Estes dias marcam na agenda política nacional os dois anos de mandato de Cavaco Silva na Presidência da República, os três anos de Governo PS e muitos e muitos casos no PSD.
Vão três anos de Sócrates no Governo. Mais cinco se seguirão certamente, pois não é o PSD que com tantos problemas internos e sem um rumo definido o vai fazer. Mais: o voto na esquerda vai disparar por socialistas insatisfeitos com o autoritarismo dentro do partido e por independentes que não se revêem no CDS pouco credível e num PSD à nora. E isso viu-se pela forma como a FENPROF, cujo Secretário-geral é afecto ao PCP, conseguiu juntar na manifestação mais de 100 000 professores, não só comunistas, mas também socialistas (como muitos se assumiam) e independentes.
O Governo de José Sócrates é um governo corajoso, mas inseguro, cujos ministros não têm certamente o dom da palavra, sendo que quando dispõe da mesma se tornam ridículos. As devidas reformas fazem-se de modo autoritário, imponderado e prepotente. Não há espaço ao diálogo e à pluralidade, tão necessários para o bom funcionamento da democracia. Governo e PS, aparecem todos os dias anunciando um país perfeito e explicando o inexplicável. Podemos até dizer que algumas das ideias são boas, mas a prática está longe de o ser, certamente. Infelizmente, também a solidariedade social tem sido esquecida: o país que se gaba de ter um défice inferior a 3% (grande bandeira dos socialistas), conseguiu fazer isso criando dois milhões de pobres, aumentando os impostos e cortando os serviços de saúde, educação e justiça. Apenas na política externa, onde está Luís Amado, de longe o melhor elemento deste Governo, temos visto um governo capaz, empreendedor, que sabe ouvir, tolerante e ponderado. Que jeito nos daria esse governo no nosso país...
Governo esse que não mudará em 2009, salvo haja um grande volte face. A dinastia de Luís Filipe Menezes tem sido um desastre. O partido fala a duas vozes e nem se sabe se é Santana ou Menezes quem irá a votos. O partido não logrou com a vitória do aeroporto, grande aposta de Marques Mendes. O partido que no tempo de Marques Mendes tinha a oposição de Menezes, no tempo de Menezes não consegue ouvir hoje criticas. A direcção do partido faz hoje da sua grande pluralidade um obstáculo e não uma vantagem. Será difícil que o PSD responda com sucesso à chamada dos portugueses, quando tal como eles passa pela maior crise de identidade das últimas décadas. Não há um rumo, não há uma estratégia nem há uma oposição forte. Enquanto isso, o CDS até vai fazendo pela vida, levando a tema assuntos importantes, tentando marcar a agenda política de modo a ter uma oportunidade de crescer no espaço político de direita, hoje, em crise de representação. O CDS tanta assim ir ao encontro dos sentimentos de revolta nos mais pequenos, mas não o consegue devido ao seu líder. Paulo Portas reduz o partido à sua imagem e aos seus delfins, sendo que muitos deles se encontram envolvidos em casos que ficam por esclarecer e por explicar.
Assim, sorrateiramente, PCP e BE vão crescendo sem que se dê por isso. Oferecem uma imagem de mudança e ruptura relativamente aos três partidos que têm partilhado o poder. Estão na rua, apoiando a contestação social sem serem pomposos ou populistas. Mostram proximidade e interesse pelos problemas das pessoas e beneficiam, com a desilusão que é o Governo PS e a falta de alternativa social-democrata. Serão até talvez, votos de protesto, aqueles com que estes partidos vão beneficiar, retirando assim a maioria absoluta ao PS e diminuindo uma tendência de bipartidarismo assente nos últimos anos.
A menos que algo de grave aconteça será assim em 2009. Uma última palavra vai para Cavaco Silva, que cumpre dois anos na Presidência. Num momento em que a classe política inspira tão pouca confiança, é no Presidente que se centram todas as esperanças. Sem atrapalhar a governação, ele tem sido garante de estabilidade e serenidade, à qual vai apelando sucessivamente. Sabe até onde vão as suas competências e faz um bom uso delas. Se assim continuar, teremos ao menos uma pessoa em quem confiar. E do mal, o menos...





Sem comentários:
Enviar um comentário