quinta-feira, 24 de julho de 2008

A Estação Parva



Eis que estamos em plena silly season - a altura em que damos descanso aos neurónios, dizem-se umas parvoices e não se faz nada. As grelhas de programação da televisão mudaram, o parlamento foi de férias e o futebol ainda prepara o seu regresso envolto em polémica.

Os telejornais não passam muito para além disto: crise dos combustíveis continua; jovem morre afogado no rio, temperaturas a aumentar e jogador X que vai para o clube Y (que já é o seu favorito desde pequenino), mantendo-se do ano passado também a paixão pelos casos de duas crianças: Esmeralda e Maddie.

É também, a época em que se abrem os cordões à bolsa para gastar em souvenirs e em grandes negócios. Não admira portanto que isto só aconteça no Verão, quando todos estamos apanhados do clima a tentar esqueçer o ano que passou e preparar a tortura do próximo em plena vida de rei: praia, churrascada com os amigos e noitada.

A verdade é que também eu me sinto agora um pouco aparvalhado. Não por andar nesta vida, mas por estar todos os dias em contacto com eles e ve-los enquanto eu vou trabalhar de segunda a domingo (razão pela qual não tenho dado grande vida a este blog e os posts aparecem a horas tão tardias). A GNR anda por ai a passar multas como cães esfomeados e a verdade é que as pessoas também abusam e parece que sofrem de "preguicite aguda". A televisão, onde agora abundam as repetições de programas antigos, anda totalmente marada desde a Maré Alta ao Verão Total, passando pelas Tardes da Julia.

As pessoas sem o futebol e a politica como tema de conversa não sabem o que fazer. Ou seja anda tudo abananado. Mas não se importam porque afinal levam a vida que querem. E eu a ver e a pensar: O que é que eu ando aqui a fazer perdido neste filme? E interrogo-me: O que será pior. Estar apanhado do clima ou com a cabeça no lugar, mas envolta em problemas?

Sinceramente, não sei... mas isto é um ciclo que se repete todos os anos, por muitos que passem. Portanto, já faz parte do equilibrio do ser humano. Pelo menos do português.



"Feliz é aquele que nunca repara se está no Inverno ou no Verão." - Anton Pavlovitch Tchékhov

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