quinta-feira, 27 de março de 2008

A China e os Jogos Olímpicos


Quando os Jogos Olímpicos de 2008 foram atribuídos a Pequim pensei que seria uma excelente oportunidade para a China se abrir ao mundo e o mundo se abrir à China, país pertencente ao grupo das novas quatro potências emergentes: os BRIC (Brasil, Rússia, China e Índia).

No entanto, a China apenas se encontra nesse grupo de países devido a um profundo desrespeito pelos direitos humanos, desde a exploração de mão-de-obra infantil em condições sub humanas ao patrocínio de conflitos em grande parte do planeta, com grande ênfase para o continente africano onde se desenvolvem parcerias em países que vivem ditaduras cerradas.

A China, é hoje o país que mais violações comete aos direitos humanos: internamente condiciona as liberdades, direitos e garantias dos cidadãos, impõe condições de trabalho duríssimas como o trabalho infantil e a sobre exploração de trabalhadores, ignora a liberdade de expressão e de pensamento, promove a censura, proíbe a existência de partidos políticos, persegue as instituições religiosas e cria salas de morte para crianças e deficientes, que são um atentado à dignidade humana.

Externamente, é a China que patrocina a limpeza étnica no Darfur, que já causou cerca de meio milhão de mortos, 2,5 milhões de desalojados e 3,5 milhões dependentes de ajuda alimentar, apoiando diplomaticamente e militarmente o Governo do Sudão e os janjaweed.

É a China que executa um verdadeiro genocídio cultural no Tibete e procura a toda a hora denegrir a imagem do Dalai Lama. E esta não é uma questão interna do país. É uma questão de Direito Internacional, a partir do momento em que perante um movimento de autodeterminação pacífico, existe um país que responde com violência e repressão. É uma questão de Direito Internacional, a partir do momento em que a China tenta asfixiar a língua e a cultura tibetana destruindo mosteiros porque destruindo-se a identidade tudo se torna mais fácil. Chamam ao Dalai Lama separatista, quando foram eles que o obrigaram a exilar e a pedir apenas e só uma «real e significativa autonomia», conciliando assim os interesses das duas partes envolvidas.

Mas o mais preocupante é a forma como a Comunidade Internacional lida com tudo isto. Em relação às violações de Direitos Humanos na China, diz ser uma questão interna. Em relação à crise humanitária no Darfur, evita reconhecê-la como um genocídio. Em relação ao Tibete e ao Dalai Lama, todos lhe dão palmadinhas nas costas (afinal trata-se de um líder espiritual e Prémio Nobel da Paz), mas recusam-se a recebê-lo oficialmente e a dirigir-lhe simples palavras de apreço.

Numa atitude de clara subserviência, que ignora os direitos dos demais povos oprimidos por este país. Tudo em nome da economia, porque os valores não dão de comer nem enchem os bolsos. Com a China a crescer a olhos vistos, regiões como o Tibete e o Darfur estão cada vez mais isoladas e sobre pressão.

Aproximam-se rapidamente, os Jogos Olímpicos de Pequim que segundo a Carta Olímpica procuram "criar um modo de vida baseado na alegria do esforço, no valor educacional do bom exemplo e o respeito pelos princípios éticos universais” e têm como objectivo "colocar o desporto ao serviço de um harmonioso desenvolvimento da humanidade, com vista a promover uma sociedade pacífica e preocupada com a preservação da dignidade humana”. Jogos Olímpicos esses, que desde a sua primeira edição da Era Moderna em Atenas em 1896, se definiram não só como um evento desportivo mas também como um evento de encontro de exaltação dos Direitos Humanos, tudo que a China contraria neste momento.

Portanto, e se não houver coragem para um justificadíssimo boicote por parte dos países participantes por cobardia ou interesses desportivos dos atletas, que haja pelo menos decência de não se comparecer à Cerimónia de Abertura ou que tal como Jesse Owens nas Olimpíadas de Berlim de 1936 alguém possa envergonhar os anfitriões, tendo a coragem de lembrar o Tibete (unindo as mãos como é habitual no Dalai Lama) e todos os povos oprimidos por este país (utilizando a bandeira da ONU na chamada volta de honra).

3 comentários:

Helder Berenguer disse...

Devo dizer que partilho muitas das opiniões exprimidas neste post, mas devo-te lembrar que por detrás destas "manifestações em prol da paz" estão "poderes políticos" k fazem uso dos seus apoiantes ditos "pacifistas" para alcançar os seus objectivos. Isto ñ quer dizer que eu seja contra as manifestações...

CAV disse...

nao nego que dentro das manifestações possa haver certos separatistas mas desde que o mundo é mundo sempre houve extremistas e nao se deve equivaler meia duzia de fanáticos À verdadeira causa das manifestações.

Manifestações essas, cujos participantes têm a vida em risco, por não terem qualquer suporte a não ser o Dalai Lama, porque a entrada da China nos BRIC, fez parecer longe os tempos do pós II guerra em que Ocidente e EUA combatiam o comunismo revolucionário dando apoio a todos os povos sobre sua ameaça.

Por isso, penso mesmo que em casos como o Tibete e o Darfur é a ausência de poderes politicos que hajam em prol da paz, que levam a que situações como esta não se resolvam por mera cobardia.

Por isso, não percebo onde poderão aí estar "os poderes políticos" quando nem ONU, nem EUA nem nenhum outro país, com a excepção da Polónia e da França, fazem sentir a sua voz.

Helder Berenguer disse...

Os poderes que visam, através das ditas manifestações pacifistas alcaçar a independência do tibete.

O tão conhecido Dalai Lama... tem mais propósitos politicos do k religiosos...