sábado, 29 de março de 2008

Parabéns Maestro

Caro Rui:

Trinta e seis anos e ainda pareces um jovem de vinte e poucos. Mesmo sabendo as responsabilidades que terás na próxima época, continuas a ser a par do Quim, o melhor da nossa equipa. É o protótipo do jogador perfeito. A minha admiração por ti não tem limites e para mim tens o mesmo significado que a águia no emblema: és parte do Benfica.

Quando saístes em 1994, não foi como um mercenário. Foi a melhor forma de ajudares o clube numa altura difícil. Pelos doze anos que passaste fora, fizeste muitos amigos como se viu no jogo com o Milan não só pela tua brilhante forma de jogar, mas também pela forma como sempre foste como pessoa: directo sem deixar de ser cordial e amigo sem nunca deixar de saberes quais eram as tuas responsabilidades.

No regresso doze anos depois (sem antes nos marcares aquele golo com direito aquelas lágrimas que ficaram sempre nos nossos corações) deste uma bofetada de luva branca a todos os críticos que te chamaram velho e acabado depois daquela lesão.

O resultado desta época está à vista, e se fosse por ti certamente iríamos muito mais alto.

Na selecção fizeste parte da Geração de Ouro que tantas alegrias nos deram e mesmo depois do abandono continuas-te presente: 94 presenças e 26 golos são de facto obra.

Nas novas funções que terás desejo-te a maior sorte do mundo, mas nada terás a provar depois de tantas e tão boas glórias.

Que neste dia de aniversário tenhas toda a saúde, amor e paz do mundo.

PARABÉNS

quinta-feira, 27 de março de 2008

A China e os Jogos Olímpicos


Quando os Jogos Olímpicos de 2008 foram atribuídos a Pequim pensei que seria uma excelente oportunidade para a China se abrir ao mundo e o mundo se abrir à China, país pertencente ao grupo das novas quatro potências emergentes: os BRIC (Brasil, Rússia, China e Índia).

No entanto, a China apenas se encontra nesse grupo de países devido a um profundo desrespeito pelos direitos humanos, desde a exploração de mão-de-obra infantil em condições sub humanas ao patrocínio de conflitos em grande parte do planeta, com grande ênfase para o continente africano onde se desenvolvem parcerias em países que vivem ditaduras cerradas.

A China, é hoje o país que mais violações comete aos direitos humanos: internamente condiciona as liberdades, direitos e garantias dos cidadãos, impõe condições de trabalho duríssimas como o trabalho infantil e a sobre exploração de trabalhadores, ignora a liberdade de expressão e de pensamento, promove a censura, proíbe a existência de partidos políticos, persegue as instituições religiosas e cria salas de morte para crianças e deficientes, que são um atentado à dignidade humana.

Externamente, é a China que patrocina a limpeza étnica no Darfur, que já causou cerca de meio milhão de mortos, 2,5 milhões de desalojados e 3,5 milhões dependentes de ajuda alimentar, apoiando diplomaticamente e militarmente o Governo do Sudão e os janjaweed.

É a China que executa um verdadeiro genocídio cultural no Tibete e procura a toda a hora denegrir a imagem do Dalai Lama. E esta não é uma questão interna do país. É uma questão de Direito Internacional, a partir do momento em que perante um movimento de autodeterminação pacífico, existe um país que responde com violência e repressão. É uma questão de Direito Internacional, a partir do momento em que a China tenta asfixiar a língua e a cultura tibetana destruindo mosteiros porque destruindo-se a identidade tudo se torna mais fácil. Chamam ao Dalai Lama separatista, quando foram eles que o obrigaram a exilar e a pedir apenas e só uma «real e significativa autonomia», conciliando assim os interesses das duas partes envolvidas.

Mas o mais preocupante é a forma como a Comunidade Internacional lida com tudo isto. Em relação às violações de Direitos Humanos na China, diz ser uma questão interna. Em relação à crise humanitária no Darfur, evita reconhecê-la como um genocídio. Em relação ao Tibete e ao Dalai Lama, todos lhe dão palmadinhas nas costas (afinal trata-se de um líder espiritual e Prémio Nobel da Paz), mas recusam-se a recebê-lo oficialmente e a dirigir-lhe simples palavras de apreço.

