segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

É Natal!


"(...) No Natal observo vários milagres: a generosidade social; os abraços fraternos que damos; o sorriso sentido às crianças, idosos, pobres e ricos desejando o melhor da vida; e as mais belas experiências de amor, de fé, de ternura, independentemente das nossas crenças. Políticos, cientistas, académicos, comerciantes, judeus, muçulmanos, hindus, budistas, ninguém escapa a estas expressões humanas. É que, mais do que acreditar em Deus, acreditamos em nós mesmos, nas pessoas, no bem que podemos fazer uns aos outros, e na grande diferença que sabemos que podemos fazer, às vezes com gestos muito pequenos.(...)

O Natal é uma época em que estes valores ressurgem. Pena que aconteça só uma vez por ano. Porque passados estes dias, celebrados finalmente em folias de revéillon, todos se esquecem de todos e regressam ao seu individualismo e egocentrismo, não há tempo para nada nem para ninguém.(...)

A caridade não devia reduzir-se a uns dias do ano. A caridade, no conceito muçulmano, e creio que também no mundo cristão, é para se praticar todos os dias, e sobretudo numa lógica de não apenas "dar o peixe, mas de ensinar a pescar". Pois senão, que bondade e generosidade pode existir na prova da abundância por um dia, e na experiência da miséria e solidão nos restantes 364 dias do ano? Que fizemos de facto para mudar as coisas? Quanto do nosso tempo e saber oferecemos para que o Natal dos pobres e desprovidos possa melhorar de ano para ano? (...)

É Natal porque Jesus nasceu. Mas é porque Jesus nasceu que todos os dias são dias de fazer Natal, de nos excedermos nas boas obras, seja qual for o caminho de cada um."


Público, 21.12.2008, Faranaz Keshavjee

Sem comentários: