
Prémio oferecido pelo amigo António Inglês do blog "Por Entre Montes e Vales" para blogs que "expressam liberdades dos mais variados géneros e feitios". Partilho-o com todos vocês, porque para juíz não tenho jeito...
Um abraço
"A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original" - Albert Einstein (Ulm, 14 de Março de 1879 — Princeton, 18 de Abril de 1955)

Prémio oferecido pelo amigo António Inglês do blog "Por Entre Montes e Vales" para blogs que "expressam liberdades dos mais variados géneros e feitios". Partilho-o com todos vocês, porque para juíz não tenho jeito...
Um abraço
O quarto poder é um quarto
Com vista sobre a cidade que já não o é
Sobre as ruas que já o foram
Sobre as casas que deixaram de o ser
O quarto poder é um pai
E um filho tornado órfão por uma bala certeira
Errada no alvo
Errada na hora
Errada no tempo, que faz do lugar a morada última, de um quotidiano que se estende
O quarto poder é um fogo
Ingrato nos modos
Ousado na fuga
Intenso na cor
Injusto nas vítimas
O quarto poder é um mar
Um oceano de raiva
Um elemento à deriva
Uma ausência de razão
Um lamento inconsolável
Um ímpeto de sobrevivência
O quarto poder é um voto
Um desejo dobrado em quatro
A esperança feita num oito
Promessas, palavras vãs
Ínvios caminhos, passos perdidos
Leis e normas e regras
E o melhor dos países
E os oásis e os pântanos
E a pose a pensar na posse
No quero, no tudo, no mando
O quarto poder é um piano
As teclas, o prolongamento do tacto
A pauta, a serenidade literária
A mão, silhueta temerária
E a mente, suavemente brilhante
Tem na partitura, o efeito
E na causa cheia, o aplauso
O quarto poder é um golo
Um passe em profundidade
Um drible, um truque, um remate
Uma falta como se pecado fosse
Um alento, um país, uma forma de vitória
A outra forma da derrota
O quarto poder é um acto
As horas que dele decorrem
As vidas que nele se perdem
As incertezas do dia e a inevitabilidade da noite
O quarto poder é um arbítrio
Um acaso disfarçado
Um fogo-fátuo do nada
De tudo, a fatalidade
De todos, a provação
De muitos, a privação
De quem a responsabilidade?
O quarto poder é pergunta
E resposta
E mais pergunta
E tese, e antítese, e síntese
E os dias que hão-de vir
A nobreza do dever
A missão de não esconder
De mostrar, de saber, de fazer saber
De saber fazer, olhar, explicar
O quarto poder é um quarto
Um quarto revisitado
Um pai que é baleado
Um fogo inacabado
Um mar, assim, tresloucado
Um voto, mais uma vez escrutinado
Um piano a ser tocado
Um golo que é celebrado
Um acto premeditado
Um arbítrio incontrolado
Uma pergunta no estrado
3 comentários:
Sou suspeito, mas acho que este prémio lhe assenta bem.
Um bom domingo
António
Tenho muito orgulho em ti... continua sempre assim... Dá as tuas opiniões, sempre fundamentas no que acreditas, mas nunca te esqueças da HUMILDADE!(a humildade de saber dar opiniões e saber aceitar as dos outros, mesmo que diferentes das nossas)
Beijinho Grande
Usp "... fundamentadas..."
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