domingo, 24 de agosto de 2008

XXIX Jogos Olimpicos


Enfim, terminaram os XXIX Jogos Olímpicos, que desta vez tiveram a sua edição na República Popular da China. Foram 15 dias de emoções fortes e sobre os quais, apenas agora me vou prenunciar. Faço-o numa atitude de prudência, que prezo, pois uma das coisas mais lamentáveis, que marcaram estes dias, foram os comentários em cima do joelho, ora de um pessimismo apocaliptico, ora de uma exaltação exagerada. Faço-o para evitar a atitude de certos comentadores que num dia disseram, que os resultados da delegação portuguesa apenas tinham paralelo com a desilução de Barcelona, e no outro classificaram Pequim como a melhor prestação portuguesa de sempre.

Cá estão os meus comentários, ponderados e reflectidos, sobre o que se passou nestes dias:

Cerimónia de Abertura

A Cerimónia de Abertura, a 8 de Agosto, foi talvez o momento mais alto destes Jogos para a China. Um espectáculo grandioso, nunca antes visto, que surpreendeu e encantou o mundo, deu o ponto de partida para os 15 dias mais importantes da China, no século XXI. Rapidamente passaram para segundo plano as detenções de activistas pró Tibete e outras questões de direitos humanos. Aquela era a prova de que a China, estava disposta a mostrar ao mundo que é capaz do melhor, deixando para Londres a dificil tarefa de manter o nivel da cerimónia em 2012.

Mas para isso a China socorreu-se de alguma tecnologia e de um playback vergonhoso, devido à falta de alinhamento dos dentes da voz da criança da "Ode à Pátria". Não foi por aí que o gato foi às filhoses, e fossem esses todos os males do mundo... mas também é verdade que na busca da perfeição não vale tudo, e nem sempre os fins justificam os meios. Porque mais do que parecer-se sério, é preciso ser-se sério. Só assim ganhamos o respeito dos outros: com transparência!


Michael Phelps e Usain Bolt




Os dois nomes que ficam para a história destes Jogos são, sem qualquer sombra de dúvida, os de Michael Phelps e de Usain Bolt que com os seus recordes do mundo (ou melhor, do outro mundo), encarnaram o lema dos Jogos Olímpicos como ninguém: mais rápido, mais alto, mais forte!

No entanto, são dois atletas com posturas muito diferentes. O primeiro, sempre correcto e humilde, mesmo após no fim destes Jogos, e com apenas 23 anos, ser já o melhor atleta olímpico de sempre. O segundo, arrogante e feroz, optou por festejar de forma demasiado efusiva, recebendo as críticas do presidente do COI, as quais subescrevo. Porque para além da componente física um bom atleta deverá também ter uma boa componente psicológica.

É esse o espírito olímpico em que acredito e que está demonstrado no vídeo acima apresentado. Espírito esse que distingue um bom atleta de um qualquer desportista. Era bom que Bolt, tivesse em conta isso, de modo a que no dia que aparecer alguém melhor que ele não seja também ele humilhado e não tenha algumas atitudes lamentáveis como o britânico que amuou com a medalha de prata do triplo salto, o cubano que agrediu um juiz no taekwondo ou o atleta que atirou a medalha ao chão.

A Representação Portuguesa



A Representação Portuguesa foi muito diferente do que se esperava e envolta em grande polémica. Á partida Vicente Moura traçou um objectivo claro: 4 medalhas e 60 pontos. Era legitimo. Pela melhoria de condições e pelos bons indicadores de Atenas.

No entanto, as coisas correram de forma diferente.

No judo, que representava uma grande esperança, os árbitros ficaram-nos com as medalhas e a vitória mais esclarecedora deveu-se a uma dor de corno.

Seguiram-se mais algumas frases infelizes, sobretudo de Vicente Moura e Telma Monteiro, e não de Marco Fortes. Vicente Moura, falou antes dos jogos terem acabado e deu o dito por não dito. Telma, revelou mau perder. Já Marco Fortes, merece a minha solidariedade. O seu comentário, escondia a insatisfação de um atleta que lutou 4 anos, longe das luzes da ribalta para estar onde esteve e que na hora H falhou. Hora essa que não é a sua predilecta, tal como todos nós, temos horas no nosso trabalho, em que temos um maior rendimento, devido às nossas caracteristicas. As criticas que se ouviram são de certo modo injustas, pois acredito que para se chegar aos Jogos Olimpicos, há muitas manhãs passadas em treinos intensos.

Depois houve três desiluções e duas grandes alegrias, que foram as que mais marcaram a segunda semana dos Jogos.

Vamos às desiluções: foram Naide Gomes, Gustavo Lima e Francis Obikwelu. A primeira, teve um dia não, numa altura em que iria arrebatar com tudo e todos como mostram os saltos nulos que fez. Gustavo morreu na praia e disse que vai abandonar. Obikwelu mostrou-se confiante mas ficou pelas meias finais. Apesar de tudo, estes três atletas, merecem o nosso apoio pela postura que demonstraram. Naide continua uma campeã, Gustavo ainda tem muito para dar e Francis pediu desculpas no momento do abandono. Devo dizer que não as aceito. Porque sempre que me lembrar dele, lembrar-me-ei do quanto vibrei naqueles 9,86 segundos de Atenas, onde um ex-trabalhador da construção civil, conseguiu o segundo lugar, assumindo uma "vingançazinha" pela derrota no europeu de futebol uns meses antes e dedicou a vitória aos defecientes. Uns dirão que não sabe o hino, mas ele ama-o, e apesar de não ter um português muito fluente, levou o nosso país mais alto e mais longe. Por opção!

Já as alegrias foram as medalhas. Vanessa deixou àgua na boca para Londres e Nelson... não há palavras. Com humildade e talento conseguiu com que o nosso hino tocasse pela quarta vez em Jogos Olímpicos. O relato do video anterior é arrepiante. Foi uma forma de salvar a honra do convento.

Que estes erros sirvam de lição para o futuro: é preciso falar menos e trabalhar mais. É preciso mudar as mentalidades, num país onde as pessoas apenas se lembram dos atletas de quatro em quatro anos e para exigir. É preciso sobretudo mais humildade. O mote está dado. Londres é já amanhã. FORÇA PORTUGAL!



PS: Desculpem a clubite, mas o Benfica conseguiu nestes jogos 2 medalhas de ouro e uma de prata. Nada de relevante, já que a emoção de ver Di María, Vanessa e Évora, foi a mesma de ver Obikwelu e Rui Silva em 2004. Mas não resisti...

Sem comentários: