quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O Último Debate: Previsões e Caracter


Realizou-se na madrugada passada o último debate entre Barack Obama e John McCain, tendo em conta a próxima eleição presidencial de 4 de Novembro. Apesar de alguma vantagem dada a McCain neste debate, entendo que dificilmente Obama perderá esta eleição, pese embora nada ser impossível até ao momento da contagem dos votos.

A minha opinião, prende-se com um simples exercício de lógica: os EUA passam por momentos difíceis devido à crise financeira que afecta o país, aumento da taxa de desemprego, dificuldades no acesso à saúde e uma política externa cada vez mais complexa e questionada designadamente no que toca aos BRIC, ao recente conflito no Caucaso, aos voos da CIA para Guantanamo e à retirada das tropas americanas do Iraque.

O responsável por tudo isto, é em larga escala, George Walker Bush, líder dos destinos dos americanos desde 2000 e membro do Partido Republicano, do agora candidato John McCain., apesar deste ter sido um feroz adversário do primeiro nas primárias repúblicanas de 2000 e preservar junto do eleitorado uma imagem de independência, que se reflecte na forma como muitas vezes diverge do aparelho do partido do elefante.

Desse modo, John McCain recebe uma pesada herança do Presidente Bush, que assim se torna decisivo nesta eleição, visto o candidato septagenário, não poder negar completamente o seu legado, nem por outro lado, deixar de assumir alguns erros na política seguida nos últimos anos.

Alheio a tudo isto está Obama que arrumou os Clinton com classe, uniu o partido à sua volta, nunca recorreu ao argumento demagógico da raça e pôs metas ambiciosas no seu discurso trazendo a força da novidade para esta eleição dando um impulso muito forte para que a mesma se tornasse na que mais mobilizou os americanos desde há muitos anos. Daí o seu favoritismo, apesar de um ou outro ziguezague, como na questão da Invasão ao Iraque, em que atacou ferozmente Hillary Clinton (que desapareceu sorrateiramente da campanha, mas pela porta grande pelo contributo que deu nos últimos meses à vida democrática americana), pelo seu voto a favor da invasão, mas escolhendo posteriormente Biden para vice, que teve o mesmo sentido de voto que a ex-primeira dama.

Esperamos agora pelo resultado da eleição para que todas as dúvidas se dissipem. Por fim, gostaria apenas de realçar o elevado nível de correcção que os dois candidatos revelaram ao longo de toda a campanha., o que nem sempre aconteceu na aguerrida luta primária entre Clinton e Obama.

Os EUA são um país dominado por alguns lobbies poderosos e onde se lançam frequentemente boatos e acusações infundadas para atacar personalidades políticas. Com a triste excepção de uma ou outra intervenção de Sarah Palin, acusando Barack Obama de ter ligações terroristas, tanto Obama como McCain elevaram o nível de debate pelo respeito e admiração mutúa que sempre demonstraram ter um pelo outro. Numa fase inicial Obama não negou que o passado de veterano de guerra de McCain era um exemplo de dedicação ao país pela forma como colocou a sua vida em risco, sendo que o último também afirmou Barack Obama era para ele fonte de inspiração.

Já nesta última fase mais intensa foi bonito ver como Obama arrumou o caso da gravidez da filha de Palin dizendo que a sua mãe também o teve com 17 anos. Mais recentemente, foi de grande valor ético, a forma como McCain reagiu a algumas intervenções de cidadãos repúblicanos que diziam ter medo de Obama como presidente devido ao facto de ele ser árabe. McCain, não hesitou em defender o seu adversário, mesmo apesar dos assobios que se fizeram sentir, ao referir, e passo a citar que Obama: "É uma pessoa a quem vocês não devem temer como presidente dos Estados Unidos, é um homem decente, com quem tenho apenas desacordos em relação a alguns temas fundamentais."

Também assim se vê o caracter destes homens. Seja qual for o resultado final, a América estará bem entregue!

Sem comentários: