terça-feira, 15 de julho de 2008

Por quem os sinos dobram?

John Donne, poeta inglês do século XVI, no seu famoso texto “Meditações XVII”, escreveu um belíssimo trecho, mais tarde usado pelo escritor norte-americano Ernest Hemingway no seu romance “Por quem os sinos dobram”.

Citação essa transcrita aqui em inglês, abaixo traduzida e que sempre me encantou:

“No man is na island, entire of itself; every man is a piece of the continent, a part of the main. If a clod be washed away by the sea, Europe is the less, as well as if promontory were, as well as if a manor of thy friend’s or of thine own were. Any man’s death diminishes me, because I am involved in mankind; and therefore never send to know for whom the bell tolls; it tolls for thee”.

“Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si mesmo; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da Terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do género humano. E por isso não pergunyes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”.

Nenhum Homem pode viver sozinho. Todos nós somos todos interligados, e a perda de um ser humano é também a nossa perda. Nesse mesmo sentido, a morte de uma pessoa é a nossa própria morte, ou seja, cada vez que os sinos dobram, a humanidade perde algo precioso: uma vida, e, com ela, toda uma história. O som dos sinos é um lembrete de nossa própria mortalidade, da nossa própria fragilidade.

A perda de um familiar muito querido, este fim de semana fez-se mais uma vez perceber que aprender a lidar com a morte é no fundo aprender a viver. Muitas coisas ficaram por fazer ou por dizer mas a vida segue em frente com a recordação e a lembrança de todos os bons momentos que Deus permitiu que passassemos e dos quais devemos estar gratos. Ao meu avô Domingos, um muito obrigado por tudo e que descanse em paz. Um dia, estou certo, que nos voltaremos a encontrar.


"Morrer é apenas não ser visto. Morrer é a curva da estrada."-
Fernando Pessoa

1 comentário:

Andreia disse...

Orgulho-me de ti!Beijo