Vou assistindo aqui ao longe, à campanha para as presidenciais americanas, que de dia para dia se tornam mais interessantes. A um pouco mais de um mês da nomeação mais emocionante de sempre, o resultado continua incerto, empolgando a politica mundial. Uma coisa é certa: nada será como dantes!
Os Estados Unidos da América passam por um dos piores momentos da sua história, apenas comparado com a Grande Depressão de 1929. Depois do Liberalismo ter falhado, com o crash bolsista, as teorias neo-liberais são também hoje postas em causa, voltando a velha questão ideológica da intervenção do Estado na Economia.
Os Estados Unidos da América, é um país onde a Esquerda é praticamente inexistente. País heterogéneo, mas assente numa Constituição com mais de 200 anos onde todos se revêem sem excepção, é também o país "berço da democracia ocidental", não obstante a muitas diferenças em relação à Europa. Uma delas, já referi, é o facto de a Esquerda ser inexistente e o comunismo um mal exarcebado por todos. Podemos dizer que este é um país de Direita, subdividida na Direita Liberal, representada pelo Partido Democrata, que em Portugal se situaria entre o PS e o PSD, e na Direita Conservadora, representada pelo Partido Republicano, que em Portugal se situaria entre o PSD e o CDS-PP.
Outro facto peculiar deste país é a presença de Deus na política. Aliás, a citação "In God, We Trust", está nas notas de dolar. Este é um país profudamente cristão, mas com uma multiplicidade de igrejas e seitas, que tornam a religião um factor oculto, no quotidiano dos americanos. Oculto e daí importante para o poder, visto que todos os candidatos abordaram a presença de Deus nas suas vidas, sendo que já depois de encontrados os dois concorrentes houve um encontro entre ambos num fórum religioso numa mega-igreja da Califórnia, onde o país parou em frente à televisão para ouvir as confissões de Obama e McCain.
Quanto à campanha propriamente dita há três factos de que quero falar: as convenções, as escolhas para a vice-presidência e os debates.
A convenção democrática voltou a ser um êxito, mas Obama não conseguiu repetir o discurso entusiasmante de há 4 anos. Tudo porque depois de uma luta muito desgastante com Clinton a "Obamania" transformou-se em "Obamafadiga", e os americanos fartaram-se de ouvir a história de mudança e do menino filho de pai queniano que representava o sonho americano. O êxito da convenção prende-se então com o apoio inequivoco dado pelo casal Clinton, ao permitir a nomeação por aclamação, e também com a escolha de Biden para vice. Apesar de tal comprometer a mudança desejada por Obama, Biden representa uma opção credivel, face à importância que a politica externa tomou com a crise no Caucaso, e que será uma prioridade para a nova administração.
Já a convenção republicana acabou por ser discreta mas eficaz. Tudo porque apesar do furacão Gustav ter mudado por completo os trabalhos, suspendendo a maioria dos trabalhos, este facto acabou por mostrar ao povo americano que McCain estava pronto a por os interesses do país acima dos seus, como desde há muito o vem fazendo. A descrição durou apenas até Sarah Pallin entrar em acção. A escolha acabou por revelar-se acertada de ínicio mas tende a tornar-se arriscada. De inicio, Pallin foi um furacão, pondo pela primeira vez McCain à frente nas sondagens, sobretudo com o apoio das mulheres e da direita conservadora americana, pró-vida mas pró-armas (que é algo que não consigo perceber sinceramente). E nem a história da gravidez da sua filha, aproveitada pelos lobbies, a abalou. Mas aqui, faça-se a devida vénia a Obama pela forma como arrumou o assunto ao dizer: "A minha mãe também me teve com 17 anos!" O que a pode derrubar agora, é a falta de um discurso coerente, preenchido com inúmeras gaffes e um passado com declarações pouco claras.
A campanha entrou por fim numa fase de debates, após o acto conjunto de homenagem às vítimas do 11 de Setembro. E os debates vão dando alguma vantagem a Obama, não por mérito, mas pela díficil situação em que Bush pôs McCain, que não se pode demarcar por completo da sua administração, sabendo porém que ela se tratou de uma nódoa na história dos Estados Unidos. E com a recente crise económica tudo pende cada vez mais para Obama: líder da mudança, com um vice expert em politica internacional e totalmente alheio à crise que assola o país. Já McCain mantém no seu passado do Vietname, onde se tornou héroi e da política, onde sempre se preservou como independente, a última esperança, já que a herança de Bush é pesada e a escolha de Pallin, já deu o que tinha a dar.
Os dados estão lançados. A 4 de Novembro "é fazer as contas"!





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