domingo, 30 de agosto de 2009

Timor: 10 anos depois

Passam hoje 10 anos do referendo à independência de Timor Leste! Uma realidade para a qual Portugal contribuiu desde 1975.

Esse foi o meu despertar para a causa dos Direitos Humanos e a prova de que a mobilização dos cidadãos para certas causas pode mudar o mundo

Recordo com nostalgia os 3 minutos de silêncio, o dia em que todos sairam à rua com uma peça branca, o empenho do Presidente Sampaio... Recordo igualmente todo o activismo da Dra. Ana Gomes nesta causa, da qual me falou numa palestra organizada por mim em Vila Praia de Âncora. Tive ainda a oportunidade de contactar na organização dessa palestra sobre os DH com D. Ximenes Belo por telemóvel. Momentos que não esqueço.

O país atravessa hoje muitos desafios. Mas estou certo que com a nossa ajuda e com a maturação da sua democracia tudo irá melhorar.

Escrevo hoje no DN: "A amnistia que Ramos Horta quer dar aos indonésios tem de ser acompanhada de uma garantia de que estes irão julgar os responsáveis das atrocidades cometidas contra os timorenses. Mais que não seja, em memória das longas barbas do falecido Carrascalão"

PS: Esta foi uma ausência longa devido aos exames, candidatura ao ensino superior e trabalho de Verão. Espero voltar agora em força no mês de Setembro. Os mais curiosos sempre me podem acompanhar em http://twitter.com/cavideira e ver o que fui dizendo acerca dos assuntos que foram marcando a agenda nos últimos tempos.

E hoje, mais do que nunca, é hora de recordar o hino dos Trovante a esta causa tão querida aos portugueses.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

O nosso país

Mais do que tudo, os portugueses precisam de exemplo. Exemplo dos seus maiores e dos seus melhores. O exemplo dos seus heróis, mas também dos seus dirigentes. Dos afortunados, cujas responsabilidades deveriam ultrapassar os limites da sua fortuna. Dos sabedores, cuja primeira preocupação deveria ser a de divulgar o seu saber. Dos poderosos, que deveriam olhar mais para quem lhes deu o poder. Dos que têm mais responsabilidades, cujo “ethos” deveria ser o de servir.

Dê-se o exemplo e esse gesto será fértil! Não vale a pena, para usar uma frase feita, dar “sinais de esperança” ou “mensagens de confiança”. Quem assim age, tem apenas a fórmula e a retórica. Dê-se o exemplo de um poder firme, mas flexível, e a democracia melhorará. Dê-se o exemplo de honestidade e verdade, e a corrupção diminuirá. Dê-se o exemplo de tratamento humano e justo e a crispação reduzir-se-á. Dê-se o exemplo de trabalho, de poupança e de investimento e a economia sentirá os seus efeitos

António Barreto

Sim, talvez seja pelo facto do mau exemplo vir de cima, que o país está como está! Mas a culpa pela situação do país não é só dos políticos. É de todos! Dos tal 10 milhões de portugueses, com raríssimas excepções. Não vale a pena andarmos a lançar acusações, porque todos temos telhados de vidro.

Não podemos continuar a pensar, que nós, os portugueses, somos todos muito bons e o problema está nos políticos. Está em nós, que nem quando temos a oportunidade de escolher e mudar e somos chamados a fazê-lo, preferimos ficar em casa, tal como mostram os elevados níveis de abstenção. Se não há alternativas credíveis quem pensa assim, que avance por si próprio.

Para que o país ande para a frente de uma vez por todas é essencial que todos assumam as suas responsabilidades, ao contrário de apontar sempre o dedo aos outros. E para que isso aconteça, o exemplo tem que vir de cima.

E assim, pode ser que alguma coisa começe a mudar...

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Dia de Portugal



"Ser intensamente patriota é três coisas. É, primeiro, valorizar em nós o indivíduo que somos, e fazer o possível por que se valorizem os nossos compatriotas, para que assim a Nação, que é a suma viva dos indivíduos que a compõem, e não o amontoado de pedras e areia que compõem o seu território, ou a coleção de palavras separadas ou ligadas de que se forma o seu léxico ou a sua gramática — possa orgulhar-se de nós, que, porque ela nos criou, somos seus filhos, e seus pais, porque a vamos criando."


Fernando Pessoa

sábado, 6 de junho de 2009

Carta de Despedida

Queridos colegas:

Hoje é um dia de grande felicidade para todos nós.

