segunda-feira, 10 de março de 2008

Assim não dá


Com Fernando Chalana, vamos no terceiro treinador esta época. Paradoxalmente, aquele que é o melhor plantel da última vintena de anos para Luís Filipe Vieira, é um plantel desorganizado e acomodado, com raras excepções, das quais se salientam Quim e Rui Costa, embora este último esteja a ser preparado para ser a próxima vítima do presidente.

Camacho demitiu-se e fez bem quanto a mim. O seu acto fez aumentar ainda mais a minha estima por ele. Mas infelizmente, já diz o provérbio chinês que não se deve voltar aos sítios onde já fomos felizes. É pena, porque Camacho era certamente o homem que precisavamos: frontal, sem papas na lingua, disciplinador, trabalhador e de mentalidade ganhadora. Acontece que chegou aquando do fecho das transferências de Verão e teve de gerir um plantel que não era o seu, além de em termos pessoais estar a passar por um momento muito duro com a morte do pai, após doença prolongada.

Era de compreender que a motivação não fosse a maior, especialmente no Estádio da Luz. Tudo porque há sempre aquele tipo de pseudo adeptos, que antes de saírem para o estádio preparam o lenço branco como se para o 13 de Maio fossem. Tudo porque, há sempre aquele pseudo adepto que está todo o jogo a rogar pragas para que um jogador tenha a minima falha e seja brindado com uma assobiadela monumental, que como todos nós sabemos é a maior injecção de moral que um jogador pode receber sobretudo em sua casa. Será que se o jogo com o Nuremberga tivesse sido em casa, o Benfica teria chegado aqueles dois golos? Claro que não. A pressão que os adeptos põem no clube "asfixia-o" tal como já disse Jesualdo Ferreira. Além do mais, acho que é inadmissivel que no dia em que Camacho vai enterrar o pai e ainda dá uma grande demonstração de profissionalismo ao orientar a equipa pelo Getafe no mesmo dia, seja vaiado da maneira que foi. Talvez, fosse bom que os adeptos parassem para pensar. Ser benfiquista, é mais do que ser de um clube. É um estado de alma. É dizer presente em todos os momentos. Talvez os anos 60 e 70 e até 80 nos tenham habituado mal, e esta travessia no deserto seja dolorosa, mas não é tomando a atitude do "velho do Restelo" que vamos chegar ao oásis.

Outra palavra vai para Luis Filipe Vieira, que a cada hora tenta explicar o inexplicavel, apontando nas várias direcções (Veiga, PC, Liga de Clubes, Laurentino Dias), não sabendo porém que quando se toma essa posição o mais certo é acertar nos próprios pés. O seu prazo já acabou, indefectivelmente. Se recuperou a marca do clube e a sua credibilidade financeira, os resultados ficam aquém do esperado visto não haver paciência nem organização na estrutura do clube. Os jogadores entram e saiem a uma velocidade enorme, não há estabilidade e o clube arrasta-se não raras vezes. A culpa é sempre dos mesmo: os treinadores. Em Portugal, excepto no Porto e agora no Sporting recentemente, não há uma visão integrada de organização técnica. Treinadores sucedem-se e têm um prazo de validade de 6 meses o mais tardar um ano, ao contrário do que acontece em Inglaterra onde Man Utd e Arsenal mantêm os treinadores há 20 e 10 anos respectivamente. Desta vez, no Benfica era diferente. Seria dificil, para Vieira apontar a porta da saída ao amigo Camacho. Além do mais ele era um escudo protector.

Escudo esse, que agora transportará certamente para Rui Costa, mal este acabe a brilhante carreira futebolística. É pena, porque da maneira que os adeptos encarnados são crueis e injustos e da maneira como Luís Filipe Vieira é matreito, talvez tenhamos um Rui a ser maltratado se as coisas não correrem bem, ele que é hoje, o verdadeiro guardião na mistica, cujas meias responsabilidades que vai assumindo em nada prejudicam o seu desempenho.

Segue-se Chalana, ao que parece até ao fim da época. É uma opcção justa para quem tem dado uma vida ao serviço do Benfica. Que ele saiba suportar alguns pseudo adeptos e conduzir o Benfica à magia que espalhou em campo há já alguns anos.

Porque, por enquanto, e embora me custe horrores dizer isto não se vislumbra um grande futuro ao Benfica. Mas como encarnado orgulhoso, que sou, não deixarei de o seguir um só minuto e de dizer a esses pseudo adeptos e a este presidente: PRESENTE.

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