domingo, 9 de março de 2008

ACÇÃO DE SENSIBILIZAÇÃO "porDarfur"


Um grupo de jovens da Ancorensis, entre os que se destacou Carlos Videira, do 11º Ano, levou a cabo uma acção de sensibilização a favor do povo do Darfur.


Convidaram o padre Leonel Claro, um missionário Comboniano que durante 10 anos conviveu com a realidade centro africana (Chade), embora não conhecedor directo do genocídio a que o povo desta região de África vem sendo submetido desde 2003 pelo governo do Sudão, mas intimamente ligado à campanha internacional de solidariedade para com esta região.


Foi apresentado um vídeo no decorrer do colóquio/debate realizado no passado dia 5, em que era dada a palavra a inúmeras vítimas, fruto de um trabalho arriscado de jornalistas espanhóis que conseguiram furar o bloqueio imposto por Cartum aos diferentes órgãos de comunicação que têm tentado dar a conhecer a miséria, violência a atrocidades cometidas sobre 3,5 milhões de pessoas, sem recursos para subsistirem.

Esta campanha de sensibilização, informação e angariação de fundos pretende que a ONU (dominada pelas superpotências, designadamente pelos norte-americanos que dessa forma pensam estar a combater a Al-Caeda, enquanto que os chineses exploram o petróleo e vendem armas e a Rússia mantém a sua posição de não-interferência) faça deslocar para a região uma missão de apoio humanitário de 26.000 homens, aprovada em Julho de 2007 mas ainda sem resultados visíveis.

Acresce a esta necessidade de apoio o facto de existirem já 14.000 pessoas em tarefas de auxílio no terreno, mas sem que o consigam, atendendo ao boicote decretado pelo governo sudanês que insiste em dizer que nada se passa no Darfur.


sexta-feira, 7 de março de 2008

Acção de Sensibilização porDarfur


Há algum tempo que me interessava pelo Darfur. Desde logo traçei uma meta para mim próprio: fazer uma acção de sensibilização na minha escola se possivel com a presença de alguém da Campanha. Essa meta foi atingida na passada quarta feira, com a presença do Pe. Leonel Claro (Missionário Comboniano) no auditório.

Tudo isto demorou o seu tempo e foi bastante dificil. Tivemos que ver as datas, falar com a direcção, organizar as tarefas, chamar a comunicação social local, distribuir os convites, sensibilizar. No final, tivemos um auditório bem composto, alguns fundos para o Darfur e a ideia de voltar a fazer qualquer coisa pela Feira do Livro agora em Julho. É evidente que para isso ter acontecido, tenho muito que agradecer aos professores e a alguns colegas que me prestaram um apoio magnifico. Seria dificil ter feito tudo sozinho...

O Darfur, não é mais uma guerra civil como existe em muitos países africanos. É uma questão de Direitos Humanos, a partir do momento em que uma raça se julga superior a outra e a extremina usando todo o tipo de atrocidades desde violações a assassinatos em massa, gerando ódios, incompreensão e dor. A Comunidade Internacional, assiste a tudo isto passivamente como se nada houvesse, não aprendendo com o que se passou na Arménia, na Alemanha, na Bósnia ou no Ruanda. Talvez um dia se lembrem, mas aí puderá ser tarde demais e para a história fica a sensação de cobardia e de indiferença, de um mundo que devia ser solidário e atento.

Voltando à acção houve uma pequena apresentação minha e do Pe. Leonel onde se abordou a questão do Darfur e tudo mais, mas claro que o que mais chocou foi o video "Darfur: Chamamento à Consciência" do Canal Odisseia. Perante a brutalidade dos testemunhos e das imagens, nasceu a pergunta: Como é possivel fingir que nada acontece? De facto, só uma grande conjuntura de interesses (ou falta deles) o pode justificar. Mas a verdade é que os governantes, apesar de terem mais responsabilidades, são seres humanos como nós e talvez hoje não tomem a acção porque antes de terem essas mesmas responsabilidades, não foram sensibilizados.

É por isso que acho importante a divulgação e os pequenos gestos. Eu sei que não serei eu a levar a paz ao Darfur, mas terei a consciência tranquila de que pelo menos não foi por mim que a situação continuou na mesma. Sei que é possível fazer algo, mas para isso também é necessário que outras pessoas se juntem a nós. Tal como disse Madre Teresa de Calcutá, e sem me querer obviamente comparar a ela, eu sei que o que faço, é uma gota no meio do oceano. Mas sem ela, o oceano será menor. E sei que se conseguir juntar mais uma pessoa a este movimento, já poderemos ser duas e assim sucessivamente. Foi isso que procuramos fazer nesta acção, na esperança de que pelo menos o nome "Darfur" tenha ficado no ouvido daqueles que estiveram presentes.

segunda-feira, 3 de março de 2008

O MAL NÃO ESTÁ NOS POLÍTICOS. ESTÁ EM NÓS

Portugal está desanimado e todos os lamentos indicam a causa: os políticos não prestam. Quase se apalpa a desorientação e falta de liderança. As declarações públicas, muito variadas, partilham um elemento comum: ninguém faz ideia do rumo do País. Fala-se, propõe-se, sobretudo denuncia-se e critica-se, mas não se apresenta um objectivo claro e uma forma realista de lá chegar. No entanto, temos de o dizer, os políticos actuais não são piores que os anteriores. Por que razão estão tão perdidos?

O que mudou foi o País. Aliás, o drama actual é consequência do sucesso dos políticos. Depois dos terríveis choques da revolução de Abril e da adesão à Europa, as instituições portuguesas estabilizaram. Mas a calma fez regressar o pior da cultura lusa. Surgiram as classes instaladas, direitos adquiridos, interesses organizados. Voltámos à esclerose social que destruiu o tempo de D. Fernando, D. João III, D. Carlos e Afonso Costa. Mas a era da informação e globalização não se compadece com corporativismos, privilégios e condicionamentos industriais. Este é o busílis da questão que nenhuma força política se atreve a enfrentar.

O problema mais grave do País está no confronto entre contribuintes e grupos de interesse. Infelizmente essas duas forças diluem-se na sociedade, não são bem definidas e, em certa medida, coincidem. Mas através do Orçamento do Estado metade do produto nacional é retirada a uns para ser dada a outros. Esta redistribuição, em geral saudável e necessária, passou a incluir grandes desvios para actividades fúteis ou até nocivas. Burocracias, subsídios, bloqueios, estudos técnicos, funcionários inúteis, inspectores fanáticos, professores sem aulas, planos tecnológicos.

Como é óbvio, os interesses instalados instalam-se em primeiro lugar nos próprios partidos. No PCP chamam-se "sindicatos", no PP "classe média", no BE "povo", no PS e PSD chamam-se "forças vivas", mas são sempre os mesmos e todos querem a mesma coisa, manter as regalias que o sistema lhes dá.

O Governo e o PS, como antes o PSD, enchem a boca com as reformas, fizeram algumas e criaram conflitos. Mas nunca estiveram realmente convencidos da sua justeza. Após três anos concretizaram muito menos do que disseram. Vivem hoje um misto de embriaguez de poder e de temor da ressaca. Do PSD pode dizer-se o mesmo, hoje com mais ressaca que embriaguez. Ambos sacrificam as ideias aos cargos.

Igual simetria se vê entre o CDS-PP e o BE. Aí as ideias são sacrificadas às próprias ideias. Sempre indefinidos em termos ideológicos, já passaram por várias posições opostas. O PP foi liberal, democrata-cristão e conservador, pró e antieuropeu. O BE assume uma salganhada que vai do ecologismo ao trotskismo e ao maoísmo, sem sequer tentar a síntese. A diferença é que os populares anseiam, enquanto os bloquistas desprezam o poder. Mas o valor de ambos é a denúncia e a crítica, nunca a solução e a construção.

O PCP é um caso à parte, o único partido com ideias claras sobre o futuro. Só que as suas ideias são do passado. Há muito tempo que não as vêem e, pelo cheiro, começam a suspeitar que estejam fora de prazo.

