sábado, 22 de dezembro de 2007

ONDE ESTÁ O MENINO NA FESTA ANUAL DO CONSUMISMO?


"(...) Onde se tinha visto, alguma vez, o Divino descer voluntariamente à condição de humano, expor-se a todas as vulnerabilidades para estar entre nós, para que não ficássemos sozinhos? Uma história de esperança e de salvação. Esperança nos homens de boa vontade e caminho de redenção, libertador do jugo a que tantos estavam condenados. O Natal é isto mesmo. Para os que têm fé, a renovação da Encarnação, de um poderoso e salvívico acto de amor. Para os que não têm fé, o aniversário de um homem que revolucionou o seu tempo, fez face aos poderosos, exaltou os humildes, lutou pela justiça e pela liberdade e, por isso, foi crucificado. Em qualquer caso, uma imensa prova de confiança na nossa pobre condição humana, que devia servir de motivo para alguma reflexão interior, sobre cada um de nós e os outros, todos os outros que vivem, ainda hoje, na privação da esperança e da dignidade.Há dois meses que nos incitam a "brincar ao Natal", agora definitivamente transformado num entrudo pelo marketing desenfreado da sociedade de consumo. Só vejo o velho vermelhusco, o seu trenó e as suas renas, sinos, fitas e bolas, pinheiros de todos os tamanhos, comida e presentes. Uma sociedade infantilizada parece querer fugir de qualquer espiritualidade, recusar qualquer dimensão transcendental. Onde está, então, o Menino, a razão única desta efeméride, quer se acredite quer não, na sua divindade?"

ONDE ESTÁ O MENINO?
Maria José Nogueira Pinto
Jurista


"Do ponto de vista comercial, se o Natal não existisse seria preciso inventá-lo." - Katharine Whitehorn


PS: O Natal dos tempos modernos é feito como uma epoca de Consumismo. Uma epoca em que a televisão se enche de publicidade a promover os produtos de Natal, onde se dão aquele tipo de coisas a que nós chamamos tarecos e vão para um sítio onde nunca mais nos lembramos dele e onde à vezes fica bem ser bonzinho e fazer um bocadinho de solidariedade porque ao mesmo tempo as Catedrais do Consumo vendem mais e melhor ainda: a marca fica valorizada.

Ora para mim, como cristão celebro este dia como a festa da família e o renascimento dos valores que Jesus trouxe ao mundo à longiquos dois milénios. No dia em que o Salvador se fez no mais humilde de todos nós, nascendo no meio da porcaria dos animais, certamente não puderia haver mais amor.

Por isso, gostava mais de ver o Menino Jesus e menos o Pai Natal e gostava mais de ver mais solidariedade verdadeira e menos consumismo. Porque se Jesus nasceu como o mais pobre dos pobres, porque é que festejamos o seu nascimento com tudo o que se opõem à sua vinda ao mundo?

Que neste ano tomemos o lugar dos Reis Magos: fidelidade à nossa consciência e prestação de serviços aos mais pobres...

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