Numa atitude de clara subserviência, que ignora os direitos dos demais povos oprimidos por este país. Tudo em nome da economia, porque os valores não dão de comer nem enchem os bolsos. Com a China a crescer a olhos vistos, regiões como o Tibete e o Darfur estão cada vez mais isoladas e sobre pressão.

Aproximam-se rapidamente, os Jogos Olímpicos de Pequim que segundo a Carta Olímpica procuram "criar um modo de vida baseado na alegria do esforço, no valor educacional do bom exemplo e o respeito pelos princípios éticos universais” e têm como objectivo "colocar o desporto ao serviço de um harmonioso desenvolvimento da humanidade, com vista a promover uma sociedade pacífica e preocupada com a preservação da dignidade humana”. Jogos Olímpicos esses, que desde a sua primeira edição da Era Moderna em Atenas em 1896, se definiram não só como um evento desportivo mas também como um evento de encontro de exaltação dos Direitos Humanos, tudo que a China contraria neste momento.

Portanto, e se não houver coragem para um justificadíssimo boicote por parte dos países participantes por cobardia ou interesses desportivos dos atletas, que haja pelo menos decência de não se comparecer à Cerimónia de Abertura ou que tal como Jesse Owens nas Olimpíadas de Berlim de 1936 alguém possa envergonhar os anfitriões, tendo a coragem de lembrar o Tibete (unindo as mãos como é habitual no Dalai Lama) e todos os povos oprimidos por este país (utilizando a bandeira da ONU na chamada volta de honra).

domingo, 23 de março de 2008

UMA SANTA PÁSCOA 2008



O verdadeiro pastor é Aquele que conhece também o caminho que passa pelo vale da morte; Aquele que, mesmo na estrada da derradeira solidão, onde ninguém me pode acompanhar, caminha comigo servindo-me de guia ao atravessá-la: Ele mesmo percorreu esta estrada, desceu ao reino da morte, venceu-a e voltou para nos acompanhar a nós agora e nos dar a certeza de que, juntamente com Ele, encontramos uma passagem.


(Bento XVI - Spe Salvi)

sexta-feira, 21 de março de 2008

A Paixão De Cristo

A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.
João 1:5

Não há dúvidas que Jesus Cristo foi o Homem mais influente que passou pela Terra. Muito se escreveu sobre ele milhares de anos antes do seu nascimento e ainda hoje mais de 2000 anos depois. Cristo foi o Deus que assumiu a condição humana. O Deus que se tornou no mais humilde de todos nós ao nascer num estábulo, imaginem, no meio da porcaria dos animais, literalmente. O Deus que teve uma mãe e um pai. O Deus que correu, que saltou, que teve sede e que teve fome. O Deus que teve uma profissão. O Deus que chorou quando o seu amigo Lázaro morreu e que se irritou quando viu os comerciantes no templo. O Deus que teve compaixão que curou, que disse a verdade, que ensinou e que amou.

Porque, tal como hoje, à epoca tudo isso causou muita confusão o destino foi uma morte, e morte de cruz à qual ele obedeceu. Assim, Cristo tornou-se no Deus esbofeteado, cuspido, chicoteado, gozado e mal tratado. Imaginem só: um Deus, que assumindo a condição humana, foi humilhado, traído por um amigo. Um Deus que no caminho para a cruz consolou e no seu alto perdoou e pediu perdão por aqueles que pediram a sua crucificação. Tudo isto duro demais de suportar para qualquer um de nós, quanto mais para alguém que passou a vida a pregar o bem, a ensinar e a ajudar.

Hoje, celebra-se a morte de Cristo. Cristo esse que morreu pelas nossas faltas e iniquidades. Um Deus que morreu por nós! Um Deus que veio para nos salvar, e o fez com a sua vida! E este não foi apenas um acto de um ser superior, misericordiosamente bondoso para com um ser inferior e imperfeito. Foi sobretudo um acto de amor. E a partir daí, o nosso sofrimento passou a ter sentido pois se um dia o mundo nos odiar, lembraremo-nos que primeiro que a nós, odiou a Cristo, o Deus feito Homem que morreu por nós (Jo 15, 18). A partir daí ganhamos um mandamento novo: "Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida pelos seus amigos." (Jo 15, 12-13)

Mas Cristo ressuscitou três dias depois, daí a citação do primeiro capítulo do Evangelho Segundo São João, com o qual comecei este post: "A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela." (Jo 1, 5)

O mal não venceu. Cristo ressuscitou e continua no meio de nós personificado em todas as pessoas que ele salvou, mas sobretudo nos mais desfavorecidos e nos desconsolados. Os seus ensinamentos sobre o amor e a fraternidade continuam a unir pessoas de muitos lugares, fazendo com que o cristianismo seja a religião mais difundida em todo o mundo.