Entretanto o Estado está totalmente absorvido consigo próprio e alheio às questões sociais. A administração passa a vida a olhar para o umbigo. É espantoso como as discussões e debates, reformas, políticas, medidas e discursos quase só têm a ver com funcionários e servidores públicos. Nunca se fala ou se lida com cidadãos ou utentes, a não ser para os acusar de evasão fiscal e violação de regulamentos.

O País, que defronta desemprego e globalização, atrasos na justiça e custos da saúde, confusão na educação e aumento da criminalidade, não vê ninguém que o inspire. Existe uma patente incapacidade das instituições para entenderem, quanto mais lidarem com a situação nacional. A democracia funciona e ainda podemos evitar o pior. Este não é um Estado falhado, como o rotativismo liberal ou a Primeira República. Mas é preciso perceber que o mal não vem dos políticos mas da esclerose.

João César das Neves

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Ao Serviço...

De facto tem estado dificil de vir cá actualizar isto, devido aos trabalhos múltiplos que tenho tido para fazer: ele é a escola, ele é o basquetebol onde sou respectivamente delegado de turma e capitão de equipa. Ele é a iniciativa Parlamento Jovem. Ele é a Campanha porDarfur. Ele é os trabalhos da paróquia na Quaresma. Ele é tudo e mais alguma coisa. Não me posso queixar, porque a nada disto fui obrigado. Fui eu que me propus para melhor poder servir os outros, que no fundo é a grande razão de viver, na minha perspectiva.

Na minha opinião uma vida só vale a pena se for vivida a pensar nos outros, tentando fazer o pequeno mundo que nos rodeia, que é o mundo dos nossos amigos, da nossa familia, da nossa comunidade. De facto, é bastante gratificante poder ouvir um obrigado. É bastante gratificante saber que fizemos algo para melhorar um bocadinho a vida dos outros. Porque de nada serve ser feliz, se a nossa felicidade não puder ser compartilhada por aqueles com quem partilhamos a nossa vida.

É assim que eu espero fazer a minha vida: estendendo a mão. Sabendo que uma palavra ou uma boa acção no momento certo pode ajudar muito. Sabendo também que sempre que nos dedicamos aos outros, deixamos de parte o nosso eu: passamos a ser menos egoístas, partilhamos experiências, tomamos como nossos os problemas dos outros e compreendemos melhor o ser humano em si. E é por isso que eu começei desde já, sabendo que daí não vem nada. Mesmo que tenha que fazer alguns sacríficios, é gratificante e como cristão que sou é uma obrigação. E podem crer que um grande sacrificio foi este de ficar tantos dias afastado do meu querido blog. Sem dar as minhas ideias sobre os problemas em Timor, a educação, a independência do Kosovo. Também não será agora que o vou fazer: o que já foi dito, foi muito bem dito e no momento certo.

Na verdade os acontecimentos também não têm fugido muito à mesma história de sempre, sobretudo no nosso país. Infelizmente, porque temos um país onde o Primeiro Ministro é mau, mas a oposição é ainda pior. Por isso em nada me surpreende a sondagem de ontem da Universidade Católica para o JN/RTP/ANTENA 1.

As legislativas de 2009, são provavelmente as primeiras em que irei exercer o meu direito de voto. Muito sinceramente talvez seja um voto em branco. Tudo dependerá muito das listas apresentadas do circulo eleitoral do distrito (Viana do Castelo). Se o PS de Sócrates tem avançado com um autoritarismo e uma arrogância que apenas lhe fica mal, para além das gaffes hilariantes da incompetência dos ministros. Temos hoje um país mais pobre, mais desigual, menos solidário e um governo que apenas trabalha para as estatisticas e que é incapaz de ouvir aqueles que estão a ser alvo de reformas incompreensiveis.

