
Já na SIC as dificuldades foram maiores. Santana Lopes esteve em boa forma e ninguém contava com a excelente performance de Patinha Antão.
No final, foi este o caminho escolhido por 37% dos militantes. Talvez um resultado um pouco à quem do esperado, sendo que os restantes candidatos com a excepção de Patinha Antão ficaram muito próximos.
Pareceu-me que Ferreira Leite não tem ainda um projecto concreto para o país. Tem apenas algumas ideias soltas, que se irão conectando com o tempo. Nesse trabalho deverá contar com os restantes candidatos, se quiser unir o partido. Há o medo que Ferreira Leite seja mais do mesmo: mais Sócrates.
De facto, Sócrates tem um espírito reformista que sempre foi imagem de marca do PSD e talvez lhe provenha do tempo em que militou na JSD. Mas enquanto Ferreira Leite se define mesmo como social-democrata (apesar de não saber explicar muito bem o que isso é) Sócrates não é um homem de esquerda nem de direita: é um homem de poder. Talvez isso seja o principal factor diferenciador: Ferreira Leite tem uma frontalidade e personalidade forte que é de louvar. E isso vê-se na forma como assume a sua posição em relação à politica de impostos: apesar da minha opinião ser de que há impostos que devem sofrer uma pequena alteração, vê-se que a nova presidente do PSD não anda a enganar ninguém. Já Sócrates diz hoje uma coisa diferente a cada dia da semana. Trata-se de credibilidade e de não dar aos portugueses mais falsas esperanças.
Em relação aos candidatos derrotados, Passos Coelho, consegue apesar de tudo um bom resultado e deve continuar a crescer no espaço partidário. É um liberal, o que não sei até que ponto favorece o país, mas oferece uma imagem de mudança, algo que urge. Pedro Santana Lopes é um aventureiro: depois de tantos casos e derrotas apresentou-se de novo e não fez má figura. Apresentava um excelente programa baseado numa maior coesão territorial, que diminuísse as assimetrias. Mas quando falta a credibilidade já se sabe como é. Patinha Antão, apareceu nesta campanha vindo de pára-quedas e sem apoios, mas fez boa figura. Teve no debate da SIC o seu ponto alto. Apresentou boas propostas, mas já se sabia que a imagem é tudo. E ele não a tinha.
Assim sendo, termina mais um capítulo na história recente do atribulado Partido Social-Democrata: um partido com vocação do poder, mas que nos últimos 13 anos, governou apenas 3. Com Manuela Ferreira Leite, o partido encerra o capitulo Luís Filipe Menezes, que aqui tem uma grande derrota, após os ataques constantes à candidata e aos seus apoiantes. O PSD, continua sem o seu presidente no Parlamento, mas tem agora voz junto de Cavaco no Conselho de Estado. Os resultados, veremos em 2009. Até lá, é altura de serenar os ânimos e cerrar fileiras para os grandes combates políticos que se aproximam: legislativas, autárquicas e europeias.
Post Scriptum: A demagogia da Esquerda é bem patente no nosso país. A Lei da Paridade foi proposta pelo PS e aprovada pela Esquerda como grande marca de modernidade. O PSD, partido de Centro Direita, votou contra: deve-se estar na política por mérito e não por quota. Os resultados são os seguintes: PS não cumpriu a lei nas últimas eleições regionais da Madeira enquanto no PSD, é eleita a primeira presidente de um partido em Portugal. Sem Leis da Paridade...





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