Nos dias de hoje é preciso combater o pecado, especialmente a hipocrisia e a crueldade para com os fracos, mas sem preconceitos e sem julgamentos, lembrando que Cristo estava sempre disposto a curar e a perdoar, mesmo antes que as pessoas se mostrassem arrependidas, pois o poder de Deus é maior que qualquer pecado, e o arrependimento e a fé podem salvar o Homem. É preciso ter a noção de que muitos de nós, que hoje nos dizemos cristãos, se vivessemos naquela altura, talvez fossemos daqueles que no meio da multidão gritavam: "Crucifica-o! Crucifica-o!".

Aos seus seguidores, Jesus oferece ainda hoje normas de vida. O amor a Deus e ao próximo com toda a força dos nossos corações e das nossas mentes. Cada pessoa deve tratar as outras como gostaria de ser tratada por elas. Devemos perdoar mais e ser solidários: "A quem te esbofetear a face direita, oferece também a esquerda, a quem te arrebatar o manto, não recuses a tunica, a quem te pedir para acompanhar uma milha, acompanha duas" (Mts 5, 39-42). Os Evangelhos falam também de 36 milagres de Jesus, nunca para benefício próprio. Ainda que não sejamos Deus, nós podemos ser aquele que trás os cinco pães e os dois peixes.

Hoje, 2000 anos depois, a mensagem continua actual e necessária. Que esta Páscoa seja o ressuscitar de uma sociedade mais amiga dos valores do amor, da fraternidade, da solidariedade e compaixão, ou seja, uma sociedade mais amiga dos verdadeiros valores cristãos...

quarta-feira, 19 de março de 2008

«Orelhas Moucas»


Nunca uma guerra resolveu os problemas do Homem. A guerra do Iraque não é excepção. Resta-nos a consolação de sabermos que mais de meio mundo esteve contra a guerra...

É verdade que o Iraque vivia sob a ditadura de Saddam Hussein e o povo iraquiano não o queria lá, mas isso não dava o direito ao Presidente da América, George W. Bush, de bombardear o Iraque e matar milhares de pessoas inocentes. Quanto à existência de armas de destruição maciça, ainda hoje, esta continua por provar.

Nunca uma guerra resolveu os problemas do Homem. A guerra do Iraque não é excepção.

Resta-nos a consolação de sabermos que mais de meio mundo esteve contra a guerra: na Austrália mulheres nuas fizeram um logotipo humano em forma de coração, a apelar à paz; em Londres, mais de um milhão de pessoas manifestou-se contra a guerra; a ONU fez tudo para evitar a guerra; o papa João Paulo II fez vários apelos e reuniu-se com membros do governo do Iraque e dos Estado Unidos, a fim de evitar a guerra; muitos governos e figuras públicas condenaram o ataque das forças da coligação, chegando mesmo a acusar Bush de terrorista.

Mas George W. Bush, o "senhor do mundo", como vem sendo hábito, mais uma vez, fez "orelhas moucas".

Até quando, senhor Bush?

Artigo de opinião escrito por mim duas semanas depois da invasão do Iraque há exactamente 5 anos. Á altura era apenas uma criança de 11 anos, mas desde logo percebi (ao contrário de Durão, Aznar e Blair) que esta guerra era um desastre para a Humanidade

quarta-feira, 12 de março de 2008

Balanços

Estes dias marcam na agenda política nacional os dois anos de mandato de Cavaco Silva na Presidência da República, os três anos de Governo PS e muitos e muitos casos no PSD.

Vão três anos de Sócrates no Governo. Mais cinco se seguirão certamente, pois não é o PSD que com tantos problemas internos e sem um rumo definido o vai fazer. Mais: o voto na esquerda vai disparar por socialistas insatisfeitos com o autoritarismo dentro do partido e por independentes que não se revêem no CDS pouco credível e num PSD à nora. E isso viu-se pela forma como a FENPROF, cujo Secretário-geral é afecto ao PCP, conseguiu juntar na manifestação mais de 100 000 professores, não só comunistas, mas também socialistas (como muitos se assumiam) e independentes.

