal, a caridade, a paz e a humildade, levando felicidade a muitas pessoas e mesmo no fim da sua vida, doente estigmatizado e quase cego, visitava cidades e aldeias pregando, atendendo os pobres, os leprosos e necessitados pedindo a paz. Corrigia com palavras doces, mas sabia ser enérgico quando necessário. Falava aos seus filhos espirituais para que se afastassem do orgulho, vaidade, egoísmo e avareza e fossem exemplo da santa pobreza, humildade, caridade e trabalho. Foi sempre simples, severo consigo mesmo, mas benigno com os outros. Nos ensinamentos do Evangelho encontrava o apoio para aliviar a dor daqueles que em desespero acudiam a ele, e através da sua fervorosa oração operou grandes milagres. Celebra-se a 4 de Outubro...

"Começai por fazer o que é necessário, depois o que é possível e, de repente, estareis fazendo o impossível."

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Nunca É Meia Noite, Dr. Nobre


Meu Deus como ouso eu escrever-te esta carta quando de Ti tanto duvidei e ainda por vezes duvido embora não entenda o Universo sem Ti. É certo que de Ti, ou dos teus mensageiros (Abraão, Moisés, Boudha, Jesus, Maomé), retive o que norteou e norteia a minha vida: "Não matarás", "Que aquele de entre vós que não cometeu pecado lhe lance a primeira pedra” e"... perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido..." e, sobretudo, que o Amor é a essência da vida!

FERNANDO NOBRE
«CIRURGIÃO E FUNDADOR DA AMI»



Há dias, num curto zapping, apanhei na RTP2 um documentário já a meio, sobre a vida de um tal médico missionário, que há uns anos a esta parte tenta mudar o mundo de quem mais precisa.

Fiquei tão impressionado, que acorri à Internet a fim de conseguir fazer o download para ver o documentário completo. Consegui-o há dias. O documentário chama-se "Nunca É Meia Noite, Dr. Nobre", inspirado na vida e nos episódios do Dr. Albert Schweitzer, também ele um médico que dedicou grande parte da sua vida às causas humanitárias, sobretudo no continente africando, no qual, mais precisamente em Luanda, nasceu o protagonista do documentário.

Bom samaritano, que ajuda e parte na linha da frente sem olhar às diferenças, ele grita a dor do mundo com humildade e inteligência, no combate à indiferença, sem medo das utopias. Um farol num mundo tão atribulado...

Download disponivel em: http://thejpl.blog.com/3774375/

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Faleceu o Cónego Melo


Mons. Eduardo Melo
Braga, 30 de Outubro de 1927 — Fátima, 19 de Abril de 2008

«Felizes sereis quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o género de calúnias contra vós, porque grande será a vossa recompensa no céu” (Cfr. MT. 5.1-1)

Eduardo de Melo Peixoto nasceu a 30 de Outubro de 1927 em São Lázaro, Braga, e foi ordenado sacerdote em 1951, tendo depois assumido o papel de vigário-geral da arquidiocese durante vários anos, tendo renunciado ao cargo em 2002. Foi feito Comendador por Mário Soares, tendo servido sob quatro Bispos e seis Papas. Esteve ligado a vários sectores da vida bracarense, nomeadamente, ao futebol e a imprensa.

“É sempre difícil em poucas palavras sintetizar a vida de alguém que foi grande durante toda a sua vida”, explica D. Jorge Ortiga à Agência ECCLESIA. "Sempre o vi como um homem apaixonado pelas causas a que se dedicava, que se sacrificava ao ponto de deixar as exigências humanas mais naturais para poder corresponder aos apelos que lhe eram dirigidos”.

A atenção aos mais carenciados é também lembrada. “Tinha um coração sensível e de igual modo se entregava a todos”, recorda o Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa.

A vida do Cónego Melo representa um “legado dirigido a crentes e não crentes”, escreveu D. Jorge Ortiga, num comunicado à diocese de Braga. O Cónego Melo manteve uma vida de entrega que realizou “a todas as causas humanas e às solicitações de todos”.


Adaptado de Agência Ecclesia

quarta-feira, 2 de abril de 2008

O Pescador de Homens

“Mantenho gravado no coração o rosto da humanidade que pude contemplar ao longo das minhas peregrinações. É o rosto de Cristo que transparece naqueles que vivem como ovelhas sem pastor. Todo o homem e toda a mulher têm pleno direito de que lhe sejam ensinadas muitas coisas” - João Paulo II

Foi há três que vi partir aquela que era e continua a ser a minha grande referência: Karol Josef Wojtyla, mais conhecido por João Paulo II desde que calçou as sandálias do pescador, partia aos 84 anos, após um dos pontificados mais carismáticos de que há memória.

Sandálias essa que lhe assentaram muito bem. Foi um autêntico pescador de homens, defendendo-o, do não nascido ao idoso abandonado e esquecido, de qualquer tipo de violação à sua dignidade. Mesmo antes de ser Papa, já havia convivido com os tempos difíceis do nazismo e do comunismo totalitário de Leste que ajudou a derrubar, concentrando então forças no combate ao outro lado da balança: o capitalismo, opulento e egoísta, dando voz ao Terceiro Mundo, aos pobres e aos que vivem sob o flagelo da guerra e do desrespeito pelos Direitos Humanos.

Wojtyla não foi um só um papa: foi o mundo condensado num só Homem. Wojtyla foi o guarda-redes da equipa amadora de Wadowice, o esquiador, o actor clandestino talentoso, o músico de uma nova e arrojada versão do "Pater Noster", o professor cativante, o catequista sempre presente e o forte activista dos Direitos Humanos.

Como Papa, cargo pelo qual todo o mundo o conheceu, ficam certos momentos inolvidáveis: a visita e o perdão a Ali Agca (o homem que a 13 de Maio de 1981 tentou por termo à sua vida); as inúmeras viagens que fez à volta do mundo, com destaque para a visita a Cuba em 1998 que pôs fim a anos e anos de conflito entre a Igreja e o regime cubano; as carícias a todas as crianças que encontrava ou o dia em que vendo uma casa absolutamente normal numa viagem em Angola decidiu passar por lá e beber limonada com uma família miseravelmente pobre.

Ficam também os encontros ecuménicos, com destaque para a Conferência de Assis, a entrada inédita de um pontífice numa sinagoga e numa mesquita, mostrando que o que nos une (Deus) é muito mais daquilo que nos divide. Ficam os encontros de jovens, que impulsionou como as “sentinelas da manhã”, jovens esses que no fim foram ter com ele. Fica o pedido de perdão inédito e esperado, pelas atrocidades cometidas em nome de Deus. Fica a forte oposição a todos os conflitos internacionais desde a Guerra do Golfo à Invasão ao Iraque. Fica o bom humor e a coragem nos momentos difíceis da doença de Parkinson num pontificado resumido numa única frase: "NON ABBIATE PAURA!” (Não tenhais medo!)

Os dias que se seguiram a morte deste papa mostraram algo nunca visto. Milhões e milhões de pessoas, independentemente de credos religiosos, países, cor ou idade, uniram-se numa homenagem absolutamente incrível “ao batalhador pela amizade entre os povos e inimigo da guerra”, como o classificou e muito bem Fidel Castro.

Cabe-nos a nós, admiradores e seguidores daquele que foi o Homem do século XX, ser a Geração João Paulo II, procurando instaurar a “cultura da vida e a civilização do amor” pela qual ele tanto lutou, sendo “sal da terra”.

Que descanse em paz!