segunda-feira, 7 de julho de 2008

"It's in our hands!"


Há dias, em Londres, o mundo homenageou Nelson Mandela, pelos seus 90 anos. Tal como João Paulo II nos seus últimos anos de vida, o Nobel da Paz também já não articula muito bem as frases e os passos, mas mantém aquela autoridade imponente que faz com que as poucas palavras trémulas que saiam da sua boca sejam ouvidas com toda a atenção.

Em Londres, cinquenta mil pessoas foram a um concerto de homenagem que juntou vozes e caras conhecidas de todo o mundo. Esse concerto serviu também para reunir fundos para a Fundação 46664, fundada por Nelson Mandela para combater a SIDA no continente africano com o lema "It's in our hands" ("Está nas nossas mãos")


Está concerteza nas nossas mãos, mas ao que parece não é prioridade para muitos. Um dos assuntos a que a cimeira do G8, nestes dias reunida no Japão vai dedicar o seu tempo é precisamente a África.

Mas só o seu tempo, porque os 356 milhões de euros que chegariam para tratar mais de quatro milhões de doentes com SIDA (enfermidade que tanto assola o continente e ainda move Mandela), ficaram antes guardados para a realização e organização da dita cimeira. E parece ser a coisa mais normal do mundo.



PS: É duro ver imagens como esta de uma criança tão pequena e frágil. Muitos que a vêem e ainda se chocam poderão perguntar: "Onde está Deus?". Mas não seria mais util perguntar: "Onde está o Homem?". Porque me parece que se o Homem não dizer "Presente" e rapidamente, ainda veremos muitas imagens como estas. Se houve alguém que disse que não era normal as mulheres terem menos direitos que os homens apenas pelo sexo e se houve alguém que disse que não era normal os negros terem menos direitos que os brancos apenas pela cor da pele, porque é que em pleno século XXI ainda ninguém disse que não era normal crianças morrerem por doenças perfeitamente evitáveis, apenas porque tiveram a fatalidade de nascer num sítio esquecido?

É este o nosso desafio neste século. Continuará a haver trabalho enquanto de um lado do mundo, ainda houverem pessoas a morrer de fome, pobreza, guerras e doenças sem que ninguém se importe. É uma herança que não podemos deixar às gerações vindouras, para que elas possam dizer: "Um dia houve pessoas que não acharam normal a fome, a pobreza e as doenças e por isso hoje todos vivemos em igualdade, em liberdade e em paz!".


Por isso, todos nós temos algo a fazer...porque não começar já?

Sem comentários: