sábado, 25 de outubro de 2008

Uma guerra onde ela não existe...

Ponto número 1: sou católico mais que convicto. Entendo que isto de ser religioso, mais que uma questão de ser beato, é uma questão de ajudar quem está ao nosso lado e seguindo o Evangelho e os seus mandamentos. Sou católico, porque entendo o cristianismo como uma doutrina tolerante e aberta.

Ponto número 2: sou fã incondicional do Gato Fedorento, aprecio o seu humor e a sua inteligência e achei o sketch alusivo ao Magalhães um dos mais geniais do quarteto.

E dito isto lamento o barulho que se tem feito à volta do Magalhães, embora aceite que quem não gostou do sketch e tem uma opinião, a exprima com toda a liberdade. No entanto, considero que quando se avança com queixas ferozes dirigidas à ERC, estamos a entrar num caminho algo fundamentalista.

Em primeiro lugar porque acredito que a sátira não é dirigida aos católicos e muito menos tem a intenção de os ofender. Esta é uma sátira à obcessão de Sócrates com o Magalhães que o defende "religiosamente", se posso usar o termo.


A 23 de Setembro, o IOL Diário noticiava:

Será o «Magalhães» o «Santo Graal»?

Não é o «Cálice de Cristo», mas o efeito neste Governo poderá ser similar, pela figura central e irradiadora que se tornou o computador «Magalhães». Os olhos de Sócrates brilham, os autarcas elogiam o arrojo, a empresa americana que os vende salienta «o caso português» e as crianças já só pensam em ir à Internet. Será o «Magalhães» o «Santo Graal»?


Talvez, até tenha sido deste artigo que nasceu a rábula. Miguel Gois disse mesmo que, e passo a citar: «Não estávamos à espera disto, porque não é um sketche que vise directamente a religião, é sobre uma acção de formação do Magalhães. Não tem nada a ver com a Igreja e quem souber ler o sketche vê exactamente isso. Foi a nossa forma de tratar humoristicamente o tema, as pessoas é que não souberam interpretar»

E porque entendo que a liberdade de expressão não deve ser diferente da liberdade de humor, eu não vi neste sketch, nem nesta notícia nenhum tipo de ofensa.

Acho que uma critica tão feroz, com direito a sugestão de queixa à ERC é demasiada. Tudo porque reflecte um pouco a Igreja Católica na qual uma das coisas em que não me revejo, é o facto de se levar demasiado a sério e ser por vezes intolerável ao contrário do que Cristo sempre foi.

Nestas ocasiões lembremos o que Cristo nos disse: "Não julgueis para não serdes julgados, pois, conforme o juízo com que julgardes, assim sereis julgados; e, com a medida com que medirdes, assim sereis medidos.", "Aquele que tiver sem pecado que atire a primeira pedra".

E por isso, não esqueçamos os erros da Igreja Católica ao longo dos séculos, que tantas vidas custaram e que obrigaram João Paulo II a um pedido de desculpas a todos que sofreram por pensarem de um modo diferente.

Não esqueçamos que não há muito tempo, Bento XVI teve algumas declarações que também ofenderam o mundo muçulmano, tendo-se na altura, multipliado os apelos à tolerância.
E é por isso que os católicos têm que aceitar a opinião de quem pensa de uma forma diferente e ser mais humildes porque também já cometemos erros muito grosseiros.

Valha-nos o bispo das Forças Armadas e da Segurança, D. Januário Torgal Ferreira, que é tantas vezes aquela lufada de ar fresco. Fã dos "Gato" declarou o seguinte ao JN: "Tenho de dizer que o vi . Habitualmente entro em colisão com determinadas formas de pensar, mas esse em nada me feriu. Quem não tiver humor que não veja".

Subscrevo!!!

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