Surge a pergunta: quem fará melhor? Será Luís Filipe Menezes, que não tem um discurso capaz nem uma única proposta séria e credivel para tirar o país do caos onde está. Não me parece. E ao nível dos pequenos partidos? Será o voto no CDS que Portas tomou de assalto e até tem feito uma boa oposição, mas que é incapaz de ter uma imagem credivel depois da passagem pelo último governo de coligação, um bom voto? Será o PCP capaz de se libertar do discurso que usa há 34 anos sem mudança de forma nem conteúdo? Será o BE capaz de deixar de ser um partido utópico, adaptando-se à realidade do país e da Europa? E os votos em pequenos partidos? Talvez o voto PNR fosse bom para assustar os nossos politicos para a fraca qualidade de democracia que tem o nosso país, tal como aconteceu com Le Pen em França? E o PND, o novo partido "dos feirantes e dos ciganos" segundo o seu líder?

No fundo, tudo isto traduz a falta de confiança que hoje temos nos partidos, devido à fraca credibilidade das suas principais caras, à sua retórica, às sucessivas acusações pessoais que fazem uns aos outros e que retira a atenção dos problemas do país: dois milhões de pobres, inflação, subida de 50% do preço do pão... Devido também à incapacidade dos politicos de lutar pelos interesses do país em detrimento dos interesses de cada partido. Partido esses que continuam endividados tal como vi numa reportagem do Jornal de Notícias, devido aos grandes banquetes dos comicios ou aos brindes e cartazes de tempo de eleições que em parte pagamos.

Começei este post a falar de servir os outros. Quem governa está lá por vontade do povo, para o representar, prestar contas, compreender os problemas do país ouvindo todos os que têm algo a dizer. Ministro vem do latim "ministru" e é "o que serve, ou que ajuda" ou mesmo "o escravo". Todavia, esta humilde palavra veio a designar, na linguagem política, uma função elevada: Ministro da Economia, Ministro da Cultura, etc. Ministro significa então servo: servo do Estado, servo do povo, servo da sociedade. O Chefe do Governo é então, o primeiro de entre todos os servidores.

E infelizmente, não vejo hoje, com a excepção de um ou outro, politicos com esta capacidade: a de servir. É pena...

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Negócios à portuguesa

Certa vez, quatro meninos foram ao campo e, por 100 €, compraram o burro a um velho camponês.

O homem combinou entregar-lhes o animal no dia seguinte.

Mas, quando eles voltaram para levar o burro, o camponês disse-lhes:

- Sinto muito, amigos, mas tenho uma má notícia. O burro morreu.

- Então devolva-nos o dinheiro!.

- Não posso, já o gastei todo.

- Então, de qualquer forma, queremos o burro.

- E para que o querem? O que vão fazer com ele?

- Nós vamos rifá-lo.

- Estão loucos? Como vão rifar um burro morto?

- Obviamente, não vamos dizer a ninguém que ele está morto.

Um mês depois, o camponês encontrou-se novamente com os quatro garotos e perguntou-lhes:

- E então, o que aconteceu com o burro?

- Como lhe dissemos, nós rifamo-lo. Vendemos 500 rifas a 2 € cada uma e arrecadamos 1.000 €.

- E ninguém se queixou?

- Só o ganhador, porém devolvemos-lhe os 2 €, e pronto!

O IMORAL DA HISTÓRIA
Os quatro meninos cresceram.
Um fundou um banco chamado "BCP";
Outro uma empresa chamada "SONAE";
Outro uma igreja chamada "Universal"
E o último um partido político chamado "PS"...
E estão agora a governar Portugal!!!!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Yes, we can

It was a creed written into the founding documents that declared the destiny of a nation.

Yes we can.

It was whispered by slaves and abolitionists as they blazed a trail toward freedom.

Yes we can.

It was sung by immigrants as they struck out from distant shores and pioneers who pushed westward against an unforgiving wilderness.

Yes we can.

It was the call of workers who organized; women who reached for the ballots; a President who chose the moon as our new frontier; and a King who took us to the mountaintop and pointed the way to the Promised Land.

Yes we can to justice and equality.

Yes we can to opportunity and prosperity.

Yes we can heal this nation.

Yes we can repair this world.

Yes we can.

We know the battle ahead will be long, but always remember that no matter what obstacles stand in our way, nothing can stand in the way of the power of millions of voices calling for change.

We have been told we cannot do this by a chorus of cynics...they will only grow louder and more dissonant ........... We've been asked to pause for a reality check. We've been warned against offering the people of this nation false hope.

But in the unlikely story that is America, there has never been anything false about hope.

Now the hopes of the little girl who goes to a crumbling school in Dillon are the same as the dreams of the boy who learns on the streets of LA; we will remember that there is something happening in America; that we are not as divided as our politics suggests; that we are one people; we are one nation; and together, we will begin the next great chapter in the American story with three words that will ring from coast to coast; from sea to shining sea...

HOJE, TORÇO PELOS ESTADOS UNIDOS! TORÇO POR BARACK OBAMA!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

5 anos de limpeza étnica

Hoje em dia, basta abrir os jornais ou ver um telejornal, para ver um mundo carregado de negativismo: acidentes rodoviários, incêndios, sismos, mortes. Os media criaram em nós um sentimento de impotência tão grande, que parece que não é possível fazer nada para que possamos viver num mundo melhor para todos.

Talvez seja assim devido a interesses superiores que controlam o mundo da informação. Afinal, a televisão não é mais que o reflexo de uma sociedade.

Faz exactamente cinco anos que começaram os massacres na região do Darfur no Sudão! Praticamente ninguém sabe, precisamente por o Darfur não ser lucrativo para esses tais interesses superiores. É que admitir um genocídio, obriga-nos a agir, e portanto mais vale fazer de conta que nada se passa.

No entanto há algumas pessoas que se têm empenhado em chamar a atenção das pessoas para o que está a acontecer, sem o devido feedback dos media que aqui poderiam ser muito úteis, porque eu acredito que eles podem ser importantes se contribuírem para aproximar as pessoas umas das outras. Felizmente, hoje existe a Internet que de facto preenche essa lacuna e onde cada um de nós pode dar o seu contributo seja pequeno ou grande. Vale sempre a pena fazer algo. Mais que não seja por obrigação da nossa consciência de seres humanos.

E acredito que foram esses pequenos contributos que levaram as forças da ONU a tomar conta da segurança no Darfur. Esse foi um primeiro passo, mas faltam os meios e os recursos para garantir uma segurança efectiva, que infelizmente não é prioridade, o que quer dizer que ainda há uma trabalho a fazer, sobretudo junto da China, que é o principal parceiro do Sudão internacionalmente e receberá dentro de seis meses os Jogos Olímpicos que por norma valorizam os valores de amizade entre os povos.

É necessário consciencializar as pessoas para o que se está a passar. Sobretudo se tivermos em atenção o que já se passou na Alemanha e no Ruanda: um genocídio, ou seja, a eliminação de seres humanos pela simples razão de serem de uma etnia diferente.

É certo que a resolução conflito não poderá ocorrer de um dia para o outro, porque é necessário o diálogo, mas há que ter em atenção que enquanto pouco ou nada é feito, existem neste preciso momento, aldeias que estão a ser exterminadas, crianças com fome e com sede, pessoas debilitadas e medo, muito medo do que poderá acontecer no momento seguinte.

Entretanto, a insegurança já se alastrou ao Chade que tem recebido muitos refugiados e agora sofre de uma ofensiva rebelde patrocinada pelo Governo do Sudão, a fim evitar o envio da força da União Europeia para o Darfur, que acusa o Chade de apoiar os "rebeldes" que actuam nessa região.

O Sudão está hoje empenhado em derrubar o Governo do Chade para aniquilar os apoios e a estrutura dos grupos armados que actuam em Darfur, antes da chegada das tropas da UE. O Sudão nega tal como continua a afirmar que nada tem a haver com a limpeza étnica e o genocídio no Darfur que já causou tantas vítimas (mais de 400 mil mortos e 2,5 milhões de refugiados).

