quarta-feira, 29 de abril de 2009

"Testemunhos porDarfur” pela esperança

Foto de Família
Da esquerda para a direita: Dr. Paulo Pereira, Vereador da Câmara Municipal de Caminha e Voluntário da Fundação AMI; Prof. Rui Pedro Caramez, Professor de Área de Projecto; Pe. Leonel Claro, Plataforma porDarfur e Missionário Comboniano; Carlos Alberto Videira; Tiago Brás; Luís Verde; Prof. Cerqueira Rodrigues, Presidente da Direcção Pedagógica da Cooperativa de Ensino Ancorensis; Adriana Lopes.


No âmbito da “Semana +” dinamizada pela Ancorensis, foi levada a cabo mais uma acção de sensibilização pelo Darfur na última quarta-feira, dia 28 de Abril, e que contou com a presença do Dr. Fernando Nobre, Presidente da Fundação AMI.

A iniciativa foi levada a cabo pelo mesmo grupo de jovens que no passado dia 28 de Fevereiro tinha realizado a Palestra “SOS Alerta Direitos Humanos” e que havia contado com a presença da Eurodeputada Ana Gomes.
Desta feita, foi a vez do Pe. Leonel Claro, Missionário Comboniano da Plataforma porDarfur e do Dr. Fernando Nobre, Presidente da AMI virem até Vila Praia de Âncora falar de uma realidade que conhecem muito bem.
A acção de sensibilização começou pelas 11h50 na Biblioteca da Ancorensis, Cooperativa de Ensino e dirigiu-se a vários alunos e professores do Ensino Secundário.
O Prof. Cerqueira Rodrigues, Presidente da Direcção Pedagógica da escola, foi o primeiro a usar da palavra para dar as boas vindas a todos os presentes, seguindo-se o Dr. Paulo Pereira, que saudando o grupo organizador, não escondeu a sua satisfação por lhe ter sido dada a oportunidade de conhecer pessoalmente o Dr. Fernando Nobre, visto que foi voluntário da AMI, tendo integrado uma missão a Cabo Verde em 2002 ao serviço da mesma.
Depois, foi a vez de Carlos Alberto Videira intervir em nome do grupo organizador, referindo que a questão do Darfur é uma causa muita querida ao mesmo e por isso farão tudo o que está ao seu alcance para sensibilizar toda a comunidade escolar e local para as consequências de um conflito que se arrasta há demasiado tempo.
Posteriormente, o Pe. Leonel Claro falou da sua experiencia de 10 anos como missionário no Chade, país que faz fronteira com o Darfur e tem inúmeras semelhanças com o mesmo. Depois falou do grupo Fé e Missão que esteve na génese da criação da Plataforma porDarfur, que pretende “semear a esperança” numa região que neste momento “parece não ter futuro”.
Por fim, o Dr. Fernando Nobre manifestou-se agradado por, pela primeira vez, estar no concelho de Caminha, terra de muitos dos seus antepassados, para depois falar de algumas das suas experiências que acumulou ao longo de 35 anos de trabalho humanitário durante os quais esteve em “mais de 150 países”, numa primeira fase ao serviço dos Médicos Sem Fronteiras, e depois na AMI.
Relativamente ao Darfur, o presidente e fundador da AMI, lembrou outros genocídios que a comunidade internacional ignorou e ignora apesar do slogan “Nunca Mais”, falando posteriormente das três ocasiões em que esteve na região (1981, 1983 e 2004). Fernando Nobre disse que infelizmente “o Ocidente perdeu toda a autoridade moral para acusar seja quem for” porque “tem um peso e duas medidas” quando os interesses económicos e petrolíferos assim o exigem, sendo que o facto do Presidente Bush ter sido dos primeiros a usar o termo genocídio para classificar aquilo que se estava a passar no Darfur “foi um desastre, pois ele era a última pessoa que o poderia fazer depois de invadir o Iraque” onde já morreram entre 300 mil a 1,2 milhões de pessoas.
Antes de terminar, Fernando Nobre apelou ainda aos jovens para que não se acomodem e para que sejam activos e participativos na construção de um mundo melhor.

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