quarta-feira, 21 de maio de 2008

Adeus RUI

Não tinha feito até agora nenhum post de despedida para Rui Costa, porque no dia da despedida soube que ontem iria passar na RTP uma reportagem sobre o Maestro. Posso dizer que apesar de pequena, com sensivelmente 10 minutos apenas, está muito bem feita e diz muito sobre aquilo que foi e sempre será o Rui Costa.

Com o seu abandono, o futebol fica muito mais triste. A geração que encantou Portugal com a conquista dos dois campeonatos mundiais de sub-20 está-se a despedir. E é a essa geração que devemos o nivel de futebol que temos hoje. Foi devido à força desses homens, encabeçados por nomes como Vítor Baía, Luís Figo, Fernando Couto, Jorge Costa, Paulo Sousa e João Pinto, para além do próprio Rui Costa, que Portugal deixou de ser uma selecção de coitadinhos para passar a ser uma das mais respeitadas do mundo.

E Portugal é hoje respeitado não só pelo talento e pelas ínumeras conquistas que esses jogadores conseguiram, mas também e sobretudo, pelo comportamento exemplar que eles sempre tiveram fora e dentro do campo, grajeando a admiração de muitas pessoas em todo o mundo.

E Rui Costa foi um exemplo vivo de tudo isso. Foi alguém que não geriu a carreira em busca dos titulos e do dinheiro. Foi alguém que aprendeu a amar cada clube por onde passou. Foi alguém que nunca esqueceu as origens e manteu sempre a mesma simplicidade e humildade . Disse certa vez, Luis Sobral sobre o Maestro: "Se houvesse um «clube Rui Costa» estou seguro de que teria largos milhares de adeptos. Muitos benfiquistas, claro, mas também um número apreciável de sportinguistas e portistas, mais uma dose razoável de cidadão estrangeiros, com os italianos na frente. Apesar de sempre ter exibido o carimbo «Benfica», Rui Costa, pela qualidade do seu jogo e sobretudo pela forma de estar gentil e correcta, tornou-se admirado por muita gente."

E essa forma de estar reflectiu-se na forma como sempre lidou com a comunicação social e com os pseudo-criticos como Joe Berardo. Reflectiu-se na maneira como no ano de 1994 saiu do Benfica, não como um mercenário, para um clube que não queria, mas que representou pois era a melhor maneira de ajudar o clube num momento dificil. Cenário esse, que se repetiu quando os problemas financeiros se começaram a abater no clube de Florença, já depois das lágrimas que cairam depois daquele golo ao Benfica. O Milan deu-lhe aquilo que ele sempre mereceu, e mesmo quando deixou de ter o estatudo de titular, manteu a calma, assegurando o respeito de todas as estruturas do clube, como ficou demonstrado no comunicado feito pelo clube no dia da sua saída (“Grazie per quella Champions e grazie di tutto. Nelle giocate di Kakà, caro Rui, vivrà sempre qualcosa di te.”) e no seu regresso a San Siro. Por fim, regressou ao clube de sempre, assinando um contrato em branco. Depois de uma época marcada por lesões fechou-se no silêncio e iniciou uma última absolutamente fenomenal para provar que não tinha regressado ao seu clube do coração acabado. Ele foi o melhor de todos.

Também na selecção foi o Maestro: aquele golo à Irlanda que nos levou à Inglaterra em 1996 e aquele Europeu de 2000 absolutamente fenomenal mostraram toda a sua qualidade ao mundo. Com o passar dos anos e o surgir de Deco, foi perdendo espaço. E aí foi injustiçado. Dizeram que já não fazia falta, mas respondeu com aquele golo de raiva contra a Inglaterra nos quartos de final de Euro 2004, e que a todos nos emocionou.

Hoje, Rui Costa abraça uma nova carreira: a de dirigente desportivo. Faz-lo, estou certo, pelo amor ao clube, confiante nas capacidades que adquiriu ao longo de 20 anos de carreira. Se será bem sucedido, não sabemos.

Mas que todos ficamos a torcer por ele, isso ficamos porque ele merece.

2 comentários:

António Inglês disse...

Amigo Carlos Alberto

O nosso Rui Costa foi não só um exemplo enquanto desportista, mas também o é enquanto homem.
De todos os nomes que evocou pela conquista de dois campeonatos mundiais das camadas jovens, faltou-lhe o de Carlos Queiroz que quanto a mim se mostrou um excelente condutor de homens.
E agora com Quique Flores? Que me diz?
Um abraço
António

António Inglês disse...

Bom domingo Carlos Alberto
Um abraço
António