O Governo de José Sócrates é um governo corajoso, mas inseguro, cujos ministros não têm certamente o dom da palavra, sendo que quando dispõe da mesma se tornam ridículos. As devidas reformas fazem-se de modo autoritário, imponderado e prepotente. Não há espaço ao diálogo e à pluralidade, tão necessários para o bom funcionamento da democracia. Governo e PS, aparecem todos os dias anunciando um país perfeito e explicando o inexplicável. Podemos até dizer que algumas das ideias são boas, mas a prática está longe de o ser, certamente. Infelizmente, também a solidariedade social tem sido esquecida: o país que se gaba de ter um défice inferior a 3% (grande bandeira dos socialistas), conseguiu fazer isso criando dois milhões de pobres, aumentando os impostos e cortando os serviços de saúde, educação e justiça. Apenas na política externa, onde está Luís Amado, de longe o melhor elemento deste Governo, temos visto um governo capaz, empreendedor, que sabe ouvir, tolerante e ponderado. Que jeito nos daria esse governo no nosso país...

Governo esse que não mudará em 2009, salvo haja um grande volte face. A dinastia de Luís Filipe Menezes tem sido um desastre. O partido fala a duas vozes e nem se sabe se é Santana ou Menezes quem irá a votos. O partido não logrou com a vitória do aeroporto, grande aposta de Marques Mendes. O partido que no tempo de Marques Mendes tinha a oposição de Menezes, no tempo de Menezes não consegue ouvir hoje criticas. A direcção do partido faz hoje da sua grande pluralidade um obstáculo e não uma vantagem. Será difícil que o PSD responda com sucesso à chamada dos portugueses, quando tal como eles passa pela maior crise de identidade das últimas décadas. Não há um rumo, não há uma estratégia nem há uma oposição forte. Enquanto isso, o CDS até vai fazendo pela vida, levando a tema assuntos importantes, tentando marcar a agenda política de modo a ter uma oportunidade de crescer no espaço político de direita, hoje, em crise de representação. O CDS tanta assim ir ao encontro dos sentimentos de revolta nos mais pequenos, mas não o consegue devido ao seu líder. Paulo Portas reduz o partido à sua imagem e aos seus delfins, sendo que muitos deles se encontram envolvidos em casos que ficam por esclarecer e por explicar.

Assim, sorrateiramente, PCP e BE vão crescendo sem que se dê por isso. Oferecem uma imagem de mudança e ruptura relativamente aos três partidos que têm partilhado o poder. Estão na rua, apoiando a contestação social sem serem pomposos ou populistas. Mostram proximidade e interesse pelos problemas das pessoas e beneficiam, com a desilusão que é o Governo PS e a falta de alternativa social-democrata. Serão até talvez, votos de protesto, aqueles com que estes partidos vão beneficiar, retirando assim a maioria absoluta ao PS e diminuindo uma tendência de bipartidarismo assente nos últimos anos.

A menos que algo de grave aconteça será assim em 2009. Uma última palavra vai para Cavaco Silva, que cumpre dois anos na Presidência. Num momento em que a classe política inspira tão pouca confiança, é no Presidente que se centram todas as esperanças. Sem atrapalhar a governação, ele tem sido garante de estabilidade e serenidade, à qual vai apelando sucessivamente. Sabe até onde vão as suas competências e faz um bom uso delas. Se assim continuar, teremos ao menos uma pessoa em quem confiar. E do mal, o menos...

segunda-feira, 10 de março de 2008

Assim não dá


Com Fernando Chalana, vamos no terceiro treinador esta época. Paradoxalmente, aquele que é o melhor plantel da última vintena de anos para Luís Filipe Vieira, é um plantel desorganizado e acomodado, com raras excepções, das quais se salientam Quim e Rui Costa, embora este último esteja a ser preparado para ser a próxima vítima do presidente.

