
Cá estou eu de volta. Desde sábado que não postava nada. Esta ausência deveu-se ao facto de ter sido submetido a uma intervenção cirurgica na última segunda feira a um pé, para remoção de uma pequena estrutura ossea. Fui internado no domingo e apenas ontem ao final da tarde voltei a casa. Foram quatro dias em que experimentei uma realidade diferente e nos quais tive muito a aprender. De salientar o grande apoio dos amigos e da familia, mas também daqueles que não estando tão próximos por vezes nestas ocasiões se fazem sentir. De salientar o convivio com os colegas da enfermaria do piso 4 do Centro Hospitalar de Viana do Castelo, bem como o tratamento excepcional de todo o pessoal que lá trabalhava (médicos, enfermeiras, estagiárias, auxiliares) que a toda a hora eram de uma simpatia e boa disposição extrema. O meu muitissimo obrigado a todos, e a certeza que jamais me esquecerei destes dias.
Porém, já sabemos que nós pudemos parar, mas o mundo certamente não vai esperar por nós. E nestes dias houve alguns acontecimentos importantes a que gostaria de dar enfâse. E eles prendem-se sobretudo com a presidência portuguesa da União Europeia.
Podemos dizer que depois da assinatura do Tratado de Lisboa nos Jerónimos esta manhã a presidência europeia acabou simbolicamente. José Sócrates disse que foi um sucesso. A maioria dos criticos também. Eu, fazendo um bocadinho agora de prof. Marcelo Rebelo de Sousa, de 0 a 20 daria um 18.
Foi um excelente exercicio sim senhor. Só não dou mais porque tivemos uma falha e meia em todo este processo.
Os objectivos foram traçados desde o inicio: Brasil, Tratado e África. Os dois primeiros tiveram um sucesso irrepreensivel.
No primeiro dossier, mostramos que afinal a lusofonia sempre serve para alguma coisa e foi em português que se selaram os acordos de cooperação.
Quanto ao terceiro dossier, todos o consideraram um sucesso. Eu encontro aí meia falha. Eu sei que já foi muito bom juntar tantos chefes de Estado à mesa e falar sem tabus de todos os temas, mas deixa-me triste que apesar desse bom resultado tudo tenha ficado na mesma. Na minha opinião esta foi uma cimeira de retórica, com as acusações de sempre e do qual não saiu um único compromisso sobretudo para a mais que dramática questão do Darfur. Ao fim ao cabo, assinaram-se sete ou oito acordos de parceria económica e nada mais. É com grande tristeza que vejo que depois de tanto esforço em aproximar os dois continentes tudo ficou na mesma. E aí encontro meia falha da nossa Presidência.
A outra falha encontro na incapacidade de se fazer algo no Kosovo. Não houve uma única posição clara da União Europeia fora do politicamente correcto!
Mas apesar disso temos que ficar felizes com a performace atingida. Até porque há que não esquecer que também houveram as reuniões com China, Rússia e Índia muito importantes para o nosso futuro comunitário.
E sai daqui uma conclusão. José Sócrates pode ter todos os defeitos e mais alguns na politica interna, mas em politica externa é um hábil diplomata e excelente mediador, e foi por aí que a presidência foi um sucesso. A forma como ele encarou a oposição infantil dos eurodeputados comunistas e mais à esquerda foi de superior inteligência. Além do mais, ele também soube perceber que a nossa presidência seria uma grande oportunidade para conseguir protocolos proveitosos para o nosso país com a Libia ou a India com os quais viremos a lucrar muito no futuro.
E já que estamos em maré de elogios, não esquecer certamente Durão Barroso, sempre muito calmo e perspicaz, mas sobretudo Luís Amado. Ele foi talvez a face menos visivel do sucesso mais talvez a mais importante. Com os poucos recursos que tinha lá foi levando a água até ao seu moinho e conseguiu excelentes resultados.
Pena nestes dias, só o comportamento de Gordon Brown. Armado em vedeta e envolto em birras, quase fazia a coisa acabar mal. Mas felizmente havia Sarkozy e Merkel, cuja ajuda a Portugal foi essencial.





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