Vivemos hoje numa autêntica aldeia global, onde pequenos actos se sentem a quilómetros de distância. Mais do que alimentos e de água, aquela região precisa de paz e esperança. E tal como dizia Agostinho de Hipona a esperança só pode ser dada por duas coisas: pela indignação e pela coragem. A indignação de não aceitar as coisas como estão e a coragem de lutar para as mudar.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Ao rubro

Imagem retirada do blog Corta-Fitas

Nunca umas primárias nos Estados Unidos da América geraram tanta excitação. De facto, é bom sinal para o país e para o mundo, visto que quase todos os grandes temas têm sido tratados um a um.

Mesmo no Partido Republicano, que não tem sido tão badalado, quem diria que John McCain estaria à frente tão confortavelmente ou que Rudy Giuliani estaria de fora tão cedo? E Huckabee, quem diria que ganharia 6 Estados até esta altura? Tudo isto mostra que até os republicanos estão fartos de Bush (do pai, mas muito especialmente do filho, que tem feito borrada atrás de borrada) e para isso escolhem um dos seus maiores adversários dentro do partido. E esta é uma das maiores derrotas de Bush, mesmo que ele não esteja obviamente na campanha. E talvez seja Giuliani quem saiu mais desfavorecido por isto. Saiu cedo demais devido às suas posições liberais e ao facto da sua vida ter sido muito exposta mas, e apesar de ter dado o apoio a John McCain nesta fase, ele está ligado a Bush pelo 11 de Setembro.

John McCain terá aqui então, aos 71 anos um grande e ultimo desafio, assegurada a vitória após a desistência de Romney. Unir o Partido, que nem gosta muito dele à sua volta e recuperar o prestigio do mesmo junto do eleitorado independente. Será também interessante ver, se Obama ganhar as primárias democratas, um duelo de gerações entre um homem de 71 anos e um de 46.

E já que falo no Partido Democrata, estas estão a ser umas primárias de grande emoção. Não sei, se seria democrata ou republicano se vivesse nos EUA, mas nestas eleições a existência de um afro-americano de apenas 46 anos empolga-me cada vez mais. O seu discurso de unidade e mudança é muito oportuno, pois é disso mesmo que o país precisa. Aliás nota-se que se tem discutido muito quem vota em quem: quem consegue os votos das mulheres, da Igreja, dos jovens, dos idosos, dos afro-americanos, dos hispânicos. Isso mostra que os EUA ainda é um país onde a diferença às vezes é entrave E sem fazer valer o facto de ser negro, Obama quer ser efectivamente o presidente de todos os americanos e isso é talvez a mudança mais significativa que pode obter e que leva a que um sem numero de figuras dêem a cara por ele desde Oprah Winfrey a George Clooney, passando por Stevie Wonder.

Do outro lado está Hillary Clinton, depois de John Edwards ter abandonado a corrida devido aos poucos fundos obtidos. Ora arrogante, ora chorona vai levando a água ao seu moinho e até é provavel que ganhe esta batalha, sendo possivel que Obama seja seu vice, o que não seria vergonha nenhuma visto ele ser ainda bastante jovem, e Hillary estar a preparar o seu regresso à White House desde 2001. Se ganhar será interessante ver qual será o papel de Bill, que se tem demonstrado muito agressivo com Obama. Talvez funcione como um diplomata para questões internacionais. Será também interessante ver nascer uma nova luta entre familias: os Bush e os Kennedy. Se Bill sucedeu a Bush pai, Hillary sucederia a Bush filho. Mas se Hillary perder? Como é que o Partido se vai unir para lutar contra os republicanos?

Apesar de tudo já estar decisivo nos republicanos, faltando apenas ver quem será o vice de McCain e que posição puderá assumir Huckabee na nova administração, nos democratas a luta está ao rubro. Se Hillary representa o regresso a um passado próximo de boas memórias e a emanicpação feminina, Obama representa uma lavagem total que à muito o país precisa e a representação da vasta comunidade afro-americana.

Fica a pergunta mais ansiada dos últimos tempos: quem será o novo inquilino da White House dia 1 de Janeiro de 2009?

Como diria João Pinto: "Prognósticos, só no fim do jogo!"

