sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Mal acostumados

Precisavamos de ouvir o que Scolari nos disse muito sinceramente. Quando se esperava um discurso bonito, Scolari rompeu com o politicamente correcto e disse umas boas verdades. Também não estou muito feliz com a carreira da nossa selecção, porque não foi de facto a melhor, mas a verdade é que não vai assim tão longe o tempo de grupos acessiveis e classificações vergonhosas.

Tempos houve em que a selecção não era mais que um espaço de brigas entre clubes. Onde o que interessava era quem tinha lá mais jogadores. Hoje, a maioria dos atletas internacionalizaram-se e já não há tanto essa guerra de interesses. Mas a verdade é que o maior contributo para a união dos portugueses à volta da sua selecção foi da responsabilidade do "Homem do Leme". Foi ele quem conseguiu transportar os portugueses para junto da sua selecção com a bandeira em cada janela e os estádios cheios de familias. Foi ele que percebeu que o futebol podia-se tornar factor de optimismo, alegria e patriotismo, cantando o hino e juntando as bandeiras do Brasil e de Portugal pela lusofonia. Foi ele que conseguiu unir os jogadores num circulo e com eles rezar, num trabalho de injecção de moral que todos salientam. Mas foi sobretudo ele, que deu e dá o murro na mesa quando é preciso. Que sabe ser o general e o pai manso sempre que nós precisamos.

Em 2003 a tarefa apresentada era deveras dificil. Em pouco mais de quatro anos Portugal deixou de ser a equipa que jogava desapaixonadamente e não correspondia às espectativas. Um Europeu e um Mundial de sonho iniciaram um novo ciclo que se quer longo e de preferência com a aura contagiante do mister Scolari.

Mister Scolari esse, que tem sido mal interpretado e muitas vezes injustiçado. Aquele que havia sido adoptado por nós como um português de gema com sotaque tornou-se nesta fase de qualificação em besta depois de ter sido bestial. É certo que o bom desempenho conseguido antes não invalida um mau desempenho futuro, mas a verdade é que esta é uma selecção em fase de renovação e precisamos de uma nova geração de ouro ou pelo menos de uma mistura mais forte entre jovens e jogadores mais experientes.

Mas apesar das dificuldades e do facto preocupante de não termos ganho nenhum jogo contra os três mais directos adversários que deve ser reflectido sem dúvida nenhuma, prefiro apoiar e defender Scolari, que tanto nos tem dado e já podia ter batido com a porta, do que fazer como os ingleses, que durante anos a fio atacaram um dos treinadores mais competentes do futebol mundial, Sven Goran Eriksson, optaram por se descartar dele e hoje com o melhor campeonato do mundo e alguns dos melhores jogadores vão ver o Campeonato da Europa no sofá de casa, pela primeira vez em muitos anos.

Vimos e elogiamos a forma como Zapatero e Juan Carlos de Espanha defenderam o seu país das ofensas de Hugo Chavez, mas desprezamos e ofendemos a torto e a direito, o único homem que nos últimos tempos nos tem dado a verdadeira noção de patriotismo fora e dentro das quatro linhas.

FORÇA MISTER SCOLARI! FORÇA PORTUGAL!


1 comentário:

Anónimo disse...

Em Portugal futebol é o desporto rei até certo ponto é normal k os adeptos esperem smp mais e mlh. Contudo, Scolari já mostrou k é um homem de carne e osso e mt transparente. erra, vence, tens bons e maus dias. o povo parece k ñ entende isso.

Nós somos povo lutador, sofredor e vencedor! Força Porugal!