Não só por ter sido o último dia de aulas deste ano lectivo, mas porque o mesmo encerra um importante ciclo das nossas vidas.

Hoje, nesta noite de gala, a alegria do presente cruza-se com a nostalgia do passado e a expectativa do futuro.

Afinal sempre foram muitos, os anos que passamos nesta escola da qual nos despedimos para enfrentar um novo desafio nas nossas vidas.

Entramos putos de palmo e meio e hoje saímos quase uns homens e umas mulheres. Durante este período que passou tão depressa, crescemos em altura e em maturidade. É espantoso ver como mudamos tanto ao longo destes anos.

Nesta escola passamos momentos mais que importantes da nossa adolescência.

São sentimentos que a linguagem não expressa e emoções que as palavras não sabem traduzir.

São as visitas de estudo com tantas histórias para contar; as partidas e as malandrices pregadas a colegas, funcionários e professores; as aulas; os intervalos; os estudos até queimarem as pestanas (ou não).

São também as pessoas com quem nos cruzamos.

Os colegas e amigos que aqui fizemos e com os quais partilhamos todos estes momentos de descoberta e aprendizagem.

As funcionárias e os funcionários, uns mais bem dispostos que outros, uns mais nossos amigos que outros, mas sempre presentes e sempre importantes, mesmo quando nos impediam de fazer as nossas asneiras ou de faltar aquelas aulas para quem ninguém tinha pachorra para ir.

Os professores que afinal não são apenas aquelas criaturas odiosas que querem que estudemos a sua disciplina 25 horas por dia, mas homens e mulheres que nos preparam da melhor maneira que podem e que sabem para o mundo que nos espera lá fora.

A todos agradecemos por estes anos magníficos. Certamente que a memoria não se apagará.

Estamos orgulhosos por ter pertencido a esta escola e a esta instituição, por tudo o que ela nos proporcionou na construção da nossa identidade, mas cientes que também contribuímos para o seu dinamismo, ao longo destes anos.

Nesta noite de gala, em que nos vestimos a rigor, juntamo-nos para dizer um “adeus”, que nada mais é que um “até já”, e um “boa sorte” que nada mais é que um incentivo para continuarmos a subir a montanha da vida.

É um caminho duro, é um caminho árduo, é um caminho difícil, mas é o caminho que fará de nós os homens e as mulheres que irão mudar o mundo.


Carlos Alberto Videira
5 de Junho de 2009

segunda-feira, 1 de junho de 2009

GRAZIE FIGO


MILANO - Dopo quattro intensi anni in nerazzurro, 140 presenze e 11 gol e una carriera da leader oltre che nel calcio italiano anche in quello spagnolo e portoghese, Luis Figo saluta il calcio giocato. L'Inter e i suoi tifosi possono solo dirgli grazie, per il suo contributo dato in questi anni dentro e fuori dal campo e per esser stato un esempio tanto da calciatore quanto come uomo. Grazie Luis.

sábado, 23 de maio de 2009

Verdades

Assisti a tudo isto em directo. Gostei de ouvir Marinho Pinto.

Manuela Moura Guedes faz do seu jornal de sexta uma autêntica palhaçada, que nada tem de informação, mas de perseguição e demagogia. As acusações e os ataques a José Sócrates (caso de que sou insuspeito para falar, visto nem nutrir grande simpatia pelo nosso Primeiro Ministro, o que não quer dizer que não esteja ao seu lado nesta trapalhada do Caso Freeport), as reportagens recheadas de demagogia e populismo e este último episódio fazem com que já passe este canal à frente nos meus habituais zappings, não assistindo sequer aos sábios comentários de Vasco Pulido Valente.

Marinho Pinto, foi politicamente incorrecto, mas deu um abanão e disse aquilo que era preciso dizer e que muitos não dizem porque não têm coragem. Estou do seu lado.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Adeus Figo!


Luís Figo deixou o futebol de alto nível.

Com ele sai de cena definitivamente a tal Geração de Ouro do futebol português que eu aprendi a admirar e a respeitar por toda a sua qualidade técnica, mas também pelo comportamento que sempre evidenciou dentro e fora das quatro linhas e que permitiu mudar o panorama nacional tornando o jogador português mais respeitado e a selecção nacional numa presença habitual e temida nas principais provas internacionais.

E essa geração tinha precisamente em Luís Figo o seu maior expoente, ele que foi com Zidane, o melhor jogador do mundo do seu tempo. Se não foi o melhor, foi pelo menos o mais completo.

