Com o seu abandono, o futebol fica muito mais triste. A geração que encantou Portugal com a conquista dos dois campeonatos mundiais de sub-20 está-se a despedir. E é a essa geração que devemos o nivel de futebol que temos hoje. Foi devido à força desses homens, encabeçados por nomes como Vítor Baía, Luís Figo, Fernando Couto, Jorge Costa, Paulo Sousa e João Pinto, para além do próprio Rui Costa, que Portugal deixou de ser uma selecção de coitadinhos para passar a ser uma das mais respeitadas do mundo.
E Portugal é hoje respeitado não só pelo talento e pelas ínumeras conquistas que esses jogadores conseguiram, mas também e sobretudo, pelo comportamento exemplar que eles sempre tiveram fora e dentro do campo, grajeando a admiração de muitas pessoas em todo o mundo.
E Rui Costa foi um exemplo vivo de tudo isso. Foi alguém que não geriu a carreira em busca dos titulos e do dinheiro. Foi alguém que aprendeu a amar cada clube por onde passou. Foi alguém que nunca esqueceu as origens e manteu sempre a mesma simplicidade e humildade . Disse certa vez, Luis Sobral sobre o Maestro: "Se houvesse um «clube Rui Costa» estou seguro de que teria largos milhares de adeptos. Muitos benfiquistas, claro, mas também um número apreciável de sportinguistas e portistas, mais uma dose razoável de cidadão estrangeiros, com os italianos na frente. Apesar de sempre ter exibido o carimbo «Benfica», Rui Costa, pela qualidade do seu jogo e sobretudo pela forma de estar gentil e correcta, tornou-se admirado por muita gente."
E essa forma de estar reflectiu-se na forma como sempre lidou com a comunicação social e com os pseudo-criticos como Joe Berardo. Reflectiu-se na maneira como no ano de 1994 saiu do Benfica, não como um mercenário, para um clube que não queria, mas que representou pois era a melhor maneira de ajudar o clube num momento dificil. Cenário esse, que se repetiu quando os problemas financeiros se começaram a abater no clube de Florença, já depois das lágrimas que cairam depois daquele golo ao Benfica. O Milan deu-lhe aquilo que ele sempre mereceu, e mesmo quando deixou de ter o estatudo de titular, manteu a calma, assegurando o respeito de todas as estruturas do clube, como ficou demonstrado no comunicado feito pelo clube no dia da sua saída (“Grazie per quella Champions e grazie di tutto. Nelle giocate di Kakà, caro Rui, vivrà sempre qualcosa di te.”) e no seu regresso a San Siro. Por fim, regressou ao clube de sempre, assinando um contrato em branco. Depois de uma época marcada por lesões fechou-se no silêncio e iniciou uma última absolutamente fenomenal para provar que não tinha regressado ao seu clube do coração acabado. Ele foi o melhor de todos.
Também na selecção foi o Maestro: aquele golo à Irlanda que nos levou à Inglaterra em 1996 e aquele Europeu de 2000 absolutamente fenomenal mostraram toda a sua qualidade ao mundo. Com o passar dos anos e o surgir de Deco, foi perdendo espaço. E aí foi injustiçado. Dizeram que já não fazia falta, mas respondeu com aquele golo de raiva contra a Inglaterra nos quartos de final de Euro 2004, e que a todos nos emocionou.
Hoje, Rui Costa abraça uma nova carreira: a de dirigente desportivo. Faz-lo, estou certo, pelo amor ao clube, confiante nas capacidades que adquiriu ao longo de 20 anos de carreira. Se será bem sucedido, não sabemos.
Mas que todos ficamos a torcer por ele, isso ficamos porque ele merece.





2 comentários:
Amigo Carlos Alberto
O nosso Rui Costa foi não só um exemplo enquanto desportista, mas também o é enquanto homem.
De todos os nomes que evocou pela conquista de dois campeonatos mundiais das camadas jovens, faltou-lhe o de Carlos Queiroz que quanto a mim se mostrou um excelente condutor de homens.
E agora com Quique Flores? Que me diz?
Um abraço
António
Bom domingo Carlos Alberto
Um abraço
António
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