Comecei como um apoiante entuasiasta de Barack Obama, ao qual dediquei um ou dois posts neste blog, expressando o meu apoio, mas hoje a minha posição é mais confusa que nunca. De tal forma, que em conversa de café, já admiti, que se fosse americano, ponderaria em votar em John McCain
Passo a explicar agora a forma como vivi este complexo processo que se aproxima agora da recta final.
No ínicio das primárias nunca havia ouvido falar de um John McCain. E para mim não haviam dúvidas: Giuliani seria o eleito dos republicanos, na linha George W. Bush. A minha indignação por 8 anos de politicas aberrantes do ex-governador do Texas, fizeram com que eu nem sequer olhasse muito para esse lado da campanha, excepto quando ouvi falar de Huckabee, com quem muito me ri, fosse pelo seu bom humor contagiante ou por algumas posições fundamentalistas e ultrapassadas.
A minha atenção estava no lado democrata e em Hillary, Barack e Edwards, que debatiam de forma apaixonante. E aqui nunca tive dúvidas. Barack Obama era o melhor candidato. Para além da sua incrível capacidade oratória, apresentava-se como um candidato supra-racial, agente da mudança, empenhado numa América mais moderada na politica externa, opondo-se à guerra no Iraque e a Guantanamo! Visto que Edwards arrumou rapidamente, Hillary foi a sua adversária, com uma campanha agressiva, feminista e pouco objectiva, que pouco me entusiasmou.
Alegrei-me como nunca antes em política externa quando vi que Barack Obama era o eleito democrata e então, entramos numa outra fase da corrida presidencial. De um lado tinhamos um jovem de 46 anos e do outro um experiente de 72, já que Giuliani havia sido rapidamente posto fora da corrida, surgindo o veterano para ocupar o lugar que muitos pensavam ser do primeiro.
Aos poucos fui conhecendo a história e as ideias de John McCain e a minha admiração pelo mesmo disparou: pela forma correcta como sempre tratou Obama, pelo seu passado no Vietname, por as suas posições contrastantes com as do aparelho repúblicano.
Não foi por isso que deixei de apreciar Obama, embora me desiluda por vezes quando o vejo defender a pena de morte para casos extremos, entre outros, da mesma forma que McCain me assusta quando fala do "tempo de guerra" que está para vir e da necessidade de vitória dos EUA.
Também posso dizer que a escolha dos vices me voltou a desiludir. Obama escolheu Biden, que votara a favor da intervenção no Iraque que Obama tanto criticara, sobretudo em debates com a senadora Clinton, o que esfriou as minhas expectativas sobre a mudança que a sua vitória podia trazer. McCain escolheu Palin, para captar as mulheres e os conservadores. Uma escolha que entusiasmou muita gente, mas como se tem visto pelas declarações de Palin, se revela muito perigosa.
Hoje, não tenho candidato. Mantenho as palavras que dirigi a Obama quando lhe declarei o meu apoio, mas não nego que McCain não lhe fica nada a trás, e que não será uma catástrofe se o primeiro não ganhar, tal como os dois dizem quando interrogados um sobre o outro, dada a sua admiração mútua, apesar das divergências que mantêm relativamente a algumas questões fundamentais. Mas estou feliz, porque pela primeira os americanos se dirigem às mesas de voto com duas opções credíveis, competentes e responsáveis. E com a esperança de um futuro risonho, aconteça o que acontecer...
E por isso, seja qual for o resultado, endereço desde já os parabéns ao vencedor e um agradecimento ao vencido, pelo contributo que deu à política mundial nestes meses!





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