Numa era em que a maioria dos futebolistas europeus de topo são adorados como deuses, pagos como reis e vivem sob os holofotes da fama, Luís Figo foi um exemplo para todos.

É reconfortante olhar para as suas origens humildes e ver naquilo em que se tornou ao custo de muito talento, mas também de trabalho árduo. Dono de um currículo invejável e profissional inigualável, símbolo de uma geração e de uma forma de estar no futebol, ora com a bola nos pés, ora no balneário da selecção nacional.

Sai de cena. A juntar mais um título ao recheado palmarés, como se de um imperador se tratasse. A nós portugueses resta-nos agradecer-lhe por tão bem nos ter sabido representar, tendo-se tornado num símbolo de Portugal além fronteiras. Fica também a imagem de um líder por quem ainda suspiramos, de quem soube transportar a bandeira para perto dos adeptos e uni-los à sua selecção.

Em mim, que me ensinas-te a gostar de futebol e sempre foste o meu modelo no desporto, deixas um vazio e a recordação de um homem correcto e humanista, para além de jogador fora do comum e líder dentro e fora das quatro linhas. Pelo teu legado mostras-te que não é desgraça ter nascido português.

Parabéns!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Ensaio "Escolhas Racionais?"

.
12º Lugar do Prémio Católica Prof. Xavier Pintado 2009 - ECOnomia


Objecto de Estudo:
Filme “The Day After Tomorrow” (“O Dia Depois de Amanhã”) do ano 2004 de ficção científica, dirigido por Roland Emmerich.

Economia e Aquecimento Global. Que Relação?
A História do ser humano é feita de decisões que a marcaram.
A Economia, estando ligada ao essencial da vida de cada um, estuda o ser humano de acordo com as suas escolhas e as suas decisões.
O filme “The Day After Tomorrow” mostra-nos que o aquecimento global é um problema que diz respeito à Economia, pois nele identificamos uma situação em que se defrontam duas alternativas e onde o ser humano terá que optar por uma delas: ou continuamos a queimar combustíveis fósseis e a poluir o ambiente sendo que os calotes irão derreter, a água doce lançada nos oceanos afectará os fluxos de ar e as correntes marítimas, pondo em causa o equilíbrio entre água doce e salgada, havendo uma dessalinização que causará o arrefecimento do planeta, ou começamos a repensar a utilização dos recursos que ainda temos, salvando o nosso planeta.
A Racionalidade na utilização dos recursos
Este problema prende-se então com a forma como utilizamos os recursos que estão ao nosso dispor.
Ora, na Economia há um conceito fundamental que nos diz de que forma devemos utilizar os recursos para evitar as terríveis consequências de problemas como o aquecimento global. Esse conceito é o da racionalidade, ou seja, recusando o desperdício, cada pessoa escolhe o que lhe parece melhor de acordo com o interesse próprio, pesando os prós, ou seja o valor, e os contras, ou seja, o custo.
Relativamente ao meio ambiente, o filme alerta-nos para o facto de o ser humano não estar a ser racional, pois ao não pagar o valor da Natureza, da água ou do sol, por exemplo, que apesar de vitais, são ainda suficientes e por isso não têm custo e são gratuitos, aceita o desperdício como algo de banal.
O ser humano tem usado a racionalidade com vista a obter o crescimento económico sem limites e continua a usar e a abusar do meio ambiente a seu belo prazer, emitindo gases tóxicos para a atmosfera. Desse modo, os “recursos não renováveis” esgotam-se e os “renováveis” tornam-se escassos.
Mas para ser racional relativamente a este fim, não é necessário usar e abusar dos recursos naturais da mesma forma que não se abusa dos recursos humanos, obrigando-os a um regime de escravatura, por exemplo.
Ser racional e consciente implica sobretudo dizer não ao desperdício.
Desenvolvimento sustentável como forma de equilíbrio
Há então um postulado fundamental da Economia que nos indica a forma como devemos responder a este problema. É o postulado do equilíbrio que neste caso concreto diz-nos que devemos trabalhar em prol de uma situação onde haja uma maior harmonia entre crescimento económico e respeito pelo meio ambiente. Esse objectivo tem um nome: desenvolvimento sustentável.
Não podemos continuar a pôr em causa o direito ao desenvolvimento das gerações vindouras ao optarmos apenas pelo crescimento económico, pois continuando a abusar dos recursos naturais ainda disponíveis, o meio ambiente sofrerá danos irreversíveis, que poderão por em causa a própria vida no planeta.
A importância e o valor do ambiente
O meio ambiente é cada vez mais uma fonte de preocupações da opinião pública mundial, sendo que se multiplicam as manifestações, os filmes, os livros e os documentários por parte de quem compreende a importância de um meio ambiente saudável para a vida na Terra.
Porém, há agentes económicas que ainda resistem a este facto e, tal como o vice-presidente norte-americano no filme, argumentam que a redução das emissões de gases poluentes custa à economia mundial centenas de biliões de dólares.
Esse argumento não é valido. O preço de não agir será maior, visto que verificar-se-á uma série de alterações no clima, que modificarão por completo o planeta Terra, fazendo surgir no Hemisfério Norte quase como que uma nova “Idade do Gelo”, sendo que milhões de pessoas terão de partir em direcção ao sul em busca de temperaturas mais amenas.
Todos sabemos que as decisões têm um valor e um custo, uma oferta e uma procura, devido à escassez, porque o ser humano tem mais necessidades do que recursos para as satisfazerem.
Assim nasce o custo, sendo que o valor das escolhas é o custo do que não escolhemos e da satisfação que cada pessoa tira do uso da sua opção para satisfação das suas necessidades.
Na definição do custo de não actuar perante os graves desequilíbrios que o ambiente apresenta, há que ter em conta os problemas ecológicos das externalidades que a produção de bens e serviços cria, e que apesar de não serem contabilizadas, são identificáveis e afectam a sociedade, reduzindo o seu bem-estar, objectivo principal da ciência económica.
Imagine-se, no cenário que o filme apresenta, com fortes nevões na Índia, tempestades de granizo do tamanho de bolas de golfe, ciclones devastadores, tornados enormes e furacões violentíssimos, os elevados custos que advirão desses fenómenos. Imagine-se os custos avultadíssimos que os acidentes rodoviários, a queda de aviões, a destruição de edifícios e a devastação das cidades que lançariam o caos nas populações, obrigadas a ser evacuadas em massa, significariam na economia mundial.
Conclusão – internalização dos valores ecológicos nos valores económicos
Talvez seja de repensar a falha do mercado que constitui o facto do produtor não pagar o custo dos recursos naturais quando há um preço diferente do verdadeiro valor dos mesmos.
Sabemos que é impossível recuar no desenvolvimento para dar primazia ao ambiente, daí que seja necessário um ponto de equilíbrio que constitua uma solução comum, incutindo e internalizando na sociedade e nos agentes económicos o respeito pelo valor do ambiente, através das três formas de tomar decisões em Economia.
Através da tradição dever-se-á incutir na sociedade uma educação ambiental segura e eficaz, capaz de criar novos hábitos sensíveis aos valores ecológicos.
Por outro lado, o Estado, deverá fazer uso da autoridade, através de regras e leis por exemplo, a fim de penalizar quem não respeite uma utilização racional e equilibrada dos recursos, elevando estes se necessário à categoria de bens públicos, fixando impostos e taxas para a sua utilização.
Por fim, se estas práticas forem levadas a cabo com sucesso, dever-se-á deixar que o mercado funcione e que a livre escolha dos agentes económicos tenha em conta os valores ambientais, preservando assim o planeta e a vida do ser humano.

Bibliografia:
NEVES, J. C., “O que é a Economia?”, Principia, 2003;
NEVES, J. C., “O Estranho Caso do Livro de Economia: Uma Investigação Económico-Criminal de Dick Shade”, Verbo, 1996;
PAIS, M. J. e outros, “Economia A – 11º ano”, Texto Editores, 2008;

Carlos Alberto Videira
João Pedro Fernandes

sábado, 9 de maio de 2009

“Acção Social em Caminha” em debate


Um colóquio organizado por um grupo de alunos de Sociologia da Ancorensis, Cooperativa de Ensino, juntou várias personalidades ligadas ao trabalho social.

Esta iniciativa, inserida no trabalho de projecto de Sociologia de um grupo de alunos do 12ºF, teve lugar na última sexta-feira, dia 8 de Maio, pelas 21h30 no Salão Nobre do Centro Cultural de Vila Praia de Âncora.

Carlos Alberto Videira que assegurou a apresentação deste colóquio e organizou a iniciativa juntamente com os seus dois colegas de grupo, Adriana Lopes e Tiago Brás, referiu que o objectivo do debate era dar a conhecer a importância do trabalho social como forma de atenuar as desigualdades e no qual há que contar com todos os quadrantes da comunidade local: freguesias, município, Igreja, IPSS, escolas, empresas, etc.

Entre os oradores presentes na mesa, a Prof. Celeste Araújo falou em nome da Ancorensis e referiu a importância do papel da escola no auxílio aos alunos com mais dificuldades e às suas respectivas famílias.

O Dr. Pedro Giestal da Santa Casa da Misericórdia de Caminha, IPSS que se aproxima a passos largos de completar 500 anos, falou um pouco da história desta instituição, referiu as suas valências, os seus projectos e os desafios que se colocam neste momento.

Já o Pe. João Baptista referiu que apesar de todas as criticas que são feitas, os pobres sempre foram a prioridade da Igreja ao longo dos seus 2000 anos de existência.

O Dr. Manuel Marques, Presidente da Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora, falou da importância das freguesias no trabalho social e que por vezes é esquecida, sendo que por sua vez, o Vereador da Acção Social da Câmara Municipal de Caminha, Dr. Paulo Pereira, falou da Rede Social e das suas prioridades: a educação/formação/emprego, equipamentos e respostas sociais; combate ao alcoolismo e à toxicodependência e a habitação. O vereador informou ainda os presentes acerca daquilo que está a ser feito para combater estes problemas.

Na assistência estavam ainda a Dra. Isabel Tristão, advogada do Projecto Recomeçar, alguns membros da Conferência Vicentina de Vila Praia de Âncora e o Sr. José Luís da ACIVAC que tiveram também a oportunidade de intervir e falar em nomes das entidades que representavam.

sábado, 2 de maio de 2009

Uma Semana Positiva

Hoje, gostava de partilhar convosco as experiências vivivas nestes últimos dias no âmbito da "Semana +" dinamizada na Cooperativa de Ensino Ancorensis. Uma semana que decorreu de 27 a 30 de Abril, período durante o qual praticamente não houve aulas, mas que foi imensamente enriquecedor.

A minha semana começou com a preparação da "Exposição porDarfur" que abriu ao público às 14h30 de segunda feira. A exposição esteve aberta até quinta feira, durante a qual as turmas tinham a oportunidade de fazer uma visita guiada onde podiam contactar com várias fotos, vídeos e outros materiais relativos ao Darfur e onde podiam igualmente adquirir algu produtos para recolha de fundos. Por esta exposição passaram também nomes como o Dr. Fernando Nobre e o Dr. Pinto da Costa.

A terça foi sem dúvida o grande dia! Vestido a rigor, assisto durante breves instantes à Palestra "Mitos e Factos" organizada por um grupo de colegas que se tem dedicado ao estudo das ciências forenses e na qual tiveram a honra de contar com o Dr. Pinto da Costa que revelou uma grande empatia com o público. O telemóvel toca pelas 11h00. Era o Dr. Fernando Nobre, Presidente da Fundação AMI e um dos homens que mais admiro. Atendo e do outro lado a sua voz diz-me: "Sou o Fernando. Estou a chegar!"

Apresso-me a chamar o Prof. Cerqueira Rodrigues, Presidente da Direcção Pedagógica da Ancorensis, para o irmos receber e passados 10 minutos vejo-o chegar numa carrinha com os dizeres da AMI. A conduzir vem o Dr. João Sousa, Chefe da Delegação Norte. Cumprimento-os e fico a saber que o Dr. Fernando Nobre acordara pelas 6h da manhã para apanhar o comboio até ao Porto. Havia chegado há pouco tempo do Mali e preparava-se para dentro de dias se deslocar à Guiné. O homem não pára, mas teve tempo para nos vir dar o seu testemunho e satisfazer o desejo de conhecer Caminha, terra da sua avó paterna.

Convido-os a irem até ao bar tomar qualquer coisa e levo-os até à nossa exposição, quando me liga o Pe. Leonel Claro da Plataforma porDarfur. Por volta das 12h está tudo a postos. Começa a sessão. Faço a minha intervenção, ouço os nossos ilustres convidados enquanto o tempo voa. Tinha lado a lado duas pessoas com uma experiência de vida impressionante.

Após a conferência acompanho os convidados à porta e o Dr. Paulo Pereira, Vereador da Câmara Municipal de Caminha e voluntário da AMI que acabava de conhecer o seu "antigo patrão" como a ele se referiu, convida a delegação da AMI a ir almoçar até Caminha e a conhecer um pouco a vila. Eu e o presidente da Direcção Pedagógica também os acompanhamos a seu convite. Durante o almoço dirigiu-me algumas palavras olhos nos olhos que não esquecerei nunca: "Na tua idade não te podes acomodar", "Já dizia um político irlandês que para o mal vencer só é preciso que o bem não faça nada!". O almoço é rápido, porque o Dr. Fernando Nobre ainda queria apanhar o comboio no Porto pelas 16h30 para ver se conseguia jantar em família. Cumprimento-o pela última vez, agradecendo o seu esforço para responder ao meu convite. Pelas 17h ainda me voltou a ligar acerca de uma obra que um professor da escola lhe disponibilizou.

Quarta feira foi dia de futebol. Lançamos o desafio aos professores: queremos fazer um jogo entre a nossa turma e os professores pelo Darfur. Houve muitos receios da sua parte, mas no fim lá aderiram e tudo correu às mil maravilhas. O presidente da direcção deu o pontapé de saída e o jogo foi uma momento de grande diversão onde alunos e professores brincaram e gozaram do momento, com algumas malandrices e traquinices de parte a parte mas sem nunca quebrar o respeito necessário para que tudo corresse bem. Apesar de tudo, a idade não perdoa e os alunos venceram por 3-2 com um golo meu.

Na quinta feira realizei a minha última acção à qual chamei "Gritos". Face à ausência de convidados fui o único orador. Dei a conhecer a região, o conflito e aquilo que me move. Termino com duas citações: António Gedeão (“O sonho comanda a vida, e sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança.”) e Saint-Exupéry (“Ninguém tem o direito de matar ninguém porque ninguém sabe os sonhos que estão no fundo dos olhos de cada um de nós.”) para explicar aos meus colegas que os níveis de conforto a que estamos habituados devem-se a homens que usaram sonhar mais e melhor e que por isso não temos o direito de matar os homens e os seus sonhos, porque assim estamos a acabar com a nossa possibilidade de continuar a sonhar e a progredir.

Abro o espaço às perguntas e alguém diz: "Quando disseste que achas que já conseguiste fazer algumas coisas bonitas, de que estavas a falar?" Respondo: "Dei a conhecer esta tragédia, entrei para Amnistia Internacional, conheci pessoalmente a Dra. Ana Gomes e o Dr. Fernando Nobre, tive vários contactos por telefone com D. Ximenes Belo, juntei professores e alunos num jogo de solidariedade, consegui juntar alguns fundos para enviar para aquela população, e hoje tenho a certeza, que daqui a um tempo quando vocês ouvirem falar novamente no Darfur irão dizer: «Quando eu andava na Ancorensis havia lá uns parolos que andavam sempre a falar no Darfur»".

A acção termina, recebo os parabéns por uma semana recheada de emoções e desloco-me até às salas onde uns colegas dinamizavam uma recolha de sangue, na qual participei com muito gosto. Assisto a mais alguns colóquios sobre segurança e emprego e visito a Feira do Livro e algumas exposições acerca do 25 de Abril, de Vila Praia de Âncora e da criminologia.

Desmonto a exposição, já que segunda-feira voltam as aulas, vou a casa tomar banho e jantar e chego mais cedo para assistir ao Sarau Cultural. Sou resgastado por uma professora para a "ajuda de palco". Basicamente a minha função era abrir e fechar cortinas. Mas como descobri naquela noite, até para isso é preciso ter classe. Acabei por fazer algumas brincadeiras para animar a festa. Depois de uma semana daquelas tinha que haver um encerramento à altura.

Alguns professores riam-se e diziam-me: "Estás possuído", "Olha a reputação que tu já ganhaste nesta escola", "Quem te viu na terça e quem te vê aqui!". Tinham alguma razão no que diziam. Mas tinha passado uma semana inteira a falar de Direitos Humanos, porque acredito na sua importância. E acredito também que depois do direito à vida, não há direito mais importante que o direito à felicidade, apesar do mesmo só ser contemplado na Constituição dos Estados Unidos da América. Naquela hora a alegria estava espalhada. Será que alguém ainda duvida da sua importância nos tempos em que vivemos?


PS:
Um agradecimento especial a todos que no decorrer desta semana me dirigiram várias palavras de apoio e de congratulação e à
Success Photography que fez a cobertura total das minhas actividades e não só!