"A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original" - Albert Einstein (Ulm, 14 de Março de 1879 — Princeton, 18 de Abril de 1955)
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Blog Action Day 2008 - Make Poverty History
Assinala-se hoje a segunda edição da iniciativa Blog Action Day, à qual este blogue se volta a associar com o todo o gosto e orgulho. Depois de no ano passado, a iniciativa ter chamado a atenção para o tema do ambiente, este ano procuramos novamente “change the conversation”, desta vez para um outro tema não menos urgente e emergente: a pobreza.
Em pleno século XXI, a Humanidade que chegou à Lua ainda não encontrou uma solução para os graves problemas de carência que afectam grande parte do mundo. Em pleno século XXI, a Humanidade que está no auge do conhecimento e da capacidade tecnológica ainda não encontrou uma solução para acabar com a miséria e a degradação humana que afecta os quase 80% da população mundial que vive com cerca de 1 dólar por dia.
Perante tal cenário terrivelmente injusto, onde uma parte minoritária da Humanidade se desenvolveu e se civilizou à custa da outra, é necessário levantar a voz e fazer da pobreza extrema uma coisa do passado, transmitindo às gerações vindouras um legado de maior igualdade de oportunidades, em nome da dignidade humana e do direito que todo e qualquer homem ou mulher tem à sua realização pessoal.
Este é talvez o maior desafio da Humanidade, ao qual o Homem tem correspondido mal desde há muito tempo apesar dos encorajadores exemplos de muitos activistas pelos direitos humanos, missionários e voluntários que na sua comunidade ou em missões humanitárias em todo o mundo, mostram um caminho a seguir para um mundo mais próspero e mais livre.
O Homem dos últimos séculos tem vindo a tomar cada vez melhor a consciência dos seus direitos para a obtenção de uma igualdade de oportunidades que lhe permita viver em liberdade e em paz. Assim, se explica a forma heróica como os povos colonizados conseguiram a sua autodeterminação ou a forma singular como os negros e as mulheres conquistaram direitos negados por puro preconceito.
Apesar de ao invés de no passado, já não existirem hoje as barreiras legais e jurídicas contra os quais esses movimentos se bateram, grande parte do mundo está hoje envolto numa maré de indiferença que impede a resolução de muitos dos problemas que afectam o mundo, sendo a pobreza o maior deles, sobretudo no Hemisfério Sul do planeta, onde incompreensivelmente para nós, é normal uma criança morrer pela falta de uma simples vacina e onde uma carência de tal forma assustadora corrói a sociedade com guerras civis, sujeição a trabalhos forçados e ao trabalho infantil, taxas de analfabetismo alarmantes e recurso à emigração ilegal que tantos riscos comporta para a segurança de quem parte, de quem fica e de quem recebe.
E é por isso, que é hora de um mundo mais solidário. Um mundo mais solidário não é aquele que dá, é aquele que partilha, e desse modo torna a Terra, num local melhor para todos. E desse modo, se a justiça se unir à fraternidade, perceberemos, tal como disse Paulo VI na “Populorom Progressio”, que o desenvolvimento, é novo nome da paz. E que a essa paz, nunca será estranha a ausência de carência.
O quarto poder é um quarto Com vista sobre a cidade que já não o é Sobre as ruas que já o foram Sobre as casas que deixaram de o ser
O quarto poder é um pai E um filho tornado órfão por uma bala certeira Errada no alvo Errada na hora Errada no tempo, que faz do lugar a morada última, de um quotidiano que se estende
O quarto poder é um fogo Ingrato nos modos Ousado na fuga Intenso na cor Injusto nas vítimas
O quarto poder é um mar Um oceano de raiva Um elemento à deriva Uma ausência de razão Um lamento inconsolável Um ímpeto de sobrevivência
O quarto poder é um voto Um desejo dobrado em quatro A esperança feita num oito Promessas, palavras vãs Ínvios caminhos, passos perdidos Leis e normas e regras E o melhor dos países E os oásis e os pântanos E a pose a pensar na posse No quero, no tudo, no mando
O quarto poder é um piano As teclas, o prolongamento do tacto A pauta, a serenidade literária A mão, silhueta temerária E a mente, suavemente brilhante Tem na partitura, o efeito E na causa cheia, o aplauso
O quarto poder é um golo Um passe em profundidade Um drible, um truque, um remate Uma falta como se pecado fosse Um alento, um país, uma forma de vitória A outra forma da derrota
O quarto poder é um acto As horas que dele decorrem As vidas que nele se perdem As incertezas do dia e a inevitabilidade da noite
O quarto poder é um arbítrio Um acaso disfarçado Um fogo-fátuo do nada De tudo, a fatalidade De todos, a provação De muitos, a privação De quem a responsabilidade?
O quarto poder é pergunta E resposta E mais pergunta E tese, e antítese, e síntese E os dias que hão-de vir A nobreza do dever A missão de não esconder De mostrar, de saber, de fazer saber De saber fazer, olhar, explicar
O quarto poder é um quarto Um quarto revisitado Um pai que é baleado Um fogo inacabado Um mar, assim, tresloucado Um voto, mais uma vez escrutinado Um piano a ser tocado Um golo que é celebrado Um acto premeditado Um arbítrio incontrolado Uma pergunta no estrado
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