terça-feira, 12 de agosto de 2008

Conflito na Geórgia


O conflito que opõe a Geórgia à Rússia acaba de entrar numa nova fase após a última ter aceite o apelo de cessar-fogo de Nicolas Sarkozy, representante da União Europeia. Apesar de depois disso, já se terem verificado alguns ataques, onde morreram dois jornalistas, há pelo menos um abrandar do agravamento da situação.

Tal como na Guerra Fria voltamos a ter frente a frente uma força pró Ocidental (Geórgia) que decide afrontar forças pró russas. No entanto, as separatistas Ossétia do Sul e Abkhazia, são apenas peões que deram o pontapé de saída num confronto onde o rei a defender ou a atacar é o dominio da zona estratégica do Caucaso, autêntica auto estrada de transporte de energia, que neste caso, na zona georgiana, serve sobretudo os EUA e a UE.

Podemos dizer, num pequeno balanço destes dias agitados, que a acção do presidente georgiano em atacar os rebeldes separatistas pró russos, apenas com o pretexto de reforçar a sua posição, saiu gorada. A uma Rússia ansiosa por um momento onde pudesse reforçar a sua influência, juntou-se uns EUA demasiado apreensivos e uma Europa medrosa, que após humilhar o velha Rússia, que com Putin ressurgiu ferida no orgulho, precisa do seu apoio contra o programa nuclear do Irão. É essa a factura que pagamos pela forma como no pós Guerra Fria, menosprezamos a velha potência em vez de estender uma mão amiga, a um país que precisava de se abrir ao mundo a todos os níveis, sem ressentimentos.

Os apelos ao cessar fogo foram surgidam timidamente. Durante alguns dias as partes envolvidas fizeram orelhas moucas, mas a mesa de negociações parece ser felizmente, o local para onde tudo se encaminha, apesar da situação continuar altamente incerta e perigosa, pois tudo isto põe em causa todo o mapa geopolítico da região e as relações entre países num mundo globalizado. Mundo globalizado esse que vive ainda de lutas de influências de século XX, de que EUA e ex-URSS são os melhores exemplos, ao invés de numa unidade integrada na soberania de cada país, de século XXI, de que a União Europeia é a principal representante. E é a principal representante porque a ONU continua impotente em relação a situações como esta, apesar das sucessivas reuniões do Conselho de Segurança, onde está, em meu entender, o verdadeiro tumor da organização: "o direito de veto" das grandes potências, que ao longo das história se provou serem as mais maléficas quando se trata de situações de violação dos direitos humanos.

Com cerca de 2 mil mortos e 100 mil civis obrigados a deixar as suas casas, um mero capricho de Saakashvili e Putin e/ou Medvedev (não se percebe muito bem ainda), criou uma situação dramática em poucas horas. Não só pelo rasto de destruição irreversível, mas sobretudo pela enorme injustiça moral que é ser o cidadão comum a pagar com tudo o que tem de mais precioso (sejam bens como a habitação, a familia, as amizades ou até mesmo a própria vida) por questão que lhe é, na maioria das vezes, completamente alheia. Eis a lógica da força e da violência.


You may say Im a dreamer,
but Im not the only one,
I hope some day you'll join us,
And the world will live as one.

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