Camacho demitiu-se e fez bem quanto a mim. O seu acto fez aumentar ainda mais a minha estima por ele. Mas infelizmente, já diz o provérbio chinês que não se deve voltar aos sítios onde já fomos felizes. É pena, porque Camacho era certamente o homem que precisavamos: frontal, sem papas na lingua, disciplinador, trabalhador e de mentalidade ganhadora. Acontece que chegou aquando do fecho das transferências de Verão e teve de gerir um plantel que não era o seu, além de em termos pessoais estar a passar por um momento muito duro com a morte do pai, após doença prolongada.

Era de compreender que a motivação não fosse a maior, especialmente no Estádio da Luz. Tudo porque há sempre aquele tipo de pseudo adeptos, que antes de saírem para o estádio preparam o lenço branco como se para o 13 de Maio fossem. Tudo porque, há sempre aquele pseudo adepto que está todo o jogo a rogar pragas para que um jogador tenha a minima falha e seja brindado com uma assobiadela monumental, que como todos nós sabemos é a maior injecção de moral que um jogador pode receber sobretudo em sua casa. Será que se o jogo com o Nuremberga tivesse sido em casa, o Benfica teria chegado aqueles dois golos? Claro que não. A pressão que os adeptos põem no clube "asfixia-o" tal como já disse Jesualdo Ferreira. Além do mais, acho que é inadmissivel que no dia em que Camacho vai enterrar o pai e ainda dá uma grande demonstração de profissionalismo ao orientar a equipa pelo Getafe no mesmo dia, seja vaiado da maneira que foi. Talvez, fosse bom que os adeptos parassem para pensar. Ser benfiquista, é mais do que ser de um clube. É um estado de alma. É dizer presente em todos os momentos. Talvez os anos 60 e 70 e até 80 nos tenham habituado mal, e esta travessia no deserto seja dolorosa, mas não é tomando a atitude do "velho do Restelo" que vamos chegar ao oásis.

Outra palavra vai para Luis Filipe Vieira, que a cada hora tenta explicar o inexplicavel, apontando nas várias direcções (Veiga, PC, Liga de Clubes, Laurentino Dias), não sabendo porém que quando se toma essa posição o mais certo é acertar nos próprios pés. O seu prazo já acabou, indefectivelmente. Se recuperou a marca do clube e a sua credibilidade financeira, os resultados ficam aquém do esperado visto não haver paciência nem organização na estrutura do clube. Os jogadores entram e saiem a uma velocidade enorme, não há estabilidade e o clube arrasta-se não raras vezes. A culpa é sempre dos mesmo: os treinadores. Em Portugal, excepto no Porto e agora no Sporting recentemente, não há uma visão integrada de organização técnica. Treinadores sucedem-se e têm um prazo de validade de 6 meses o mais tardar um ano, ao contrário do que acontece em Inglaterra onde Man Utd e Arsenal mantêm os treinadores há 20 e 10 anos respectivamente. Desta vez, no Benfica era diferente. Seria dificil, para Vieira apontar a porta da saída ao amigo Camacho. Além do mais ele era um escudo protector.

Escudo esse, que agora transportará certamente para Rui Costa, mal este acabe a brilhante carreira futebolística. É pena, porque da maneira que os adeptos encarnados são crueis e injustos e da maneira como Luís Filipe Vieira é matreito, talvez tenhamos um Rui a ser maltratado se as coisas não correrem bem, ele que é hoje, o verdadeiro guardião na mistica, cujas meias responsabilidades que vai assumindo em nada prejudicam o seu desempenho.

Segue-se Chalana, ao que parece até ao fim da época. É uma opcção justa para quem tem dado uma vida ao serviço do Benfica. Que ele saiba suportar alguns pseudo adeptos e conduzir o Benfica à magia que espalhou em campo há já alguns anos.

Porque, por enquanto, e embora me custe horrores dizer isto não se vislumbra um grande futuro ao Benfica. Mas como encarnado orgulhoso, que sou, não deixarei de o seguir um só minuto e de dizer a esses pseudo adeptos e a este presidente: PRESENTE.

domingo, 9 de março de 2008

ACÇÃO DE SENSIBILIZAÇÃO "porDarfur"


Um grupo de jovens da Ancorensis, entre os que se destacou Carlos Videira, do 11º Ano, levou a cabo uma acção de sensibilização a favor do povo do Darfur.


