Caro Dr. Fernando Nobre;
Caros Colegas;
Caros Professores;
Sejam todos muito bem vindos a esta Acção de Sensibilização acerca do drama humanitário do Darfur, onde desde 2003 assistimos a um número sem fim de violações dos Direitos Humanos e assassinatos em massa, perante a inércia e a indiferença da Comunidade Internacional.
Direitos Humanos: expressão tão citada, mas que permanece desconhecida para muitos; ideal tão básico, mas que ainda parece uma utopia em tantos casos.
Falo-vos em nome do grupo de jovens que leva a cabo esta iniciativa, e que não se resigna com tal facto. Falo-vos em nome de um grupo de jovens que não se resigna perante a ideia de que não existe uma solução para os problemas que afectam a Humanidade. Falo-vos em nome do grupo que acredita na possibilidade de contrapor à indiferença e à intolerância com a esperança, a alegria, a vontade de agir e a vontade de aprender.
Nós acreditamos, que através de gestos concretos, como este que hoje organizamos, é possível fazer do mundo um lugar mais habitável para todos.
Por mais pequeno que seja o nosso gesto, tal como diz o lema da Amnistia Internacional: “Mais vale acender uma vela, do que maldizer a escuridão!”
Nós acreditamos na importância dos Direitos Humanos.
A nossa era, aquela em que mais se valoriza os Direitos Humanos, corresponde à era de maior desenvolvimento da Humanidade. Não nos parece que estes factos estejam dissociados.
Porém, restam fracassos que põem esse mesmo desenvolvimento em risco e impedem um progresso maior.
E um dos maiores fracassos que deveria envergonhar profundamente o mundo inteiro é o genocídio que ocorre neste momento no Darfur, e que representou para nós “o despertar” para a problemática dos Direitos Humanos. Não descansaremos enquanto a paz não chegar ao Darfur.
Este conflito é a prova que pouco ou nada aprendemos com os erros do passado e com a História recente; este conflito é a prova que pouco ou nada aprendemos com o Holocausto, com a Bósnia ou com o Ruanda.
O desconhecimento e a suposta ignorância não podem continuar a servir como desculpa para a inércia da comunidade internacional.
No fundo, acreditamos também que estudamos História, para aprendermos a não nos matarmos uns aos outros e a respeitarmo-nos, independentemente das nossas diferenças, procurando sempre em primeiro lugar aquilo que nos une, e só depois aquilo que nos divide.
Escandaliza-nos que a palavra Darfur ainda soe desconhecida a tanta gente. Escandaliza-nos que a situação humanitária mais grave do século XXI seja uma das menos conhecidas dos cidadãos de todo o mundo, incluindo os portugueses.
O nosso desafio é que no final deste ano lectivo não haja ninguém que não tenha ouvido pelo menos uma vez a palavra Darfur e não saiba o que se está a passar naquela região do Sudão.
E já que há pouco falei em História, pensemos também na forma como, daqui a 50 anos, olharemos para os nossos dias e como seremos julgados pelos nossos filhos.
O mundo está perigoso!
Enfrentamos a crise económica mais grave desde 1929, deparamo-nos com alarmantes desequilíbrios ambientais, conflitos fratricidas sem uma solução à vista, níveis preocupantes de pobreza extrema e regimes ditatoriais que perduram apesar de todas as preocupações com o Direito Internacional.
Acrescentemos a tudo isto a limpeza étnica em curso no Darfur desde 2003 e pensemos nas pessoas que sofrem na pele dia após dia os horrores de um genocídio: os assassinatos em massa, as destruições de aldeias inteiras, as violações…
O tempo esgotou-se. Temos que tomar em mãos a tarefa de acabar com este genocídio se queremos obter um julgamento favorável por parte dos nossos filhos e dos nossos netos.
Por isso lutamos com as armas que estão ao nosso dispor: acreditamos no poder da divulgação contra o desconhecimento e a ignorância e no poder da acção perante a indiferença.
São estes os nossos Deveres Humanos.
Usar a nossa voz para que as pessoas conheçam as consequências de dramas com a dimensão do conflito do Darfur, para que não se ignore que milhões de seres humanos vivem em campos de refugiados dependentes de ajuda alimentar, para que se saiba que no Darfur há uma geração de crianças que ainda não sabe o que é a paz, para que se saiba que sempre que as mulheres vão em busca de água ou de lenha se deparam com a ameaça de ser violadas por uma milícia Janjaweed.
E depois passar à acção: todos nós podemos fazer algo pelo Darfur, seja pela assinatura de petições, seja pela doação de fundos ou pela colaboração com Organizações Não Governamentais, há muitas formas de intervir.
Estamos ainda no início deste século XXI.
Não podemos mudar o passado mas temos um longo caminho a percorrer, seja no que diz respeito ao Darfur, seja no que diz respeito a outras violações dos Direitos Humanos.
O futuro está nas nossas mãos e assumimos que queremos que este século seja diferente: não seremos objectos de destruição e violência, nem cúmplices dos que serão, defenderemos a paz e os Direitos Humanos pagando em pessoa se necessário. Não nos resignaremos a um mundo em que outros seres humanos morram de guerras, pobreza ou fome. Defenderemos a dignidade de todo e qualquer ser humano lutando com todas as nossas energias para fazer da Terra um planeta mais habitável para todos.
Esta não é uma aventura impossível!
Não é admissível que a Humanidade que envia instrumentos para outros planetas a fim de estudar as suas formações rochosas não tenha uma solução para estes problemas que hoje enunciamos.
É hora de redefinirmos as nossas prioridades! Não podemos continuar mais próximos de Marte que dos nossos semelhantes que sofrem seja no Darfur, seja noutro ponto qualquer do planeta.
Com a recente expulsão de várias organizações de ajuda humanitária do Darfur na sequência da acusação do TPI ao Presidente Omar Al-Bashir por crimes de guerra e crimes contra a Humanidade, a situação é preocupante.
Sim, é difícil. Não é caso para esconder a ninguém.
É difícil, mas felizmente temos ao nosso dispor toda a tecnologia e todos os recursos necessários para acabar com as violações dos Direitos Humanos nesta região do Globo.
Esta é uma tarefa que urge e que nos interpela.
Se tivermos a determinação a paz é possível e um Darfur livre será uma realidade.
Muito obrigado a todos.





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