terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

5 anos de limpeza étnica

Hoje em dia, basta abrir os jornais ou ver um telejornal, para ver um mundo carregado de negativismo: acidentes rodoviários, incêndios, sismos, mortes. Os media criaram em nós um sentimento de impotência tão grande, que parece que não é possível fazer nada para que possamos viver num mundo melhor para todos.

Talvez seja assim devido a interesses superiores que controlam o mundo da informação. Afinal, a televisão não é mais que o reflexo de uma sociedade.

Faz exactamente cinco anos que começaram os massacres na região do Darfur no Sudão! Praticamente ninguém sabe, precisamente por o Darfur não ser lucrativo para esses tais interesses superiores. É que admitir um genocídio, obriga-nos a agir, e portanto mais vale fazer de conta que nada se passa.

No entanto há algumas pessoas que se têm empenhado em chamar a atenção das pessoas para o que está a acontecer, sem o devido feedback dos media que aqui poderiam ser muito úteis, porque eu acredito que eles podem ser importantes se contribuírem para aproximar as pessoas umas das outras. Felizmente, hoje existe a Internet que de facto preenche essa lacuna e onde cada um de nós pode dar o seu contributo seja pequeno ou grande. Vale sempre a pena fazer algo. Mais que não seja por obrigação da nossa consciência de seres humanos.

E acredito que foram esses pequenos contributos que levaram as forças da ONU a tomar conta da segurança no Darfur. Esse foi um primeiro passo, mas faltam os meios e os recursos para garantir uma segurança efectiva, que infelizmente não é prioridade, o que quer dizer que ainda há uma trabalho a fazer, sobretudo junto da China, que é o principal parceiro do Sudão internacionalmente e receberá dentro de seis meses os Jogos Olímpicos que por norma valorizam os valores de amizade entre os povos.

É necessário consciencializar as pessoas para o que se está a passar. Sobretudo se tivermos em atenção o que já se passou na Alemanha e no Ruanda: um genocídio, ou seja, a eliminação de seres humanos pela simples razão de serem de uma etnia diferente.

É certo que a resolução conflito não poderá ocorrer de um dia para o outro, porque é necessário o diálogo, mas há que ter em atenção que enquanto pouco ou nada é feito, existem neste preciso momento, aldeias que estão a ser exterminadas, crianças com fome e com sede, pessoas debilitadas e medo, muito medo do que poderá acontecer no momento seguinte.

Entretanto, a insegurança já se alastrou ao Chade que tem recebido muitos refugiados e agora sofre de uma ofensiva rebelde patrocinada pelo Governo do Sudão, a fim evitar o envio da força da União Europeia para o Darfur, que acusa o Chade de apoiar os "rebeldes" que actuam nessa região.

O Sudão está hoje empenhado em derrubar o Governo do Chade para aniquilar os apoios e a estrutura dos grupos armados que actuam em Darfur, antes da chegada das tropas da UE. O Sudão nega tal como continua a afirmar que nada tem a haver com a limpeza étnica e o genocídio no Darfur que já causou tantas vítimas (mais de 400 mil mortos e 2,5 milhões de refugiados).

Vivemos hoje numa autêntica aldeia global, onde pequenos actos se sentem a quilómetros de distância. Mais do que alimentos e de água, aquela região precisa de paz e esperança. E tal como dizia Agostinho de Hipona a esperança só pode ser dada por duas coisas: pela indignação e pela coragem. A indignação de não aceitar as coisas como estão e a coragem de lutar para as mudar.

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