Convidaram o padre Leonel Claro, um missionário Comboniano que durante 10 anos conviveu com a realidade centro africana (Chade), embora não conhecedor directo do genocídio a que o povo desta região de África vem sendo submetido desde 2003 pelo governo do Sudão, mas intimamente ligado à campanha internacional de solidariedade para com esta região.


Foi apresentado um vídeo no decorrer do colóquio/debate realizado no passado dia 5, em que era dada a palavra a inúmeras vítimas, fruto de um trabalho arriscado de jornalistas espanhóis que conseguiram furar o bloqueio imposto por Cartum aos diferentes órgãos de comunicação que têm tentado dar a conhecer a miséria, violência a atrocidades cometidas sobre 3,5 milhões de pessoas, sem recursos para subsistirem.

Esta campanha de sensibilização, informação e angariação de fundos pretende que a ONU (dominada pelas superpotências, designadamente pelos norte-americanos que dessa forma pensam estar a combater a Al-Caeda, enquanto que os chineses exploram o petróleo e vendem armas e a Rússia mantém a sua posição de não-interferência) faça deslocar para a região uma missão de apoio humanitário de 26.000 homens, aprovada em Julho de 2007 mas ainda sem resultados visíveis.

Acresce a esta necessidade de apoio o facto de existirem já 14.000 pessoas em tarefas de auxílio no terreno, mas sem que o consigam, atendendo ao boicote decretado pelo governo sudanês que insiste em dizer que nada se passa no Darfur.


sexta-feira, 7 de março de 2008

Acção de Sensibilização porDarfur


Há algum tempo que me interessava pelo Darfur. Desde logo traçei uma meta para mim próprio: fazer uma acção de sensibilização na minha escola se possivel com a presença de alguém da Campanha. Essa meta foi atingida na passada quarta feira, com a presença do Pe. Leonel Claro (Missionário Comboniano) no auditório.

Tudo isto demorou o seu tempo e foi bastante dificil. Tivemos que ver as datas, falar com a direcção, organizar as tarefas, chamar a comunicação social local, distribuir os convites, sensibilizar. No final, tivemos um auditório bem composto, alguns fundos para o Darfur e a ideia de voltar a fazer qualquer coisa pela Feira do Livro agora em Julho. É evidente que para isso ter acontecido, tenho muito que agradecer aos professores e a alguns colegas que me prestaram um apoio magnifico. Seria dificil ter feito tudo sozinho...

O Darfur, não é mais uma guerra civil como existe em muitos países africanos. É uma questão de Direitos Humanos, a partir do momento em que uma raça se julga superior a outra e a extremina usando todo o tipo de atrocidades desde violações a assassinatos em massa, gerando ódios, incompreensão e dor. A Comunidade Internacional, assiste a tudo isto passivamente como se nada houvesse, não aprendendo com o que se passou na Arménia, na Alemanha, na Bósnia ou no Ruanda. Talvez um dia se lembrem, mas aí puderá ser tarde demais e para a história fica a sensação de cobardia e de indiferença, de um mundo que devia ser solidário e atento.

Voltando à acção houve uma pequena apresentação minha e do Pe. Leonel onde se abordou a questão do Darfur e tudo mais, mas claro que o que mais chocou foi o video "Darfur: Chamamento à Consciência" do Canal Odisseia. Perante a brutalidade dos testemunhos e das imagens, nasceu a pergunta: Como é possivel fingir que nada acontece? De facto, só uma grande conjuntura de interesses (ou falta deles) o pode justificar. Mas a verdade é que os governantes, apesar de terem mais responsabilidades, são seres humanos como nós e talvez hoje não tomem a acção porque antes de terem essas mesmas responsabilidades, não foram sensibilizados.

É por isso que acho importante a divulgação e os pequenos gestos. Eu sei que não serei eu a levar a paz ao Darfur, mas terei a consciência tranquila de que pelo menos não foi por mim que a situação continuou na mesma. Sei que é possível fazer algo, mas para isso também é necessário que outras pessoas se juntem a nós. Tal como disse Madre Teresa de Calcutá, e sem me querer obviamente comparar a ela, eu sei que o que faço, é uma gota no meio do oceano. Mas sem ela, o oceano será menor. E sei que se conseguir juntar mais uma pessoa a este movimento, já poderemos ser duas e assim sucessivamente. Foi isso que procuramos fazer nesta acção, na esperança de que pelo menos o nome "Darfur" tenha ficado no ouvido daqueles que estiveram presentes.