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Imperador da Lingua Portuguesa nasceu há 400 anos


"Estamos às portas da Quaresma, que é o tempo em que principalmente se semeia a palavra de Deus na Igreja, e em que ela se arma contra os vícios. Preguemos e armemo-nos todos contra os pecados, contra as soberbas, contra os ódios, contra as ambições, contra as invejas, contra as cobiças, contra as sensualidades. Veja o Céu que ainda tem na terra quem se põe da sua parte. Saiba o Inferno que ainda há na terra quem lhe faça guerra com a palavra de Deus, e saiba a mesma terra que ainda está em estado de reverdecer e dar muito fruto: Et fecit fructum centuplum."

Padre António Vieira - um dos mais extraordinários espíritos que Portugal produziu e uma figura ímpar da História Universal - nasceu há exactamente 400 anos, no dia 6 de Fevereiro. Missionário, pregador, político, defensor dos pobres, dos escravos e das outras culturas, Padre António Vieira foi perseguido pela Inquisição e venceu-a, falava e escrevia as principais línguas da Europa e do Brasil e produziu obras-primas que, quatro séculos depois, continuam a arrebatar quem as lê.




domingo, 3 de fevereiro de 2008

De facto, surpreendente

Disse Marinho Pinto, novo Bastonário da Ordem dos Advogados:

«Há uma criminalidade em Portugal, da mais nociva para o Estado e para a sociedade, que anda aí impunemente. Muitos exibem os benefícios e os lucros dessa criminalidade e não há formas de lhes tocar. Alguns até ocupam cargos relevantes no Estado Português. São situações que toda a gente vê, como membros do Governo que fazem negócios com empresas privadas e depois quando saem vão para administradores dessas empresas. Esbanjam-se milhões de euros em pagamentos de serviços cuja utilidade é duvidosa e depois não há dinheiro para necessidades básicas.»

O PS assegurou:

O Primeiro-ministro, José Sócrates, garantiu este sábado que o Bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, não se referia a nenhum membro do actual governo quando proferiu, ontem, as acusações sobre a existência de casos de corrupção no Estado.

O PSD reagiu:

O líder do PSD, Luís Filipe Menezes, desdramatizou este sábado, em Boticas (Vila Real), as acusações de corrupção proferidas ontem pelo Bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto

O CDS pediu que contretizasse:

O CDS-PP vai requerer a audição parlamentar do bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, face às "gravíssimas" acusações de que há pessoas com cargos de relevo na hierarquia estatal que comentem crimes impunemente.

NOTÍCIAS VINDAS A PÚBLICO ULTIMAMENTE:

O actual líder do CDS-PP, Paulo Portas, terá mandado digitalizar cerca de 60 mil páginas que se encontravam no seu gabinete no Ministério da Defesa, uma semana antes das eleições que levaram à queda do Governo de Santana Lopes. Alguns dos documentos em causa tinham escrito "confidencial", "submarinos" ou "Iraque", segundo a empresa que procedeu à digitalização.

O ex-deputado José Sócrates recebeu indevidamente um subsídio de exclusividade da Assembleia da República, entre finais de 1988 e princípios de 1992, por acumular as suas funções parlamentares com a actividade profissional de engenheiro técnico, enquanto projectista e como responsável pelo alvará de uma empresa de construção civil.

O deputado do CDS-PP Telmo Correia assinou cerca de três centenas de despachos como ministro do Turismo na madrugada do dia em que o novo executivo, liderado por José Sócrates, foi empossado no Palácio da Ajuda. Apesar de estar em gestão corrente, o ex-ministro do Governo de Santana Lopes fez uma verdadeira maratona que quase não lhe deu tempo para se inteirar do que estava a assinar à pressa, após ter passado mais de uma dezena de dias sem ir ao Ministério do Turismo.

FORA OS CASOS QUE NATURALMENTE NÃO CONHECEMOS...

QUALQUER BURRO SABE QUAL É PAÍS EM QUE VIVEMOS. NÃO É PRECISO QUE VENHA UM BASTONÁRIO DAR-NOS ESSA NOVIDADE, NEM OS PARTIDOS PEDIREM QUE ELE CONCRETIZE. BASTA LER OS JORNAIS E ESTAR UM BOCADINHO ATENTO.