
O Natal é uma época em que estes valores ressurgem. Pena que aconteça só uma vez por ano. Porque passados estes dias, celebrados finalmente em folias de revéillon, todos se esquecem de todos e regressam ao seu individualismo e egocentrismo, não há tempo para nada nem para ninguém.(...)
A caridade não devia reduzir-se a uns dias do ano. A caridade, no conceito muçulmano, e creio que também no mundo cristão, é para se praticar todos os dias, e sobretudo numa lógica de não apenas "dar o peixe, mas de ensinar a pescar". Pois senão, que bondade e generosidade pode existir na prova da abundância por um dia, e na experiência da miséria e solidão nos restantes 364 dias do ano? Que fizemos de facto para mudar as coisas? Quanto do nosso tempo e saber oferecemos para que o Natal dos pobres e desprovidos possa melhorar de ano para ano? (...)
É Natal porque Jesus nasceu. Mas é porque Jesus nasceu que todos os dias são dias de fazer Natal, de nos excedermos nas boas obras, seja qual for o caminho de cada um."
Público, 21.12.2008, Faranaz Keshavjee





Sem comentários:
Enviar um comentário