segunda-feira, 3 de março de 2008

O MAL NÃO ESTÁ NOS POLÍTICOS. ESTÁ EM NÓS

Portugal está desanimado e todos os lamentos indicam a causa: os políticos não prestam. Quase se apalpa a desorientação e falta de liderança. As declarações públicas, muito variadas, partilham um elemento comum: ninguém faz ideia do rumo do País. Fala-se, propõe-se, sobretudo denuncia-se e critica-se, mas não se apresenta um objectivo claro e uma forma realista de lá chegar. No entanto, temos de o dizer, os políticos actuais não são piores que os anteriores. Por que razão estão tão perdidos?

O que mudou foi o País. Aliás, o drama actual é consequência do sucesso dos políticos. Depois dos terríveis choques da revolução de Abril e da adesão à Europa, as instituições portuguesas estabilizaram. Mas a calma fez regressar o pior da cultura lusa. Surgiram as classes instaladas, direitos adquiridos, interesses organizados. Voltámos à esclerose social que destruiu o tempo de D. Fernando, D. João III, D. Carlos e Afonso Costa. Mas a era da informação e globalização não se compadece com corporativismos, privilégios e condicionamentos industriais. Este é o busílis da questão que nenhuma força política se atreve a enfrentar.

O problema mais grave do País está no confronto entre contribuintes e grupos de interesse. Infelizmente essas duas forças diluem-se na sociedade, não são bem definidas e, em certa medida, coincidem. Mas através do Orçamento do Estado metade do produto nacional é retirada a uns para ser dada a outros. Esta redistribuição, em geral saudável e necessária, passou a incluir grandes desvios para actividades fúteis ou até nocivas. Burocracias, subsídios, bloqueios, estudos técnicos, funcionários inúteis, inspectores fanáticos, professores sem aulas, planos tecnológicos.

Como é óbvio, os interesses instalados instalam-se em primeiro lugar nos próprios partidos. No PCP chamam-se "sindicatos", no PP "classe média", no BE "povo", no PS e PSD chamam-se "forças vivas", mas são sempre os mesmos e todos querem a mesma coisa, manter as regalias que o sistema lhes dá.

O Governo e o PS, como antes o PSD, enchem a boca com as reformas, fizeram algumas e criaram conflitos. Mas nunca estiveram realmente convencidos da sua justeza. Após três anos concretizaram muito menos do que disseram. Vivem hoje um misto de embriaguez de poder e de temor da ressaca. Do PSD pode dizer-se o mesmo, hoje com mais ressaca que embriaguez. Ambos sacrificam as ideias aos cargos.

Igual simetria se vê entre o CDS-PP e o BE. Aí as ideias são sacrificadas às próprias ideias. Sempre indefinidos em termos ideológicos, já passaram por várias posições opostas. O PP foi liberal, democrata-cristão e conservador, pró e antieuropeu. O BE assume uma salganhada que vai do ecologismo ao trotskismo e ao maoísmo, sem sequer tentar a síntese. A diferença é que os populares anseiam, enquanto os bloquistas desprezam o poder. Mas o valor de ambos é a denúncia e a crítica, nunca a solução e a construção.

O PCP é um caso à parte, o único partido com ideias claras sobre o futuro. Só que as suas ideias são do passado. Há muito tempo que não as vêem e, pelo cheiro, começam a suspeitar que estejam fora de prazo.

Entretanto o Estado está totalmente absorvido consigo próprio e alheio às questões sociais. A administração passa a vida a olhar para o umbigo. É espantoso como as discussões e debates, reformas, políticas, medidas e discursos quase só têm a ver com funcionários e servidores públicos. Nunca se fala ou se lida com cidadãos ou utentes, a não ser para os acusar de evasão fiscal e violação de regulamentos.

O País, que defronta desemprego e globalização, atrasos na justiça e custos da saúde, confusão na educação e aumento da criminalidade, não vê ninguém que o inspire. Existe uma patente incapacidade das instituições para entenderem, quanto mais lidarem com a situação nacional. A democracia funciona e ainda podemos evitar o pior. Este não é um Estado falhado, como o rotativismo liberal ou a Primeira República. Mas é preciso perceber que o mal não vem dos políticos mas da esclerose.

João César das Neves